segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Não tô entendendo...

Nesse domingo a Zero Hora fez uma extensa reportagem sobre os problemas da saúde no nosso estado. A constatação do periódico pasme: “O Estado investe menos do que deveria em saúde”.

Essa afirmação caiu como uma bomba quando eu li. Finalmente a Zero Hora descobriu isso. Sim, porque durante 8 anos ela tem esquecido, ou relevado aos rodapés das páginas esse fato. A matéria traz um comparativo de investimentos entre todos os estados. O RS é o laterna com 7,2% da receita líquida em impostos e transferências. O Amazonas investe 3 vezes mais!

Segundo a reportagem o rombo entre 2004 e 2009 seria de R$ 3,7 bilhões. Esse foi todo o dinheiro que deveria ser investido na saúde gaúcha e não foi. O que a reportagem não menciona é que nesse período o estado foi governado pelo Germano Rigotto (PMDB)  e Yeda Crussius (PSDB). Incrivelmente eles não são citados pela matéria. Apenas o secretário de saúde do governo Yeda, Osmar Terra (PMDB), que ainda vivendo na esquizofrenia do governo anterior custa a admitir o desastre que foi o seu governo.

Estado de Menos

Não esse subtítulo não é nosso é da matéria da Zero Hora. Agora é que a coisa enlouqueceu. Esse diário é costumeiramente defensor do estado mínimo e cobra a falta de presença do Governo na saúde? A reportagem toma como base uma pesquisa realizada pela pesquisadora Maria Alicia Domínguez Ugá, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, constata que a participação pública nos gastos com o sistema brasileiro de saúde é só de 44%. Os outros 66% são pagos pelas famílias ou cobertos por planos privados.

Essa pesquisa foi realizada em 2005 e na época o total de gastos com saúde chegava a 8% do PIB, metade desse valor era de investimentos governamentais e o restante privado. Muito se avançou depois disso, tanto que chegou a 5,4% do PIB de investimento público mas mesmo assim amargamos o 169º lugar em investimento público entre as nações, segundo a OMS.

O que a reportagem não diz é que mais uma vez as elites estavam erradas. Ao defender o Estado Mínino, no tempo do FHC, elas provocaram um esvaziamento dos investimentos em saúde. Atualmente a Emenda Constituicional 29, que está para ser votada em Brasília busca regulamentar os investimentos na área. O projeto está parado na Câmara desde 2008.

Resumo: A solução é mais Estado na saúde e não menos como defendiam os neoliberais. 

sábado, 29 de janeiro de 2011

Tirando da tomada

No desespero para tentar evitar os protestos que paralisam o Egito há 5 dias. O ditador presidente Mubarak puxou a tomada e tirou a internet do ar, em todo país, no dia 27. Para quem não sabe as manifestações eram organizadas, principalmente, usando a internet (twitter e facebook) e mensagens de celular. A atitude do governo tinha, portanto, o objetivo de impedir o que era chamado de “Dia da Ira”, uma grande manifestação espalhada por várias cidades do país.

Mas como se “desliga” a internet de um país de 80 milhões de habitantes?

Não tinha nenhuma grande alavanca onde o Mubarak pudesse gritar:

“Igor puxe a alavanca”

Mas o processo foi quase tão fácil. Segundo o site de tecnologia Gizmodo o governo simplesmente emitiu uma ordem para os servidores desligarem seus serviços. Segundo a empresa Vodafone Egypt “pela legislação egípcia, as autoridades têm o direito de emitir esse tipo de ordem e nós somos obrigados a cumpri-la”, disse em um comunicado. Simples assim? Parece que sim. Na imagem abaixo percebe-se exatamente o momento onde o tráfego de internet no Egito caiu abruptamente.

Eram 5h20min do dia 27 (0h20 no horário brasileiro) quando 93% das redes egípcias estavam inacessíveis, e apenas um provedor, o Noor Group, continuava a servir seus clientes, entre eles a Bolsa de Valores e o Banco Internacional do país. Ainda não se sabe oficialmente por que esse é o único provedor que não foi desligado.

O jornal The Telegraph chamou essa atitude de "sem precedentes na história da Internet”.  Foram afetados também os serviços de telefonia móvel deixando o país totalmente sem comunicação interna e externa. Relatos vindos do Egito informavam que era possível algum acesso a internet usando conexão discada. Tinha até um passo-a-passo ensinando como fazer essa conexão.

Se ninguém tinha percebido ainda o único provedor que ficou no ar é aquele que atendia ao sistema financeiro do país. Será que o governo, com isso, tinha deixado uma porta aberta, para que eletronicamente, transferisse dinheiro para o exterior caso algo desse muito errado? Sem ser adepto a teoria da conspiração, mas as bolsas de valores e os bancos não funcionaram nesse dia.

Essa atitude do governo do ditador Mubarak demonstra o poder que as ferramentas de comunicação online tem e o medo que ela causa em qualquer governo. Protegidos pelo anonimato da internet milhares de pessoas conseguem se organizar. Não é por outra razão que há uma série de medidas para censurar e controlar a internet. No Brasil o Senador Eduardo Azeredo (PSDB) tem um projeto com essa finalidade. 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O Burgueseiro

Assim como os partidos políticos têm lado e focam seus governos de acordo com os interesses ou da burguesia ou da população trabalhadora, nossos meios de comunicação também são assim. O problema é que, infelizmente, para a maioria dos telespectadores, ouvintes e leitores, a mídia  que se tem acesso é a mídia burguesa. Ouvimos a Rádio Viva, assistimos à RBS/Globo e lemos O Pioneiro. É o que chamaremos nesse blog de PIG (Partido da Imprensa Golpista).

Iniciando nossa análise em Caxias do Sul, basta observarmos nosso jornal líder de notícias burguesas: O Burgueseiro. Às vezes, chego a me contorcer ao ler as preocupações que afligem a maior parte da população pobre e trabalhadora que são refletidas no jornal:

  • o pedágio, sempre o pedágio (a maioria da população sequer sabe onde ficam os tais pedágios tão criticados pelo “Mirante” – eles não têm carro!);
  • a Rota do Sol (a maioria dos trabalhadores, infelizmente, não pode desfrutar suas férias – quando as têm – na praia);
  • as ruas mal cuidadas do centro da cidade (todos queremos um centro bem cuidado, mas e as ruas esburacadas e de terra batida dos bairros?);
  • as férias dos políticos (acho que é pra causar uma pontinha de inveja em quem não tem férias fora da cidade).

E por aí vai... são informações que distorcem a realidade da comunidade caxiense e que apenas interessam a alguns: a burguesia. Passa até a impressão de que em nossa cidade não existe população pobre, apenas ricos descendentes de imigrantes italianos que moram no centro da cidade.

Bom seria se essas informações fizessem parte dos noticiários diários, mas como coadjuvantes e que os anseios da maioria da população realmente aparecessem na mídia... aí teríamos que mudar o nome do jornal, né?

Ninguém sentirá falta

Desde o dia 5 de janeiro, quando venceu o contrato entre a Prefeitura e os proprietários do McCafé, o espaço que a empresa ocupava junto a Casa de Cultura Percy Vargas de Abreu e Lima está vazio. A secretaria de cultura disse que não há interesse na renovação do contrato. Isso é uma boa notícia. Eu não sei se o café era bom. Dizem até que era. Mas foi um equívoco descomunal colocar uma franquia de fast food num centro de cultura. Equívoco porque essa franquia representa, na essência, a homogeneização. Nada deveria ser mais contra a cultura (não confundir com contracultura) que a homogeneização.

Ponto a favor para a decisão da secretaria. Só que a mesma decisão traz um ponto negativo, na minha opinião é que o mesmo espaço será ocupado por uma “espécie de showroom para todo tipo de produção: literária, musical, artes visuais, plásticas” nas palavras do Secretário da Cultura, Antonio Feldmann, ao jornal O Caxiense. Esse espaço será montado em parceria com o Navi (Núcleo de Artes Visuais). Aí reside a questão. Por que, novamente, privatizar um espaço público? O Navi é uma entidade, privada, que congrega uma parte só dos artistas, mas ganha um espaço privilegiado com mais visibilidade que a própria galeria de arte que fica no primeiro andar da Casa de Cultura.

Se por um lado nos despedimos da homeneização do MacCafé, ganhamos uma outra de caráter elitista. E assim vai indo a cultura de Caxias do Sul.

[Foto: Ricardo André Frantz // Permission={{CC-BY-SA-3.0}]

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Instituições fluminenses repudiam reportagem da Veja

NOTA CONJUNTA DE REPÚDIO

O PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, A DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, A OAB/RJ, POR SUA 9ª SUBSEÇÃO, O MUNICÍPIO DE NOVA FRIBURGO, O DIRETOR DO IML-AP/RJ E O DELEGADO DE POLÍCIA TITULAR DE NOVA FRIBURGO, vem apresentar nota conjunta repudiando a matéria publicada na Revista Veja, edição 2200, ano 44, nº 03, de 19 de janeiro de 2011, em especial, o conteúdo do último parágrafo de fls. 54 até o primeiro parágrafo de fls. 56, em razão de seu conteúdo totalmente inverídico, conforme será esclarecido a seguir:

1) Inicialmente, cumpre esclarecer que em momento algum os corpos da vítimas fatais ficaram sobrepostos uns sobre os outros no Instituto de Educação de Nova Friburgo, local em que foi montado um posto provisório do IML, em razão da catástrofe que assolou toda esta região, mas sim acomodados separadamente lado a lado no ginásio do Instituto;

2) O acesso ao referido Instituto foi limitado às autoridades públicas e aos integrantes das Instituições inicialmente referidas, sendo certo que o ingresso dos familiares no local para a realização de reconhecimento somente foi permitido após autorização de um dos integrantes das mencionadas instituições e na companhia permanente do mesmo;

3) A liberação dos corpos para sepultamento somente foi autorizada após o devido reconhecimento efetuado por um familiar, sendo totalmente falsa a afirmação de que “ao identificar um conhecido, bastava levá-lo embora, sem a necessidade de comprovar o parentesco”. Frise-se, que mesmo com o reconhecimento, foi realizado posteriormente procedimento de identificação pelos peritos da Policia Civil do Estado do Rio de Janeiro, bem como de outros cedidos pela Polícia Civil de São Paulo, pela Polícia Federal e pelo Exercito Brasileiro, estes por intermédio da Secretaria Nacional de Segurança Pública, com a análise da impressão digital, do exame de arcada dentária e exame de DNA;

4) Ademais, cada um dos falecidos foi colocado em uma urna e sepultado individualmente, não existindo qualquer tipo de sepultamento coletivo, mas sim vários sepultamentos individuas e simultâneos no mesmo cemitério;

5) Em meio a infeliz perda de 371 vidas, somente neste Município de Nova Friburgo (até presente momento) é importante registrar que houve apenas 03 (três) casos de divergência dos reconhecimentos feitos pelos parentes, os quais estão sendo devidamente esclarecidos pelos peritos do IML/Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, através do exame das impressões digitais, das arcadas dentárias e do exame de DNA.

Assim, ao contrário do que a narrativa contida na matéria publicada leva o leitor a concluir, não houve uma feira livre na busca e no sepultamento de corpos, mas ao contrário, um trabalho sério realizado por profissionais exemplares, dedicados e comprometidos em minimizar, naquilo em que era possível, o sofrimento da população local, e ainda preservar, dentro das possibilidades existentes, a ordem e a saúde pública.

Aliás, o respeito pelas famílias e pelos corpos dos cidadãos falecidos não permitiria que os mesmos fossem tratados pelas autoridades da maneira descrita pelas jornalistas.

Assim, é com extremo pesar, que em meio a um evento trágico e que entristeceu a todos, tenhamos que vir a público repudiar as inverdades publicadas, de cunho meramente sensacionalista, a fim de evitar que o desserviço gerado pela matéria venha a causar mais prejuízo, sofrimento e comoção aos familiares das vítimas e a toda nossa comunidade.

Nova Friburgo, 21 de janeiro de 2011.

Paulo Vagner Guimarães Pena
Juiz de Direito - Dirigente do Fórum e do 9º NUR-N. Friburgo
Matrícula 21.121

Fernando Luis G. de Moraes
Juiz de Direito
Matrícula 29.813

Gustavo Henrique Nascimento Silva
Juiz de Direito
Matrícula 27.318

Hédel Nara Ramos Jr.
Promotor de Justiça - Coordenador Regional do Ministério Público
Matrícula 1.287/MPRJ

Dermeval Barboza Moreira Neto
Prefeito do Município de Nova Friburgo

Marcelo Barucke
Defensor Público - Coordenador Regional da Defensoria Pública
Matrícula nº 817.882-4

Carlos André Rodrigues Pedrazzi
Advogado – OAB/RJ nº 59820
Presidente da 9ª Subseção da OAB/RJ

Rômulo Luiz de Aquino Colly
Advogado – OAB/RJ nº 110.995
Vice-Presidente da 9ª Subseção da OAB/RJ

Sérgio Simonsen
Perito Legista - Diretor do IML-AP/RJ
Matrícula 872.246-4

José Pedro Costa da Silva
Delegado de Polícia de Nova Friburgo
Matrícula 823.230-8

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Quem somos

Michel Mafessoli em seu livro “Apocalipse: Opinião pública e opinião publicada”  faz uma análise de mídia na atualidade e conclui que hoje a  mídia julga, condena, reclama autoridade e autoritarismo. Entretanto ela também é cheia das contradições desse moralismo politicamente correto feito sob medida para adular uma audiência conservadora e manter em atividade uma imprensa conversadora.

Não queremos, sob hipótese alguma sermos o farol que aponta o caminho correto para a divulgação de informações no século XXI. Queremos sim, juntamente com outros projetos semelhantes não deixar que apenas um lado da informação apareça.

Com o advento das novas tecnologias ficou cada vez mais difícil distorcer uma informação. A manipulação é cada vez mais apontada por veículos independentes, principalmente baseados na rede. Infelizmente em nossa cidade não há nenhuma experiência nesse sentido.

Estamos restritos a mídia comercial com mais, ou menos , compromisso com a objetividade jornalística, mas mesmo assim defendem, na sua essência compromissos com o conservadorismo.

Caxias do Sul é uma cidade grande. Somos quase 500 mil habitantes e temos uma economia forte. Porém temos um modo de viver pobre. As tradições dessa cidade são as tradições de uma elite, que já nem econômica mais é, mas que dita as festividades, a cultura e o modo de agir e pensar.

Queremos propor uma nova maneira de pensar, de informar, de debater. Não propomos ter a verdade absoluta, nem a melhor versão dela. Queremos colocar pontos de vista que conflitem com o pensamento comum. Queremos divulgar as ações dos movimentos sociais sem sermos paternalistas. Queremos apontar as incongruências dos governos e da oposição. Temos lado e temos posição. Isso ficará claro nas nossas opiniões, mas abrimos o espaço para que os diferentes se manifestem.

Esse é o nosso objetivo. Sabemos que é ousado, mas não o achamos impossível.