sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Mais um partido: PSD - Partido Sem Decência

O sistema político no Brasil, infelizmente, abre brechas para que certas aberrações aconteçam.

Um dos casos mais emblemáticos é a criação de tantos partidos políticos, que colocam em descrédito a política e os políticos, pois acaba tornando o sistema um jogo de interesses e barganhas.

O PSD (Partido Social Democrático?), capitaneado por Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo e articulado pela direita, é um belo exemplo de partido oportunista, criado, como o próprio presidente partidário diz, para chegar ao poder. Querer chegar ao poder não é o problema. O problema são as práticas absurdas com que esse partido nasce. Ele já é criado sem ideologia alguma, aceita tudo e todos, qualquer aliança, topa qualquer coisa.

Se um partido é criado, precisa dizer a que veio. Quais as suas lutas além de chegar ao poder?

Provavelmente, devido a essas cobranças, a sigla sacou das profundezas uma proposta absurda: uma Assembleia Constituinte. A nossa Constituição Federal, apesar de ter alguns pontos a serem aprimorados, é bastante avançada, principalmente em termos de garantias e direitos aos brasileiros e brasileiras. De qualquer forma, apenas se muda a Constituição em momentos de crise ou em uma conjuntura política que necessite realmente de uma nova Lei Maior.

Permitir que um partido desta espécie ouse levantar a possibilidade de uma Constituinte é assinar o enterro da democracia e dos direitos conquistados até agora. Afinal, o que esperar de um partido que surge sem qualquer base ideológica ou social e repleto de fisiologismo?

Se o povo brasileiro se interessasse um pouco mais por política, conseguiria distinguir de pronto que o PSD veio somente para repetir o histórico de políticos corruptos e conservadores.

OBS: O mais novo filiado e articulador da sigla é o experiente Deputado Estadual Danrlei (antigo PTB). Conhece?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Deus não mata mas castiga! E agora Sartori?


Foto da matéria "Natureza Exuberante do Sistema Marrecas"
publicada no jornal Burgueseiro

As obras do Sistema Marrecas, de fato muito importante para o abastecimento de água em caxias do Sul, estão dando o que falar! É uma atrapalhada atrás da outras. Erros cruciais que não poderiam ter acontecido em uma obra de tamanho tão vultoso!

Vejamos os tropeços que colocam em xeque a probidade do gestor municipal e que não deixam a obra deslanchar.

*O orçamento inicial da obra era de R$ 120 milhões subiu para R$ 150 milhões em dezembro de 2009 e, em abril de 2011, para R$ 200 milhões. De fato, um pequeno erro de cálculo. Apenas R$ 80 milhões a mais... R$ 80 milhões!

* As desapropriações de terras não passaram pela Câmara de Vereadores. Pra quem se diz transparente e eficiente, no mínimo há algum tipo de obscuridade por trás dessas desapropriações.

* As entidades ambientalistas Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais, União Pela Vida e Instituto Orbis ajuizaram ação pedindo a suspensão do desmatamento da área a ser alagada. A Prefeitura perdeu em primeira instâncias na Justiça Federal e novamente no Tribunal Regional Federal neste mês. As entidades ambientalistas alegam que não houve a devida autorização para o corte de árvores e que o desmatamento causará danos irreversíveis ao equilíbrio ambiental.

A situação está ficando complicada para o lado da Prefeitura. E se perder no STJ e STF também? São riscos que se correm quando o "progresso da humanidade" é considerado mais importante que a preservação ambiental. Se tudo fosse feito nos conformes e com maior atenção aos danos ambientais, certamente a Prefeitura não estaria nesta saia justa!

Deus não mata mas castiga. Mas se passar do STF...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Eu Conheço alguém que fez aborto. E você?

Hoje, dia 28 de setembro, é o Dia Latino-Americano e Caribenho pela Descriminalização e Legalização do Aborto. No Brasil o aborto é crime. Mas sabemos que isso não impede e nunca impedirá sua prática. A clandestinidade, no entanto, condena as mulheres a realiza-lo de forma insegura e precária. A criminalização do aborto impossibilita autonomia das mulheres sobre seus corpos e obriga a colocar suas vidas em risco. Somos todas clandestinas!

Por que legalizar o aborto?
1º - O Estado é laico e, a maioria dos argumentos contra o aborto perpassa por questões de ordem religiosa. Credos e religiosidade, cada um tem a sua e não pode impor às outras pessoas;

2º - Negar a possibilidade das mulheres fazerem aborto é legitimar uma sociedade hipócrita, que fecha os olhos para a realidade. O aborto acontece, sendo ou não sendo moral, sendo ou não sendo proibido. Segundo dados do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), cerca de 1 milhão de abortos foram realizados no Brasil em 2007. A curetagem é o segundo procedimento mais realizado na rede pública.

3º - O aborto clandestino é a quarta maior causa responsável por morte materna no Brasil.

4º - É uma questão de saúde pública. A legalização do aborto não deve ser adotada como medida isolada. Precisa ser acompanhada de políticas amplas e efetivas de saúde reprodutiva que garantam acesso a informações, ao pré-natal, parto, puerpério, assistência à anticoncepção, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis – inclusive HIV e Aids – e outras necessidades de mulheres e de homens relativas a este campo da saúde.

5º - É uma questão de igualdade e equidade de gênero. As mulheres não engravidam sozinhas, mas na criminalização do aborto a lei vigente isenta os homens de responsabilidade. Isto significa desrespeito ao princípio de igualdade entre homens e mulheres.

6º - É um direito de escolha das mulheres e de liberdade sobre o seu próprio corpo. A criminalização do aborto força todas as mulheres que engravidam a levar a gestação a termo. É uma medida de “maternidade compulsória”.

7º - É pela vida das mulheres. O argumento amplamente utilizado para defender a criminalização do aborto é a defesa da vida. No entanto, esse argumento não leva em consideração as milhares de mulheres que morrem vítimas de abortos realizados de forma insegura e precária. A mulher tem que ter direito ao seu corpo, e a uma vida digna e plena - que compreende o direito à autonomia de decisão, privacidade, liberdade e igualdade, bem como o direito à saúde, integridade física e psíquica.

O outro lado da foto do estudante que “atacou” Lula na Bahia

Para o PIG, Partido da Imprensa Golpista, boa notícia não é notícia, principalmente quando o personagem é o ex-presidente Lula. Na ânsia de publicarem matérias negativas, na maioria das vezes, eles escorregam, e feio, na verdade. Veja o exemplo abaixo originalmente publicado no Blog Vi o Mundo.

por Conceição Lemes


Terça-feira, 27 de setembro, do meio da tarde ao  início da noite. Durante todo esse período o Estadão on-line  não destacou  na capa nenhuma foto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebendo   o título de doutor honoris causa do respeitadíssimo Instituto de Estudos Políticos de Paris – o Sciences-po. É a primeira vez que a instituição pela qual passou parte da elite francesa concede o título a um latino-americano. É sua sétima condecoração.

Diferentemente de terceira-feira passada, 20 de setembro, quando Lula recebeu o honoris causa da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o Estadão on-line manteve na capa, do início da tarde ao final da noite, esta foto:


Afinal de contas, o que aconteceu? Estudantes ligados ao Diretório Central dos Estudos (DCE) da UFBA resolveram “brigar” com Lula? Ele até fechou os olhos com “medo de apanhar” de um mais “exaltado?

Nada disso. Mais uma demonstração de que a mídia corporativa está mais ligada em fazer política do que em noticiar e a escolha das fotos e manchetes “faz parte”.

O competente jornalista Fernando Brito, conhecedor profundo dos desejos mais sombrios da imprensa brasileira (foi por 20 anos assessor de Leonel Brizola e hoje está com Brizola Neto), denunciou a foto no excelente Tijolaço:

A capa do Estadão on-line é uma incrível expressão de um desejo mal contido de nossa grande imprensa. Olhem aí ao lado, como Lula sofre o “ataque” de um manifestante que participava do “protesto” que “tumultou” a cerimônia de entrega do título de “Doutor Honoris Causa” ao ex-presidente na Universidade Federal da Bahia.
O jornal transforma reivindicação – 10% do PIB para a Educação, algo mais do que justo que se peça numa Universidade – em protesto e o sucesso do ato em tumulto. É só ler como são descritos o “protesto” e o “tumulto” pelo próprio jornal, lá na matéria:
Como não havia espaço no salão onde ocorria o evento, os estudantes tiveram de ficar do lado de fora. Depois, conseguiram entrar no salão, onde acompanharam o fim das homenagens a Lula e voltaram a gritar palavras de ordem – enquanto pegavam autógrafos do ex-presidente nos próprios cartazes nos quais estavam escritas as reivindicações.

Afinal, quem era o “agressor”? Depois de uma porção de ligações para Salvador acabei chegando a Tâmara Terso, estudante de Comunicação e coordenadora-geral  do DCE da UFBA.

Fernando Maltez, o “agressor”: “Lula, não 
tenho, papel, caneta, então me dá um abraço?!”
– Tâmara, você sabe quem é o aluno que queria “bater” no Lula?
– kkkkkkkkk É o Maltez, o Fernando Maltez, do setor de comunicação do DCE.
– Vocês foram à reitoria protestar contra o Lula?
– Nãããããããããããããããããããão! O que aconteceu foi o seguinte. Nós estávamos fazendo uma manifestação na UFBA, pedindo mais dinheiro para a saúde, para a educação… Aí ficamos sabendo que Lula estava na reitoria, recebendo o honoris causa. Fomos pra lá. Além de conhecer o Lula pessoalmente,  queríamos que ele posasse com o nosso cartaz, pedindo 10% do PIB para Educação.
– E a foto com Fernando “partindo pra cima” do Lula?
–  Na hora, o Maltez correu, agarrou a mão de Lula. Todos nós caímos na risada.
Fernando Maltez tem 24 anos, é torcedor do Bahia (como Tâmara) e está no último semestre do curso de Direito.
– Fernando, conta a verdade, você queria “descer o braço” no Lula?
– De jeito nenhum. Sou o maior fã. Admiro a história de vida de Lula, tenho consciência do bem que ele fez para o Brasil. É um exemplo para nós brasileiros, é um exemplo para o mundo.
–  E o que aconteceu?
– Na hora, todo mundo queria autógrafo de Lula. Teve aluno que pediu pra Lula autografar até no cartaz que carregava.
– Ele autografou?
– Claro. Só que eu não tinha caneta, papel, nada na mão. Aí, disse: “Lula, não tenho, papel, caneta, então me dá um abraço?!”
– Ele deu?
– Claro! Foi o dia mais emocionante da minha vida.
– E a foto do Estadão?
– Já ri muito. Estou famoso (rsr). Agora, pense bem, companheira: “Eu sou da Juventude do PT, você acha que eu iria bater em Lula? Nunca! Pode perguntar pro próprio Lula, se não foi isso o que aconteceu.
Em tempo. Finalmente, há pouco, o Estadão on-line colocou na capa a foto de Lula com o honoris causa do Sciences-po.  Só diferentemente da semana passada, quando a foto do “ataque” na  Bahia foi inserida no texto, ficando numa posição fixa, a dessa terça estava no slide show com mais cinco imagens, que se alternavam na tela.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Vereador de Porto Alegre tentou bloquear próprio nome no Google


* Notícia publicada originalmente no saite http://www.sul21.com.br/

O vereador de Porto Alegre, Mauro Zacher (PDT), pediu em caráter liminar que o Google Brasil Internet Ltda. bloqueasse seu nome no mecanismo de busca. Ele alegou que a busca resultaria em notícias que vêm causando danos a sua honra, notícias supostamente falsas ou tendenciosas. A juíza Anaísa Accorsi Peruffo, da 1ª Vara Cível do Foro Regional 4º Distrito de Porto Alegre, negou a liminar.

Leia mais:
- Cobrado na Justiça vereador alegou ter bolsa informal na PUCRS

No pedido de liminar, feito pelo advogado Thiago Rocha Moyses, ex-presidente do DCE da PUCRS, utiliza-se como argumentação o artigo 273 do Código de Processo Civil, pelo qual as decisões liminares se justificam quando há perigo de dano irreparável ou de difícil reparação. A juíza considerou, inicialmente, que o bloqueio seria inócuo “haja vista que, ainda que as informações exibidas fossem efetivamente bloqueadas, o acesso poderia ser facilmente realizado por meio de outros sites de busca (…) ou, ainda, diretamente nos endereços eletrônicos em que as notícias foram originariamente divulgadas”.

A juíza foi mais além e disse que não há fundamentos que justifiquem a medida liminar. “Não restou comprovada, ainda que em caráter perfunctório, a suposta ofensa aos direitos da personalidade do demandante”, afirmou Anaísa Accorsi Peruffo. Ela disse ainda que, em uma análise preliminar, não constatou “qualquer violação aos direitos do autor” e reiterou que a imprensa, e mesmo cidadãos em geral, têm o direito de divulgar informações que entendam relevantes, mesmo que sejam de caráter desabonatório, desde que respeitem os direitos individuais de quem é objeto da informação prestada. Diz a juíza ainda que não encontrou indício de que as notícias elencadas pelo Google “sejam inverídicas ou de que tenham extrapolado os limites do tolerável”.

A juíza também ressaltou que a liberdade de expressão é um direito constitucionalmente garantido pela Constituição Federal. “A liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença, é direito constitucionalmente garantido, inclusive com status de cláusula pétrea (artigo 5º, IX, da CF)”, escreveu na decisão, ressaltando também “ser o requerente pessoa pública, em exercício de cargo político, fato que, por si só, desperta maior interesse da população a respeito de sua vida pública e privada”.

domingo, 25 de setembro de 2011

Professores do ensino privado gaúcho vão realizar paralisação

O senso comum acha que o ensino privado é de melhor qualidade pois, como é pago pelos pais dos alunos, as escolas teriam mais infraestrutura, mais recursos e os professores seriam melhor remunerados. Mas essa não é a realidade. Isso é o que denuncia o Sindicato dos Professores de Caxias do Sul (Sinpro/Caxias). Para o sindicato a situação da categoria é outra, por isso está lançando uma campanha para chamar a atenção da opinião pública sobre o aumento abusivo do trabalho imposto aos docentes fora de sua carga horária contratual – uma das principais causas de exaustão e de adoecimento dos professores.

O sindicato quer alertar a população sobre a Hora Atividade ou Atividade Extraclasse, aquele trabalho realizado pelos professores fora da sala de aula como elaboração e correção de provas, elaboração da aula, correção de trabalhos. Mais recentemente com a internet ainda há, muitas vezes, a necessidade de alimentação de um ambiente virtual de aprendizagem. Como há uma indefinição do sindicato patronal quanto à remuneração desse trabalho, o Sinpro/Caxias decidiu desencadear um movimento de denúncia e resistência à falta de limite das demandas extracontratuais.

A Greve de Domingo, marcada para o dia 2 de outubro, dá ênfase à essa realidade. Os relatos e as denúncias são numerosos: trata-se da exigência de uma jornada extraclasse cada vez mais extensa, imposta aos professores de todos os níveis de ensino. O problema não é novo. Nova é a exacerbação, o exagero, a extensão desmedida das atividades extraclasse.

Historicamente, existem tarefas, anteriores ou complementares, preparatórias ou avaliativas ao momento da sala de aula. Essas atividades são imprescindíveis para que a aula aconteça. Ocorre que não há limite, não há razoabilidade nas exigências aos professores quanto ao volume e à diversidade das tarefas extraclasse, na maioria das instituições. A indefinição da sua remuneração leva agora o Sinpro/Caxias a considerar e propor aos professores uma luta de resistência e limitação dessas tarefas e dessa jornada.

Veja abaixo um vídeo feito pelo sindicato que aborda essa situação:


Impostos no Brasil: O que você não ouve falar?

No último dia 13 de setembro o “Impostômetro” criado pela Associação Comercial de São Paulo, alcançou a marca de 1 trilhão de reais. O número é impressionante e, considerando a época do ano, esse número deve ser muito maior. Logo, toda a grande mídia começou a fazer pautas sobre a carga tributária, os muitos impostos pagos pelos brasileiros, etc. Mas muita coisa foi omitida pelos veículos de comunicação. O que você não leu/ouviu sobre o pagamento de impostos?

O que signifca arrecadar 1 trilhão de reais em impostos? Isso é muito ou pouco? Bom, aí depende do caso. O número realmente impressiona, mas ele não chegou a esse valor por acaso. Ele é fruto de todas os impostos pagos por pessoas físicas e jurídicas no Brasil. Como, apesar do que se propaga, o aumento dos impostos não aumentou, na verdade diminuiu. Portanto alcançar esse patamar signfica que mais riqueza foi gerada no país.

A tal carga tributária do Brasil está, em média, em 33% do PIB, Produto Interno Bruto. Mas ela está mal dividida entre as camadas sociais. Os 10% mais ricos pagam apenas 10% da sua renda em impostos, enquanto os mais pobres chegam a ter 30% de sua renda comprometida. Isso acontece pois temos muitos impostos que incidem sobre o consumo, que atinge, nesse caso, os mais pobres.

Essa tributação, pelo consumo, é formada, principalmente, pelos impostos estaduais e municipais que contribuem, em muito, nessas alíquotas. Paradoxalmente são esses os impostos que são mais utilizados para incentivar a guerra fiscal entre os estados e municipios. Esses benefícios fiscais beneficiam, na sua maioria, as grandes empresas. Portanto, enquanto a camadas mais baixas da população continuam pagando seus impostos agregados aos valores dos produtos, os empresários recebem grandes incentivos e, muitas vezes, não geram postos de trabalho.

Para citar um exemplo bem conhecido dos gaúchos a Ford para ir para a Bahia, 13 anos atrás, recebeu incentivos de R$ 1,5 bilhões, a título de empréstimo com um juros beeeem baixo, mais isenção de todos os impostos, mais R$ 1 bilhão, terraplanagem, terreno, infraestrutura, e mais US$ 5,5 bilhões (dessa vez de dollares) do governo federal na época. Esse valor astronomico representa, por exemplo, mais do que a soma do que deixou de ser investido na saúde, no Rio Grande do Sul, no mesmo período.

Outro fator importante de ser analisado é como a arrecadação de impostos retorna a população. Metade do valor volta em benefícios as populações de mais baixa renda. São aposentadorias, bolsa família, assistência social, saúde, saneamento, etc. Entretantos os pagamentos da dívida pública, que beneficia os 1% mais ricos que compraram títulos do governo consome 5% do PIB. Um absurdo!

Para finalizar. Não é que se pague altos impostos no Brasil. Nosso problema é que os mais ricos são os que, proporcionalmente, menos pagam. As empresas repassam tudo para os preços e ainda recebem incentivos fiscais. Por tudo isso a reforma tributária não avança pois, para uma reforma eficiente, deveria desonerar os impostos sobre consumo e aumentar os dos mais ricos, e isso, será difícil de acontecer. Enquanto isso a “oposição” derrubou um imposto, para financiamento da saúde, que apenas 5%, os mais ricos, iriam pagar.

sábado, 24 de setembro de 2011

Deputados caxienses defendem crime ambiental

Na terça-feira, dia 27 de setembro, será apreciado pela Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Estado, Projeto de Lei que regulameta as queimadas. Logicamente, o argumento para que tal prática seja legalizada se dá em torno da trivialidade do tema. Afinal, todo mundo faz e é um método muito mais rápido e barato para limpar o terreno. Afinal, o Prefeito de Jaquirana, um dos defensores da Lei, é proprietário de apenas 6 mil hectares de terras e alega que se não for através de queimadas, fica difícil limpar o solo. Do prefeito em questão não se pode esperar nada além da defesa de queimadas, já que "cultiva" pinus, que são altamente prejudiciais ao equilíbrio ambiental e cria gado, o que também não contribui com a sustentabilidade do planeta.

Da série, sou certinho, mas nem tanto, surgem os deputados caxienses Alceu Barbosa Velho (PDT) e Maria Helena Sartori (PMDB) na defesa do projeto. Ambos defendem as queimadas e Maria Helena foi uma das deputadas que pediu o desarquivamento do Projeto de Lei. Quem não tem comprometimento com a sustentabilidade ambiental não tem comprometimento com o bem estar da população.

As queimadas são proibidas atualmente. De fato porque são altamente prejudiciais ao meio ambiente: liberam gases que aceleram o efeito estufa e, consequentemente o aquecimento global, poluem o ar e prejudicam a saúde respiratória, matam a flora e a fauna de toda a área que for queimada, acaba com os nutrientes do solo. Degrada o meio ambiente.

As queimadas causam profundos desequilíbrios ambientais, muitas vezes irrecuperáveis. Esperamos que os demais deputados tenham bom senso e consciência suficientes para não permitir a aprovação de um projeto que vai contra o desenvolvimento sustentável do planeta.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Debate 50 anos da Legalidade: Encontro com Universitários


A Assembleia Legislativa promove na segunda-feira (26), em Caxias do Sul, o terceiro de seis debates intitulados 50 anos da Legalidade: Encontro com Universitários, que integram a programação oficial do Parlamento gaúcho para comemorar o cinquentenário do Movimento, completado em 2011. A atividade acontece às 19h30, no Auditório do Bloco H da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Os outros encontros acontecerão nas cidades de Santa Maria, no dia 3 de outubro; Santo Ângelo, no dia 4; e São Borja, no dia 5. Já ocorreram eventos em Rio Grande e Pelotas no dia 12 de setembro. Os debates são realizados pela Escola do Legislativo Deputado Romildo Bolzan da Assembleia, em parceria com o Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul e com o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e contam com o apoio das instituições de ensino que estão recebendo os eventos. A iniciativa é gratuita e aberta ao público.

O objetivo é propor uma reflexão sobre a Legalidade. Além do professor mestre Paulo Luiz Zugno, também integrará a mesa a mestre Ananda Simões Fernandes, do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul. O jornalista Carlos Bastos participará da atividade como depoente, contando sua experiência à época do movimento, quando trabalhava como repórter político do jornal Última Hora. A mediação será feita pela deputada Marisa Formolo (PT).

A Legalidade

A campanha começou em 25 de agosto de 1961, por iniciativa do governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, como consequência à renúncia de Jânio Quadros à Presidência do País. Apesar de o presidente da Câmara Federal, deputado Ranieri Mazzilli (SP), haver sido empossado no cargo – o vice-presidente da República João Goulart, Jango, o primeiro na linha sucessória, estava em viagem oficial à China -, o governo do Brasil, de fato, passou a ser exercido pelos ministros militares. Sob a liderança de Leonel Brizola, o Rio Grande do Sul mobilizou-se e unificou-se em defesa da legalidade constitucional, que apontava para a posse do vice-presidente João Goulart, eleito em chapa separada do Presidente, em 3 de outubro de 1960.

Durante doze dias, mesmo sofrendo todo o tipo de ameaças da cúpula militar que governava o Brasil, o movimento de resistência manteve-se firme, a partir do Palácio Piratini, tendo a sua volta, na Praça da Matriz, uma multidão de pessoas que não parava de aumentar, respaldando o ato do governador. No centro do País, interlocutores da resistência e da cúpula militar negociavam uma solução constitucional que evitasse uma guerra civil e superasse a crise. Com esse fim, aprovou-se a chamada solução parlamentarista, substituindo o presidencialismo pelo parlamentarismo no País.

João Goulart foi informado que poderia ser empossado desde que aceitasse dividir o poder executivo com um primeiro-ministro indicado pelo Congresso. Jango, que estava retornando ao Brasil via Uruguai, concordou com a proposta em nome da paz política. Voou de Porto Alegre para Brasília para assumir um cargo com poderes limitados. Assim, no dia 7 de setembro de 1961, tomou posse como presidente em cerimônia no Congresso Nacional.

Confira programação
Caxias do Sul – 26/9 – segunda-feira, 19h30
Universidade de Caxias do Sul – UCS, em Caxias do Sul
Local: Auditório do Bloco H – UCS

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Os Alugueres do Sartori...


Hoje será votado na Câmara um importante pedido de informações proposto pelo Vereador Rodrigo Beltrão sobre os gastos da Prefeitura com aluguéis e também se há intenção de, nos próximos anos, construir prédios próprios. Será que a bancada governista vai aprovar o pedido

Vem a calhar um pedido de informações desse tipo. Afinal, exemplos de dinheiro esvaindo-se pelo ralo não faltam. Vejamos alguns exemplos de prédios alugados pela Prefeitura:


Setor de Iluminação Pública

Centro Especializado de Saúde

Setor Administrativo da Secretaria de Obras

Secretaria Municipal do Meio Ambiente

Secretaria Municipal de Educação

Secretaria Municipal de Esporte e Lazer

Secretaria de Transportes

Entre muitos outros prédios alugados para diversos setores da Prefeitura (residenciais terapêuticos, CRAS, Centros Educativos, Setores de Manutenção...)

Além do número excessivo de aluguéis, o Governo ainda faz farra com o dinheiro público: Uma sala recentemente foi alugada no bairro São Pelegrino para servir de sede a um Restaurante Popular. Foram pagos seis meses de aluguel e depois a Prefeitura desisitiu. Seis meses de dinheiro desperdiçado por pura incompetência administrativa!

Outro caso emblemático de incompetência e que seria digno de uma ação civil pública foi o aluguel do prédio na Rua Antonio Prado, que abrigava as Secretarias de Esporte e Lazer, Educação e Meio Ambiente. A Prefeitura resolveu transferir as Secretarias para outros prédios. Enquanto ainda usava o prédio antigo já pagava os outros três prédios que receberiam os órgãos municiais. Foram muitos meses em que a Prefeitura pagou quatro aluguéis em vez de um.

E por aí vai. Total desorganização e desperdício de dinheiro público.

Se esse pedido de informações for aprovado... renderá muito pano pra manga e quem sabe também uma condenação por improbidade?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

E chega ao fim a Semana Farroupilha

E acabou a Semana Farroupilha. Como gostamos de coisas grandiosas nossa “semana” dura 13 dias, pois desde o final do Sete de Setembro iniciaram as comemorações da Revolução Farroupilha. Portanto estamos, há 20 dias, em festejos, que, tem a liberdade como seu principal ideal. Mas fiquemos só na Semana Farroupilha. Durante esses 14 dias são realizadas milhares de palestras, principalmente em escolas, por prendas e peões, na maioria das vezes despreparados para tal. Se limitam a seguir uma cartilha, com pouca ou nenhuma consistência histórica e divulgam a “nossa cultura” para milhares de jovens, que hoje saíram pilchados, ou não, pelas ruas de nosso Estado.

O mito do gaúcho

Os principais personagens para a criação desse mito foram Paixão Côrtes, Barbosa Lessa e Glauco Saraiva. A partir deles é que começa uma sistematização de usos e costumes que acabou virando a nossa tradição, celebrada nesse período.

O próprio Paixão Côrtes afirma que o que entendemos hoje como gaúcho é a soma de diversas culturas, povos e costumes, ou seja, o gaúcho é um amalgama de povos diferentes, na maioria estrangeiros.

Portanto, na primeira metade do século XX, começa a nascer a cultura gaúcha como conhecemos. Mas ela não se fixa como cultura e sim como tradição, folclore e é aí que nasce a raiz de nossos problemas. Todo o povo que vive baseado, exclusivamente no folclore, fica limitado na sua capacidade de evoluir culturalmente. Por conta disso que há centenas de discussões, absolutamente banais, onde gasta-se horas para saber se é permitido, ou não, homens usarem brincos nos CTGs. Se a Tchê Music é permitida. Qual o papel da mulher no tradicionalismo. Deve-se ou não usar facas nos acampamentos. E por aí vai. Tudo fica a cargo do Movimento Tradicionalista Gaúcho, MTG, que como vi num twitter agora pouco ele é: “sexista, xenofóbico, patriarcal, racista e que não representa a diversidade do povo rio-grandense”.

Na maioria dos casos seus integrantes são urbanos que durante 15 dias tentam “resgatar” sua “herança” rural. Herança essa que, para a maioria deles, não existe.

Nem tudo é desgraça

Mas nem tudo é ruim. Há alguns valores cultivados, coletivamente, que são importantes de serem preservados. Como trabalhadores rurais, os gaúchos (de verdade), tem uma relação de cooperação e entendimento com o meio ambiente. Garantir a qualidade das pastagens e a qualidade das águas, por exemplo, é fundamental para a atividade pastoril. Portanto esses tradicionalistas verdadeiros, não podem dormir tranqüilos com, por exemplo, a derrubada de 630 árvores para a construção de uma cancha de rodeios, ou a derrubada de 4 árvores nativas para não remover uma barraca e nem com a morte de um cavalo por uma cerca eletrificada nos pavilhões da Festa da Uva, não é?

Temos que resgatar, sim, os verdadeiros ideias de nossa terra entre eles a solidariedade, a luta pela igualdade e pela fraternidade entre todos. Esses sim são as façanhas que devem servir de modelo a toda a terra.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Luta por MAIS UMA universidade pública em Caxias

Não podemos limitar o debate a uma disputa entre Caxias e Bento Gonçalves

Sei que essa postagem é polêmica, mas estamos devendo ela há bastante tempo. Uma grande mobilização tomou conta da cidade. Bom grande pelo barulho, por enquanto, mas está juntando muita gente mesmo. A reivindicação pela instalação de uma extensão da UFRGS em Caxias do Sul.

Não somos contra a instalação da extensão da UFRGS aqui em Caxias, muito antes pelo contrário, quanto mais vagas para pública melhor. O que estamos querendo mostrar é que Caxias não está desistida de ensino superior público.

Começamos pelo título “10 razões para a Universidade Pública em Caxias do Sul”. Primeiro já temos universidade pública em Caxias, duas até. A UERGS e a IFRS (Instituto Federal do Rio Grande do Sul). Esse último inclusive é ensino médio técnico também. Então não podemos dizer que não há universidade pública.

O caso da UERGS é bem emblemático. Ela foi construída pela participação popular, via Orçamento Participativo Estadual, em 2000, na metade do governo Olívio Dutra (PT). Acontece que os governadores que o sucederam, Germano Rigotto (PMDB) e Yeda Crusius (PSDB), a sucatearam. O Rigotto começou destituindo o reitor eleito pela comunidade e indicando um CC (cargo de confiancia). No governo Yeda não houve mais vestibular em Caxias do Sul. Yeda fez pior, não reformou, mesmo tendo dinheiro e local, no antigo prédio da Escola Estadual Olga Maria Kayser. Agora o governo Tarso (PT) acena com a reestruturação da UERGS, pode ser que bons ventos cheguem a Caxias do Sul.


Já o IFRS instalou-se esse ano, apesar da prefeitura de Caxias do Sul ter feito uma das piores contrapartidas das 10 cidades que estavam para receber o projeto. Depois de quase perder a instituição a sede começou a ser construída no bairro Fátima (foto). Atualmente o IFRS ocupa um prédio aluga próximo ao Shopping Iguatemi. O IFRS, em Caxias do Sul, conta com 334 alunos e é focado na qualificação do setor metal mecânico e de tecnologia. No Rio Grande do Sul são 10 cidades que compõem a rede estadual.

E a extensão da UFRGS?

A proposta da extensão da UFRGS surgiu como uma proposta ao impasse na histórica reivindicação da federalização da UCS. Como a proposta não ia dar em nada surgiu a proposta, feita pelo então vereador Assis Melo, de começar a discutir uma extensão da UFRGS. Quando ela se concretizar teremos, então em Caxias, 3 instituições de ensino público. Uma coisa tem que ficar bem claro para toda a população. Uma extensão da UFRGS deverá atender uma demanda específica. Então que está achando que vai ter Direito, Administração ou Contábeis, pode ir se decepcionando.

As propostas de extensão buscam qualificar as competências regionais ou, então, as deficiências locais de qualificação. Existem, portanto, duas discussões de foco. Uma delas fala da qualificação de profissionais da área da saúde, uma deficiência regional. Outra foca ainda mais, no setor metalúrgico.

Não podemos limitar o debate a uma disputa entre Caxias e Bento Gonçalves (até por que Bento também tem duas instituições públicas). Devemos discutir para que queremos uma UFRGS na Serra. Vamos ao debate pensando o que é melhor para a nossa região.

domingo, 18 de setembro de 2011

Ocupar Wall Street: Protestos de massa chegam aos EUA

Sem sobra de dúvidas essa notícia é de extrema importância. O que os manifestantes querem é a volta de democracia no país, que "adora espalhar democracia pelo mundo".

Publicado originalmente na Revista Fórum.


“A polícia exigiu falar com o líder. Respondemos que não havia líder”

Por Idelber Avelar [18.09.2011 08h05]

Não foi uma multidão de proporções egípcias mas, para o contexto dos EUA, é extremamente significativo e ela promete não ir embora. Começou a ocupação de Wall Street. Alguns poucos milhares de pessoas saíram às ruas, neste sábado, no sul da ilha de Manhattan, o coração do capital financeiro dos EUA. Elas prometem permanecer lá e muitos apostam que a concentração vai crescer neste domingo. Completamente ignorada pela mídia televisionada e impressa, o movimento se articulou pela internet. Convocada pelo movimento Ocupar Wall Street, dentro do qual se faz presente o Anonymous, a manifestação inclui uma série de demandas que há muito tempo não eram vistas na esfera pública estadunidense:

  1. Que os protestos continuem ativos nas cidades. Que cresçam, se organizem, se conscientizem. Nas cidades em que não há protestos, que eles sejam organizados e quebrem o sistema.
  2. Convocamos os trabalhadores não apenas a entrar em greve, mas a tomar coletivamente os seus locais de trabalho e organizá-los democraticamente. Convocamos professores e alunos a agirem juntos e a lecionar democracia, não apenas os professores aos alunos, mas os alunos aos professores. Ocupem as salas de aula e libertem as cabeças juntos.
  3. Convocamos os desempregados a se apresentarem como voluntários, a aprenderem, a ensinarem, a usarem as habilidades que tenham para se sustentarem como parte da comunidade popular que se revolta.
  4. Convocamos a organização de assembleias populares em cada cidade, cada praça, cada câmara municipal.
  5. Convocamos a ocupação e o uso de prédios abandonados, de terras abandonadas, de todas as propriedades ocupadas e abandonadas pelos especuladores, para o povo e para cada grupo que organize o povo.
Mostrando que a democracia dos EUA já não é a mesma, a polícia bloqueou os quarteirões de Wall Street que ficam entre as ruas Broadway e William. Não houve grandes distúrbios neste sábado, mas a polícia nitidamente se confundiu com o caráter descentralizado da manifestação. Vários presentes relataram que era insistente a demanda “queremos falar com o líder”, ante a qual a resposta recebida era invariavelmente “não há líder”.

Há um total blecaute midiático sobre o movimento. Fox News, CNN e MSNBC, os três principais canais de notícias da TV a cabo, não noticiaram nada. As quatro principais emissoras da TV aberta, ABC, CBS, FOX e NBC, também não. Na seção de tecnologia de seu site, a CNN deu uma bizarra matéria que dizia que o movimento "tentava imitar o Irã". O New York Times não deu uma linha no jornal propriamente dito, mas só uma notinha no blogue.

Na noite de sábado, a assembleia popular decidiu passar a noite lá e, neste domingo, espera-se a chegada de mais gente. Muitos manifestantes falam em permanecer em Wall Street durante semanas ou meses, num grito de revolta contra o capital financeiro. Na segunda-feira, evidentemente, a polícia já não terá como fechar Wall Street, e é nisso que o movimento aposta.

Há algumas fontes para acompanhar esse auspicioso acontecimento. A tag no Twitter é #OccupyWallStreet. Neste domingo, deve se reiniciar a transmissão ao vivo do protesto no site do Global Revolution. Também deve haver streaming todo o dia no AdBusters, que é parte da organização. O Anonymous está postando vídeos. A pequena cadeia de televisão de Washington RT Television está cobrindo o evento. Também há notícias e vídeos no Scoop it.

Dada a acumulação de revolta contra o capital financeiro nos EUA, o movimento tem muito potencial para crescer. Pode ser que fique interessante a coisa.

sábado, 17 de setembro de 2011

Ignacio Ramonet: "Hoje, a informação é um ato coletivo, mais democrático."

*Entrevista publicada originalmente no site do Instituto Humanistas Unisinos.

“Hoje, a informação é um ato coletivo, mais democrático. O jornalista não está sozinho. Antes, se tinha dois atores, um ativo e outro passivo. O emissor e o receptor. Hoje, o receptor é tanto ativo como o emissor. Eu o chamo de webator“.

O comentário é do jornalista Ignacio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique e doutor em Semiologia e História da Cultura. Ramonet acaba de escrever o livro A explosão do jornalismo.

O jornalista concedeu entrevista à Martín Granovsky do Página/12, 11-09-2011. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Por que a Internet é mais importante do que a imprensa?
Tem-se dito que a Internet é tão importante quanto à invenção de Gutenberg. Mas é mais importante do que a imprensa. Porque com a imprensa se tem apenas o livro, o escrito. Não o desenho ou as representações gráficas que mudaram o Ocidente quando nos séculos XIV e XV Filippo Brunelleschi inventou a perspectiva. A imprensa foi chave, sim. Não apenas mudou a maneira de fabricar textos como o número de universidades. Em 1440 havia quatro ou cinco. Com a extensão do livro se multiplicou e surgiu o humanismo, o Renascimento.

A edição da bíblia em línguas que não se resumiam ao latim.

Exato. Que foi um suporte do protestantismo. Cada um podia ter o seu livro, que antes valia o mesmo que um carro de hoje em dia. Desapareceram, ao poucos, os copiadores. O que eu quero dizer é que há transformações na política, na sociedade, na geopolítica… A guerra dos Trinta Anos, de protestantes contra católicos era uma consequência, nesse sentido, da imprensa. Hoje a Internet e as redes sociais não geram por si só alguns fenômenos, mas os aceleram enormemente.

O uso massivo dos Black Berry nos recentes protestos de Londres?


Por exemplo. Esses protestos, em boa medida, são filhos da Internet.

Internet e as redes sociais produzem o fenômeno ou são ferramentas dos fenômenos?

As redes não são uma causa, mas um acelerador. As causas são sempre as condições sociais, econômicas, políticas… mas, a aceleração é importante. A globalização apenas adquire a intensidade atual quando se criam o que chamamos de autopistas da informação, por onde circulam por 24 horas as ordens de compra e venda nas bolsas que circulam velozmente graças ao que a Era digital permitiu. Internet é um ator do que ocorre e um vetor do que acontece, e em ambos os casos para além do campo da comunicação. O jornalista tinha até agora o monopólio da informação. A sociedade recebia a informação através dos jornalistas.

Agora já não é mais assim?

É um trabalho partilhado. Os cidadãos com seus blogs e a informação que eles mesmos difundem com os sítios de informação on-line, com a informação que se difunde pelo Twitter.

Não é ruim essa nova situação ou é? Inclusive é interessante para os jornalistas, por um lado, se tem mais fontes de informação em mãos e, por outro lado, qualquer um pode corrigir o que fazemos.

Isso mesmo.



E se o jornalista é bom, mantém sua capacidade de edição, ainda que não seja monopolizada.

Claro. Eu diria que é o momento dos jornalistas demonstrarem para a sociedade que são necessários. A sociedade, em teoria, pela extensão dos intrumentos como a Internet, poderia se autoinformar. Naturalmente é um sonho que não se pode realizar. Como diz a psicoanálise, não basta que se tenham conhecimentos para se auto-analisar. Por definição, a auto-análise não existe. A sociedade não pode se “auto-informar”, mas ao menos em teoria seria possível. Daí que os jornalistas são mais exigidos do que antes. Antes tinham esse monopólio, certo prestígio social, exerciam certo “terrorismo” intelectual na sociedade… Esse estatuto um pouco privilegiado está bagunçado por inteiro e agora surgem novas vozes e jornalistas novos. Basta ver o êxito do The Huffington Post nos Estados Unidos.

Até chegou a se vender em poucos anos pelo sucesso que alcançou. Como se reconhece hoje e como se reconhecia anteriormente um bom jornalista? Mudou de verdade a profissão?

O que se pede de informação hoje? Que seja confiável. Muita informação que recebemos não é confiável e às vezes, inclusive, falsa. Nem falo da má intenção e da manipulação voluntária que exite. Apena refiro-me a que um programa de rádio ou um canal de televisão não podem garantir que a informação que transmitem seja verdadeira. O uso da condicional “ao que parece” ou “segundo fontes…” se tornou abusivo. Faz com que os jornalistas se limitem a transmitir uma informação mais rapidamente possível, porque sabem que na rapidez está em parte a captação da audiência, não podem verificar a realidade da informação que estão transmitindo. Então, o cidadão quer confiabilidade. Que meios podem garantir isso? Indiscudivelmente não são os canais de informação urgente, imediata, constante.

O mundo que se escuta, vê e lê multimidiáticamente não tem até o momento uma palavra que o defina, correto?

Não, ainda não.

Essa pessoa para a qual não temos definição, espera ainda que de alguma maneira alguém lhe explique o que está acontecendo?

Você mesmo disse, de maneira nenhuma. A questão é que hoje a informação se dá de acordo com o emprego. Os meios dão a informação e dizem como interpretá-la. Muito rapidamente. Demasiado sumariamente. Quem sabe o cidadão está esperando que lhe coloquem a informação no contexto. Isso impede a urgência, pertuba a imediatez.

A audiência recebe fragmentos.



Efetivamente. Assim funciona a informação. Hoje um fragmento, amanhã outro… Mas o cidadão não vai conseguir realizar o trabalho de reunir o mosaico. Tem que se ter especialistas do geral. São os chamados generalistas.

Podemos chamá-los de “todólogos”.
Pode ser. Mas a cada dia está mais difícil encontrá-los. O mundo se faz muito complexo. Nem todo mundo sabe, se o tema é Fukushima que é a radiotividade, como funciona, o que é um terremoto e que consequência traz.

Bem, o que não sabe, e se é jornalista, pode perguntar.

Sim, mas quando um canal de televisão envia uma equipe porque acontece o acidente de Fukushima e isso assusta o mundo inteiro, e a equipe chega ao Japão, nem todo mundo fala japonês, nem todos os japoneses forçosamente falam inglês, inteiram-se de algumas coisas, como a energia nuclear no Japão, recém chegando, averiguam as autoridades responsáveis. Antes, nos anos 20 ou 30 um jornalista era enviado a um lugar por navio. Com o tempo de deslocamento se lia vários livros e se sabia algo do que lhe esperava. Hoje em dia, em poucas horas se está do outro lado do mundo e nem se teve tempo para se reunir com as pessoas que te possam explicar, nem de ler tudo o que deveria ler. Por isso, o proprio ofício não se faz com as garantias necessárias. Acrescente-se a isso que está se escrevendo e ao mesmo tempo sendo “vigiado” pelo que se escreve, por uma multidão de pessoas que tem a possibilidade de intervir no que você escreve, às vezes desde autoridades em sismologia ou japonologia. O teu trabalho já não vai ser julgado apenas pelos leitores habituais ou os colegas, mas sim por toda uma série de especialistas.

E isso é bom.

Claro que é bom. Alguns jornalistas, como disse, vêem seu estatuto posto em questão. Mas para a coletividade em seu conjunto é muito bom. Antes, na Era industrial, as coisas eram oferecidas prontas. A informação também saia e não era mais alterada. Era autônoma. Hoje não. Sai a informação e na maioria dos meios, on line, já se têm os comentários. A informação vai se transformando e ao final quase é preciso voltar a redigir o artigo em função dos aportes positivos, que obviamente é preciso verificar, que foram aparecendo no caminho. Hoje, a informação é um ato coletivo, mais democrático. Evidentemente que também há rumores, falsa informação, “colagem”, prejuízos. Mas, o avanço é importante porque o jornalista não está sozinho. Antes, se tinha dois atores, um ativo e outro passivo. O emissor e o receptor. Hoje, o receptor é tanto ativo como o emissor. Eu o chamo de webator. Tem o seu proprio sistema de comunicação. Bem, primeiro é preciso aceitar esse diálogo porque faz parte da realidade de hoje e tem muitas coisas boas a recolher. O resultado pode ser muito mais interessante. Não se podem contar estórias. E não se podem contar estórias a todos permanente.

Ou seja, nem tudo está perdido.


Pelo contrário.

Salvo para os que querem se perder.

Para os que ficam parados. Para uma nova geração de jornalistas, ao contrário, nunca se teve tantas oportunidades como as que se apresentam hoje no mundo das comunicações. Um grupo de jornalistas recentemente formados pode criar um meio de comunicação de alcance nacional, continental ou planetário, com poucos recursos financeiros, coisa que era impossível para gerações anteriores. Vejo as coisas de forma muito otimista.



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Vereador destila preconceito em sessão da Câmara

Vereador Eloi Frizzo siga esse exemplo
Semana Farroupilha parece ser um momento de pouca produção na Câmara de Vereadores. Também pudera o legislativo caxiense mudou-se, de mala e cuia, para os Pavilhões da Festa da Uva, onde foi montado o Rancho do Bardoso.

Tá bom, tá bom. Não há como esperar que o poder público, empresas, escolas, cidadãos e cidadãs, não participem dos festejos farroupilhas, até por que o imaginário da nossa população é bombardeado durante anos para a formação desse mito.

Mas a polêmica começou quando o vereador Daniel Guerra (PSDB) não cumpriu o seu "turno" dizendo que achava uma hipocrisia as pessoas se fantasiarem de gaudério uma vez por ano. Tava feito o entrevero. A questão é que na defesa teve peão que passou dos limites, na nossa humilde opinião. Veja abaixo a frase proferida, na sessão de terça-feira, da Câmara de Vereadores e publicada na edição de hoje do jornal Pioneiro.

- “Eu acho que participo daquele grupo de vereadores que tem orgulho do Rancho do Bardoso. Tem gente que acha que puxando saco de padre e fazendo rezinha para cá e para lá para fazer média com o padre se dá melhor. Que prossiga assim e vá usar quem sabe uma bombachinha cor de rosa logo ali adiante, com zíper atrás.” EDIO ELÓI FRIZZO (PSB). 
A frase marcada de rosa, em homenagem ao vereador Frizzo, é de uma profunda demonstração homofóbica e preconceituosa. Não sei qual o problema que o vereador tem com o tal padre que ele cita duas vezes, mas percebemos nessas poucas palavras o baixo nível que faz parte da cultura diária de alguns vereadores da nossa Câmara.

O nosso nobre vereador, que possui dois cursos superiores (história e direito), poderia começar a repensar suas falas. Já faz tempo que o vereador monstra-se como representante dos setores arcaicos, preconceituosos e atrasados da sociedade caxiense. Por último ele poderia se inspirar na foto publicada no começo da matéria do outdoor que está na frente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, realmente é outro nível.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Salário mínimo poderá chegar a R$ 817,00 em 2015

Essa é a proposta que consta no Plano Plurianual (PPA) encaminhado pela presidenta Dilma no final de agosto. Pela proposta o valor do salário mínimo será 50% superior ao atual. O cálculo foi feito com base num acordo firmado entre o governo e as centrais sindicais que leva em conta a variação do PIB dos dois exercícios anteriores ao do reajuste e a inflação dos últimos 12 meses.


Pela proposta do PPA no próximo ano o mínimo será de R$ 619,21. Para 2013 o valor passaria para R$ 676,18 e em 2014 chegaria a R$ 741,94. Essa regra de reajuste foi aprovada em fevereiro deste ano (quando o salário mínimo subiu para R$ 545,00) e previa esse mecanismo até 2015.


Durante as eleições, de forma oportunista, o candidato José Serra havia proposto um reajuste do salário mínimo para R$ 600,00, lembram? O interessante é que, para o ano que vem, o valor já é maior que R$ 600,00 e todos os editores de economia já estão dizendo que isso fará uma "pressão nos preços".


Cabe lembrar que esses mesmos economistas achavam que o Brasil seria trucidado pela crise econômica de 2008, e não foi. Também estão dizendo que a inflação vai voltar, o que parece não ser verdade. No fundo, no fundo, o noticiário econômico brasileiro, na sua grande maioria, é recheado do lugar comum "carga tributária" e "custo brasil". Os "comentaristas" erram tanto por que esquecem um detalhe significante que a economia cresce quando há uma população que pode consumir.


Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a desigualdade na distribuição de renda diminuiu 5,6% e a renda média mensal subiu 28% entre 2004 e 2009. Isso significa que 26 milhões de brasileiros saíram da pobreza nesse período.


Essa massa toda de pessoa que mal e mal podiam consumir para se manterem vivas passaram a comprar geladeira, fogão, tv, alguns já puderam comprar um carro e até viajar de avião! As ações sociais do governo, como o bolsa família, e o reajuste do salário mínimo acima da inflação propiciaram esse aumento do poder de consumo e o aquecimento da economia interna.


Mesmo assim, os mesmos economistas continuam não vendo isso.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Trabalho Decente

Nesta última terça-feira aconteceu a Conferência Municipal de Trabalho Decente em Caxias do Sul. A Conferência foi organizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego e contou com a presença de trabalhadores e empresários.

Tive a  oportunidade de conferir os debates e a gente acha que já sabe o discurso tanto de um como de outro. Na verdade, me acostumei muito mais com as argumentações dos trabalhadores, não dos empresários. Talvez seja por isso que meus ouvidos doeram tanto quando os empresários começaram seus discursos. Todas as falas perfeitamente compreensíveis, porém em uma lógica tão capitalista quanto esse mundo que a gente vive. Capitalista, machista e racista. Pelos meus cálculos, cerca de 26 pessoas falaram: dentre elas, 3 mulheres e uns 3 negros.

Algumas pérolas:

 "O que eu faço com um trabalhador que se demite logo após eu proporcionar a ele diversos cursos de capacitação?"

"Esse país tem muito feriado! As pessoas têm que trabalhar! Outro absurdo é essa história de quererem aumentar a licença paternidade para 15 dias." - essa fala contou com uma bela vaia

"Queremos trabalho decente para todos! Segurança? Liberdade? Equidade? Salários adequados? Tudo depende..."

"Eu tenho diversas empresas e trabalho muito!"

"Não existe essa coisa de trabalho x capital. Afial quem constrói o capital são os trabalhadores." - muito bem colocado!

"Coitados de nós empresários!"

E por aí vai. Talvez seja óbvio de mais. Mas prestar atenção nessas colocações é salutar para que mantenhamos nossa consciência de classe e de quem é quem nessa sociedade!


domingo, 11 de setembro de 2011

Caxias do Sul fica em 342º lugar em investimentos na saúde

Uma notícia circulou na semana passada mas, apesar da importância, ganhou pouca visibilidade na mídia caxiense. Segundo um levantamento do Tribunal de Contas do Estado, TCE, Caxias do Sul ocupa a 342ª posição no "ranking" de investimentos da prefeitura em saúde. Veja aqui o ranking completo. Situação semelhante já havia acontecido com a educação onde Caxias ficou com o 357º lugar em investimentos no estado.

Essa notícia deveria ser capa dos jornais, manchete principal nos telejornais e render longas mesas redondas nos programas de rádio. Por um simples motivo. Estamos há mais de 5 meses com os médicos em greve (e mais de 500 dias do início do movimento). E a secretária de saúde Maria Antoniazzi sempre disse que o município investia muito em saúde. Inclusive na audiência pública que aconteceu no dia 22 de julho ela disse que Caxias investia 21% em saúde. Isso até pode ser os dados de 2011, mas pelo levantamento do TCE, no período de 2006-2010, nossa cidade investiu 17,17% na área.

Ao que parece, então, não é o problema de falta de capacidade de investir é má gestão mesmo. O período auditado pelo TCE corresponde aos dois últimos anos de primeira administração Sartori (PMDB) e os dois primeiros da atual. Nesse período foram arrecadados em impostos na nossa cidade R$ 2.122.541.460,99 (são mais de dois bilhões de reais). Desse valor foram investidos em saúde, no mesmo período, R$ 364.419.814,314 (trezentos e sessenta e quatro milhões). Colocamos os números por extenso para que o leitor tenha ideia do montante de dinheiro envolvido. Pode até ser que o valor seja maior do que o mínimo constitucional, mas parece que a choradeira da falta de dinheiro não é real já que há centenas de municípios que investem mais, proporcionalmente, na saúde.

Os primeiros da lista
Caxias do Sul poderia seguir exemplos de municípios como Campinas do Sul na Região Noroeste ou São Leopoldo na Região Metropolitana. Esses dois municípios estão em primeiro e segundo lugares nos investimentos em saúde.

Campinas do Sul, administrada pelo PP, investiu (entre 2006-2010) R$ 11.021.822,28, de uma arrecadação de R$ 35.287.665,54 o que da 31,23%, ou seja, R$ 500,17 por habitante, por ano. Já em São Leopoldo, administrada pelo PT, o investimento per capita, por ano foi de R$ 251,09. De uma arrecadação de R$ 705.248.068,56 foram investidos R$ 215.143.714,70 (30,51%). Em Caxias do Sul a média, por ano/por habitante é de R$ 206,43. Muito pouco se considerarmos que o orçamento de nossa cidade é 3 vezes maior que São Leopoldo e quase 20 vezes maior que Campinas do Sul.

Esses são, entretanto, valores apenas vindos de investimentos municipais e os outros entes federados? A secretária da saúde não cansa de dizer que os governos estaduais e federais investem pouco. Bom fomos conferir.

Os investimentos da União
Não foi difícil encontrar. É só acessar a página no Ministério da Saúde, mais ou menos no meio da página tem um link "Repasses Municipais" e escolher, no mapa, o nosso estado (encurtamos o caminho para você). Lá é possível ver os repasses Fundo a Fundo, por cidade, data, programa, etc.

No mesmo período auditado pelo TCE esses foram os valores repassados pela União ao município de Caxias do Sul:

2006 - R$ 55.033.960,08
2007 - R$ 66.077.238,03
2008 - R$ 71.697.509,86
2009 - R$ 78.041.857,21
2010 - R$ 84.446.041,91
Total - R$ 355.296.607,10


É quase um investimento 1 por 1. Então não é pouco dinheiro não. Ano a ano os valores foram, inclusive aumentando, tanto que nesse ano até hoje já foram repassados R$ 66.579.629,46, incluíndo R$ 569 mil para implantações de Unidades Básicas de Saúde.

No caso do governo do estado o site da secretaria de saúde não é tão bom assim e não é possível (pelo menos não achamos) verificar os valores. Mas não é novidade que o RS amargava até o ano passado, durante o governo Yeda (PSDB) o último lugar em investimentos na saúde no Brasil com 5,4% da receita líquida.

E enquanto isso há filas das unidades básicas, demora para conseguir exames e nem a contratação emergencial de médicos surtiu efeito. Nessa semana deve haver mais uma rodada de negociações entre a prefeitura e o sindicato médico. Será que a revelação desses números vai mudar o tom da discussão? No mínimo deveria fazer com que a secretária, Maria Antoniazzi, explicasse o jogo de empurra que ela vem fazendo há muito tempo.

sábado, 10 de setembro de 2011

Anvisa alerta para riscos de remédio “miraculoso” para emagrecer propagandeado por Veja


Matéria originalmente publicada no RS Urgente
A matéria de capa da revista Veja, em sua edição de 7 de setembro, propagandeou os supostos milagres de um novo medicamento para emagrecer. Intitulada “Parece Milagre”, a reportagem afirma que “um novo remédio (Victoza) faz emagrecer entre 7 e 12 quilos em apenas cinco meses. E sem grande efeitos colaterais”. “Saiba tudo sobre ele”, convida a revista com uma sugestiva ilustração de emagrecimento voltada ao público feminino. Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira (9), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), alerta para os erros da reportagem e, ao contrário do que a Veja afirma na capa, afirma que o medicamento em questão “não é indicado para emagrecimento”.
A diretoria colegiada da agência enviou uma nota de esclarecimentos sobre o assunto, solicitando que a mesma fosse publicada como um complemente à referida reportagem. A mesma nota também foi enviada para os demais veículos de imprensa e instituições da área da saúde como o Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Saúde (Conass), Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde (Conasems) e Conselho Federal de Farmácia, entre outros. A íntegra da nota da Anvisa:
Em relação a reportagem intitulada “Parece Milagre”, edição número 2.233 da revista VEJA, de 07/09/2001, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclarece que o Victoza é um produto “biológico”. Ou seja, trata-se de uma molécula de alta complexidade, de uso injetável, contendo a substância liraglutida. O medicamento, fabricado pelo laboratório Novo Nordisk, foi aprovado pela Anvisa para comercialização no Brasil em março de 2010, com a finalidade de uso específico no tratamento de diabetes tipo 2. Portanto, seu uso não é indicado para emagrecimento.
A indicação de uso do medicamento aprovada pela Anvisa é como “adjuvante da dieta e atividade física para atingir o controle glicêmico em pacientes adultos com diabetes mellitus tipo 2, para administração uma vez ao dia como monoterapia ou como tratamento combinado com um ou mais antidiabéticos orais (metformina, sulfoniluréias ou uma tiazollidinediona), quando o tratamento anterior não proporciona um controle glicêmico adequado”.
Por tratar se de um medicamento “biológico novo”, o Victoza, assim como outros medicamentos dessa categoria, estão submetidos a regras específicas tanto para o registro quanto para o acompanhamento de uso após o registro durante os primeiros cinco anos de comercialização. Além disto, o produto traz a seguinte advertência no texto de bula: “este produto é um medicamento novo e, embora pesquisas tenham indicado eficácia e segurança aceitáveis, mesmo que indicado e utilizado corretamente, podem ocorrer eventos adversos imprevisíveis ou desconhecidos. Nesse caso informe seu médico.”
Para o registro do produto foram apresentados os relatórios de experimentação terapêutica com estudos não clínicos e clínicos Fase I, Fase II e Fase III comprovando a eficácia e segurança do produto, para o uso específico no tratamento de diabetes tipo 2.
É importante destacar que além dos estudos apresentados para o registro, encontra-se em andamento um estudo Fase IV (pós registro) para confirmação da segurança cardiovascular da liraglutida. Os resultados deste estudo podem trazer novas informações a respeito da segurança do produto.
O laboratório fabricante já enviou à Anvisa três relatórios sobre o comportamento do produto, trata-se do documento conhecido como PSUR (Relatório Periódico de Farmacovigilância). Além disto, o Novo Nordisk decidiu incluir, em junho de 2011, em seu Plano de Minimização de Risco (PMR) a alteração da função renal como um potencial efeito adverso do uso da medicação.
Nos estudos clínicos do registro e nos relatórios apresentados à Anvisa foram relatados eventos adversos associados ao Victoza, sendo os mais freqüentes: hipoglicemia, dores de cabeça, náusea e diarréia. Além destes eventos destacam-se outros riscos, tais como: pancreatite, desidratação e alteração da função renal e distúrbios da tireóide, como nódulos e casos de urticária.
Outra questão de risco associada aos produtos biológicos são as reações de imunogenicidade, que podem variar desde alergia e anafilaxia até efeitos inesperados mais graves. No caso da liraglutida a mesma apresentou um perfil de imunogenicidade aceitável para a indicação como antidiabético, o que não pode ser extrapolado para outras indicações não estudadas, por ausência de dados científicos de segurança neste caso. Para o caso de inclusão de novas indicações terapêuticas deve-se apresentar estudo clínico Fase III comprovando a eficácia e segurança desta nova indicação.
A única indicação aprovada atualmente para o medicamento é como agente antidiabético. Não há até o momento solicitação na Anvisa por parte da empresa detentora do registro de extensão da indicação do produto para qualquer outra finalidade. Não foram apresentados à Anvisa estudos que comprovem qualquer grau de eficácia ou segurança do uso do produto Victoza para redução de peso e tratamento da obesidade.
Conclui-se pelos dados expostos acima que desde a submissão do pedido de registro a aprovação do medicamento para comercialização e uso no Brasil, a ANVISA fez uma análise extensa e criteriosa de todos os dados clínicos que sustentam a aprovação das indicações terapêuticas do produto contendo a substância liraglutida, através da comprovação de que o perfil de eficácia e segurança do produto é aceitável para indicação terapêutica como antidiabético.
A Anvisa não reconhece a indicação do Victoza para qualquer utilização terapêutica diferente da aprovada e afirma que o uso do produto para qualquer outra finalidade que não seja como anti-diabético caracteriza elevado risco sanitário para a saúde da população.
(*) Os grifos são do RS Urgente

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

E-mail falso faz mal a saúde

O alerta veio da Renata Helena Ghiggi que é Relações Públicas do Hospital Geral de Caxias do Sul. Não acredite em tudo que recebe por e-mail. Veja abaixo a mensagem.

Há alguns dias está circulando na internet um e-mail supostamente atríbuido ao Hospital Geral de Caxias do Sul, que mensiona que farinha de trigo seria um remédio eficaz para queimaduras. O Hospital Geral de Caxias do Sul vem por meio desta nota esclarecer que esta infomação não tem nenhum fundamento científico e que a mesma não partiu desta instituição. Para informações sobre queimaduras ou qualquer outra lesão de pele, o HG conta com o GELP - Grupo de Estudos de Lesões de Pele. Informações pelo telefone 54 3218-7200.
Renata Helena Ghiggi
Relações Públicas
HGCS 

Hastags não fazem revolução


Se você não sabe o que é uma hastag leia isso primeiro.


Agora que estamos todos falando a mesma língua, o título desse artigo foi retirado, na verdade, de uma palestra que aconteceu durante o 12º Fórum Internacional de Software Livre, que ocorreu em Porto Alegre, na metade do ano. Não quero me alongar muito na palestra. Mas usar esse título como gancho para o assunto que quero comentar.

Então vamos lá. Ontem, feriado de 7 de setembro, além dos tradicionais desfiles de colegiais e militares a mídia tinha mais um assunto. Uma marcha que estava sendo convocada pelas redes sociais, twitter e facebook principalmente, que tinha como foco protestar contra a corrupção.

Apesar de grande agitação na maioria dos lugares o comparecimento foi ridículo. Fora a de Brasília que mobilizou 20 mil pessoas, em São Paulo tinha mil, em Porto Alegre menos do que isso, no Rio de Janeiro tinha umas 50 pessoas e em Caxias, 15! Logo veio a pergunta que inclusive está no Pioneiro de hoje: “A internet mobiliza?”

É aqui que quero voltar ao título desse artigo. Mobiliza sim, mas não sozinha. Pegando como exemplo Navid Hassanpour, estudante de Ciências Políticas da Universidade de Yale, citado pelo colunista Pietro Rubin, ele diz que no Egito, a proliferação dos protestos se acentuou com a atitude do ditador Mubarak de desligar a internet, mas isso ocorreu porque as pessoas começaram a descentralizar os protestos, pois não tinham perdido a condição de se organizar. Outra coisa apontada pelo autor é que com os meios de comunicação fora do ar, as ameaças do aparato estatal não mais eram feitas e as pessoas tomaram coragem suficiente para irem as ruas em todo o pais. Mas isso é bem diferente de dizer que elas estavam vendo “o espetáculo da vida do seu sofá ou do smartphone”, como disse o colunista.

A questão fundamental é que se não for um movimento sincero, vindo da própria rede, as pessoas não embarcam. Isso já ficou provado quando a “marcha dos 17” promovida pelo Pioneiro fracassou também. O que está em jogo é que a causa é legitima sim, mas o problema são os porta vozes.

Quem falou “em nome” dos manifestantes

Essa questão da má companhia fica claro no ato promovido em Porto Alegre no auditório da OAB. O Senador Pedro Simon (PMDB) sugeriu que a sociedade não espere grandes mudanças da classe política, do Executivo ou do Judiciário e se mobilize para acabar com a corrupção e a impunidade. Esse mesmo Pedro Simon é aquele que compactou com as inúmeras denúncias de corrupção ocorridas durante o governo Yeda e foi defensor, de primeira ordem, dela. Parece que ele entende muito sobre acobertar corrupção. Outro nome é da Senadora Ana Amélia Lemos (PP), que até o ano passado era funcionária da RBS onde, por muitos anos, também foi conivente com a corrupção que assolou o Estado.

Logo, com essa turma junto, tem que ficar com um pé atrás, pois são os mesmos que protagonizaram o fracassado movimento Cansei.

Aos bem intencionados

Mas nem tudo é desgraça. Há muitas pessoas bem intencionadas e que querem realmente acabar com a corrupção. Aí é que as redes sociais ajudam, pois como não dependem da “grande mídia” para dar vazão as suas opiniões, essas pessoas bem intencionadas podem, colaborativamente, separar o “joio do trigo”. Mobilizações como essas tem que acontecer cada vez mais, mas pelos motivos corretos. Tem que evitar que oportunistas de plantão, que até a pouco tempo atrás usavam e abusavam da máquina pública, furtem, mais uma vez, as justas reivindicações do povo.

Toda a força as pessoas bem intencionadas e que esses oportunistas sejam rechaçados. 


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