sábado, 30 de abril de 2011

Eventos tradicionais do RS foram usados para desviar recursos do Banrisul, denuncia MP

Publicado originalmente no blog RS Urgente

O período abrangido pelas investigações da Operação Mercari (18 meses) pega em cheio a gestão de Fernando Lemos na direção do Banrisul. Considerado da “quota do PMDB” e apontado como afilhado do senador Pedro Simon, Lemos participou, como presidente do banco, de uma grande ofensiva publicitária do governo tucano que despejou milhões de reais em anúncios, patrocínios de eventos e campanhas. Um dos 25 denunciados pelo MP, Rodolfo Rospide Neto, era seu assessor especial na época.

Parte das ações de comunicação ligadas à publicidade governamental deste período foi utilizada indevidamente para desviar recursos do Banrisul, conforme a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul. Os fatos denunciados pelo MP na forma de peculato foram articulados por eventos nos quais o Banrisul desenvolveu ações de comunicação. Na denúncia encaminhada à Justiça, o MP afirma:

Um mesmo evento poderia gerar diversas ações de comunicação e, consequentemente, diversos pedidos de produção (PP) expedidos pelas agências de publicidade envolvidas e diversas solicitações de autorização para ação de comunicação (SAAC) emitidas pelo Banrisul. Em cada pedido de produção eram colhidos, no mínimo, três orçamentos (OC) para análise dos custos da ação de comunicação a ser realizada.

Várias destas ações de comunicação, diz ainda o MP, foram alvo de superfaturamento. Eventos tradicionais do Rio Grande do Sul como Expointer, Fenasoja, Festival de Cinema de Gramado e Festa da Uva foram utilizados para esse fim. Na Expointer 2009, por exemplo, teriam sido desviados R$ 854.032,02 em pagamentos superfaturados. Na Festa da Uva 2010, teriam sido R$ 39.421,80 também em pagamentos superfaturados. Na Fenasoja 2010, teriam outros R$ 79.992,00. E no 37° Festival de Cinema de Gramado outros R$ 30.536,00.

TCE apontou irregularidades nos gastos de publicidade do Banrisul
A publicidade oficial foi tema de denúncias e investigações durante o governo Yeda Crusius. A despesa total do governo tucano com publicidade aumentou consideravelmente a partir de 2008: cresceu 23% acima da inflação. Em dois anos, foram gastos em propaganda (a preços médios de 2008) cerca de R$ 306 milhões. Deste total, mais de 200 milhões foram gastos pelas estatais. Mais de 80% deste valor (cerca de 164 milhões de reais) vieram do Banrisul.

Segundo análise do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, relativa aos anos de 2007 e 2008, dos 164 milhões gastos pelo Banrisul em publicidade, menos da metade foi legalmente autorizada. Cerca de 90 milhões gastos pelo banco em publicidade contrariaram a Constituição Federal e as LDOs (Leis de Diretrizes Orçamentárias) de 2007 e 2008. Neste período, apenas 8% da despesa com publicidade se enquadra no item “publicidade legal obrigatória”. Cerca de 92% foram gastos com publicidade institucional, ou seja, propaganda do governo.

Em 2009, o governo Yeda gastou outros R$ 201 milhões em publicidade – quase três quartos do montante gasto em obras (271 milhões). Do total gasto em propaganda, quase a metade (99,5 milhões), veio do Banrisul. Cabe observar que só havia autorização orçamentária para o banco estatal despender 50 milhões, 49,5 milhões foram gastos ilegalmente, contrariando o disposto no artigo 149, § 7º da Constituição estadual.

Além da análise desses gastos, o Tribunal de Contas também realizou uma inspeção especial no banco a pedido do Procurador Geral do Ministério Público de Contas, Geraldo Da Camino. Em meio a esse processo de investigação, Fernando Lemos deixou a direção do banco no início deste ano, sendo premiado pela governadora Yeda Crusius com um cargo de juiz no Tribunal de Justiça Militar.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Eram tão amigos e agora estão brigados

Hoje completam 19 dias da greve dos médicos da prefeitura de Caxias do Sul. São 19 dias desse último período de greve, pois o impasse, entre prefeitura e sindicato médico já vem se arrastando a mais de ano.

Nesse tempo todo faltou atitude do Prefeito Sartori em por um fim à greve. Até agora o Prefeito não se reuniu com os representantes dos médicos, e a comissão por ele designada não tem autoridade para propor nada. Mas esse assunto já está bem batido e todo mundo já sabe.

O que muita gente não lembra e a mídia esquece de avisar, é que o presidente do Sindicato Médico, Marlonei dos Santos e o Prefeito José Ivo Sartori, eram grandes parceiros na oposição ao governo Pepe Vargas. Marlonei, inclusive, promoveu uma tentativa de greve dos médicos conveniados ao IPAM nas vésperas da eleição de 2004. A reivindicação era o aumento do valor pago pela consulta. Na época o IPAM pagava um valor de consulta superior ao da Unimed (que é dos próprios médicos), ou seja, o presidente do sindicato dos médicos usou de politicagem barata para atingir objetivos eleitorais e beneficiar o amigo Sartori.

Hoje os dois estão brigados. Não se falam. Mas a amizade pode ser reatada. Começa a ser ventilada a possibilidade de terceirização e até uma “privatização” da saúde de Caxias do Sul. A ideia de ter uma fundação de direito privado fez os olhos do Marlonei brilharem no escuro, porque esse modelo é geralmente medicocentrado, ou seja, os médicos mandam e o resto da equipe de saúde é o resto.

Com isso ele também poderia conseguir o salário que quiser, mas como os recursos são os mesmo, se aumentar os gastos com salários de médicos vai faltar para outras coisas tipo exames, gases, etc.

Na edição do Pioneiro de quinta-feira, 28/04, o jornal fez um comparativo com Farroupilha que tem a saúde terceirizada. Lá, segundo o jornal há 50 médicos para 12 UBS, uma média de 4,16 médicos por local. Em Caxias tem 200 médicos para 41 UBS, 4,87 médicos por local em média, ou seja, não tem vantagem nenhuma esse modelo.

A questão nunca é a qualidade ou o gasto público. A questão das fundações privadas é tirar o Estado do seu papel. Isso geralmente é defendido por mal administradores que não conseguem resolver problemas como uma greve que já dura 1 ano.

Chargista de ZH repete fórmula para atacar MST, PT, Executivo, Legislativo, Judiciário…

Publicado originalmente em Jornalismo B

Peças iguais, formas iguais, conteúdos apenas superficialmente diferentes. É o que se encontra em uma rápida busca no Google pelas charges de Iotti, funcionário do jornal Zero Hora. Este post não pretende discutir o todo do trabalho do chargista, que tem bons personagens e algumas boas piadas, mas partimos do seu desenho publicado na edição desta quarta-feira de Zero Hora para notar uma falta de criatividade que parece epidêmica nos traços de quem desenha para o Grupo RBS.

Na charge que Iotti publicou nesta quarta (27/04) no mesmo jornal, está, como de costume, a formação de estereótipos acerca do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Como Zero Hora costuma fazer em suas reportagens, os rabiscos de Iotti limitam o MST a um movimento de baderneiros, de “invasores”. A simplificação criando estereótipos, preconceitos, ignorância. A superficialidade como lema no caminho da alienação.

A tal charge é sobre a decisão do governo do Rio Grande do Sul de reativar as escolas itinerantes do MST desativadas pela antiga governadora, Yeda Crusius (PSDB). O posicionamento de Zero Hora sobre o assunto pode ser relembrado em um post do Jornalismo B em março de 2009. Iotti não deixa por menos, e desenha uma criança já com certo ar criminoso. Na parede, ao lado do quadro negro, está o início da conjugação do verbo “invadir”, e o símbolo do MST. No chão, o que parece ser uma cruz arrancada da parede.

Além da óbvia simplificação, do óbvio preconceito e ignorância embutidos ali, essa charge nada mais é do que a repetição de outras tantas já feitas pelo mesmo funcionário do Grupo RBS. Uma para atacar Lula e o Estado (na figura dos impostos), outra para atacar a classe política (na figura do Legislativo), outras duas para atacar o Judiciário e defender a polícia (AQUI e AQUI). Repare: movimentos sociais (MST), partidos políticos (PT), Executivo, Legislativo e Judiciário atacados frontalmente, apenas a polícia resguardada. Esse é o entendimento de Iotti, representado através de cinco charges formalmente iguais (criatividade zero) e de conteúdo apenas superficialmente diferente: a falência de todas as instituições, a repressão como única arma social.

Postado por Alexandre Haubrich


Latuff responde a Iotti: conjugando o verbo vender


Após o nosso último post, que comentou algumas charges de Iotti, publicadas em Zero Hora, que se repetiam para criminalizar as instituições brasileiras (no último caso a vítima foi o MST), o chargista Carlos Latuff produziu, especialmente para o Jornalismo B, uma charge sobre a escolinha RBS, e o bom aluno Iotti.

Todos os agradecimentos ao craque Latuff, que presenteia os leitores doJornalismo B com mais um desenho genial.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Papo de Corredor

Para quem se esforça em saber um pouco mais da política caxiense, é notório os "rachas" dentro do PDT. É Vinícius de um lado, Alceu Barbosa Velho de outro e Kalil de outro. E assim vai. Um quer ser deputado estadual, outro sonha em ser prefeito e o outro ainda não sabe o que fazer da vida...

Muitos duvidam que daí possa sair uma canja só. Mas rola por aí o papo de que todos devem se unir pela candidatura de Alceu à Prefeitura... Afinal, sobra um espaço no futuro na Assembléia e se cortam as asas de um pedetista que parece teimar em alçar vôos mais altos.

Quem, quem? O Chefe de Gabinete do Prefeito Sartori, Edson Néspolo.

Dizem as más línguas que ele já está com um pé no PDT e outro no PMDB e vai furar a fila de potenciais candidaturas do partido do Prefeito. Vai ter gente se arrancando os cabelos...

Bom... Ele já manda na Prefeitura mesmo...

terça-feira, 26 de abril de 2011

[atualizado] Atenção árvores: não soltem folhas na frente do Palavro, senão...

Levou quase uma semana mas finalmente se descobriu quem foi o autor da "poda" das palmeiras imperiais que ficam na Júlio de Castilhos em Lourdes. Fiquei pasmo quando li no jornal, mas a atrocidade foi cometida pelo Gelson Palavro!!!, primeiro casal! presidente da Festa da Uva. Pior do que saber disso foi ler a "justificativa" do cidadão.

- "as folhas caem, quebram telhas e entopem calhas"

Ou seja as árvores cometeram o crime de soltarem folhas. O pior de tudo é que segundo uma moradora das proximidadesJacira Mattana, "Eles cortaram (as copas) com guindaste, faz duas semanas. O homem estava em uma cesta daquelas, até interromperam a rua", afirmou.

Inicialmente o Secretário de Meio Ambiente, Adelino Teles, negou qualquer corte, hoje ele diz que ira multar Palavro, que alega ter feito isso pela terceira vez (ele vai levar três multas?). Mas o que impressiona no relato da moradora é que foi utilizado um guindaste e o trânsito foi interrompido. Teria Gelson Palavro, que é CC da prefeitura, requisitado aparato público para executar essa "poda"?

Na Câmara de Vereadores já começou a operação abafa para tentar esconder mais esse escândalo da gestão Sartori. O chefe de gabinete do prefeito, Edson Nespolo, diz que foi um erro individual e não compromete seu trabalho frente a Festa da Uva. Talvez não comprometa se seu trabalho for promover desmatamento quando bem entender. Alias esse governo já fez isso quando derrubou dezenas de árvores para construir uma cancha de rodeios nos pavilhões.

Atualização:

Hoje, 26 de abril, A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) multou o empresário Gelson Palavro em R$ 5.390,00 pela poda das três palmeiras imperiais. Palavro tem 20 dias para se defender (não sei de que já que ele confesou), a contar da data em que ele receber uma correspondência sobre a multa (e se o correio extraviar?). Se as palmeiras não se recuperarem a multa aumenta para R$ 11.600,00 e mais 15 árvores da mesma espécie.

Apesar de ter confesado ter feito 3 podas só levou uma multa! Perto do prejuízo que ele dizia ter com as perigosas folhas (cerca de R$ 10.000,00) a brincadeira custou caro. Será que essa multa será mesmo paga?

Responda na nossa enquete.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Você sabe quem é a "bancada da bala" no Congresso Nacional?


Um levantamento feito pelo Uol Notícias, utilizando os dados do TSE como base, mostra a “bancada da bala” no Congresso Nacional. Dos deputados e senadores eleitos em 2010, 27 receberam doações diretas da indústria armamentista. A Taurus, Aniam (Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições) e CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), doaram juntas mais de R$ 2 milhões.

Quase metade deles, 13 parlamentares, são gaúchos e receberam juntos R$ 500 mil. E essa bancada está fazendo o seu “trabalho”. Um exemplo é do deputado Önix Lorenzoni (DEM/RS) que recebeu R$ 250.000,00 da industria de armas. Ele foi um dos parlamentares que rebateram as críticas dos ativistas de direitos humanos após a tragédia no Rio de Janeiro, na escola Tasso da Silveira.

A indústria armamentista perdeu muito dinheiro com o Estatuto do Desarmamento. Em 2002 existiam 2.400 lojas legalizadas para venda de armas, em 2008, 90% delas fecharam, segundo um levantamento do Instituto Sou da Paz. Mesmo assim no Brasil, segundo o Ministério da Justiça, existem 16 milhões de armas (7,6 milhões seriam ilegais). O Ministério aponta, também, que 70% delas são fabricadas no país, inclusive as ilegais, essas são exportadas para países vizinhos e voltam por contrabando para o Brasil.

Como pode-se ver uma indústria que produz um bem que tem como única função matar está gastando uma quantidade bem grande de dinheiro para garantir o seu negócio. O comércio ilegal de armas no Brasil não é feito somente para abastecer o tráfico. A maior parte das pessoas que compra armas ilegais prefere esse método por ser mais barato e por não haver um risco real de punição. O homem que vendeu um revólver calibre 38 para Wellington, que tinha a numeração raspada, era um antigo colega de trabalho do atirador Ele disse à polícia que vendeu o equipamento porque precisava do dinheiro para comprar um carro.

Veja quem é a “bancada da bala”

Senado:

  • Ana Amélia Lemos (PP/RS) - R$ 50 mil 
  • Demóstenes Torres (DEM/GO) - R$ 30 mil 

Deputados federais

  • Abelardo Lupion (DEM/PR) - R$ 120 mil 
  • Afonso Hamm (PP/RS) - R$ 40 mil 
  • Alceu Moreira (PMDB/RS) - R$ 20 mil 
  • Beto Albuquerque (PSB/RS) - R$ 30 mil, hoje licenciado. 
  • Cezar Silvestri (PPS/PR) - R$ 20 mil, no momento licenciado 
  • Eduardo Sciarra (DEM/PR) - R$ 20 mil 
  • Enio Bacci (PDT/RS) - R$ 20 mil 
  • Giovani Cherini (PDT/RS) - R$ 20 mil 
  • Gonzaga Patriota (PSB/PE) - R$ 40 mil 
  • Guilherme Campos (DEM/SP) - R$ 80 mil 
  • Jerônimo Goergen (PP/RS) - R$ 30 mil 
  • João Campos (PSDB/GO) - R$ 40 mil 
  • José Otávio Germano (PP/RS) - R$ 20 mil 
  • Lael Varella (DEM/MG) - R$ 50 mil 
  • Luis Carlos Heinze (PP/RS) - R$ 30 mil 
  • Marcos Montes (DEM/MG) - R$ 40 mil 
  • Mendes Ribeiro Filho (PMDB/RS) - R$ 20 mil 
  • Moreira Mendes (PPS/RO) - R$ 90 mil 
  • Nelson Marchezan Júnior (PSDB/RS - R$ 15 mil 
  • Ônyx Lorenzoni (DEM/RS) - R$ 250 mil 
  • Sandro Mabel (PR/GO) - R$ 160 mil 
  • Silvio Costa (PTB/PE) - R$ 30 mil 
  • Valdir Colatto (PMDB/SC) - R$ 30 mil 
  • Vicentinho (PT/SP) - R$ 20 mil 
  • Vieira da Cunha (PDT/RS) - R$ 20 mil

sábado, 23 de abril de 2011

Se a Geni não quer, não passa.

Na sessão da Câmara de Vereadores do último dia 19 a bancada governista derrubou 3 pedidos de informação elaborados pela Vereadora Ana Corso (PT). O primeiro era sobre as readequações no projeto do Residencial Puerto Vallarta, que foi embargado pelo Departamento Aeroportuário do Estado, DAP. Outro pedido referia-se a um aterro no bairro Jardim Itália que estaria recebendo lodo e lixo, inclusive de caminhões da prefeitura, e que estaria em condição irregular e, por último, a poda das Palmeiras Imperiais, feita, sem autorização, pelo presidente da Festa da Uva, Gelson Palavro.

Obviamente diante de tanto escândalo a líder do governo, Geni Peteffi (PMDB), iniciou uma operação “abafa” para fazer com que os assuntos morressem na memória recente da população. Isso até é normal durante o Governo Sartori, já que ele usou da maioria garantida por muitos apadrinhamentos nos Cargos de Comissão da prefeitura, para aprovar verdadeiros absurdos.

Ou seja, isso não é novidade para ninguém. O que me causou espanto, mas foi pouco divulgado é a justificativa dada para não aprovar os requerimentos. A vereador Geni disse que precisava sair mais cedo naquele dia e portanto, se não houvesse discussão, os pedidos de informação seria aprovados.

Como assim?

A vereadora Geni precisa se ausentar do plenário, não importa quais motivos, e por conta disso a sessão tem que acabar antes!? A vereadora teria dito inclusive: “na minha casa mando eu”, mas depois disse que não se referia a Câmara de Vereadores. Ufa!!

Ou não.

Não é de hoje que a vereadora Geni impõe sua força para aprovar as vontades dos governo Sartori. Ela tem como seu fiel parceiro nas operações de patrolamento o vereador Eloi Frizzo, outro veterano. A atitude dos dois vereadores demonstram claramente um choque geracional na nossa casa legislativa. Qualquer pessoa lúcida, de direita ou de esquerda, acredita que os dois representam um jeito velho de fazer política. Política com clientelismo, troca de cargos e favores e imposição da força ao invés do debate.

Até quando isso irá durar? O Frizzo já é suplente, não se elegeu em 2008. Será que em 2012 faremos uma mudança profunda na Câmara, realmente renovando a legislatura? Só o tempo dirá.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O nome do “caos aéreo” é Dona Regina

“Com ganho de R$ 800 mensais, a empregada doméstica Regina Rocha aproveitou a proximidade da Semana Santa e convenceu a patroa a lhe dar uns dias de folga para visitar as tias em Belém. Foi a primeira vez que a carioca viajou de avião na vida e que pôs os pés na capital paraense:

- Aproveitei uma promoção, peguei minhas economias e paguei R$ 400 pela passagem, incluindo ida e volta – diz ela, que embarcou do Galeão na última quinta-feira, acompanhada da mãe.

Por Brizola Neto*

Regina faz parte de um novo universo de passageiros que eram excluídos das viagens de avião até pouco tempo atrás, os 95 milhões de brasileiros da chamada classe C. O fator decisivo para a inclusão dessa leva de consumidores foi o avanço do rendimento médio mensal, que em fevereiro atingiu R$ 1.540,30 – alta de 3,7% ante igual mês de 2010, segundo os últimos dados disponíveis do IBGE.”
Este trecho da matéria que O Globo publica hoje é o mais perfeito retrato do que foi escrito aui na sexta-feira: o problema aéreo é aquilo que FHC quer esquecer: o povo .

O Brasil era um país no qual 30% das pessoas eram consumidores. A entrada de 30 milhões de pessoas na classe C criou, em pouco sete anos anos, um enorme acréscimo de demanda. Esse contingente representa, para que se tenha uma idéia, representa metade da população da França. Segundo o economista Marcelo Nery, da Fundação Getúlio Vargas, “a renda dos pobres cresceu 540% a mais do que a dos ricos. Isso aumentou o padrão de vida de mais da metade da população”.

Vamos ter de achar espaço nos aeroportos. Vamos ter de dar um jeito nisso, e vamos dar. Porque, se Deus quiser, D. Regina vai gostar da viagem e fazer outra, assim que puder.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Eldorado dos Carajás: 15 anos do massacre

Neste dia 17 de abril, lembrou-se os 15 anos do MAssacre dos trabalhadores rurais de Eldorado dos Carajás.

Para que fatos como este não voltem nunca mais a acontecer e que a luta dos sem terra sirvam de exemplo de que somente com muita luta se conquista uma vida digna, reproduzimos a reportagem de Márcio Zonta publicada no jornal Brasil de Fato.


Carajás 15 anos, o massacre presente


Ao andar pelas ruas da vila do assentamento 17 de abril em Eldorado dos Carajás, ainda escuta-se muitas histórias sobre a marcha que culminou no massacre da curva do S, na rodovia PA 150, em Eldorado do Carajás, há 15 anos. Os sobreviventes ainda têm dúvidas quanto ao número oficial de mortos divulgados pelo Estado, pois há crianças, homens e mulheres desaparecidos que não estavam na lista dos mortos e, tampouco, foram encontrados depois. As marcas do massacre persistem tanto na simbologia da conquista das cinco fazendas, parte das 15 existentes no complexo Macaxeira, quanto no corpo dos mutilados ou na cabeça de muitos que viveram aquele 17 de abril de 1996.

“Foi a tarde mais sangrenta da minha vida”, recorda Haroldo Jesus de Oliveira, o primeiro sobrevivente a conversar com a reportagem. Quem o vê trabalhando atencioso e calmo na Casa Digital 17 de abril, monitorando jovens e crianças no manuseio da internet, não imagina as recordações que ele guarda. “Acordamos felizes naquela manhã do dia 17, pois o Coronel Pantoja, junto a uma comissão, do então governador Almir Gabriel (PSDB), disse que daria os ônibus para que fossemos até Belém, onde pressionaríamos o governo para desapropriação dessas terras. Inclusive, já tínhamos desobstruído a rodovia na noite anterior, já que esse era nosso acordo, e preparado a alimentação para as famílias que participavam da marcha”, diz Oliveira.

Onze horas da manhã venceu o prazo do acordo, e em vez de chegar os ônibus, que levariam cerca das 1,8 mil famílias da marcha, chegou o batalhão da Polícia Militar, o que fez com que as famílias retomassem a estrada. “Eu me lembro como se fosse hoje. Estávamos de prato na mão, almoçando, sob uma chuvinha leve, um sereninho bom. Muitos homens começaram a descer dos ônibus da polícia e montar o acampamento, por volta de três da tarde, e ficaram cerca de 90 minutos preparando-se, como se fossem para uma guerra”, relata Oliveira.

Depois de estabelecidos os policiais no local, a mesma comissão disse que não providenciaria os ônibus e que tinha ordens do governador para retirar as famílias da via. “Nós nunca pensamos que poderia acontecer aquilo. Perto das 17 horas, começaram a jogar bombas de efeito moral contra as pessoas e a atirar no chão. Pessoas tomavam tiros nas pernas e caiam. Mas aqueles que iam para cima, eles atiravam no peito mesmo”. A carnificina começou naquele momento e pelas contas de Oliveira durou cerca de cinquenta minutos.

“Tive que sair pelo chão me arrastando para o miolo de gente junto à água da chuva, que se misturava com sangue, tinha muita gente no asfalto ferida, gritando, chorando...”, lembra emocionado Oliveira.



Premeditado

Amanhece no assentamento 17 de abril e, enquanto, muitos agricultores já estão na roça, as 7h, começa a entrada das crianças na escola que leva o nome de Oziel Alves Pereira, sem-terra de 17 anos espancado até a morte no hospital pelos policiais, por gritar palavras de ordem do MST, na noite do dia 17 de abril, em Curianópolis (PA), para onde foram levados os feridos.

Zé Carlos, companheiro de linha de frente junto a Oziel no dia do massacre, confere a mochila do filho na frente da escola, passa algumas recomendações e o beija ao se despedir. Sobre o dia da chacina, que lhe custou uma bala alojada na cabeça e a perda de um olho, Zé Carlos é enfático: “utilizaram-se de táticas de guerra”. Zé lembra que um caminhão que estava parado na estrada, por causa do bloqueio, foi oferecido às famílias como proteção. “O motorista chegou e disse: ‘vou atravessar esse caminhão na pista para ajudar vocês’. Mas estranhamente toda a ação policial iniciou-se atrás desse veículo, sendo o escudo principal deles, tapando nossa visão. Foram os policiais que pediram”, garante.

Zé conta que os policiais vinham do sentido de Parauapebas e Marabá, ambas cidades paraenses interligadas pela rodovia, além dos que saíam do meio da mata dos dois lados da pista. “Nos cercaram para matar mesmo, pois vinham de todas as direções atirando”. Segundo Zé, é difícil para quem esteve no dia aceitar o número de apenas 21 mortos ditos pelo Estado.“Isso é brincadeira. Morreu muita gente, entre homens, mulheres e crianças. Vi muita gente morta, não pode ser, Tenho até medo de falar, deixa isso para lá. Mas garanto que foi muito mais”.



Ao apagar das luzes

Como se um espetáculo tivesse acabado, ao anoitecer no dia 17 de abril, as luzes do município de Eldorado do Carajás foram apagadas e seu cenário de morte, desmontado. Essa é a sensação que teve a jovem Ozenira Paula da Silva, com 18 anos na época do acontecido. “Apagaram as luzes para desmontar o que tinham feito, para limparem a via. Jogavam corpos e mais corpos em caçambas de caminhão, que tomavam rumos diferentes”.

Após os primeiros disparos, Ozenira só teve tempo de pegar os seus três filhos, todos com menos de cinco anos, e correr para a mata ao lado, percebendo momentos depois que tinha sido baleada na perna esquerda, na altura da coxa. “Tinha muita gente escondida na mata, próximo às margens da rodovia e foi justamente essas pessoas que viram muitos corpos sendo desviados para fora do caminho do Instituto Médico Legal (IML), de Marabá, para onde eram levados os mortos”.

Ozenira diz que algo lhe intriga até hoje. “Depois que terminou a matança, uma criança branquinha de uns dois anos foi achada na escuridão do mato, aos prantos, por uma mulher que procurava seus familiares. Essa mulher a recolheu. Sei que essa criança viveu com ela bastante tempo em Curianópolis, mas depois perdi o contato”.

Onde estariam os pais da criança naquela noite? Ozenira responde: “Não tenho como provar, mas tenho quase certeza que estavam em algum caminhão de remoção de cadáveres”, finaliza.



O massacre continua

Poucos mutilados receberam seus direitos de indenização e até hoje, quinze anos depois, muitos nem recebem a pensão mensal de R$346. Ozenira é uma delas. “Fui atendida no hospital apenas no dia do acontecido, depois nunca mais tive atendimento médico, tenho dias de dores horríveis e outros de dormência na perna”, conta.

Já Zé, hoje aos 32 anos, foi um dos únicos a receber, em 2008, uma indenização de R$ 85 mil reais, mais a pensão mensal no valor citado acima. Hoje vive do que seus irmãos plantam em seu lote, já que tem dificuldades para trabalhar em função das sequelas do tiro na cabeça.

Mas, um caso em especial entre os mutilados chama a atenção. Mirson Pereira, um dos únicos que conseguiu uma cirurgia, no Hospital Regional de Marabá, para retirar uma bala alojada na perna esquerda. “Pensei que seria o fim das dores, mas quando voltei da sala de cirurgia o médico disse que havia errado e feito o corte na perna errada, disse que no outro dia realizaria o procedimento na perna certa, mas desisti, fiquei com medo e saí do hospital”. Pereira continua com a bala na perna e ainda aguarda sua indenização.

O descaso do Estado brasileiro em relação ao massacre de Eldorado dos Carajás já gerou contra o governo um processo, em 1998, na Corte Interamericana de Direitos Humanos, com sede nos Estados Unidos, feita pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL). “O governo brasileiro agiu de duas formas quando foi notificado pela entidade internacional. Primeiramente, culpou os próprios marchantes pelo ocorrido e, num segundo momento, por força da opinião pública, disse que já fazia coisas no assentamento, o que compensava o ocorrido”, explica Viviam Holzhacker, advogada assistente da CEJIL, que acompanha o caso.

No entanto, por pressão internacional, a advogada diz que o governo brasileiro aderiu a um processo, recentemente, de buscar acordo com os mutilados. “São feitas propostas de ambos os lados até chegar a um acordo. Deve levar mais uns cinco anos para ser resolvido o caso de todos”, explica.

Diante deste imbróglio, na ausência de um tratamento médico adequado que cuide do corpo e da mente dos participantes da marcha, Índio, um dos mutilados, com duas balas alojadas na perna esquerda desabafa: “Aconteceu o massacre em 1996. Mas ele terminou? Não! Pois esse grupo [do assentamento] ficou apenas porque o Estado não deu conta de matar no dia. Ficamos para contar a história, sofrer e ir morrendo aos poucos num massacre diário, que só terminará por completo com nossa morte”.

Publicado originalmente no blog A Batalha

terça-feira, 19 de abril de 2011

Meu nome é IN...

Meu nome é IN

INcompetente: não resolvo a greve dos médicos porque não vou com a cara do Dr. Marloney

INacessível: não dialogo com os médicos, afinal, o que deveria ser dito jamias foi dito

INinteleligível: a população não me entende...

INcendiário: com toda a confusão, quero mais é que o Postão pegue fogo!

INcoerente: apesar de não gostar dos médicos, só eles podem trabalhar quantas horas desejarem

INconsequente: não me preocupo com os pobres usuários do SUS que dependem de minhas atitudes para serem bem atendidos

INdelicado: definitivamente polidez não é o meu forte...

INjusto: não desconto horas trabalhadas dos médicos, só do restante dos reles mortais da Secretaria...

INatingível: não adianta reclamar, não vou te escutar

INsensível: não me comovo com o sofrimento da população e muito menos com o dos enfermeiros que são pressionados diariamente por causa da demora nos atendimentos

INdiferente: como é que é? Os médicos querem aumento?

INteresseiro: quem sabe, se a saúde for de mal a pior eu consiga terceirizar tudinho....

INgrato: a população que me elegeu, que padeça nas filas do Postão...

INfernal: com tudo isso, Caxias pode sentir meu poder diabólico

INédito: nunca antes na história dessa caxias aconteceu algo assim!

INdigesto: com tudo isso, quem consegue me engolir?

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Filtro cultural é novamente rejeitado

E o Zarabata vai continuar a fazer shows. Depois de mais uma trapalhada da CC Filtro Cultural, Maria Inez Périco, que não faria nada sem o consentimento do secretário Antonio Feldmann e do Prefeito Sartori, o próprio Feldmann voltou atrás e disse que tudo não passou de um mal entendido.

No desespero pela péssima repercursão da medida, tentou dizer, o secretário, que havia “partidarização da questão”. Na verdade essa é uma desculpa comum utilizada pela prefeitura para esconder a péssima gestão. As falas do secretário foram claríssimas. Ele e a sua CC Filtro Cultural, disseram que os freqüentadores do Ordovás, quando tem show, depredam o patrimônio público, consomem drogas nos arredores e incomodam os moradores.

A população disse justamente o contrário. Nem a Associação de Moradores do Panazzolo, bairro onde fica o Ordovás, disse que havia reclamações de barulho. Na verdade os shows no Zarabatana dão vida ao lugar.

O que a prefeitura esconde é que falta uma revitalização nos arredores do Centro de Cultura. Ao lado da UAB há dois prédios (um prédio e uma ruína) abandonados. Ao lado do novo Salão de Teatro há escombros do que foi uma chaminé. Até mesmo na frente da escada que dá acesso a pracinha tem um buraco que ano após ano está recebendo lixo, por sorte ninguém quebrou um pé caindo nele.

A nova Sala de Teatro, apesar de reformada, tem uma série de defeitos. A luz do camarim vaza para a platéia, a rede elétrica está subdimensionada e pode ocorrer queda de luz se ela for muito exigida, como aconteceria num show. O pior de tudo é que a obra foi feita pela metade. A prefeitura utilizou uma verba do governo federal que seria para a reforma do Amarp para fazer a Sala de Teatro, reformar a sala de exposições (esconder ela do público) e para reforma do Amarp. Resultado: a Sala de Teatro tem problemas, o Amarp está pequeno e a sala de exposições afasta as pessoas que, por ventura, gostariam de olhar uma exposição.

Todas essas ações não são isoladas. Elas representam a visão de cultura que essa administração tem: elitista, conservadora e utilizada como propaganda. Como já virou frase célebre não estamos na Capital da Cultura e sim na Cultura do Capital.

sábado, 16 de abril de 2011

O que a Zero Hora não pergunta

Em sua coluna do dia 14 de abril, à página 10 de Zero Hora, Rosane de Oliveira comemora:
O ministro Paulo Bernardo deixou boa impressão no Rio Grande do Sul ao se definir como defensor intransigente das emissoras legais.
Será que o Ministério das Comunicações vai fechar a Gaúcha FM por retransmitir de forma ilegal a programação da AM? Ou as 16 emissoras de TV aberta da RBS no estado, que extrapolam as duas permitidas para o mesmo grupo?
Rosane não perguntou…

Publicado originalmente por Somos andando

sexta-feira, 15 de abril de 2011

PAC 2 já investiu mais de R$ 1 milhão por dia

Não sei quem inventou essa história de avaliação de 100 dias, mas agora ela virou pauta obrigatória da grande mídia. Só que o nosso PIG não respeita “a lua de mel dos 100 dias”. A nossa “mídia” não poupou a presidenta Dilma um único dia, desde antes de ser candidata a presidente.

O Estado de São Paulo na sua matéria de hoje dá mais um exemplo dessa tentativa desespeerada de ocupar o vácuo da oposição. Com a manchete “‘Vitrine’ na eleição, PAC emperra e Dilma só libera 0,25% dos recursos”, o referido veículo tenta desconstituir esse programa governamental. 

A própria matéria fala que estão destinados R$ 40,1 bilhões de investimentos mas tenta, a todo custo, fixar a tese de que pouco dinheiro foi liberado. O que o jornal não conta é que há várias etapas até o pagamento efetivo de uma obra e deixar recurso empanhado é garantia de que ela realmente saíra sem sobressaltos. Mas mesmo assim o valor pago ultrapassa os R$ 100 milhões de reais, ou seja, mais de R$ 1 milhão por dia. Isso é muito, muito investimento. Principalmente para um país que passou os 8 anos de FHC sem investir um único real.

A matéria, em resumo, é mais uma tentativa do PIG de tentar ser oposição ao governo. Os próprios exemplos de programas que não estariam andando, citados na matéria, não são convincentes.

Outra coisa é importante de ser avaliada. Um governo tem 1.460 dias, ou mais! Ainda é muito cedo para se fazer uma avaliação se o dinheiro gasto é pouco. A questão principal deveria ser quais obras estão andando.  E as obras estão andando. Diferente de outros governos, apoiados pelo Estadão, não há uma denúncia de obra paralizada pegando poeira ou criando teia de aranha. O que vemos é justamente o contrário. O Brasil se transformou num grande canteiro de obras. Isso é o que deixa o nosso PIG com coceira nos dedos. Como é comum nesses casos os demais veículos do país servem de correia de transmissão dos grandes veículos do centro do país e simplesmente reproduzem o conteúdo, integral, que os "jornalões" escrevem. Lamentável.

Só para constar, em Caxias uma das obras que receberá recursos do PAC 2 é para a construção da escola de educação infantil no Cidade Nova. Pelo PAC 1 a cidade recebeu investimentos para o Loteamento Vitório Trez e para urbanização do Fátima Baixo. 

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Mesmo aprovada Semana do Hip Hop corre o risco de boicote

Depois de muita polêmica foi aprovado na última terça-feira a criação da Semana Municipal do Hip-Hop. Caxias é uma cidade que já tem inúmeras semanas comemorativas, algumas ganham um imenso investimento do poder público como a Semana Farroupilha, outras mais modestas, são realizadas com menos recursos.

A crítica de alguns vereadores é que a Semana do Hip Hop teria que ser “bancada” pela Câmara de Vereadores, e que não haveria recursos para tal. Essa é uma falsa desculpa já que a casa legislativa faz toda uma publicidade quando,anualmente, devolve recursos não utilizados aos cofres do Executivo. Não causaria, portanto, grande impacto o gasto de algumas dezenas de reais para a realização do evento.

Triste também é ouvir alguns argumentos contrários que beiram ao ridículo. O vereador Eloi Frizzo, demonstrando o desconhecimento profundo do que seja Hip Hop, confundiu um movimento que inclui música, dança, arte e ação social com um gênero musical. Disse o vereador que poderiam ser criadas as “semanas do tango ou do bolero”. Talvez o vereador não saiba que ele não é parlamentar na Argentina, ou Uruguai, locais onde o tango tem importante inserção social que justificaria, sim, uma celebração equivalente.

Outra fala da vereadora Geni Peteffi diz que o Hip Hop já era atendido pela Secretaria da Cultura. No caso um grupo, ou uma pessoa, é uma espécie de agregado da secretaria e a mesma utiliza esse fato para promover atividades musicais pela cidade. O próprio movimento aponta que isso é insuficiente e que se limita a poucas, ou pouca, pessoas.

No final da discussão toda o projeto foi aprovado, não sem muita pressão e a contra gosto do conservadorismo que reina na Câmara de Vereadores. Agora depende muito mais, como sempre aconteceu, do movimento hip hop lutar com seus parcos recursos para desenvolver as suas atividades.

PS: A mesma Câmara que quase negou alguns trocados para o Hip Hop foi extremamente generosa na aprovação de R$ 100.000,00 para uma produtora de Porto Alegre fazer um filme sobre Caxias que quase ninguém viu.

Foto: Letícia Rossetti

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Trapalhada cultural (mais uma)

Nunca duvide da capacidade de um gestor público fazer uma grande bobagem. Essa é uma grande verdade. Agora imagine que esse gestou público faz inúmeras bobagens. É o que está acontecendo na secretaria municipal de cultura há mais de 6 anos. Estamos falando de uma secretaria que, apesar de ter poucos recursos, é responsável por um grande número de espaços públicos. Desde que Antonio Feldmann assumiu a secretaria e trouxe com ele, ou herdou, os CCs que estão lá agora é uma trapalhada atrás da outra. A última é a limitação dos shows no Zarabatana.

A justificativa, risível, seria a de que há muito público no espaço, quando tem os shows, e que há problemas no entorno. Ora, desde quando muita gente num centro de cultura é ruim? Na verdade essa é uma ação, desastrosa, da Maria Inês Périco, que quando foi diretora da Casa da Cultura impôs o primeiro filtro cultural.

O Centro de Cultura Ordovás já perdeu boa parte dos seus espaços. A galeria de arte está escondida, a porta lateral foi fechada e a nova sala de espetáculos (sugestão do secretário para os shows) apresenta uma série de deficiências.

Nem é necessário dizer que no Zarabatana muita gente já iniciou sua carreira. Mas o que esperar de uma administração que gasta R$ 2 milhões numa cancha de rodeio ou que doa R$ 100 mil para um documentário que não foi visto por ninguém?

E por aí vai a cultura de Caxias do Sul. Centenas de pessoas tentando transformar colocar nossa cidade no século XXI e o governo Sartori atrapalhando. Será que temos que fazer uma contagem regressiva para o fim desse governo?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Quem dera se não dependêssemos deles....

Saiu no PIG de hoje: Em comemoração ao Dia Mundial da Saúde cerca de 160 mil médicos de todo o Brasil que atendem a pacientes com planos de saúde vão suspender consultas e procedimentos agendados para hoje (07 de abril).

Ótima forma de comemorar e mostrar como os médicos são preocupados com a saúde da população! A classe médica, através desta manifestação pacífica (!?) objetivam valorizar o trabalho médico. Mais uma vez tais profissionais se acham injustiçados e desvalorizados, mesmo sendo notório que a categoria é uma das mais bem remuneradas no país.

Já em Caxias do Sul, o sindicato dos médicos, humildemente, reivindica apenas 407% de reajuste no salário dos médicos da rede municipal. Eles recebem hoje, no mínimo, cerca de R$ 2,3 mil pelo trabalho de 20 horas semanais (ou 4 horas diárias), com o detalhe de que a maioria esmagadora não cumpre sua jornada de trabalho, diferentemente de todos os outros servidores municipais...

Nós, reles cidadãos comuns é que nos sentimos injustiçados e desvalorizados quando analisamos manifestações descabidas como essas, em um país onde os parâmetros salariais dos profissionais com ensino superior completo não chegam nem perto de R$ 9 mil mensais por 20 horas semanais, como querem os médicos da cidade.

Que o chapéu sirva na cabeça de quem deve servir... com todo o respeito aos profissionais sérios da categoria.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Na universidade em que estudo não se pode colar cartazes em nenhum lugar

Lá não se pode distribuir nenhum tipo de panfleto sem o CNPJ de uma empresa. Tampouco se pode passar em sala para dar avisos sem a autorização da direção dos cursos. Vários professores são demitidos sem justa causa todos os anos. 

O nosso DCE não é nosso há 23 anos. Ele é do PDT. 

E não rolam eleições democráticas, nem prestação de contas, nem nenhum tipo de atividade onde a estudantada possa participar. Nada. Enquanto nas outras universidades cobram R$ 7 para fazer ou renovar a carteirinha de estudante, eles nos cobram R$ 16. 

Existem somente 3 centros acadêmicos democráticos, entre os 50 cursos que são oferecidos. Existem muitos casos de violência, tortura e até um caso de homicídio associado ao DCE da nossa universidade. 

À força esse grupo se mantém no poder e fazem escola de corrupção: Mauro Zacher fora presidente do nosso DCE e hoje é o vereador da cidade acusado de ter desviado R$ 300 mil do Pro Jovem, em 2008. 

A universidade em que estudo é privada e há cerca de 6 mil estudantes bolsistas do Prouni, e portanto duros. Na nossa universidade o Restaurante Universitário custa R$ 5 e não funciona durante a noite. O xeróx varia entre R$0,10 e R$ 0,17 nos cursos. Não se pode lanchar por menos de R$ 6. 

A mensalidade sobe todos os anos, assim como o xeróx, a passagem, o lanche e a renovação da carteirinha. 

Tudo isso sobe numa proporção muito maior do que o salário mínimo, que nos exigiram comprovar quando ingressamos na universidade com bolsa. Por lá não há nenhum mecanismo de participação discente. Nenhum mesmo. Sequer conhecemos o reitor, ou o diretor do nosso curso ou o prefeito da universidade. Estudamos em uma bolha antidemocrática, em muito assemelhada a uma universidade do Regime Militar

Ela tem um lema institucional curioso: “Viva esse mundo”. 

A nossa universidade é sede do Fórum da Liberdade.

Para quem não se ligou ainda essa universidade é a PUC/RS

Postagem original

terça-feira, 5 de abril de 2011

Blogueiro limpinho da Globo dá apoio a Deputado Racista

O tocador-de-jazz e Mestre em Proeminências Ventrais Ricardo Noblat, titular de afamado blog homiziado no portal do “jornal” O Globo, acaba de publicar um artigo de sua própria lavra (uma raridade naquele cabungo eletrônico) em que faz acalorada defesa do capitão-do-mato Jair Bolsonaro. 
Invocando a tolerância, o barrigueiro-mor da Famiglia Marinho sustenta que o deputado tem todo o direito de cometer o crime que quiser e manifestar o preconceito que lhe der na telha. Para Noblablablat, existe o “fascismo do bem”, expressão que cunhou para justificar seu apreço à liberdade de expressão – e com a qual intitula seu troçulho. 
Tape o nariz e clique aqui para ler.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Coletiva do governador com blogueiros tem 35 inscritos

Até as 15h desta sexta-feira (1º), 35 blogs se inscreveram para participar da entrevista coletiva com o governador Tarso Genro. Será uma nova oportunidade para reforçar a relação com o Chefe do Executivo com as mídias sociais. Trata-se da primeira entrevista de Tarso Genro como governador com os representantes de blogs - ele foi entrevistado por blogueiros em 2010, logo após as eleições. A coletiva será no dia 5 de abril, terça-feira, às 10h30min, no Salão Alberto Pasqualini, no Palácio Piratini. As inscrições estão encerradas e a modalidade para o encaminhamento de perguntas será por meio de sorteio entre os participantes.

Lista de blogs inscritos

A Copa passa por aqui...
Abraço RS
Acessibilidade Viamão
Aldeia Gaulesa
Blog de Os Verdes de Tapes
Blog do Júlio Garcia / O Boqueirão
Brasil Outros 500
Buracos da Baltazar
Claudemir Pereira - Acesse e fique sabendo antes
Cloaca News
Coletivo Catarse
Comitê Latino Americano
Cultura Crossdresser
Daiana Silva Jornalista
Diário Gauche
Esparta - Ação Tática & Estratégia
Hidrovias Interiores - RS
Jornalismo B
Luiz Muller's Blog
Madiscop
Mesa de Luz
Milton Ribeiro
Na Práxis
Palavras Rebeldes
Palco Jurídico
Política do Rio Grande do Sul
Prof. Bruno Ramos
PT RS
Retorno Imperfeito
RS Urgente
Sankofa
Somos Andando
Tatianeps
Tiago Morbach
UJS Gaúcha

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Escola Victorio Webber será reformada

O secretário de Obras Públicas, Luiz Carlos Busato, estará em Caxias do Sul na segunda-feira (04), onde assina documento para início das obras de ampliação de seis salas de aula, laboratório de ciências, sala de informática, sanitários e uma área coberta na Escola Estadual de Ensino Fundamental Victorio Webber.
O investimento do Governo é de R$ 744.709,80, tem prazo de conclusão de 180 dias e beneficiará 864 alunos. A empresa responsável pela obra é a Ação Edificações Ltda.

A escola vinha sofrendo com abandono, como todo o RS durante o Governo Yeda. A ex titular da 4ª CREA, Marta Fatore, havia prometido as reformas para o final do ano e nada foi feito. Parece que agora a escola não corre mais risco de cair.