terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Amadorismo na decoração da Festa da Uva


Logo do Bradesco gigante!
 Tudo bem... às vezes somos um pouco implicantes mesmo. Mas vamos combinar que a decoração da Festa da Uva espalhada pela cidade, além de sem graça é feia. Os banners espalhados pela cidade não são nada criativos e alguns têm o logotipo do patrocinador maior que o nome da festa.

Analise você mesmo as fotos, ou ao vivo, se for o caso...




Sim... isso são cachos de uva e a
parte marrom é o galho da videira

A tentativa de criar cachos de uva coloridos como a marca da Festa deste ano ficou frustrada, Muitas vezes sequer dá pra perceber que é um cacho de uva.

 Lembra das bolas coloridas vendidas antigamente nos supermercados e que você sempre queria que sua mãe comprasse? Pois é... parece que a Comissão da Festa encontrou um estoque abandonado do antigo Super Calcagnoto e resolveu criar esses enfeites...

Sem maiores comentários...



A decoração realmente está muito tosca e não reflete a importância e o tamanho de uma das maiores festas comunitárias do país. Que vergonha dos turistas que virão nos visitar!

Turismo não é nosso forte!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Reajuste da água: acima da inflação (DE NOVO!!!)

Lembra que lá no início de 2011 a água em Caxias foi reajustada em 21,42%? Isso mesmo! Talvez você tenha esquecido, por isso o Polenta News refresca sua memória: Estamos Salvos! O Samae está produzindo água! e lembra que também no ano passado foi criada uma nova taxa para o Fundo Municipal de Recursos Hídricos, que não teve o seu destino inicialmente previsto: O cheque em branco foi descontado.

Pois este ano não foi diferente. O reajuste anunciado para as contas de água é de 9,7%, ou seja, bem acima da inflação novamente, que é de 6,5%.

Para enganar os pobres usuários que terão acesso à notícia, a assessoria de comunicação do Samae divulgou que o aumento da água será de R$ 1,50 (mas isso apenas para quem paga a Tarifa Mínima da Água).

Com certeza o PIG caxiense divulgará sem grandes alardes o aumento abusivo, justificando que graças ao bom desempenho do gestor da autarquia, o aumento foi de 9,7% e não de 12%, como projetado. (Como o governo é bonzinho).

A receita do Samae tem aumentado vertiginosamente, de 74,8 milhões em 2009 para 114,5 milhões em 2011, um aumento de quase 60%!! Em 2012 esses números serão ainda maiores.

Não é à toa que no Governo Municipal o Samae é tido como a galinha dos ovos de ouro, lá o dinheiro brota que nem água!



“Não existe a tão aclamada neutralidade da imprensa”, diz diretor do Le Monde Diplomatique

Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Publicado originalmente no Sul 21

Samir Oliveira

O diretor de redação do jornal francês Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet, acredita que a mídia deveria se posicionar claramente sobre a linha ideológica e política que segue. Doutor em Sociologia e professor de Teoria da Comunicação, o jornalista, que comanda um periódico abertamente de esquerda, diz que não existe a tão aclamada neutralidade da imprensa.

“Um jornal que diz que é objetivo é um jornal alinhado à direita e que tenta esconder seu ponto de vista”, explica. Ramonet entende que os veículos de comunicação deveriam deixar claras as posições políticas e ideológicas que defendem. “Não tenho nada contra um jornal ser de direita, acho interessante que existam. Mas que fique claro que representa o ponto de vista dos empresários, da burguesia e da classe conservadora”, aponta.

O jornalista esteve em Porto Alegre na semana passada para participar das atividades do Fórum Social Temático e mesmo com uma apertada agenda encontrou tempo para conversar durante meia hora com a reportagem do Sul21. Nesta entrevista, ele analisa também o papel das esquerdas na crise capitalista que assola a Europa e contrapõe a situação no velho continente ao momento vivido pela América Latina. “A América Latina está construindo o Estado de bem-estar social, enquanto na Europa ele está sendo destruído”, compara.

Sul21 – O senhor escreveu o livro A tirania da comunicação. Quais os propósitos por trás da atuação jornalística dos grandes veículos e comunicação?

Ignácio Ramonet – O jornalismo está vivendo várias crises. A primeira delas é a dominação pelos grandes grupos globais. Esses grupos são multimídia, detêm televisões, imprensa escrita, rádios e sites. E se comportam como atores da globalização, o que faz com que não tenham a mesma relação direta com os leitores. A segunda crise jornalística foi criada pela internet. Em muitos países, a imprensa escrita está desaparecendo, sendo substituída pelos meios digitais. E aí vem também uma crise econômica, porque o modelo de sustentação da imprensa escrita não funciona mais. Caíram a publicidade e as tiragens.

Sul21- A internet não trouxe benefícios ao jornalismo?

Ramonet – O problema é que temos dois modelos – o impresso e o digital – e nenhum deles funciona. Provavelmente, o que vai prevalecer será o modelo digital, até porque a informática se aprimora cada dia mais nos países em desenvolvimento. Uma consequência do advento da internet é o que os cidadãos podem intervir muito mais do que antes. O público não é mais passivo, hoje existe a possibilidade de comentar e de difundir a informação. Isso também afeta o trabalho do jornalista, que acaba possuindo um papel diferente, não está mais num pedestal. Não é mais só o jornalista que fala. A relação hoje em dia é muito mais interativa. Por outro lado, isso gera uma crise de identidade: se todo mundo pode ser jornalista, o que é, de fato, ser jornalista? Onde está a especificidade de um jornalista, se qualquer pessoa pode sê-lo?

Sul21 – A internet, com a força das redes sociais, está se convertendo numa ferramenta efetiva contra o monopólio da informação pela mídia tradicional?
 

Ramonet – O panorama está mudando. A internet pode romper os monopólios? Sim, pode ser que seja possível. Mas não acredito que se deva pensar que se alcançará uma fase de democratização da informação. O que há é uma ilusão de democratização, já que hoje em dia todos podemos produzir e difundir informação. Há uma noção de que estaríamos nos auto-informando. Mas, na realidade, todos são auxiliados pelas fontes centrais de informação. Então há uma maior participação das pessoas, mas ainda existem os monopólios. E esses monopólios já integram o Facebook, o Twitter e possuem suas páginas digitais. A democratização existe, mas os monopólios não se enfraqueceram. No fundo, o que está mudando é a defesa das pessoas contra a tentativa de domesticação levada adiante pela mídia dominante. Do ponto de vista ideológico, o objetivo dos grandes meios de comunicação é domesticar a sociedade. Com as novas ferramentas digitais e com as redes sociais, surge um modo de se defender disso.

Sul21 – Aqui no Brasil a mídia se diz imparcial e desprovida de objetivos políticos. Nenhum jornal da imprensa tradicional se qualifica abertamente como de esquerda ou de direita. O senhor, como diretor do Le Monde Diplomatique, um jornal de esquerda, avalia que é necessário haver maior transparência quanto à posição ideológica da mídia?

Ramonet
– Acredito que são os leitores que dão identidade a um jornal. O jornal não diz “somos de esquerda”. Mas, sem dúvida, a neutralidade não existe. Um jornal que diz que é objetivo é um jornal alinhado à direita e que tenta esconder seu ponto de vista. Não tenho nada contra um jornal ser de direita ou de centro-direita, pelo contrário, acho interessante que existam. Mas que fique claro que representa o ponto de vista dos empresários, da burguesia e da classe conservadora. Não acredito que se possa dar a informação de maneira objetiva. Existem fatos objetivos, mas o comentário sobre eles será sempre diferente. E é importante que seja assim, desde que se jogue com as cartas na mesa.

Sul21 – O governador Tarso Genro disse num evento do FST que a esquerda precisa perder o medo da mídia e enfrentar temas que a imprensa “mastiga de forma negativa”. É exagerada a cautela dos políticos em relação à mídia?

Ramonet
– Os meios de comunicação têm uma função absolutamente indispensável numa sociedade democrática. Mas não são partidos políticos e não devem pensar que o são. Se querem se transformar em partidos, que se apresentem nas eleições. O papel crítico da mídia é indispensável na democracia. Mas não podem confundir crítica com oposição. Na América Latina muitos veículos de comunicação que têm dominado a vida intelectual acreditam que são mais importantes que os partidos políticos. Nesse continente, os latifundiários da imprensa são os novos amos das consciências. Acreditam que podem domesticar a população e não aceitam a autonomia do poder político.

Sul21 – O senhor entende que a esquerda não está conseguindo propor alternativas ao capitalismo. A esquerda também é culpada pela atual crise do sistema?

Ramonet
– Claro que sim. A esquerda europeia, por exemplo, não apenas não propôs nenhuma alternativa, como tem se prestado a legitimar as políticas impostas pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Central Europeu. A esquerda social-democrata, quando estava nos governos, deu provas de sua incapacidade, até mesmo teórica, de enfrentar essa crise. Não apenas é uma crise econômica, é também uma crise das esquerdas.

Sul21 – E qual a alternativa, já que a esquerda tradicional não está dando conta?

Ramonet
- Existem outros partidos de esquerda que estão decididos a adotar políticas diferentes, por exemplo, mudando a relação com o Banco Central Europeu, que não permite ajuda aos países. Há partidos que dizem que se deve obrigar o Banco Central a ajudar, que é preciso adotar uma política de estímulo, não apenas para reduzir o déficit, mas para promover crescimento econômico. Mais ou menos como faz Barack Obama nos Estados Unidos, e ele não é nenhum revolucionário. Mas está promovendo uma política de estímulos, uma política neo-keynesiana e não conservadora. Existem forças propondo uma mudança efetiva, mas elas ainda não estão nos governos europeus.

Sul21 – Aqui no Brasil existem outros partidos de esquerda que propõem ações não previstas no programa do governo federal. Mas alguns deles defendem, inclusive, uma ditadura do proletariado. Até que ponto é possível buscar alternativas mais à esquerda sem incorrer no totalitarismo?

Ramonet
– Não faz mais sentido falar em ditadura do proletariado. A história já passou por isso. Hoje, qualquer alternativa deve partir do respeito aos mecanismos democráticos. Quando eu falo de outras esquerdas, não estou falando de esquerdas fora da esfera democrática. A esquerda dentro da democracia é a única que interessa. É a única que pode ser realista e que pode trazer soluções num panorama totalmente democrático.

Sul21 – Como o senhor avalia o contexto político da América Latina, mais especificamente da América do Sul, onde a maioria dos países é governada pela esquerda?

Ramonet
– Para muitas esquerdas no mundo, a América Latina é algo que está funcionando. Aqui implementam políticas originais. Não seguem os ditames do FMI, promovem políticas de integração continental, de inclusão social e não de exclusão. A América Latina está construindo o Estado de bem-estar social, enquanto na Europa ele está sendo destruído. E, lá, as esquerdas participam dessa destruição. A América Latina, pela primeira vez na história, aparece para toda a esquerda mundial como uma prática na qual podem se inspirar.

Sul21 – Pode surgir daqui uma saída para a crise capitalista?

Ramonet
– A América Latina está num período de construção do Estado de bem-estar e de classes médias. É a mesma situação que viveu a Europa após a Segunda Guerra Mundial. A América Latina lembra a Europa que o Estado é um ator importante, não somente os mercados. Na Europa os mercados governam e os estados e a política não conseguem se impor. E a América Latina lembra o mundo inteiro que a política ainda vale, que os dirigentes políticos ainda valem e que, por consequência, a política e as eleições ainda têm sentido. Na Grécia, na Itália e na Inglaterra os jovens se revoltam. Estão indignados, porque consideram que os políticos não fazem nada e são cúmplices das soluções propostas pelos mercados. A América Latina mostra ao mundo que é possível o Estado se impor aos mercados.

Sul21 – Mas há diferenças entre as esquerdas que governam na América Latina. Venezuela, Bolívia e Equador intensificam reformas e mudanças anticapitalistas que países como Brasil, Argentina e Uruguai não parecem dispostos a implementar.

Ramonet
– Essa suposta oposição entre as esquerdas na América Latina é muito mais uma invenção dos meios de comunicação ocidentais, que têm interesse em criar oposições artificiais. É evidente que cada país é diferente, mas globalmente todos estão fazendo políticas de inclusão social. Cada um com seus métodos, mas estão construindo o Estado de bem-estar e uma democracia participativa. Tudo isso tem muito mais semelhanças do que diferenças. É claro que há diferenças, mas não há oposição. Toda a América Latina vai pela primeira vez na mesma direção, isso é muito importante..

Sul21 – A Europa está dominada hoje por governos conservadores. Inglaterra, Alemanha, França, Grécia, Itália e Espanha são governados pela direita e implementam soluções reacionárias e autoritárias para sair da crise. Este ano tem eleições na França, se a esquerda vencer o país pode se tornar uma luz no fim do túnel europeu?

Ramonet
– Se essa esquerda que tem possibilidade de ganhar as eleições se comportar de maneira diferente da esquerda que estava no poder na Grécia, na Espanha, em Portugal… Se agir da mesma forma, não haverá nenhuma mudança. É bem provável que François Hollande (do Partido Socialista) possa ganhar a eleição. Fará uma política diferente? Muitas pessoas desejam isso. Mas será que ele poderá fazer algo diferente? Os mercados permitirão? A Alemanha permitirá? Não sabemos. O que é seguro dizer é que se a França muda sua política de maneira racional, mas atrevida, terá uma grande influência no mundo inteiro e na Europa. E isso pode mudar as coisas, inclusive numa aliança com a América Latina.

Conexões Globais termina com boa notícia para a Casa de Cultura Mário Quintana

A Casa de Cultura Mario Quintana, um importante centro de cultura de Porto Alegre, foi a sede do encontro Conexões Globais 2.0, que aconteceu paralelo ao Fórum Social Temático. Entretanto o local possuía algumas limitações para receber um evento, que por essência, dependia de conexão com a internet. A garantia de um link de internet de boa capacidade era fundamental para que o evento fosse transmitido pela internet e, também, recebesse a presença dos teleconferecistas. Isso só foi possível por que a Procergs, companhia gaúcha de processamento de dados, disponibilizou o link para o evento.

Casa de Cultura Mário Quintana contará com acesso
gratuito à internet
Mas o que poderia ser provisório ficará permanente. No final do evento foi anunciado pelo pelo diretor-presidente da PROCERGS, Carlson Aquistapasse. “A empresa, que apoiou o evento oferecendo internet wireless, deixará o link na instituição definitivamente”, afirmou Aquistapasse ao final do encontro. A Procergs instalou uma rede sem fim de 10Mbps para acesso gratuito.

"O Estado está fazendo um esforço muito grande para ampliar a cultura digital, com a utilização de ferramentas para além do instrumental, disponibilizando para a maioria da população, e nada melhor do que aqui na Casa", afirmou o secretário de Estado adjunto da Cultura, Jéferson Assumção. "Vamos ter uma casa de cultura ainda melhor para os próximos Conexões Globais", finalizou.

Para o diretor da CCMQ, Paulo Wayne, é um passo fundamental para tornar a instituição um espaço contemporâneo. O sinal Wi-Fi, que já havia na Casa em alguns pontos, será ampliado para todos os ambientes.

É bom ressaltar que disponibilizar acesso gratuito a internet só é possível porque a Procergs é pública. Durante o governo Olívio Dutra (PT) a companhia teve um grande incremento de competência e, atuou fortemente na busca de soluções, em informática, principalmente para os órgãos públicos. A Procergs também ficou conhecida com um importante centro desenvolvedor e divulgador do Software Livre. Porém, durante os governos Germano Rigotto (PMDB) e Yeda Crussius (PSDB) a companhia teve suas atribuições diminuídas e, quase fechou.

Felizmente, durante o atual governo de Tarso Genro (PT) a Procergs volta a ter papel de destaque, principalmente com as ferramentas de e-governo (Governo Digital). Essa mudança é fundamental já que o século XXI, como é dito repetidamente, é o século da informação e as estradas desse século são as conexões de cabo, sinais de internet, as redes de computadores e as redes sociais.

Com essa excelente iniciativa ganha a população que terá acesso gratuito a internet na Casa de Cultura, ganha a Procergs que se reafirma como empresa competente no cumprimento de seus objetivos e ganha o Estado ao garantir mais cidadania, ou seja, todos ganham.
Importante: Também foi anunciado, nesse mesmo ato, um investimento de R$ 8 milhões para a recuperação da Casa de Cultura Mario Quintana. O poetinha ficaria muito feliz.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Occupy Wall Street se tornou uma rede gigantesca, diz brasileira

Vanessa (no telão) contou, de Nova York,
as experiências do Ocupy Wall Street
Foto: Conexões Globais
Por Felipe Prestes - Sul 21

De Nova Iorque para um telão na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, a jornalista brasileira Vanessa Zettler, que participa do Occupy Wall Street desde sua gestação, falou sobre o movimento na tarde desta quinta-feira (26). “O OWS começou com a ocupação do Zuccotti Park e se tornou uma rede gigantesca de pessoas, que está ativa e faz ações políticas”, disse Vanessa.

No debate “#OccupyWallStreet: Uma economia a serviço das pessoas”, do Conexões Globais, ela explicou que o movimento não pode mais ocupar a praça onde tudo começou, mas que as atividades continuam e ganham corpo. Do dia 17 de setembro do ano passado, quando o movimento ganhou as ruas da Big Apple, até hoje nunca deixaram de ser realizadas assembleias diárias às 19h onde são tomadas decisões coletivas.

“As conversas políticas também rolam no téte-a-téte, você conhece muitas pessoas ali”, contou. Destas conversas, surgiram 120 grupos de trabalho, que organizam ações sobre os mais variados temas, daí a “rede gigantesca” citada por Vanessa.

No mês de novembro, cerca de 150 pessoas foram tiradas à força da praça pela polícia de madrugada. Regras foram impostas para acabar com o acampamento, como a proibição do uso de barracas na praça, que já tinha tendas com centro de mídia e uma biblioteca com 5 mil livros. Ainda assim, o Zucotti Park – rebatizado pelos manifestantes com o nome anterior Liberty Plaza – continua sendo o principal local de encontro, mas as atividades se espalharam por outros espaços ao ar livre e centros culturais, além, é claro, da internet.

A jornalista relatou que o primeiro chamamento para o Occupy Wall Street foi em um pôster publicado pela revista canadense, de inspiração anarquista, Adbusters, fixando, inclusive, a data de 17 de setembro. Em seguida, as pessoas se organizaram pela internet e fizeram reuniões para preparar a ocupação. No dia marcado, a polícia cercou o acesso a Wall Street, por isto o Zucotti Park, a duas quadras dali, acabou sendo o local ocupado. “Wall Street continua cercada até hoje”, contou Vanessa.

Para a jornalista, a repressão policial alimentava o grupo. A cada manifestação reprimida mais e mais pessoas se uniam ao movimento, que também foi ganhando corpo com a vinda de pessoas de outras cidades e estados, e a presença de organizações. “Começou com jovens ativistas, algumas semanas depois aderiram os sindicatos, ativistas mais velhos, as minorias”.

A brasileira analisou que a primeira reação da mídia norte-americana foi tentar diminuir o movimento pela ausência de demandas mais específicas. “Mas nós já tínhamos uma ideia muito clara de que a primeira intenção era demonstrar uma insatisfação generalizada”, disse. Ela afirmou que os “indignados” espanhóis foram uma forte influência dos ativistas estadunidenses. “O 15M teve influência direta a definitiva no OWS. A semente foi Madri”.

Renato Rovai falou sobre velhos e novos movimentos de esquerda

O editor da Revista Fórum, Renato Rovai, foi um dos participantes do debate. Ele afirmou que o OWS tem uma importância muito grande para a “globalização das lutas”, por ter como alvo o centro do capitalismo financeiro mundial e pelo slogan 99% contra 1%. O jornalista fez um panorama das lutas com apoio da web. Ele relatou que o primeiro registro foi dos zapatistas no México, em 1994. “Comunicados do subcomandante Marcos iam para a rede. Criou-se até um mito de que era ele que estava lá, no meio do mato, com um computador”.

Ele também lembrou que dois movimentos da virada do milênio, a Batalha de Seattle em 1999, e o próprio Fórum Social Mundial, em 2001, tiveram o auxílio da internet. “A Batalha de Seattle foi o primeiro movimento global convocado pela rede. Acabou com um encontro da OMC e uniu ambientalistas, sindicalistas”. Quanto ao FSM, Rovai lembrou que houve chamamentos por email e que a estratégia deu certo. “Ninguém acreditava que poderia vir tanta gente”.

Para Rovai, o desafio atual é unir as estratégias dos novos e dos antigos movimentos sociais. Por um lado, os atuais movimentos – como os rebeldes do Oriente Médio, o OWS e os “indignados” – são mais democráticos, horizontais, graças à internet. “Quem começou a militar recentemente está acostumado a decidir por consenso, com a horizontalidade. Na internet ninguém precisa levantar a mão para falar, todo mundo fala ao mesmo tempo. Enquanto isto, a grande maioria dos sindicatos e organizações ainda tem votação. Se tiver menos votos suas ideias são derrotadas”.

O jornalista ressaltou, porém, que as lutas dos movimentos tradicionais não podem ser desprezadas. “Quando você vai para a rua, a polícia te dá porrada. Novos movimentos não podem abrir mão da história construída anteriormente”. Para Rovai, o desafio é unir as velhas e novas ideias.

Jornalista italiano lembra que refugiados não fazem revoluções


O jornalista italiano Emiliano Bos, que cobre conflitos no Oriente Médio, fez uma provocação ao comparar os cerca de 1 milhão de refugiados dos bombardeios na Líbia – muitos deles que já eram imigrantes de países como Eritreia, Sudão e Etiópia – com os jovens que ocupam praças nos países da Europa, EUA e Oriente Médio. “Vocês têm certeza de que eles não têm direito a voto? Eles são os foot-voters, votam quando migram. Eles não ocupam a democracia. Eles não ocupam Madri, Barcelona e Nova Iorque, porque estes lugares já estão ocupados”, disse.

Bos afirmou que lembramos de quem ocupou praças na Tunísia e no Egito, mas que esquecemos 1 milhão de refugiados da Líbia. “Estes não protestam. Não há ninguém que possa dizer como eles estão vivendo”.

Também participou do debate a feminista Wilhelmina Trout, da coordenação da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) na África do Sul. Ela fez um histórico do movimento, de como suas integrantes procuram unir as lutas globais com as regionais com auxílio dos meios digitais. Ela relatou as dificuldades desta tarefa, ressaltando que muitas mulheres ainda têm dificuldades de acessar as novas plataformas e mostrou que em países como o Mali, por exemplo, integrantes do movimento não tem eletricidade, “muito menos internet”.

Trout disse que uma das estratégias da MMM é buscar o apoio de aliados em espaços como o Fórum Social Temático. “Queremos que movimentos aliados incluam a luta contra o patriarcado neste outro mundo possível”.

Saúde a gente tem que tratar com seriedade

Antonio Feldmann (PMDB) é um fanfarrão, disso eu tenho certeza. O secretário municipal de cultura e, interino, na saúde, tem passado seu tempo de interinidade produzindo manchetes para os meios de comunicação sem, contudo, gerar nenhuma ação.

Na sua curta estada já fez relatos sobre o número de UBS (Unidades Básicas de Saúde) no município, uma coisa corriqueira, mas tratada como manchete pelo Pioneiro. Na última semana saiu com mais uma. O secretário substituto apresentou um dado que, no mês de dezembro, 62% dos casos atendidos pelo Postão 24 horas não são de urgências e essas pessoas deveriam ter procurado as UBS antes, pois se tratavam apenas de consultas. O secretário até postou uma ilustração sobre o assunto (imagem ao lado).

Obvio que deve haver uma grande conscientização da população para que procure um pronto socorro somente em casos de urgência, na verdade esses pacientes passam por triagem (é assim que o secretário substituto conseguiu a informação) e os casos mais urgentes ganham preferência. Acontece que Felmann esquece de um detalhe: Caxias enfrentou, até dezembro, uma greve de médicos que durou 8 meses (e os médicos estão em estado de greve até novembro desse ano segundo o sindicato). Durante esse tempo todo o atendimento, por força de decisão judicial, deveria ser mantido em 50% nas UBSs e de 100% no Pronto Atendimento. E foi exatamente durante o mês de dezembro que Feldmann fez esse levantamento, ou seja, durante o mês de greve (ela só foi “encerrada” no final do mês).

Isso é só a ponta do iceberg. Dados da própria secretaria e visitas, feitas às UBSs pela União das Associações de Bairros e Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores, constataram falta de profissionias em várias Unidades Básicas. Soma-se a isso o fato dos médicos não cumprirem a carga horária de 20 horas semanais que está estabelecida em contrato. O Ministério Público, inclusive, já ordenou que a prefeitura cobrasse o ponto e isso não foi feito.

Ainda para piorar está a situação calamitosa de algumas UBSs há rachaduras, infiltrações, goteiras e mais uma série de problemas estruturais nelas.

A saúde pública de Caxias não precisa de um marketeiro, como o Feldmann, nem de uma figura sem decisão, como a Maria Antoniazzi. Se Caxias, como a prefeitura alega, gasta mais que o mínimo constitucional em saúde e estamos enfrentando essa série de problemas, então ela gasta mal. A greve dos médicos é o exemplo mais vergonhoso disso. Ela durou 8 meses por absoluta falta de ação dos gestores em saúde.

A população não vai até o Postão 24 horas porque não sabe para que ele serve. Ela vai até lá para ser atendida, pois a rede municipal de saúde, na gestão Sartori, é um verdadeiro caos.

E esse Feldmann então, é uma pândega, né? Qual será a próxima piada que ele fará com o povo de Caxias?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Repressão política no campo: lançamento de livro amplia debate sobre o tema

“Retrato da Repressão Política no Campo – Brasil 1962-1985 – Camponeses torturados, mortos e desaparecidos” conta a saga de homens e mulheres que ergueram a bandeira da reforma agrária e lutaram pelos direitos dos trabalhadores da terra durante a ditadura militar. Para isso, o livro reúne relatos de trabalhadores e líderes que sofreram as agressões na própria pele, ou de familiares e pessoas que testemunharam o período, além de informações de variadas fontes documentais, impressas e audiovisuais. O livro contém cerca de 85 histórias de sindicalistas, advogados e militantes que participaram do processo de luta pela terra no meio rural brasileiro entre 1962 e 1985.

Fruto de parceria entre o MDA e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a publicação busca lançar luz a uma época de nossa história marcada por arbitrariedades, pela censura e violência. Insere-se num conjunto de iniciativas do governo federal como as investigações conduzidas na última década pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e a publicação do livro-relatório Direito à Memória e à Verdade. A obra também dialoga com a criação da Comissão da Verdade.

O lançamento da publicação acontecerá durante o Fórum Social Temático 2012, no Memorial do Rio Grande do Sul. Estarão presentes na mesa de debates Marta Cioccari, uma das autoras do livro; José Francisco da Silva, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag);

O livro, que está na segunda edição, conta agora com mais referências para que o leitor possa aprofundar o conhecimento sobre o tema, além de correções e acréscimos de informações e descrições ao longo do texto. Essa edição acrescenta ainda informações sobre a repressão no Ceará, ampliando os dados sobre o sindicalista Antônio Rodrigues de Amorim, um dos fundadores da Central única dos Trabalhadores (CUT), e acrescenta quatro histórias na parte do livro que reúne casos de advogados que atuavam em defesa dos trabalhadores rurais.

O lançamento será realizado pelo Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário (NEAD/ MDA) e pela Secretaria de Desenvolvimento Humano da Presidência da República (SDH). O evento integra o conjunto das iniciativas de memória desenvolvidas pela SDH, que também vai promover uma exposição no mesmo local sobre o projeto Direito à Memória e à verdade, que

O livro Retrato da repressão política no campo – 2º edição está disponível para download gratuito no Portal NEAD, no link http://www.nead.gov.br/portal/nead/publicacoes/

Yoani Sánchez e a falsa moral da Globo


A notícia do dia foi a concessão de visto para a blogueira cubana Yoani Sánchez. Crítica do governo de Cuba, Yoani alega ser perseguida pelo governo cubano entretanto consegue manter seu blog em funcionamento mesmo com as enormes restrições de acesso a internte que atinge toda a ilha.

Cuba depende de conexão, via satélite, para acesso a internet. Por conta do bloqueio americano Cuba não acessa os cabos de rede submarino que estão a apenas 120 km, nos Estados Unidos. Para ter uma ideia do que é a dificuldade de acesso a internet em Cuba, todo a taxa de transmissão, em um dia é o equivalente ao tráfego de 3 lan house no Brasil. A situação só vai mudar quando o cabo maritimo que sai da Venezuela e vai até Cuba for instalado na metade do ano.

Mesmo assim Yoani causa largos sorrisos no PIG brasileiro. No periódico televisivo matutino da Rede Globo o “comentarista” Alexandre Garcia não conseguia esconder a satisfação em seu comentário. E não por que estaria preocupado com uma ativista que teria sua liberdade ameaçada, mas pelo simples fato de poder criticar o governo Lula.

Na sequência de bobagens do comentarista ele afirmou que Yoani não conseguia sair de Cuba. Na verdade ela já saiu do pais, ela foi para a Suiça e, inclusive, retornou. Outra bobagem foi a respeito dos boxeadores cubanos que teriam pedido asilo no país. O representante do PIG insinuou que eles teriam sido colocados em um avião e apareceram em Cuba, quando na verdade eles desistiram da solicitação de asilo.

O governo Dilma acertou em conceder o visto de visitante a Yoani pois isso é afirmar a soberania nacional do mesmo jeito que recebemos Cesare Battisti, por exemplo.

A falsa moral da Globo vai mais longe. Quando Julian Assange sofria fortes pressões por causa do Wikileaks a emissora foi protocolar. Do mesmo jeito ela pouco se importa com as leis que imporão censura na internet, como a Lei Azeredo, S.O.P.A, entre outros. Será que a emissora não achou importante debater o fechamento do Megaupload?

Nada disso você verá na tela do Globo pois a “Vênus Platinada” defende o direito de empresa e não o direito de imprensa.

Yoani não é um pobre blogueira

Pelo o que é publicado na grande imprensa parece que o blog dela é o único em Cuba. Isso não é verdade. Há milhares de blogs que falam sobre os mais variados assuntos. A diferença é que somente Yoani recebe para escrever. Fontes extraoficiais indicam que no último ano ela teria recebido US$ 500 mil por seu trabalho.

Num país onde o acesso à internet é extramente difícil, como foi falado, seu blog é traduzido, automaticamente em 18 idiomas, coisa impressionante até para os padrões de primeiro mundo.

O contraponto a Yoani é feito, principalmente pela rede “Blogueros y Corresponsales de la Revolucion”, que possui 1325 membros em 30 países. A fundadora da rede, Norelys Morales Aguilera, jornalista e blogueira cubana, inclusive, já palestrou em Caxias do Sul no ano passado.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Nova sede da Defensoria Pública será inaugurada amanhã


Amanhã, dia 27, será inaugurada a nova sede da Defensoria Pública do Estado. O novo endereço é na Rua Luiz Antunes, 133, Bairro Panazzollo (próximo ao Fórum).

A solenidade terá a participação da defensora pública-geral do Estado, Jussara Acosta. No endereço antigo, junto ao Fórum onde funcionou por mais de 20 anos, a Defensoria ocupava um espaço bastante acanhado. Agora, com maior espaço deverá dar um atendimento melhor para a população.

Essa é uma importante iniciativa já que a Defensoria atende demandas das camadas mais necessitadas da população que agora podem ter um atendimento mais digno.

Mesmo com a mudança de sede, entretanto, outra deficiência deve ser corrigida, a falta de profissionais. Durante muitos anos o governo do estado não teve nenhum interesse em melhorar a estrutura, tanto física, como funcional. Ainda bem que algo já está acontecendo.


Casa cheia para lançamento da Privataria Tucana

Amaury Ribeiro Jr foi recebido por um auditório lotado na tarde dessa quarta-feira, em Porto Alegre. O jornalista esteve no Sindibancários para lançar seu “A Privataria Tucana”, livro mais vendido no Brasil há diversas semanas.

Acompanhado do deputado Protógenes Queiroz, Amaury concedeu uma entrevista coletiva à imprensa antes do debate. Aos jornalistas, o autor revelou que já prepara um segundo livro sobre o mesmo tema: “Vamos falar de outros casos tenebrosos, como Furnas, Cemig e outras empresas de energia. É preciso deixar claro que o pessoal dos anos 90 segue agindo até hoje. Por isso a CPI é tão importante”.

Protógenes, que quando delegado foi responsável pela operação Satiagraha e pela prisão de Daniel Dantas, corroborou a opinião de Amaury: “O livro caiu como uma bomba na Câmara Federal. Para mim, abrir uma discussão sobre qualquer assunto é melhor do que fical imóvel”, disse Protógenes, que luta pela instalação da CPI da Privataria na Câmara”.

Perguntado se o livro deixava claro a origem do dinheiro que enriqueceu ilegalmente seus personagens, Amaury foi enfático: “Está claríssimo. Os beneficiados pelas privatizações dirigidas pagaram as propinas para os mediadores que os ajudaram a vencer os leilões”. Protógenes concordou e adicionou: “Foi instalado um modelo de administração pública muitas vezes criminoso e que se mantém até hoje. O livro do Amaury fala sobre fatos dos anos 90 e em 2008 eu me deparei com os mesmos operadores do mesmo esquema, tanto na área pública quanto na privada.”. O parlamentar complementou com um exemplo: “Acabaram de desabrigar 9 mil pessoas no Pinheirinho, em São José dos Campos, para beneficiar o mesmo Naji Nahas, de tantas outras denúncias e relações suspeitas com os que hoje governam São Paulo”.

Fonte: Comunicação Fórum Social Temático

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Mau exemplo no Rodeio Crioulo de Caxias do Sul

Teve gaúcho que pisou na bola no encerramento do 4º Rodeio Crioulo Nacional que aconteceu nos Pavilhões da Festa da Uva, na famosa (e famigerada) Cancha de Rodeios.

Uma denúncia anônima levou a Soama e a Brigada Militar a aprenderem 3 aparelhos utilizados para dar choques em animais. Os equipamentos estavam com caminhoneiros que os usavam para agilizar a entrada dos bois nos caminhões.

Com o flagrante eles foram encaminhados até o posto da BM que funciona nos pavilhões. Os equipamentos foram apreendidos e os caminhoneiros liberados após assinarem um termo circunstanciado.

Rodeios por si só já são uma aberração. A própria Soama já vem realizando campanhas, e denuncias, contra essa prática. O rodeio não é cultura, não é esporte, é violência gratuita. Usar animais para divertimento é cruel e prepotente, afirma a entidade.

O mais paradoxal disso tudo é que durante a maior mobilização brasileira a favor dos animais, em nossa cidade, se promovia um rodeio, e como constatado, animais eram machucados para que os peões voltassem mais rápido para casa.

Protestos marcam marcha de abertura do Fórum Social Temático

Fonte: Agência Brasil - Luana Lourenço

O calor de 35 graus Celsius e um temporal não desanimaram os ativistas que caminharam hoje (24) na marcha de abertura do Fórum Social Temático (FST) pelas ruas de Porto Alegre. Com a chuva, o trânsito ficou caótico na capital gaúcha, desde as proximidades da Avenida Borges de Medeiros, na região central, até a Usina do Gasômetro, onde terminou a passeata por volta das 20h.

Foto: Valter Campanato/ABr
Com público eclético, a marcha refletiu a diversidade dos debates que vão acontecer ao longo da semana, focados principalmente na crise econômica internacional e na preparação para a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, marcada para junho.

Entre sindicalistas, estudantes, movimentos sociais, aposentados, feministas, um grupo de ativistas da comunidade alternativa Aldeia da Paz chamava a atenção com cartazes que traziam frases pacifistas e lemas como “Só o amor transforma”.

Logo na abertura do cortejo, ambientalistas declaravam a morte das florestas brasileiras por causa das mudanças no Código Florestal. Caixões com mudas de plantas foram levados pelo grupo durante o trajeto. O diretor de Políticas Públicas da organização não governamental SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, disse que, diante da aprovação do texto pelo Congresso Nacional, a sociedade civil não pode se calar e deve cobrar o veto da presidenta Dilma Rousseff.

“Cada vez agregamos mais segmentos nessa briga, outros movimentos sociais, inclusive os trabalhadores da agricultura familiar. Chega de hipocrisia, vamos denunciar toda essa chantagem que vem sendo feita pelos ruralistas contra o governo e contra a sociedade”, disse.

A marcha seguiu pelas ruas da capital gaúcha ao som de música tão eclética quanto o público. A seleção musical ia desde o fandango gaúcho a um samba-enredo dos trabalhadores puxado por uma central sindical. Na metade do percurso, um temporal surpreendeu os ativistas, mas a maioria manteve a mobilização e completou o percurso até as margens do Rio Guaíba.

Vestidas de lilás e com faixas pedindo a descriminalização do aborto, um grupo de militantes da Marcha Mundial das Mulheres se destacava na romaria. Além de causas tradicionais do movimento feminista, a ativista Cláudia Prates disse que é preciso levantar outras bandeiras de defesa das mulheres.

“Temos que estar presentes, porque a que a crise afeta primeiro as mulheres e não fomos nós que criamos a crise. Na Rio+20, por exemplo, queremos discutir o debate da terra, da crise climática que se estabelece e empobrece cada vez mais as mulheres. São as mulheres que mais passam sede, que passam fome no mundo, por isso estamos aqui”.

A marcha também foi espaço para a crítica e oposição ao governo, como o grupo do PSTU que levava uma grande bandeira com palavras de ordem contra o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, e a presidenta Dilma Rousseff.

A desocupação, considerada pelos movimentos sociais violenta, da comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), também foi lembrada pelos manifestantes na abertura do FST. O militante do PSTU, Manoel Fernandes, ajudava a carregar uma imensa faixa de solidariedade aos moradores expulsos. Adesivos com oslogan “Somos todos Pinheirinho” também fizeram sucesso entre os caminhantes. “A luta do Pinheirinho é uma luta da classe trabalhadora. É preciso ter repercussão nacional. Foram cometidos crimes contra o povo pobre que não tem onde morar. Queremos chamar a atenção para o quanto é difícil morar no Brasil”, argumentou.

Professores gaúchos caminharam vestidos de preto, em protesto contra a política salarial do governo do estado. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, que se juntou à passeata em alguns trechos, disse que a manifestação dos docentes é corporativista, mas que faz parte da democracia.

A marcha abriu oficialmente a programação do FST, que, até domingo (29), deve reunir cerca de 30 mil pessoas em quase mil atividades em Porto Alegre e em mais três cidades da região metropolitana da capital gaúcha.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Debates sobre um novo mundo possível voltam a Porto Alegre

Porto Alegre volta a ser palco das discussões mundiais sobre alternativas ao sistema capitalista. Inicia hoje o Fórum Social Temático sobre a "Crise capitalista, justiça social e ambiental". A edição desse ano incorporará os mais recentes movimentos de protesto no mundo, Ocupemos Wall Street e os Indignados da Espanha, em busca de uma solução diferente para a crise global. 

"O Fórum Social Mundial nasceu há doze anos aqui em Porto Alegre para contestar a arrogância neoliberal do Fórum Econômico Mundial de Davos (que reúne a cada ano na Suíça os líderes políticos e empresariais). Dissemos claramente que queríamos outro mundo. Agora precisamos construir os caminhos, as alternativas", disse à AFP Candido Grzybowski, coordenador do Fórum.

Uma das prioridades do Fórum será preparar a Reunião dos Povos, que os movimentos sociais convocaram ao mesmo tempo que o Rio+20, no Rio de Janeiro, em junho.

O Fórum Social inicia com a sua tradicional marcha e na quarta-feira abrirá seus debates, ao mesmo tempo em que a chefe do governo alemão, Angela Merkel, inaugurará o 42º Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.

Conexões Globais
O mundo inteiro discute as novas possibilidades de mobilização social trazidas pela internet. Em Porto Alegre, esse debate ganhará novo folêgo em 2012 com a realização do Conexões Globais 2.0 –, evento que reunirá ativistas da cultura digital de diversos países na Casa de Cultura Mário Quintana, de 25 a 28 de janeiro, hiperlinkado ao Fórum Social Temático e ao Festival Internacional de Cultura Livre (FicLivre). 

A programação inclui diálogos e webconferências (com ativistas que participaram de mobilizações em outras partes do mundo) sobre temas como mídias sociais, sustentabilidade, direitos na internet e democracia 2.0. Também serão realizadas oficinas e desconferências. Outro destaque do evento é a programação cultural. Com transmissão AO VIVO via internet, toda a comunicação do Conexões Globais 2.0 será colaborativa, ou seja, produzida pel@s própri@s participantes.

O Losango substitui a Pirâmide

Quase 80% das famílias brasileiras estão nas classes C e B, segundo vários estudos. Temos agora o losango social, substituindo a velha pirâmide social.


Pela primeira vez a classe E, a base da pirâmide social, representa menos de 1% dos 49 milhões de domicílios existentes no País. Isso significa que o número de brasileiros em situação de pobreza extrema teve uma drástica redução nos últimos dez anos, conforme apontam duas pesquisas de consultorias que usaram metodologias distintas. Em números exatos: 404,9 mil ou 0,8% dos lares são hoje de classe E, segundo os cálculos do estudo IPC-Maps, feito pela IPC Marketing, consultoria especializada em avaliar o potencial de consumo. Em 1998, a classe E reunia 13% dos domicílios, indica o estudo baseado em dados do IBGE.

Marcos Pazzini, responsável pelo estudo, explica que os dados são atualizados segundo um modelo desenvolvido pela consultoria, que leva em conta a pesquisa do Ibope Mídia sobre a distribuição socioeconômica dos domicílios, projeções de crescimento da população e da economia, entre outros indicadores. Os lares são classificados segundo o Critério Brasil, da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (Abep), que leva em conta a posse de bens e o nível de escolaridade do chefe da família.

O Instituto Data Popular, especializado em baixa renda, vai na mesma direção. Em 2001, a classe E era 10% da população (17,3 milhões) e, em 2011, tinha caído para 3,6% ou 7 milhões, segundo o estudo que divide a população pela renda mensal per capita - R$ 79 para a classe E. "Não dá para dizer que acabaram os pobres, mas diminuíram muito, e a condição social deles melhorou porque tiveram acesso a vários bens de consumo, o que antes era praticamente impossível", afirma Pazzini.

Segundo o sócio diretor do Data Popular, Renato Meirelles, a tendência das pesquisas é a mesma: uma forte redução do contingente de pobres. "Em dez anos, foram 10 milhões de pessoas a menos na classe E", observa, ponderando que a divergência entre a ordem de grandeza dos resultados pode ser decorrente do fato de muitas pessoas da classe E não terem domicílio.As participações das classes E e D na estrutura social encolheram por causa da forte migração que houve entre 1998 e 2011. A fatia dos domicílios de classe D caiu quase pela metade no período, de 33,6% para 15,1%. Já os estratos C e B cresceram. Em 1998, 17,8% dos domicílios eram da classe B e, em 2011, representavam 30,6%.

Na classe C, o crescimento foi ainda mais significativo, de 31% em 1998 para 49,3% em 2011, aponta o IPC-Maps. Resultado: quase 80% dos lares brasileiros hoje já são de classe C ou B. "Não dá mais para falar em pirâmide social, com a baixa renda representando a maior parte da população. Agora a estratificação social é como um losango", diz Pazzini. Ele destaca que hoje o porcentual de domicílios mais pobres (0,8%) quase empata com o total de mais ricos (0,5%). (Do Estadão)

Postado originalmente por Oni Presente

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Brigada Militar da Serra defende violência policial?

Entrar nas redes sociais foi uma grande ação do Comando Regional de Polícia Ostensiva da Serra (CRPO/Serra). Outra grande ação foi divulgar boletins diários sobre suas ações. Entretanto estar nas redes sociais necessita um certo cuidado sobre as informações que são divulgada, pois um perfil institucional representa a opinião daquela instituição. Enquanto indivíduos esse cuidado é menor, mas já vimos pessoas fazerem comentários racistas, xenófobos, entre outros, nas redes sociais.

No final de semana quem atualiza o perfil da Brigada Militar, cometeu uma gafe, ou não. Foi compartilhada a fotomontagem que está abaixo:

O titulo da foto é "Eu nasci para ser Polícia" e a cena mostra um policial falando ao telefone, tranquilamente, ao lado de duas pessoas baleadas.

Há vários problemas nessa imagem.

O primeiro deles é considerar que as pessoas mortas fossem bandidos, inclusive nem parece que eles estavam armados.

Segundo, não é papel da polícia fazer justiça com as próprias mãos como o contexto da fotomontagem faz parecer;

Terceiro. Isso ser divulgado por um órgão de segurança pública nos faz entender que é essa a linha de atuação da polícia, execuções sumárias.

Nosso país não tem pena de morte por uma razão muito simples: a sociedade tem que ser melhor do que o indivíduo.

Errou profundamente, a Brigada Militar, em ficar fomentando a justiça pelas próprias mãos, e tentando justificar, os recorrentes, casos de violência policial.

Nota zero para quem teve essa atitude.

Alckmin fornece 2.000 policiais para Naji Nahas (*) expulsar 1.700 famílias de seus lares




Chamam isso de reintegração de posse por ordem judicial, mas a história da vida real é essa:

O governador Geraldo Alckmin (PSDB/SP) forneceu tropas de 2 mil policiais fortemente armados para arrancar à força, à bala e com bombas cerca de 6.000 moradores da comunidade de Pinheirinho, na cidade de São José dos Campos, que ali moravam há 8 anos.

 São 1.704 famílias de mulheres, crianças e homens de baixa renda expulsos de seus lares para entregar esse bairro inteiro para um único latifundiário urbano: uma empresa falida do mega-especulador Naji Nahas.

O prefeito tucano, Eduardo Cury, também forneceu sua guarda municipal para ajudar a expulsar crianças, mulheres, homens de seus lares e abrir alas para Naji Nahas (*) ganhar mais dinheiro.

Inclusive há uma dúvida a esclarecer:

Foi a prefeitura quem pagou os tratores para demolição, entregando o terreno limpinho para o megaespeculador (*)?

Detalhes sórdidos:
- o megaespeculador Naji Nahas, através de sua empresa Selecta, deve cerca de R$ 10 milhões em IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) à prefeitura de São José dos Campos, relativo ao terreno, segundo relato dos moradores expulsos:

"Como não vamos ter lugar para ir, vai ter que ter resistência. O terreno pertence ao Naji Nahas, que há 40 anos não paga impostos e não cumpre a função social. Qualquer morador de São José que passe cinco anos sem pagar impostos, o terreno vai a leilão. Aqui, passaram 40 anos e nada aconteceu", disse um dos líderes comunitários, Valdir Martins, conhecido como Marrom.

- “O senador Eduardo Suplicy (PT) e o deputado federal Ivan Valente (Psol-SP) estavam dialogando com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito Eduardo Cury (PSDB) e proprietário da área, para achar uma solução negociada”, afirma o deputado estadual Marco Aurélio Souza (PT). “O próprio dono da área havia concordado em aguardar mais 15 dias".

Para Marco Aurélio, Alckmin manobrou os parlamentares para desmobilizar os moradores e, aí, fazer a reintegração de posse sem resistência. “Covardia com os moradores, para pegá-los desprevenidos”, acusa. “Quebra de palavra com os parlamentares importantes de São Paulo. ”

O professor Paulo Búfalo, da executiva do Psol em São Paulo, está convencido também de que foi uma manobra de má-fé do governador Alckmin. De um lado, negociava, com os parlamentares. De outro, determinava a desapropriação da área, uma ação em conluio com a Justiça de São Paulo: “Todos os relatos que estamos ouvindo aqui, infelizmente, apontam para isso”.

- O Ministério das Cidades já havia assinado um protocolo de intenções para solucionar a questão de forma negociada, atendendo ao interesse público e social. (com informações da Ag. Brasil e do Viomundo)

(*) O terreno de mais de 1 milhão de metros quadrados pertence à massa falida da empresa Selecta, do grupo Naji Nahas.

Rainha da Inglaterra: Feldmann ganha visibilidade no Governo Sartori





Não dá mais para disfarçar: Antonio Feldmann (PMDB) deverá ser o candidato a vice-prefeito de Alceu Barbosa Velho (PDT). Os dois já posam para fotos juntinhos como velhos amigos e em total sintonia.

Quem está mais por dentro da dinâmica do Governo Sartori sabe que o Secretário de Cultura faz parte do núcleo duro do governo. Não com tanta intensidade quanto Carlos Burigo, da Fazenda ou Edson Néspolo, Chefe de Gabinete, mas foi ganhando força com o passar do tempo.

As movimentações inicias em relação às eleições do ano que vem mostravam que o PMDB estava resistente em não ter a cabeça de chapa. Foram intensas as investidas sobre Edson Néspolo para que saísse do PDT e migrasse para o PMDB, saindo de candidato. Népolo, porém, acabou sendo fiel ao seu partido, principalmente depois que foi encurralado como presidente da sigla e Alceu foi lançado candidato.

As vontades e articulações de Mauro Pereira, por sua vez, pouco estão fazendo diferença dentro do PMDB e o vereador segue ignorado pela cúpula do partido. Na verdade, sua pré-candidatura acabou enfraquecendo o partido e deixando os peemedebistas sem-graça, mas também contribuiu para a tomada de uma decisão.

A nomeação de Antonio Feldmann como substituto interino da Secretaria de Saúde durante as férias da titular, Maria do Rosário, demonstraram claramente a intenção de projetar o Secretário de Cultura a voos mais altos. Antes quem cumpriria este papel seria Néspolo. A partir de agora Feldmann deve ganhar cada vez mais visibilidade dentro do governo.

Portanto, hoje no governo cabeça de avestruz de Sartori, que só deixa o Prefeito aparecer nas "boas", existem duas personagens fundamentais: a Rainha da Inglaterra e Margaret Thatcher. A Rainha da Inglaterra é Antonio Feldmann, que aparece para dar boas notícias e parece um santo. Já Edson Néspolo sempre cumpriu o papel de Margaret Thatcher do governo: segura o rojão para não explodir e enfrenta as "ruins" do governo.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Descarrilhou o Trem da Alegria do Sartori



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O "Trem da Alegria" do governo Sartori foi suspenso por uma liminar obtida através de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade pelo Sindicato dos Servidores Municipais de Caxias do Sul (Sindiserv). A lei aprovada em 2008 com apoio da base governista, beneficiou dezenas agentes políticos que viraram servidores, na sua maioria, Cargos de Confiança do autal prefeito.

O Sindicato dos Servidores Municipais de Caxias do Sul (SINDISERV) obteve liminar para a suspensão do pagamento de vantagens a Cargos em Comissão (CCs) da Administração Municipal, através do Processo 70046556924 no TJ/RS. A ação se refere ao "Trem da Alegria", apelido que ganhou a lei que concedeu incorporação do valor do CC ao salário de pessoas que desempenharam cargo de confiança antes de virarem servidores municipais.

Ilustramos esse disparate com o exemplo do servidor municipal e atual Secretário de Recursos Humanos e Logística Edson Mano. Ele foi CC, passou no concurso para servidor municipal e, após a lei, incorporou aos vencimentos o CC 8, deduzido seu padrão salarial (Padrão 6), o que corresponde a singelos R$ 3.800,00. Isso significa que todas as suas vantagens por tempo de serviço incidirão sobre esse valor.

Vale destacar que o valor máximo que um servidor pode incorporar aos vencimentos é de cerca de R$ 750,00 desempenhando uma função gratificada.

Assim, mais que bem-vinda a liminar que suspende essa verdadeira farra com o dinheiro público, que além de ter ferido os princípios constitucionais da legalidade e da moralidade, feriu também o princípio da impessoalidade,beneficiando pessoas específicas, principalmente agentes políticos do Governo Sartori.

Ajude a manter a Internet Livre

A campanha abaixo é da organização Avaaz que realiza uma série de campanhas virtuais de mobilização. Esse é um assunto de extrema importância até porque uma lei de mesmo teor está sendo votada no Brasil. De autoria do Senador Eduardo Azeredo (PSDB) o chamado AI-5 Digital prevê, em última instância, a quebra do seu sigilo de navegação, ou seja, para que a lei seja cumprida todo o que você acessa, todo o e-mail que você manda, precisaria ser rastreado. 

A derrota dessa lei, nos Estados Unidos, onde estão hospedados os principais servidores de acesso, os grandes portais e redes como Facebook, Twitter, Blogger, Wordpress, entre outros será uma grande vitória para a liberdade de informação. 

Participe.

O Congresso dos EUA estava prestes a aprovar leis que permitiriam que seus funcionários censurassem o acesso a qualquer site em todo o mundo. Mas depois que entregamos nossa petição com 1.250.000 assinaturas para a Casa Branca, que saiu contra os projetos, e com a pressão da opinião pública em alta, até mesmo alguns apoiadores dessas leis estão mudando de lado. Nesse momento, o protesto de apagão liderado pela Wikipédia trouxe a campanha para o centro das atenções das notícias.

Estamos virando o jogo. Mas as forças da censura estão tentando ressuscitar os projetos de lei agora. Vamos enterrá-los para sempre. Clique agora para assinar esta petição de emergência para salvar a Internet e se você já tiver assinado, envie um e-mail, telefone, publique no Facebook, ou envie uma mensagem no Twitter ao Congresso e aos alvos corporativos. Em seguida, envie para todos:

http://www.avaaz.org/po/save_the_internet_action_center_b/?vl

Estes projetos de lei fariam dos EUA um dos piores censuradores da Internet no mundo - juntando-se a países como China e Irã. A Lei de Combate à Pirataria Online (SOPA) e o Ato de Proteção à Propriedade Intelectual (PIPA) permitiriam que o governo dos EUA impedisse qualquer um de nós a acessar sites como o YouTube, Google, ou Facebook.

Conseguimos que a Casa Branca mudasse de lado e agora nossa campanha global e a pressão crescente da opinião pública está forçando o Congresso a abandonar os projetos de lei. No último fim de semana, o senador Cardin, que co-patrocinou a legislação PIPA, anunciou que vai votar contra ela! Em seguida, seis notáveis republicanos escreveram uma carta solicitando que o projeto fosse arquivado. Agora a votação na Câmara está na geladeira.

Poucos dias atrás nos disseram que era impossível impedir a censura corporativa, mas agora isso está no ponto alto e surpreendentemente nós podemos ganhar! Vamos parar a censura dos EUA hoje. Assine esta petição de emergência para salvar a Internet agora e envie para todos:

http://www.avaaz.org/po/save_the_internet_action_center_b/?vl

Estas leis dos EUA poderiam infringir todas as nossas liberdades. Mas se ganharmos, vamos mostrar que quando as pessoas se unem em uma só voz de todo o mundo podemos parar o abuso de poder em qualquer lugar. Impedimos estes projetos de lei de serem votado no último momento. Se amplificarmos as nossas vozes hoje, podemos colocar um fim à ameaça mais poderosa de censura à Internet que o mundo já viu.

Fontes:

Mais de 10 mil sites se somam a protesto contra lei antipirataria (Folha de S. Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/tec/1035903-mais-de-10-mil-sites-se-somam-a-protesto-contra-lei-antipirataria.shtml

Wikipedia sai do ar por 24h contra lei antipirataria (O Estado de S. Paulo)
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,wikipedia-sai-do-ar-por-24h-contra-lei-antipirataria,824114,0.htm

Entenda o que são os projetos de lei antipirataria SOPA e PIPA (O Globo)
http://oglobo.globo.com/tecnologia/entenda-que-sao-os-projetos-de-lei-antipirataria-sopa-pipa-3701327#ixzz1jpqsg7va

Sites fazem 'apagão' e protestos contra projetos antipirataria nos EUA (BBC Brasil)
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/01/120118_wikipedia_apagao_pai.shtml

SOPA pode ser alterado após pressão de empresas da internet (UOL)
http://olhardigital.uol.com.br/produtos/digital_news/noticias/sopa-sera-alterado-apos-pressao-de-empresas-de-internet

Com Idec, brasileiros aderem ao apagão contra lei antipirataria (Terra) http://tecnologia.terra.com.br/noticias/0,,OI5564526-EI12884,00-Com+Idec+brasileiros+aderem+ao+apagao+contra+lei+antipirataria.html

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Governo americano monitora sites, blogs e redes sociais, como Facebook e Twitter


O Departamento de Segurança Interna (DHS) dos Estados Unidos monitora regularmente dezenas de sites, incluindo o Facebook, o Twitter, o WikiLeaks, o YouTube e até o blog The Lede, do New York Times Lede, o Global Voices Online e o Blog del Narco, com o objetivo de "recolher informações usadas para formar um quadro de situação e estabelecer um panorama operacional comum", informou a Reuters na quinta-feira 12 de janeiro. 

O Centro Nacional de Operações (NOC) do DHS publicou uma lista dos sites monitorados. Além do blog The Lede, no New York Times, o Huffington Post, o Drudge Report, alguns blogs da revista Wired e o blog investigativo da ABC News The Blotter também são vigiados.

A Iniciativa para o Monitoramento da Mídia do NOC, aprovado em novembro, significa que o governo "pode reunir informações pessoais de âncoras, jornalistas, repórteres ou quaisquer pessoas que usem 'as mídias tradicionais ou sociais para manter o público atualizado e informado", segundo o RT.com. Esse monitoramento é realizado pelo menos desde junho de 2010, acrescentou a Reuters.

Em texto para o AllVoices, Anne Hart que o objetivo do monitoramento seria ficar de olho em potenciais vazamentos de informação e em jornalistas que possam publicar esses dados vazados.

Segundo o Chicago Examiner, a iniciativa tem "sérias implicações não apenas para a liberdade jornalística, como para a liberdade de todos os americanos".

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Corte de árvores do Marrecas é liberado pela justiça

Deu o obvio. Se não fosse em Porto Alegre seria em Brasilia, mas o jogo político funcionou e fez com que os três desembargadores do Tribunal Regional Federal liberassem o corte de árvores na área do lago da Barragem Marrecas.

Mas esse foi um dia muito estranho. Começou com a coluna, no Pioneiro, do Frei Jaime Betega (o nosso Marcelo Rossi), defendendo efusivamente a destruição de uma grande área de mata, que abriga uma série de espécies nativas de animais e vegetais. Acho que São Francisco de Assis deve ter ficado meio ressabiado.

Depois, tão logo saiu a decisão dezenas de CCs (Cargos de Confiança) da prefeitura jogaram-se as redes sociais para comemorar a vitória. Estranho celebrar uma vitória que representa o desmatamento de 200 hectares de Mata Atlântica.

Um dos tweets porém me causou estranheza:



O Secretário de Desenvolvimento Econômico de Caxias do Sul, diz que temos que ficar de olhos abertos para a conservação da área ao redor do lago da barragem? Como assim secretário? Será que há algum plano, que não sabemos, como muita coisa nessa obra, que pode por em risco essa área que seria de preservação?

A fala do Procurador foi emblemática

Mais importante do que o julgamento em si foi a fala do procurador da República, Paulo Leivas, transcrita pela jornalista Juliana Bevilaqua, do Pioneiro.

“Leivas chama atenção de que no processo de licenciamento do Ibama, os técnicos fizeram uma análise técnica e concluíram de que haviam alternativas locacionais. Após essa conclusão, esses técnicos foram destituídos do processo. Foram colocados técnicos, servidores do município de Caxias do Sul. Eles saíram da condição de empreendedores para licenciadores.

Leivas diz que o Ibama foi omisso diante das irregularidades. Segundo leivas, essa questão das alternativas técnicas é importante porque há informações de que há desperdício de 60% da água em Caxias. Há formas de reduzir esse desperdício modernizando o que já existe em Caxias, diz ele.

Leivas ressalta que o Ministério Público não é contrário à obra. Mas quer que seja cumprida a legislação, que o empreendimento seja liberado após para a realização dos estudos.”

Não sei se vocês perceberam. Os técnicos que apontaram que havia alternativas para a construção da barragem em outro lugar foram afastados. Só isso já mostra que há muita coisa que será inundada embaixo desse lago.

Com a omissão das autoridades ambientais, com a conivência da justiça e com a grande campanha de marketing da imprensa, Caxias acha que ganha uma grande obra, mas na verdade ganha mais um elo numa pesada corrente que nossos filhos terão que arrastar no futuro.

Capina química em Caxias?

A imagem ao lado, meio fora de foco e escura, foi captada na noite de ontem, em Caxias do Sul, na rua Mateo Gianella. Ela mostra um servidor público, da Codeca, realizando a aplicação de algum produto no mato que cresce entre as frestas das calçadas.

Isso estava sendo feito em toda a extensão da rua, nas calçadas dos dois lados. O que chama atenção é que:

1 - Estava sendo feito de noite, depois das 21 horas;

2 - O caminhão que os acompanhava não tinha nem o pisca alerta ligado.

Podemos ver, ao que parece, essa ação parece ser feito meio as escondidas, pois não contava com uma sinalização adequada, até para preservar a segurança dos trabalhadores. Fazer a capina de noite não é, a priori um problema, porém a capina por roçadeira é feita durante o dia, então a justificativa não é o trânsito ou coisa parecida.

Em novembro do ano passado o vereador Rodrigo Beltrão (PT) entrou com um pedido de informações sobre o uso de glifosato, herbicida proibido pela Anvisa, em Caxias. A Prefeitura contratou, em fevereiro do ano passado, um estudo, que custou R$ 200 mil, com a UCS para estudar a melhor alternativa de capina urbana para Caxias.

Do estudo ou do pedido de informações, até agora, não sabemos nada. O que se sabe, é que no escurinho da noite, a Codeca parece que está fazendo algo, e que não quer que ninguém veja.

O que está errado? O poste ou a estrada?

Leitora do jornal O Pioneiro enviou esta foto, que podemos classificar no mínimo como inusitada.

A obra de asfaltamento entre o Bairro São Caetano e a Igreja de São Marcos da Linha Feijó foi entregue no mês de dezembro, através do PAI (Programa de Asfaltamento do Interior). Tá tudo certinho: asfalto, sinalização e iluminação. Iluminação com os postes no meio da via, como mostra a foto. Parece piada mas é verdade.

A falta de planejamento foi gigantesca e do jeito que está a estrada, corre-se o risco de acontecer um acidente gravíssimo, principalmente levando-se em conta que a velocidade dos veículos aumenta no asfalto.

A Prefeitura justificou o fato jogando a culpa para a Codeca, que é a responsável pela obra e para a concessionária de energia elétrica, que é responsável pela liberação do deslocamento dos postes.

As obras iniciaram em maio de 2011, mas o pedido de deslocamento dos postes somente foi feito em setembro do mesmo ano. Daí a falta de planejamento e articulação do Poder Público junto à concessionária.

E, para piorar, não se pode esquecer que certamente os gastos decorrentes da falta de organização e planejamento vão aumentrar, pois todos os buracos deixados pelos postes no asfalto terão de ser recapados.

E mais $$$$ público escoa ralo abaixo...

Uma análise dos 12 pontos apresentados pela Prefeitura para a conclusão do Marrecas

O Jornal Pioneiro, na edição de 11 de janeiro, publicou as “12 justificativas da Prefeitura” para a conclusão da Barragem do Marrecas. Mas como o objetivo do jornal não é informar e sim fazer propaganda, nem se deu o trabalho de analisar os pontos.


Diferente de fazer o jogo político que nosso diário está fazendo, analisamos ponto por ponto as justificativas apresentadas pela prefeitura e abrimos o debate para os nossos leitores. Queremos, aqui, fazer a discussão que a mídia caxiense não fez.

1 – Planejada desde 1960

A primeira justificativa é que a obra foi planejada há muito tempo, ou seja, não seria algo do governo Sartori e sim que transpassaria os governos. Porém esse é um péssimo argumento. De 1966 para cá houve muitas mudanças, seja na lei ambiental, seja na tecnologia. Itaipu, construída nas décadas de 1970/1980, praticamente não enfrentou resistência (tá certo que quem reclamasse levava porrada), mas hoje a Belo Monte, que também é de grande porte sofre dezenas de questionamentos e teve que fazer bem mais medidas contra os impactos ambientais que a Itaipu. Portanto muita coisa mudou.

2 e 3 – Crescimento Acelerado e 10 ligações de água por dia

Aqui há desde exercício de futurologia até má uso dos dados. Primeiro é fato que Caxias está crescendo numa média maior do que no Brasil mas o que garante que esse crescimento continue assim? O próprio IBGE já constatou que diminuiu em 1 pessoa a média das famílias. Também é dito que que Caxias aumentou 80 mil pessoas em 11 anos e que a água chegou a mais de 100 mil pessoas no mesmo período. Juntando os dois dados percebe-se que uma quantidade de quase 20% já era morador e recebeu água encanada pela primeira vez esse ano. Outro dado que pode gerar confusão é achar que cada ligação de água é composta por uma família de 3 pessoas, isso não é verdade! Faz pelo menos 4 anos que o número de famílias que obteram a casa própria é enorme. Somente em 2011 o número de projetos liberados para construção em Caxias foi 20% maior do que em 2011.

4 – Mais água tratada

O Samae perde 61%, segundo dados de 2009, de toda a água tratada. Então dos 1448 litros por segundo que são tratados somente 560 chegam realmente as residências. Com a entrada em funcionamento da nova estação de tratamento em Morro Alegre (que iria tratar a água do Marrecas), chegaríamos aos patamares atuais, isso se reduzisse as perdas. O próprio Samae divulgou, no começo do ano, que uma das ação contras as perdas, a troca de hidrômetros velhos, atingiu a troca de 300 aparelhos. São feitas 20 ligações por dia e o Samae trocou apenas 2 hidrômetros antigos por dia. Isso está muito, mas muito aquém do que necessitaria.

5 – Estudos técnicos

Ninguém fala mas houveram dois estudos técnicos para o Marrecas. Um pela Polar Ambiental e outro feito pela UCS. O da Polar Ambiental apresentaria, segundo estudos de outra consultoria, feita pelo Biólogo Sérgio de Araujo, apontava o Marrecas como terceira alternativa. Porém a licença ambiental foi pedida para a área atual. A própria licença na Fepam está sendo questionada pois teria sido feito uma “canetaço” por um CC do governo Yeda.

6 – Controle e preservação do meio ambiente

Isso é o básico. O questionamento da ONGs é que ninguém está vendo esse controle e essa preservação. Você está?

7 – Transporte por gravidade

A água viria até a entrada de Caxias utilizando gravidade e com isso economizando eletricidade. No nosso entender isso é obvio e não é ponto para a conclusão da obra.

8 – Prevenção para mudanças climáticas

A preocupação é correta a solução, nem tanto. Represar água é importante, claro, mas isso tem que gerar o menor impacto ambiental possível. Uma barragem afeta o clima da área onde ela está construída e também modifica o fluxo dos rios (diminiu o fluxo onde está a barragem e aumenta onde a população descarrega o esgoto). É exatamente por esses motivos, a pouca atenção ao meio ambiente, que vivemos mudanças climáticas.

9 – Suprir a falta de água

A água não chega em alguns bairros pois não há rede para levar ela para lá, não por que falta nas represas ou nas estações de tratamento. Se a justificativa do Samae fosse verdade faltaria água em bem mais bairro do que em dois. Outra coisa. O Desvio Rizzo e o Santa Fé (justificativa do Samae) serão atendidos pelo Marrecas ? Parece que não.

10 – Modernização da Rede

O próprio Samae diz que vai receber R$ 18 milhões do PAC2 a fundo perdido (sem ter que devolver), para modernização e ampliação da rede. Isso pode, e deve, ser feito com ou sem a represa.

11 – Investimento

Esse é o pior argumento. A previsão inicial de gastos era de R$ 120 milhões. Até o momento foram gastos R$ 187 milhões (60% a mais) e pode chegar a R$ 240 milhões. O Samae é muito ruim de orçamento e está gastando muito, mas muito mais do que o previsto. Isso, no mínimo, deveria ser investigado.

12 – Benefício a toda a população

Caxias está longe de entrar em fase crítica de abastecimento. Falta é planejamento. Se desperdiça muita água (seja pelo próprio Samae, seja pela população). Informações recentes apontam, inclusive, que grande parte da água do Marrecas seria usada pela indústria. Marcopolo e a Randon estão ampliando suas plantas fabris para a região.

No final disso tudo sabemos que a decisão que acontecerá, na justiça, hoje (17/01), pode não ser técnica.O que se está fazendo é construir uma ideia de que já se gastou muito e não tem mais jeito. Mas se houve gastos e esses gastos foram irregulares, deve ser apurados quem são os responsáveis.

Caxias está perto de ter um grande sumidouro de dinheiro, que será usado como troféu eleitoral. E será esse o seu maior uso.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Primeira pesquisa dos prefeituráveis mostra quem tem melhor rede

Começamos bem a nossa primeira enquete sobre os prefeituráveis de Caxias do Sul. Ainda bem longe da data oficial das candidaturas arriscamos os nomes mais comentados no momento e abrimos a enquete no dia 6 de janeiro.

Até o “fechamento” dela havia 638 vontantes, 63 comentários e 145 pessoas seguiam os resultados. O que nos deixou bastante felizes é que todos os comentários foram de altíssimo nível. Nessa primeira enquete não atraímos os “trolls” (seres que vivem na internet para provocar brigas).

Nossa enquete não tem caráter científico, como disse o leito Claudio Abreu, já que, segundo ele, ao não ser secreta, forma alguns “bretes ou cabrestos”, disse Claudio. Outro leitor, Sandro Henrique Clamer, porém reflete que, “esta forma via Facebook pode não ser oficial, mas é escancarada. Aqui não tem manipulação podemos ver o que pode acontecer e tirar nossas conclusões”.

Concordamos com os dois. Não somos oficiais, mas abrimos uma discussão. As pessoas se vêem e isso traz uma reflexão importante. Na nossa primeira enquete mostrou quem tem uma rede, na rede (com o perdão da redundância), mais eficiente.

Os resultados

A nossa enquete iniciou com 10 opções. Nossos leitores incluíram mais 7. Algumas são brincadeiras, outras são frases de protesto. Até teve quem lembrasse do ex-prefeito, e falecido, Victório Trez e até do Mansueto de Castro Serafini Filho, outro ex-prefeito.

Entre os candidatos que estão no páreo, Pepe Vargas (PT) recebeu mais votos, 33,38%. Em seguida veio Alceu Barbosa Velho (PDT) com 29,78% dos votantes. Em terceiro, Milton Corlatti (DEM) com 16,45% das indicações. No quarto lugar temos um dos nomes indicados do PSOL (eles tem 3 pré candidatos internos), Luis Possamai que obteve 7,21% dos votos na nossa enquete. Bem para trás tem Assis Melo (PCdoB) com 2,35% e Mauro Pereira (PMDB) com menos de 1%. Houveram ainda 66 votos em outras opções.

Se a constituição de uma rede é uma verdade, e o é. Então temos três candidatos muito bem nesse quesito. Pepe Vargas, Alceu Barbosa Velho e Milton Corlatti já saem com uma grande vantagem nessa disputa por terem uma boa rede de apoiadores virtuais. E isso será fundamental nessa eleição. A eleição presidencial nos mostrou o quanto a campanha via redes sociais ganhou importância.

O que causa estranheza é a parca votação de Assis Melo que tem 5 mil amigos no Facebook e recebeu apenas 15 votos. Será que o articulador das redes sociais dele estava de férias?

Outra constatação que podemos ter é um pouco do que será a linha de campanha, pelo menos por aqui. Os comentários pró Pepe Vargas refletem os problemas na administração Sartori, falam que Pepe pode resolver os problemas da saúde e dar mais atenção aos bairros. Já Alceu parece que está consolidando os votos que seriam da base de apoio do Sartori. Corlatti se apresenta como o diferente, com ideias novas, o gestor.

Essa foi a primeira enquete, queremos fazer ela todos os meses. Veja abaixo a votação obtida por cada candidato:

Pepe Vargas (PT) – 33,38%

Alceu Barbosa Velho (PDT) – 29,78%

Milton Corlatti (DEM) – 16,45%

Luis Possamai (PSOL) – 7,21%

Assis Melo (PCdoB) – 2,35%

Mauro Pereira (PMDB) - < 1%

Eduardo Andreola (PSOL) - <1%

Arino Maciel (PSOL) – 0%

Nenhum deles – 2,9%

Nulo – 1%

Branco – 0%

Marrecas: um contraponto necessário

A imprensa caxiense, principalmente o Pioneiro, transformou a discussão sobre as obras da barragem do Marrecas em uma gincana. Mais uma vez o nosso diário deixou de lado a imparcialidade e tomou lado (isso não é de se estranhar), mas outra coisa o Roberto Nielsen, editor chefe do Pioneiro, jogou fora: a objetividade.

O contraponto é peça fundamental ao bom jornalismo, cada vez menos evidente no Brasil. Seguindo a nossa missão de mostrar o que a grande mídia não mostra, demos espaço para o outro lado. No texto abaixo, escrito pelo Biólogo, Otávio Valente Ruivo, do Instituto Orbis de Proteção e Conservação da Natureza, há a exposição dos motivos que os levam a questionar a licença ambiental para o corte de árvores da área que seria alagada pela barragem.

Logo mais publicaremos um outro texto que avalia os "12 pontos" apresentados pelo diretor presidente do Samae, Vinícus Caberlon. Boa leitura e bom senso crítico a todos.

Foto: Rogério Costanza

100 MIL MOTIVOS PARA QUE A BARRAGEM NÃO SAIA

Por Otávio Valente Ruivo
Biólogo
Instituto Orbis de Proteção e Conservação da Natureza

“Água mole, pedra dura. Tanto bate até que fura.”

A barragem para captação de água no Arroio Marrecas nem está pronta e já se apresenta como mais um grande erro no mal fadado histórico de construção de barragens de Caxias do Sul. Todas as barragens de Caxias do Sul apresentam problemas no armazenamento de água, com “ladrões” de localização desconhecidos e consequente perda de água bruta.

Ocorre que a nossa montanha, mesmo sendo formada pelo tão bem falado e tido como indestrutível basalto, apresenta forte interação com a água com o passar de muitos anos. Rachaduras são muito comuns no basalto e em seus primos como riolito, o riodacito, por exemplo, e outras variedades de rochas, feitos pela água e pelo próprio crescimento das raízes das árvores. Rachaduras pequenas, sim, porém, milhares (quiçá milhões) de rachaduras! Também são essas rachaduras que muitas vezes alimentam o próprio lençol freático e bolsões d’água no fundo do solo. Essa é a intenção do SAMAE em colocar uma cobertura no solo nu contra esses “vazamentos” para que a água do lago não entre em contato direto com esse tipo de rocha. Essa até é uma boa ideia!

A má ideia é a própria necessidade de construção de outra barragem para captação de água em Caxias do Sul. Caxias do Sul não precisa de mais uma barragem para captação de água [taxativamente]!

O Poder Público tem que evoluir com o tempo, com o mundo. Seguir as novas tendências. Estar ligado e inserido num mundo que interage com fatores climáticos que vêm, inclusive, de onde “Judas perdeu as botas”. A administração é isso. Preparo, conhecimento, planejamento de longo prazo, etc. Na administração pública, então, o planejamento deve ser muito mais cuidadoso ainda. O longo prazo no planejamento público é coisa de 50 anos no mínimo atualmente. Pensar em 100, é uma boa ideia.

Desenvolvamos, nós mesmos, a solução que precisamos. Que tal pensar em cisternas públicas ou cisternas comunitárias? Que tal pensar?

Em relação ao Sistema Marrecas, a história não está bem contada. Falta clareza, há ruído nas explicações públicas quando tentam explicar porquê Caxias do Sul precisaria de mais uma barragem.

O Instituto Orbis vem alertando há bastante tempo que a construção de barragens é um advento do Império Romano, que esteve instalado em outro tempo, em outro lugar, aliás, há muitíssimo tempo atrás. Estamos em 2012, agora. Terceiro milênio. Hora de começar a trabalhar dentro da natureza, a nossa casa. O mundo inteiro está focado nessa visão. Por que Caxias do Sul ainda está trabalhando com conceitos mais que ultrapassados?

A perda de água na distribuição e a falta de um bom controle de consumo em Caxias são inaceitáveis. Isso tudo virou 60% de perda da água tratada em 2009. O SAMAE diz que hoje estamos com “apenas” 40% de perda de água tratada e que isso está dentro da média brasileira. Ora, por favor, senhor administrador! Nos informe os custos da potabilidade da água em quase a metade da água processada em Caxias do Sul sendo essa parcela de toda água tratada (os 40%) jogados fora! O custo Caxias não pode mais ter isso em sua conta. O PIB de Caxias do Sul e o orçamento da cidade estão de longe muito acima da média das cidades brasileiras. É dentro dessa relação que deve ser feita a conta de perda da água. Comparar-nos com sabe-se lá qual cidade... Aqui NÃO É ASSIM! Mesmo a perda de 20%, aceitável pela CORSAN, no Estado todo, é demais para Caxias do Sul. Novamente, “aqui não é assim!”

Foi-se o tempo do desperdício. Muitos enriqueceram e outros tantos ganharam eleições em cima disso. Ocultavam o desperdício e propagandeavam o objetivo dos empreendimentos em cima de números gigantescos que enchem os olhos do eleitor do passado. A sociedade já aprendeu o que acontece. Estamos noutro nível. Exigimos respeito e informações fidedignas. Exigimos isenção na informação. O eleitor moderno quer objetividade e agilidade do Poder Público, porém, com eficácia. E que incluam em suas contas o custo da perda dos benefícios que a natureza nos dá gratuitamente. O quanto custará em impostos pagos pela população tentar reparar estragos feitos pela falta desses serviços que a natureza propicia gratuitamente à humanidade diariamente.

100 mil árvores mortas

Parte do ruído na entrega das informações vem por conta das árvores que serão cortadas. Não há clareza qualquer no que o Poder Público vem tentando fazer a população engolir.

1) O número total de araucárias é uma estimativa. As ONG’s apresentam o número de 10.000 araucárias. O SAMAE, de 6.000. No dia 11 de Janeiro, o SAMAE trouxe o número de 3.000 araucárias que serão cortadas no jornal de maior circulação da cidade. Ué, o que houve. Afinal o corte está proibido! Mesmo assim, 10.000 ou 6.000 é um número muito grande de araucárias, muitas delas centenárias (provavelmente a maioria!).

2) O número total de xaxins que serão retirados é um absurdo. O laudo ambiental do empreendimento diz que serão 700 xaxins. Mas houve constatação de outro número por parte de quem vos escreve.

Em expedição ainda quando a família Scopel era dona do seu pedaço de terra e lá morava desde há muito tempo, que contou com a presença de biólogos do Instituto Orbis e de professores Doutores em Botânica da UFRGS, em apenas um trecho de 1 (um) quilômetro do Arroio Marrecas quando contamos o milésimo xaxim, paramos. Haviam incontáveis mais diante dos nossos olhos!

O xaxim é uma das plantas que fazem parte da lista vermelha das espécies da flora em extinção no RS. Nesse caso, seu corte é proibido e deve ser feito o transplante de todos os indivíduos em outro local propício à espécie. Nesse caso também, como está gravemente ameaçada de extinção, deve ser feito o censo e não uma estimativa do número de indivíduos que sofrerão com a translocação. O que houve foi apenas uma estimativa horrorosa, ainda por cima.

3) O número total de árvores que serão cortadas (dentre todas as espécies, nobres ou não) jamais foi relatado pelo Poder Público. O Instituto Orbis estima (nesse caso cabe a estimativa) em 100 mil árvores que serão cortadas em toda a área do empreendimento. Dentre elas estão as mais diversas espécies de canela, ipês roxos e amarelos, cedros, araçás, além de inúmeras outras espécies e, claro, os próprios xaxins e araucárias. Lembramos que essa barragem está localizada em área de Mata Atlântica o que significa que a biodiversidade é altíssima e, por isso também, o número de indivíduos passíveis de corte é alto. Essa é uma condição inerente da nossa região.

Entendeu? O que está difícil de entender é a matemática do Poder Público de Caxias do Sul.

E por falar em matemática... Como pode um empreendimento de qualquer porte ter seu orçamento mal elaborado? Muito mal elaborado, então? Como poderia uma empresa “errar” num orçamento dentro da sua gestão? Por que o Poder Público poderia se “enganar” e aumentar em mais de 100% esse orçamento? Em quais escolas de administração e economia estudaram nossos executores de políticas públicas?

Muitas perguntas ainda carecem de respostas plausíveis, sensatas e honestas. São perguntas demais. São perguntas de cunho básico no planejamento de um empreendimento desse porte.

Mais uma: você já entendeu como será a contrapartida ambiental do município em relação aos danos ambientais que a barragem causará? Ou seja, qual a compensação ambiental para que possa ser construída uma enorme barragem em

área de Mata Atlântica? Onde ocorrerá essa eventual compensação? Nós também não. E fazer isso é obrigatório! Está na lei.

Esse modelo de desenvolvimento ultrapassado que o Poder Público caxiense está querendo que aceitemos mesmo sem que o entendamos, já era. Foi-se o tempo em que o povo resumia-se a aceitar por crer que não entendia nada. O mundo, [que bom!] mudou! Alô-u!!

Ainda nem comentamos das modificações de microclima, o que significa dizer que com a construção de uma barragem e o consequente acúmulo de água na região do empreendimento, aumentará a evaporação. Essa nova quantidade de água no ar, advinda dessa evaporação, acabará por transformar-se inúmeras vezes em cerração. Ora, dois outros problemas, então: 1) o aumento de umidade leva à facilitação do aparecimento de fungos nas plantações; e, 2) como essa administração está pretendendo levar um aeroporto para aquela mesma região aumentando o número de vezes em que teremos cerração? Quanto custará ao bolso do contribuinte o sistema de aproximação por instrumentos (ISL – Instrument Landing System) num aeroporto desses que apresentará fortes cerrações seguidamente (mais do que o normal)? Os desmandos estão beirando a hipocrisia, a estupidez e até a insanidade.

Temos certeza que a Justiça está atenta às mudanças e ao desenvolvimento do conhecimento mundial e, ainda, que está ciente, mais do que nunca, de seu papel, no Brasil atual. Assim sendo, estamos certos que rechaçará esse mau uso do dinheiro público (assim cremos). Quem sabe Caxias do Sul seja exemplo nacional e tenha o primeiro grande elefante branco da má administração do dinheiro público em relação ao meio ambiente! Esperamos que a Justiça termine por condenar o empreendimento que apresentou vícios desde a sua concepção. E, com isso, nossa classe política suba alguns degraus na escala do merecimento da população e cidade que trabalha em prol.

Mesmo sendo biólogo, eu converso, sim, sobre economia, políticas públicas, desenvolvimento e futuro da nossa região. O Instituto Orbis é uma realidade caxiense e regional e coloca-se como parceiro para que tenhamos soluções mais condizentes com o pensamento moderno, levando em conta o nosso meio ambiente. Afinal, historicamente quem sempre se deu mal nessa conjugação toda do desenvolvimento foi justamente o meio ambiente. E isso já é mais do que notório!