sábado, 30 de março de 2013

Globo censura imprensa alternativa

Luis Carlos Azenha, do Blog Viomundo, foi condenado a pagar uma indenização de R$ 30 mil ao todo poderos diretor da Globo Ali Kamel. Bem diferente do que a emissora diz defender, ele pratica um ato de perseguição a todos os veículos que não dizem "sim senhor" à "Vênus Platinada". 

O Polenta News é solidário ao Azenha e ao Viomundo contra esse ato de censura de quem passa todas as horas do dia manipulando o povo brasileiro.


Globo consegue o que a ditadura não conseguiu: calar imprensa alternativa

por Luiz Carlos Azenha

Meu advogado, Cesar Kloury, me proíbe de discutir especificidades sobre a sentença da Justiça carioca que me condenou a pagar 30 mil reais ao diretor de Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel, supostamente por mover contra ele uma “campanha difamatória” em 28 posts do Viomundo, todos ligados a críticas políticas que fiz a Kamel em circunstâncias diretamente relacionadas à campanha presidencial de 2006, quando eu era repórter da Globo.

Lembro: eu não era um qualquer, na Globo, então. Era recém-chegado de ser correspondente da emissora em Nova York. Fui o repórter destacado para cobrir o candidato tucano Geraldo Alckmin durante a campanha de 2006. Ouvi, na redação de São Paulo, diretamente do então editor de economia do Jornal Nacional, Marco Aurélio Mello, que tinha sido determinado desde o Rio que as reportagens de economia deveriam ser “esquecidas”– tirar o pé, foi a frase — porque supostamente poderiam beneficiar a reeleição de Lula.

Vi colegas, como Mariana Kotscho e Cecília Negrão, reclamando que a cobertura da emissora nas eleições presidenciais não era imparcial.

Um importante repórter da emissora ligava para o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, dizendo que a Globo pretendia entregar a eleição para o tucano Geraldo Alckmin. Ouvi o telefonema. Mais tarde, instado pelo próprio ministro, confirmei o que era também minha impressão.

Pessoalmente, tive uma reportagem potencialmente danosa para o então candidato a governador de São Paulo, José Serra, censurada. A reportagem dava conta de que Serra, enquanto ministro, tinha autorizado a maior parte das doações irregulares de ambulâncias a prefeituras.

Quando uma produtora localizou no interior de Minas Gerais o ex-assessor do ministro da Saúde Serra, Platão Fischer-Puller, que poderia esclarecer aspectos obscuros sobre a gestão do ministro no governo FHC, ela foi desencorajada a perseguí-lo, enquanto todos os recursos da emissora foram destinados a denunciar o contador do PT Delúbio Soares e o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, este posteriormente absolvido de todas as acusações.

Tive reportagem sobre Carlinhos Cachoeira — muito mais tarde revelado como fonte da revista Veja para escândalos do governo Lula — ‘deslocada’ de telejornal mais nobre da emissora para o Bom Dia Brasil, como pode atestar o então editor Marco Aurélio Mello.

Num episódio específico, fui perseguido na redação por um feitor munido de um rádio de comunicação com o qual falava diretamente com o Rio de Janeiro: tratava-se de obter minha assinatura para um abaixo-assinado em apoio a Ali Kamel sobre a cobertura das eleições de 2006.

Considero que isso caracteriza assédio moral, já que o beneficiado pelo abaixo-assinado era chefe e poderia promover ou prejudicar subordinados de acordo com a adesão.

Argumentei, então, que o comentarista de política da Globo, Arnaldo Jabor, havia dito em plena campanha eleitoral que Lula era comparável ao ditador da Coréia do Norte, Kim Il-Sung, e que não acreditava ser essa postura compatível com a suposta imparcialidade da emissora. Resposta do editor, que hoje ocupa importante cargo na hierarquia da Globo: Jabor era o “palhaço” da casa, não deveria ser levado a sério.

No dia do primeiro turno das eleições, alertado por colega, ouvi uma gravação entre o delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno e um grupo de jornalistas, na qual eles combinavam como deveria ser feito o vazamento das fotos do dinheiro que teria sido usado pelo PT para comprar um dossiê contra o candidato Serra.

Achei o assunto relevante e reproduzi uma transcrição — confesso, defeituosa pela pressa – no Viomundo.

Fui advertido por telefone pelo atual chefão da Globo, Carlos Henrique Schroeder, de que não deveria ter revelado em meu blog pessoal, hospedado na Globo.com, informações levantadas durante meu trabalho como repórter da emissora.

Contestei: a gravação, em minha opinião, era jornalisticamente relevante para o entendimento de todo o contexto do vazamento, que se deu exatamente na véspera do primeiro turno.

Enojado com o que havia testemunhado ao longo de 2006, inclusive com a represália exercida contra colegas — dentre os quais Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello e Carlos Dornelles — e interessado especialmente em conhecer o mundo da blogosfera — pedi antecipadamente a rescisão de meu contrato com a emissora, na qual ganhava salário de alto executivo, com mais de um ano de antecedência, assumindo o compromisso de não trabalhar para outra emissora antes do vencimento do contrato pelo qual já não recebia salário.

Ou seja, fiz isso apesar dos grandes danos para minha carreira profissional e meu sustento pessoal.

Apesar das mentiras, ilações e tentativas de assassinato de caráter, perpretradas pelo jornal O Globo* e colunistas associados de Veja, friso: sempre vivi de meu salário. Este site sempre foi mantido graças a meu próprio salário de jornalista-trabalhador.

O objetivo do Viomundo sempre foi o de defender o interesse público e os movimentos sociais, sub-representados na mídia corporativa. Declaramos oficialmente: não recebemos patrocínio de governos ou empresas públicas ou estatais, ao contrário da Folha, de O Globo ou do Estadão. Nem do governo federal, nem de governos estaduais ou municipais.

Porém, para tudo existe um limite. A ação que me foi movida pela TV Globo (nominalmente por Ali Kamel) me custou R$ 30 mil reais em honorários advocatícios.

Fora o que eventualmente terei de gastar para derrotá-la. Agora, pensem comigo: qual é o limite das Organizações Globo para gastar com advogados?

O objetivo da emissora, ainda que por vias tortas, é claro: intimidar e calar aqueles que são capazes de desvendar o que se passa nos bastidores dela, justamente por terem fontes e conhecimento das engrenagens globais.

Sou arrimo de família: sustento mãe, irmão, ajudo irmã, filhas e mantenho este site graças a dinheiro de meu próprio bolso e da valiosa colaboração gratuita de milhares de leitores.

Cheguei ao extremo de meu limite financeiro, o que obviamente não é o caso das Organizações Globo, que concentram pelo menos 50% de todas as verbas publicitárias do Brasil, com o equivalente poder político, midiático e lobístico.

Durante a ditadura militar, implantada com o apoio das Organizações Globo, da Folha e do Estadão — entre outros que teriam se beneficiado do regime de força — houve uma forte tentativa de sufocar os meios alternativos de informação, dentre os quais destaco os jornais Movimento e Pasquim.

Hoje, através da judicialização de debate político, de um confronto que leva para a Justiça uma disputa entre desiguais, estamos fadados ao sufoco lento e gradual.

E, por mais que isso me doa profundamente no coração e na alma, devo admitir que perdemos. Não no campo político, mas no financeiro. Perdi. Ali Kamel e a Globo venceram. Calaram, pelo bolso, o Viomundo.

Estou certo de que meus queridíssimos leitores e apoiadores encontrarão alternativas à altura. O certo é que as Organizações Globo, uma das maiores empresas de jornalismo do mundo, nominalmente representadas aqui por Ali Kamel, mais uma vez impuseram seu monopólio informativo ao Brasil.

Eu os vejo por aí.

PS do Viomundo: Vem aí um livro escrito por mim com Rodrigo Vianna, Marco Aurelio Mello e outras testemunhas — identificadas ou não — narrando os bastidores da cobertura da eleição presidencial de 2006 na Globo, além de retratar tudo o que vocês testemunharam pessoalmente em 2010 e 2012.

PS do Viomundo 2: *Descreverei detalhadamente, em breve, como O Globo e associados tentaram praticar comigo o tradicional assassinato de caráter da mídia corporativa brasileira.

sexta-feira, 29 de março de 2013

BM reprime com bombas manifestação em Porto Alegre. Zero Hora destaca “depredações”

Publicada originalmente em Jornalismo B

Terminou em violência policial a manifestação do fim da tarde desta quarta-feira contra o aumento nas passagens do transporte coletivo em Porto Alegre. Ao menos uma estudante foi presa, e um jovem esperou por cerca de meia hora estirado no chão com um corte na cabeça. Momentos antes ele fora atropelado pelo Batalhão de Choque da Brigada Militar, polícia comandada pelo governo do Estado. Mas o site da Zero Hora preferiu noticiar a quebra de vidros e a tinta jogada contra um secretário de governo.

A manchete do site de Zero Hora às 21h era “Manifestantes jogam tinta em secretário e depredam prédio da prefeitura em Porto Alegre”. Enquanto isso, um jovem estudante era levado por uma ambulância, cabeça aberta pela batida contra o meio-fio.

As fotos publicadas na Galeria de Zero Hora são todas de depois do fim do protesto em frente à Prefeitura – os manifestantes seguiram para outro ponto da cidade. As duas fotos que ganharam espaço na matéria são de uma pichação no prédio e do secretário de Governança e ex-chefe da Casa Civil do governo Yeda Crusius, Cezar Busatto, sujo de tinta. Nem na Galeria nem na matéria há fotos do protesto, e a única imagem de um manifestante ferido está fora da matéria principal.


A esquerda site da Zero Hora a direita site do Jornalismo B. Mesmo fato duas versões bem diferentes

O texto vai pelo mesmo caminho. Recheado de verbos no modo condicional, mostra que a repórter Letícia Costa não estava lá. “Há relatos de confusão entre policiais e manifestantes, que teriam jogado pedras contra a prefeitura. De acordo com agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), duas motos da Guarda Municipal foram derrubadas pelos manifestantes”, diz a matéria, para em seguida apresentar fala do subcomandante responsável pela ação da BM. Depois, mais uma vez a fonte é a mesma: “Há relato de feridos, mas a Brigada Militar não soube precisar o número exato” . E mais: “Nos arredores da prefeitura, há vidros quebrados e tinta foi jogada nas paredes do prédio, que foi pichado com a inscrição “R$ 3,05 é roubo”. O secretário de governança Cezar Busatto foi atingido com tinta pelos manifestantes”.

O foco é sempre nos “prejuízos” causados pelos manifestantes. Nenhum das centenas de estudantes que estavam lá é ouvido. A única fonte é a BM. Nem a repórter fala sobre o que viu, provavelmente porque não viu nada. Provavelmente fez a matéria da redação. Zero Hora sabia, como todos, que haveria um protesto em frente à Prefeitura. Depois do clima criado pela violência policial na manifestação de terça-feira, previa-se clima tenso e muita gente. Mesmo assim, ZH não tem fotos ou relatos do protesto, apenas do pós.

* O relato do Jornalismo B sobre o que aconteceu está AQUI.



quinta-feira, 28 de março de 2013

O Caxiense encerra suas atividades. Quem perde é Caxias

Com o título: "Esta é nossa útima notícia: OBRIGADO, LEITORES!", a revista O Caxiense encerra suas atividades tanto na versão online quanto na impressa. Na nota publicada no site explica que os motivos do encerramento das atividades foram "o retorno comercial insatisfatório, situação que se agrava diante de um aumento exorbitante dos preços de impressão". (leia aqui).

A delicada situação financeira do O Caxiense não era segredo porém é sempre um fato a se lamentar. Uma cidade com o tamanho, e a riqueza, de Caxias do Sul, fica refém de pouquíssimos veículos de comunicação. A livre concorrência, defendida pelas classes empresariais, não existe nas empresas de comunicação, fato que pode ser observado pela virulência que o maior jornal de Caxias trata os veículos menores.

O Caxiense era um jornal semanal. Um contraponto interessante e necessário. Teve 3 anos e 3 meses de vida. O Polenta News já noticiou várias reportagens que foram publicadas primeiramente no O Caxiense. Portanto eles saiam, na maioria da vezes, do seu local de conforto, de publicar apenas as versões "oficiais".

Quem perde com o fechamento do O Caxiense é a população de nossa cidade que fica a mercê de manipulações de ocasião. O Polenta News lamenta o fim do O Caxiense, porém sabemos que teremos que assumir ainda mais a responsabilidade de mostrar o outro lado da notícia.

Fatos como esse mostram o como é importante a democratização da comunicação. Não podemos deixar que nossas comunidades fiquem recebendo informações de apenas uma fonte, que detém um atroz monopólio em nosso estado.

quarta-feira, 27 de março de 2013

As criticas seletivas do presidente da CIC

Considerado afiado pelo colunista do Pioneiro, o presidente da Câmara de Indústria e Comércio, Carlos Heinen, tem uma incrível capacidade de fazer críticas políticas seletivas, direcionadas aos outros, principalmente aos políticos e isentando os seus aliados. Uma demonstração dessa habilidade foi durante a reunião almoço da CIC onde o presidente comentou sobre as mudanças nos Ministérios do governo Dilma.

"A mudança ministerial não ocorre para qualificar, mas para agradar aliados para 2014."
Heinen diz que tem concordância com outro empresário, Gerdau, de que 6 ministérios são os suficiente.

Não sei se 6 ministérios são o suficiente. Provavelmente não. A tese de "estado mínimo" foi derrotada no Brasil e só nos conduziu as privatizações desastradas do sistema elétrico, telefonia, estradas e por aí vai. Todo mundo pode até ter linha de telefone agora, o problema é que ela é tão cara e tão ineficiente que muitas vezes nem dá para usar.

Mas a questão não é essa. É outra. Como bem lembrou o ex-candidato a vereador Miguel Grazziotin, em um fala publicada pelo Pioneiro hoje, ele vai direto no âmago da questão:

"Quando Dilma faz este tipo de movimento, necessário numa democracia – algo não muito importante para Heinen – é politicagem! Este senhor devia cuidar mais da CIC do que ser comentarista político"
Fica muito evidente, que como apoiador dos governos Sartori e Alceu, Heinen faz que esquece a distribuição, quase vergonhosa, de CCs aos partidos aliados em troca da apoio ao governo e sua candidatura situacionista. Mas sobre isso o presidente da CIC silencia.

Silencia também sobre a quantidade de secretárias que o município tem. São 19 secretárias e são mais de 300 CCs como já noticiamos (leia aqui). Mas isso não parece ser problema para ele.

O presidente da CIC, ao invés de ficar criticando o número de ministérios, deveria explicar o motivo da não redução dos preços nos supermercados depois do fim dos impostos da cesta básica. Sobre isso ele também silencia.

Já que a ideia é dar palpite a CIC poderia dar o exemplo e diminuir algumas das suas 20 diretorias. Se 6 ministérios governam um país, porque uma entidade, em Caxias do Sul, tem que ter 20 diretorias? Só pode ser para acomodar interesses políticos.

terça-feira, 26 de março de 2013

Enfim um pedido de informações aprovado

Na semana passada foi aprovado por unanimidade pedido de informações do vereador Rodrigo Beltrão (PT) que solicita qual o impacto financeiro que as desonerações do governo federal terão no valor passagens de transporte coletivo.

Nos últimos meses houve desoneração nas folhas de pagamento para as empresas de transporte coletivo assim como nas contas de energia elétrica. Nesse último caso a redução para as grandes empresas ficou em torno de 32%.

Em Canoas e Gravataí, aconteceu algo inédito: o valor das passagens foram reduzidos após as desonerações (leia aqui e aqui).

Com as ameaças do Poder Executivo em retirar as gratuidades do transporte coletivo, vem bem a calhar uma possível redução nos valores das passagens em Caxias, já que os valores cobrados aqui são exorbitantes se comparados às maiores capitais brasileiras.

Também foi incluído no pedido qual o impacto da redução da cobrança de energia elétrica nas contas do SAMAE, já que o aumento da tarifa para 2013 foi de 19,6%.

Em todo caso, os vereadores foram sensatos em aprovar o pedido de informações, pois os últimos pedidos apresentados pela oposição foram todos negados.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Usurpador da UCES faz ato contra vereador

Na última quinta feira, 21, Gilson Fernandes, formado em administração de empresas e matriculado em curso superior que se auto intitulou presidente da UCES que é uma entidade de representação de estudantes de ensino fundamental e médio, realizou uma ato de protesto contra as ações que questionavam a sua "legitimidade" a frente da entidade.

No mesmo dia ele protocolou uma ação indenizatória contra o vereador Rafael Bueno (PCdoB) que solicitou, ao Ministério Público, que investigue Gilson e sua tomada de poder da entidade. O Ministério Público abriu uma investigação sobre o fato. Paralelo a isso estudantes secundaristas entraram com outra ação questionando o processo de eleição de Gilson e a mudança estatutária que ele implementou (leia aqui).

A principal reclamação, de Gilson, durante o ato foi que Bueno estaria ligando para as casas noturnas e estabelecimentos comerciais, dizendo que a UCES, de Gilson, não é legitima e que os estabelecimentos não deveriam aceitá-la. E, para alguém que viu na entidade secundarista, uma fonte de dinheiro fácil, isso é uma tragédia.

Fato bizarro é o uso de adolescentes para dar "carteiraço" nas casas noturnas e estabelecimentos comerciais da cidade. Como se vê na foto do protesto, uma menina usa uma jaqueta escrito "fiscalização" (veja foto acima). Esses "agentes" da entidade de Gilson vão até os estabelecimentos "verificar" o cumprimento da legislação de meia entrada. Eles também visitam escolas de formação profissional, inclusive já denunciaram algumas. Nesse caso há mais um agravante. Gilson também tem uma escola de formação profissional. Isso sim é juntar o útil ao rentável.

E não é só isso.  A UCES não é entidade de Direito Público e que não possui poder de polícia para sair aplicando notificações nos estabelecimentos comerciais, portanto uma série de ilegalidades estão acontecendo em nome da "defesa dos direitos dos estudantes".

Contudo uma das falas de Gilson contra o vereador Bueno tem um fundo de verdade. O atual vereador tentou reativar a entidade. Em 2011 numa assembleia tão suspeita quanto a de Gilson elegeu uma presidenta interina, que ao final do ano chamaria eleições. Não chamou e a entidade caiu novamente no esquecimento. Foi aí que Gilson percebeu a oportunidade.

A UCES agora seria apartidária?

Um dos depoimentos que Gilson deu a imprensa era de que os partidos queriam tomar conta da UCES e ele, portanto, seria apartidário. Essa tese não dura 5 segundos de uma conferência. Na página oficial da entidade, no facebook, podemos perceber que Gilson, a "UCES", ou quem quer que seja curte muito o movimento de fundação de um novo partido proposto por Marina Silva. Tanto que "curtem" a página de Marina Presidenta 2014, como mostra a cópia da página abaixo. Mais uma vez o discurso de apartidarismo é só isso, um discurso.



domingo, 24 de março de 2013

Projeto de lei de senadores tucanos mudará lei da meia entrada

Está em fase final de votação o Projeto de Lei 4.571/2008 de autoria dos ex-senadores Eduardo Azeredo (PSDB/MG) e Flávio Arns (PSDB/PR), que modifica a medida provisória 2.208/2001 que dispõe sobre o pagamento de meia-entrada para estudantes e idosos, em espetáculos artísticos-culturais e esportivos. A lei já foi aprovada no Senado e por três Comissões na Câmara dos Deputados e agora está na Comissão de Constituição e Jusitça, com parecer favorável. Esse é o último passo antes de ir para sanção, ou não, da presidenta Dilma.

A iniciativa dos senadores tucanos era para limitar a lei. Na proposta inicial havia uma fixação de no máximo 40% dos lugares para quem tem direito a meia-entrada. A proposta inicial ainda assegurou o direito para os maiores de 60 anos (o estatuto do idoso estabelece 65 anos ou mais).

O projeto de lei também garantia às entidades nacionais UNE, UBES e ANPG (Associação Nacional de Pós Graduandos) a exclusividade na emissão da Carteira de Identificação Estudantil (CIE). Essa exclusividade foi abolida pela medida provisória editada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).  No decorrer da discussão foram também agregadas as entidades estaduais, municipais, DCEs e DAs, desde que filiadas às entidades nacionais, o direito a emitir a CIE.

As entidades estudantis deverão manter um cadastro dos portadores da CIE. Ela ainda será padronizada e deverá ter Certificação Digital.

A principal mudança é a que estabelece um limite de 40% do total de ingressos disponíveis. Essa limitação não existia na lei atual. Na Câmara o limite chegou a ser retirado pela Comissão de Direito do Consumidor, porém ela voltou ao projeto quando passou a tramitar pelas outras comissões.

A lei estabelece, ainda, uma série de medidas para que os promotores de eventos não burlem a legislação.

No caso de cinemas a Agência Nacional de Cinema, ANCINE, juntamente com os exibidores deverão criar "instrumento de controle para que o público tenha acesso a informações atualizadas referentes ao quantitativo de ingressos de meia-entrada disponíveis em cada sessão" (Art. 2º)

No caso de eventos deverá ser divulgado o número total de ingressos disponíveis e o número de ingressos disponibilizados com meia-entrada. Ainda deverá ser avisado, em todos os pontos de venda, em local visível e clara, quando eles esgotarem. (§ 1º art 2º).

Os promotores de eventos ainda deverão fazer um relatório de venda de ingressos, relativo a cada evento, ao conhecimento do Poder Público e das entidades estudantis (§ 2º art 2º).

A fiscalização será dos órgãos federais, estaduais e municipais, porém não há a fixação de multas ou penalidades para quem não cumprir a legislação.

A legislação porém deixa a execução da lei mais difícil. Ainda é possível, através de artifícios como o de desconto promocional, diminuir ou até zerar, o número de ingressos por meia-entrada. Essas mudanças na legislação vieram por pressão dos produtores culturais, artístas, salas de cinema, teatro, etc. O que esses "trabalhadores" da cultura não percebem é que estão "matando" o seu público.

As grandes produções teatrais, com artistas globais, ou cinematrográficas americanas, tem público garantido e salas lotadas. Os pequenos produtores parecem que preferem salas vazias ao invés de vender ingressos mais baratos.

sábado, 23 de março de 2013

Qual o destino dos Centros Educativos?

Os Centros Educativos são dirigidos a crianças e adolescentes, em turno inverso ao da escola, onde são executadas atividades voltadas à garantia de direitos, promoção, proteção, desenvolvimento e socialização. São atendidas crianças e adolescentes na faixa etária de 6 a 15 anos em situação de vulnerabilidade social em especial aqueles decorrentes de situações de pobreza, da fragilidade da família no papel de adultos responsáveis, de negligência, de abuso sexual, da violência doméstica, de maus tratos físicos e psicológicos e do trabalho infantil.

Esse são conceitos retirados do próprio site da FAS (Fundação de Assistência Social).

Porém, parece que a política de assistência social da Prefeitura mudou. Neste mês de março foi fechado o Centro Educativo Portal da Luz, no Bairro Cinquentenário II e o Centro Educativo no Bairro Jardelino Ramos está interditado desde o início do mês. Outros Centros Educativos foram ou estão sendo fechados e o que se explica, à boca pequena é que esses serviços serão passados para a Secretaria de Educação.

Mas até agora isso não foi declarado oficialmente e não se vê movimentação de repassar efetivamente os serviços para a SMED. O que se percebe são movimentos para fechar os Centros Educativos e deixar centenas de crianças sem atendimento no turno inverso ao da escola.

E então? Será que outras comunidades serão pegas de surpresa novamente?

sexta-feira, 22 de março de 2013

MP denuncia vereador Jaison Barbosa por contratações irregulares

Mais de um ano após a denúncia do fato, o Ministério Público abriu denúncia contra o ex-secretário de Turismo do Governo Sartori e atual vereador Jaison Barbosa (PDT). Em janeiro de 2012 comentamos a instauração de inquérito (leia aqui) sobre a contratação de parentes, em regime de prestação de serviços, do então Assessor Técnico da Secretaria Municipal de Turismo, Saulo Velasco (PDT).

Em 2011 Maria Elisete Kuver de Araújo e Andrelise Kuver de Araújo, mulher e cunhada, respectivamente, de Saulo Velasco, prestaram serviços para a pasta. Saulo também é denunciado pelo MP.

Os serviços realizados por Maria Araujo foram: “Análise e estratégia de marketing para parceria da Semtur com a Escola do Chimarrão”, “Assessoria na análise de marketing e os impactos gerados da programação da 2ª Semana Municipal do Turismo” e para “Análise e estudo de impacto na implantação de placa de homenagem no busto de Joaquim Pedro Lisboa no Parque da Festa da Uva”. A realização desses estudos, que tem nomes grandes para parecerem importantes, custaram ao erário público R$ 3.376,48.

Já Andrelise recebeu cerca de R$ 1.700,00 para trabalhar como recepcionista de eventos da secretaria e para a divulgação da Festa da Uva.

Na época o Governo Sartori fez pouco caso do problema e disse que não iria apurar o acontecido. Todos os envolvidos tem quinze dias para apresentarem a sua defesa.

quinta-feira, 21 de março de 2013

A quem interessa desacreditar o Enem?


Todo o ano é a mesma coisa. Dessa vez até demorou. Primeiro a gráfica do grupo Folha de São Paulo permitiu o vazamento de uma prova. Depois um professor que participou de elaborações de questões as usou para os alunos de uma escola particular. Mais recentemente a disputa, insana, para a contestação da nota da redação. Agora a polêmica dos erros de português e da receita de miojo no meio de uma redação.


No final das contas a quem interessa que o Enem deixe de ser instrumento de entrada na Universidade?


Obviamente quem mais perdeu com isso foi o mercado paralelo, não regulamentado, dos cursinhos Pré-Vestibulares. Desde o início do Enem essas escolas, que tinham um negócio milionário, estão penando a procura de clientes. Tanto isso é verdade que coube a esses "empresários do ensino" fazerm cursinhos preparatórios ao Enem!


Ao lado dos "empresários do ensino" estão obviamente os "empresários da comunicação". Concursos vestibulares geram cadernos especiais em jornais e movimento publicitário nos períodos de vacas magras da publicidade. Obviamente não é só dinheiro que move o interesse dos conglomerados midiáticos contra o Enem. Por traz disso estão o acesso das camadas mais populares da sociedade ao ensino superior. Se o filho do trabalhador tiver oportunidade de estudo ele vai quebrar o círculo vicioso da dominação da sociedade e isso é muito perigoso para a elites.


A redação "miojo"


Carlos Guilherme Custódio Ferreira que ficou "famoso" depois que ele mesmo vazou a sua redação onde, entre 3 parágrafos que tratavam do assunto proposto, inseriu uma receita de miojo. As quatro linhas levaram a "orgasmos" os veículos de comunicação que fizeram uma festa com o assunto, já que Ferreira recebeu 560 pontos, de 1000 possíveis.


O que ninguém questionou foram os motivos que um estudante de Engenharia Cívil, da Universidade de Lavras (MG) resolveu fazer a prova do Enem. Ele alega que "fiz a prova por teste mesmo". Como assim, teste? Alguém resolve passar dois dias fazendo uma prova para testar ela?


Não sei quanto a vocês, mas para mim isso é muito, muito estranho.


Reportagem da Zero Hora é quase criminosa

A edição de hoje da Zero Hora, com direito a manchete bombástica e sensacionalista, a matéria fala que "duas professoras gaúchas decidiram romper o contrato de sigilo para revelar bastidores da prova.". As revelações "estarrecedoras" são na verdade travestidas de "elitismo acadêmico". As orientações para correção, tão combatidas, pela dita professora, são aquelas que dizem que a correção da prova deve ser avaliada em vários aspectos e que disparar notas "zero" a torto e a direito não deve ser regra.

A reportagem que nada traz de bombástica, e em nada ajuda a discutir a educação mais profundamente, desbanca para o surrealismo, quando a entrevistada resolve dizer sobre os critérios para as escolhas dos avaliadores:

"A inclusão parte de convites. Acho que funciona por ligações políticas."

Quer dizer que ela foi incluída também por critérios políticos?

A imprensa não enxerga seus próprios erros

Aqui compartilhamos um link do Cloaca News que demonstra que a mídia tem muito pouco a questionar sobra a qualidade ortográfica dos alunos do Enem. Vejam e constatem os inumeros erros de português de nossos "grandes veículos de comunicação". Leia aqui.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Ex deputado afirma que foi torturado na presença de empresários da Fiesp


Carlos Araujo fez ontem uma corajosa e inquietante denúncia, “Eu mesmo fui torturado na presença de empresários da Fiesp. É uma coisa sádica. Além de financiarem a Oban (Operação Bandeirantes) e o DOI-Codi, ainda assistiam às torturas. Eles se envaideciam com isso”.

O ex-deputado coloca fundo o “dedo na ferida” da ditadura militar ao atestar que não foi apenas o Estado brasileiro responsável pela repressão e pela tortura, mas que o apoio das corporações empresariais foi fundamental para tal. Pode-se imaginar que o dinheiro para financiar tal atos de selvageria não chegavam por meios legais e, com certeza, não chegavam na sua totalidade ao “seu destino”.

A situação relatada por Araujo, porém não é desconhecida. A Operação Bandeirante (OBAN), que contava com financiamento de importantes conglomerados brasileiros: Grupo Ultragás, Ford, GM, Grupo Camargo Corrêa, Grupo Objetivo, Grupo Folha, Amador Aguiar (Bradesco), entre outros, operou por 10 anos, caçando e torturando os “inimigos do regime”. Sem vínculos formais, ou legais, a OBAN era em essência uma formação paramilitar de ação direta e violenta à margem da lei, o que lhe dava agilidade e brutal eficácia.

O cinema nacional também escancarou a relação do empresariado com a ditadura militar. No filme “Pra Frente Brasil” (1982), de Roberto Farias, há um cena onde um preso político é torturado na frente de empresários, para deleite da plateia. O filme foi censurado por ser “capaz de provocar incitamento contra o regime vigente, a ordem pública, as autoridades e seus agentes”. Com uma dura batalha na justiça e atiçando a opinião pública, o filme é finalmente liberado para exibição (um importante teste a “abertura lenta e gradual”).

Porém a sua liberação não passou ilesa aos defensores do regime. Celso Amorim, que seria Ministro das Relações Exteriores do Governo Lula, era presidente da Embrafilme na época, e viu-se obrigado a abandonar o cargo da estatal em abril de 1982 por ter aprovado o financiamento público para a produção.

Há muita “verdade” escondida nos porões da história que necessitam ser tiradas das sombras. Somente com a apuração dos fatos podemos evitar que as novas gerações achem que a violência e a repressão é a melhor forma de debate político.

19 partidos e 301 CCs


Esses são os números que aparecem no jornal de hoje e indicam como foi feita a partilha dos cargos de confiança na administração direta e indireta em Caxias do Sul. Muitos CC's? Pode ser. Mas não podemos esquecer que esses cargos foram criados ainda no Governo Sartori na reforma administrativa de 2008. Aliás, desde o início do governo Sartori, o número de CC's mais que dobrou.

O caso é, que com tantos cabides de emprego em disputa, os escrúpulos de muitos presidentes de partidos são colocados de lado em nome do dinheiro e do poder. Foi o que ocorreu com Anivaldo Zancanaro. Ele era presidente do PSC. Saiu da sigla e iria entrar no PTC. Porém, antes mesmo de se filiar, já estava dando declarações de que tinha interesse em “apoiar” o governo. Honrosamente, a direção estadual do PTC cortou as asinhas de Zancanaro, já que o partido apoiou, em Caxias, a Frente Popular. Alguém ainda é leal no mundo da política...

Ficou feio pra Zanacanaro. Agora está sem partido e louco por um CC do Governo...

A distribuição da "cecesada"

Número de CCs 8 por partido (excluíndo os secretários)
PDT - 10
PMDB - 25 a 30
PSB - 1
PSDB - 1
PSD - 1
PMN - 1
PTdoB - 1
PRP - 1
PSL - 1
PR - 1
PHS - 1
PTN - 1
PTB - 5
PSC - 1
PCdoB - 1
DEM - 1
PP - 1

Total de CCs8 é de 54 a 59

Cada CC8 recebe R$ 8.498,96. O custo total desses CCs é em torno de R$ 500 mil por mês ou R$ 6 milhões por ano.

Ainda há 24 secretários ou diretores de empresas ou autarquias que ganham cerca de R$ 12 mil por mês.

PSDC e PPL tem um CC6 cada.

terça-feira, 19 de março de 2013

A criminalidade aumentou em Caxias? Os números dizem que não

Ao lermos os jornais, ouvirmos as rádios ou vermos as notícias na televisão a sensação que temos é que Caxias está a beira de uma guerra civíl tamanha são as ocorrência policiais. Porém os números contam outra história.

Os dados apresentados na última sexta-feira, 15, quando completou 1 ano de policiamento comunitário na cidade mostram uma realidade bem diferente, praticamente todos os tipos de ocorrência policial apresentaram queda, algumas bastante significativas. Veja no quadro abaixo.

clique na imagem para ampliar

Resumindo:

Furtos: Redução de 31,5%

Roubos: Redução de 24%

Homicídios: Redução de 57,1%

Um dos poucos índices que aumentaram foi o de desordem que teve aumento de 8%.

A apresentação dos dados foi feita na formatura da nova turma que ampliará o policiamento comunitário em Caxias do Sul. A partir de abril. Cruzeiro, Cinquentenário I, Cinquentenário II, Marechal Floriano, Jardim América e Universitário serão agrupados em quatro núcleos que atenderão a mais 38 mil habitantes - totalizando 142 mil no município.

Segundo o Secretário de Segurança Pública, Airton Michelis, "A presença da polícia comunitária em Caxias fez com que os índices de criminalidade diminuíssem bastante e é um grande passo para a segurança pública".

O policiamento comunitário é a melhor escolha quando se fala em prevenção. Policiais mais próximos à comunidade entendem melhor as necessidades dos bairros. A presença das forças de segurança traz mais tranquilidade, tranqulidade essa que não se lê na imprensa.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Não pegou bem

As declarações do final de semana do ex-chefe de gabinete do Prefeito Sartori, Edson Néspolo (PDT), não pegaram bem.

Ele declarou em entrevista ao jornal Pioneiro que não descarta a possibilidade de concorrer como Prefeito em 2020, após a reeleição de seu colega de partido, Alceu Barbosa Velho.

Mesmo que possa haver tal possibilidade, as declarações pareceram um tanto quanto presunçosas por parte de Néspolo, que sempre foi tão discreto enquanto esteve à frente do Gabinete do Prefeito. Aliás, ninguém nega sua força e eficiência durante o governo peemedebista quando era o braço direito de Sartori.

Todo esse exercício de futurologia que Néspolo fez para o jornal, publicamente, também acabou demonstrando possíveis desavenças entre ele e Alceu. Afinal, corre à boca pequena que Néspolo não gostou muito de ter sido isolado como Presidente da Festa da Uva, onde não goza mais dos poderes que tinha no governo anterior. Então, as declarações ficaram com cheiro de retaliação ao atual governo e à Alceu.

Certo é que teve pedetista muito bravo nesse fim de semana e que condenou a manifestação do ex-todo-poderoso Edson Néspolo.

sábado, 16 de março de 2013

Conheça a vida de Hugo Chávez o homem que marcou para sempre a história da Venezuela

Odiado pelas elites, amado pelo povo. A morte de Hugo Chávez arrastou milhões de venezuelanos ao seu velório

O falecimento de Hugo Rafael Chávez Frias despertou apaixonadas discussões sobre sua história e seu legado. Destaque-se, então, a história dele na Venezuela.

Hugo Rafael Chávez Frias é militar de origem, e bebeu nas fontes do Movimento Bolivariano presente nos países andinos e caribenhos, existente há muitas décadas. Notadamente na Venezuela, podemos afirmar que o Movimento consolida-se a partir do nascimento do EBR 200 (Exército Bolivariano Revolucionário), em 1977. O EBR 200 admitia em suas fileiras apenas militares. Pouco tempo depois, em 1983, o tenente coronel Hugo Rafael Chávez Frias cria o MBR 200 (Movimento Bolivariano Revolucionário), evolução do EBR 200 e que passou a admitir em suas fileiras civis e militares.

O movimento bolivariano, muito enraizado no pensamento popular da Colômbia e da Venezuela, remete, por óbvio, aos movimentos de independência política ocorridos na América do Sul há cerca de 200 anos. Reivindicam-se enquanto herdeiros políticos do libertador Simon Bolívar, nascido na própria Venezuela, e propugnam pelo que chamam de segunda independência sulamericana.

Entendem que os países sulamericanos vivem espoliados pelo imperialismo que surrupia riquezas naturais e mantém na pobreza, no abandono e na ignorância os povos dessas nações, contando, para tanto, com a subserviência das elites econômicas de cada país, que preferem, sempre, garantir seus lucros antes de pensar no desenvolvimento econômico e social de suas gentes.

É sabido que em fins dos anos 70 o mundo ainda vivia no contexto da Guerra Fria, certo também é afirmar que o Chile de Salvador Allende, primeiro presidente socialista eleito pelo voto popular nas Américas, sofreu um brutal golpe de estado em 11 de setembro de 1973 e ali foi testado, de forma cruel, brutal e assassina, os parâmetros da Escola de Chicago. O Chile do golpista Augusto Pinochet foi o laboratório do neoliberalismo que viria a tornar-se hegemônico quando da queda do Muro de Berlim, em 1989, e subsequente desintegração da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em dezembro de 1991.

Antes desses episódios, podemos afirmar que a ascensão de Karol Wojtyła enquanto Papa (Papa João Paulo II) em 1978, bem como a eleição de Margaret Thatcher no Reino Unido em 1979 e a eleição de Ronald Reagan nos EUA em 1980 foram fatores decisivos para conformar o 'novo' mundo pós Guerra Fria. Não nos esqueçamos também de Mikhail Gorbachev, da glasnost e da perestroika!

Neste cenário de início dos anos 90 a nova hegemonia liberal, amplamente vitoriosa e arrogantemente triunfante mostra a sua face no episódio da Guerra Iraque-Kuwait. Os EUA lideram, como donos do mundo, uma poderosa coalisão diplomática e militar que dobra com facilidade inimaginável um Saddam Hussein que fora aliado do ocidente até 1988, Saddam atuou de forma crucial para conter a Revolução Iraniana através da cruenta e terrível Guerra Irã-Iraque, que durou longos oito anos (1980 à 1988).

No Brasil, na Venezuela, no México, Argentina, enfim, em todos os países sulamericanos, a 'boa nova' liberal (ou neoliberal) chegava avassaladora como um furacão incapaz de ser controlado. Fernando Collor de Mello, Carlos Andrés Pérez, Carlos Salinas de Gortari, Carlos Menem e outros menos cotados encarregaram-se de abrir as portas e as janelas das nações latino-americanas ao credo capitaneado pelos vitoriosos da Guerra Fria. Esses movimentos de abertura indiscriminada das fronteiras econômicas provocaram um desequilíbrio interno muito grande nos países, viu-se a recessão, o desemprego, o arrocho salarial e a fome que vicejaram como há muito não se via. As explosões sociais não tardaram a surgir, em maior ou menor grau, desde o Rio Grande até a Patagônia.

Especificamente na Venezuela, o descontentamento popular com a abertura indiscriminada promovida pelo presidente Carlos Andrés Pérez, no início de 1989, ocasionou trágicas consequências sociais. A convulsão e o desespero das gentes teve ápice no doloroso episódio chamado 'Caracazo', ocorrido em fevereiro de 1989. Centenas de mortos e milhares de feridos, esse foi o saldo que a população venezuelana nunca mais esquecerá.

É dentro desse caldo de cultura econômica, social e política que emerge cada vez mais forte a figura de Hugo Rafael Chávez Frias e de seu MBR 200. Chávez tornou-se figura nacional no país de Bolívar em 1983, quando expôs suas teses de lançamento do movimento revolucionário. Não era um desconhecido da população quando do 'Caracazo' e já denunciava as mazelas sociais e a submissão econômica de seu país ao imperialismo que espoliava todo um povo. Controla-se a revolta de 1989, mas não a insatisfação popular, que aumenta exponencialmente ao longo do tempo, em função do tacão imposto por um dos planos econômicos neoliberais mais ortodoxos que já conheceu a região.

Em fevereiro de 1992, irrompe a sublevação militar comandada por Chávez. Fracassam as tentativas de controle do poder e Chávez é detido, julgado e condenado. Ficaria preso até 1994. Neste momento de fracasso, por mais incrível que possa parecer, Chávez tornou-se mais querido entre a população e amalgamou suas teses junto a grande massa de venezuelanos desalentados pelo chaga neoliberal.

No cárcere, não parou mais de escrever e de gravar vídeos que eram repassados em todo o país, contendo as teses do movimento bolivariano. Em novembro de 1992, novamente fracassa uma tentativa de retirar Carlos Andrés Pérez do poder, feita de forma descoordenada por setores da Força Aérea Venezuelana. Em 1993, finalmente Carlos Andrés Pérez é apeado da cadeira presidencial, para alívio dos venezuelanos.

Em 1994 Hugo Chávez sai do cárcere. O dia da saída mais parecia uma cena de filme hollywoodiano. Centenas, milhares de pessoas o aguardavam em festa em frente ao presídio. O tenente coronel Chávez aparece, agora liberto, e sai caminhando entre o povo, sendo abraçado e beijado como um herói. Inicia uma bateria de viagens internacionais, das quais a mais significativa foi a feita até Cuba, em dezembro de 1994, onde palestrou em várias universidades a convite de Fidel Castro.

Renunciou ali, a pedido de Fidel Castro, da estratégia militar de tomada do poder pelas armas para iniciar a fulminante estratégia de chegada ao poder através dos mecanismos tradicionais. Suas bandeiras principais, que galvanizaram em definitivo a maioria do povo venezuelano, foram a convocação imediata de uma Assembléia Nacional Constituinte originária, o fim imediato do neoliberalismo e a construção de uma nova independência econômica, política e cultural para a Venezuela. O acerto da mudança de estratégia não tardaria a dar frutos.

Depois de percorrer dezenas de países e de caminhar incessantemente em todas as partes da Venezuela, Hugo Chávez finalmente se elege com a chancela do voto popular e a frente do Movimento V República, em novembro de 1998. Ali punha-se termo aos longos 40 anos de 'puntofijismo' putrefato.

A cerimônia de posse do Presidente Chávez foi em fevereiro de 1999 e a cena não podia ser mais original. No juramento, Chávez quebra o protocolo e jura da seguinte maneira: "Juro diante de Deus, juro diante da Pátria, juro diante de meu povo, e, sobre esta moribunda Constituição, cumpri-la. E impulsionarei as transformações democráticas necessárias para que a república nova tenha uma Carta Magna adequada aos novos tempos. Eu juro." Bem ao estilo surpreendente e desconcertante que marcaria para sempre a sua trajetória.

Eleito com 56% dos votos, logo em seu primeiro dia de mandato cumpre com sua proposta principal de campanha e convoca um plebiscito chamando o povo a se manifestar sobre a necessidade de convocar uma nova Assembléia Nacional Constituinte. Com 81% dos votos, a população diz sim ao processo constituinte, que é então chamado e produz a tão aguardada Carta Magna adequada aos novos tempos. Essa nova Carta foi sufragada e aprovada por 71% dos venezuelanos em dezembro de 1999.

Em 2000, cumprindo os dispositivos da nova Carta, Chávez concorre e vence as eleições com 59,7% dos votos. Inicia profundas transformações estruturais, como a reforma agrária e a retomada do controle estatal sobre a companhia petrolífera PDVSA. Em dezembro de 2000, convoca novo plebiscito para modificar a estrutura sindical do país, vence-o com 62% dos votos. As reações não tardariam.

O descontentamento dos sindicatos de trabalhadores e patronais, somado as profundas mudanças estruturais impulsionadas e a permanente referência ao seu amigo pessoal Fidel Castro colocam o país em polvorosa. Iniciam-se as greves, os locautes e as conspirações militares abertas e transmitidas ao vivo, exigindo a sua renúncia. Inicia-se o ano de 2002. Em abril de 2002, tem sequência a tentativa de golpe de estado contra Hugo Chávez, que fora sequestrado e levado para uma ilha. Assume o golpista Pedro Carmona, presidente da Federação Industrial, apoiado pelos remanescentes do sindicalismo cuja estrutura fossilizada Chávez pulverizou e com o apoio do Departamento de Estado dos EUA.

A indignação e a fúria da população venezuelana veio como um tsunami. Tiros nas ruas e as emissoras privadas passando desenhos do Pica-Pau e dizendo que tudo estava sob controle... Em menos de 24 horas, o povo sublevado e tomado de ira indescritível ocupa as ruas e exige a volta do Presidente Constitucional. Militares leais dão o contra-golpe e Chávez volta nos braços do povo. A película "A Revolução Não Será Televisionada" narra esses acontecimentos com impressionante riqueza de minúcias e detalhes.

Vencido o golpe, Chávez ainda enfrentaria uma greve petroleira de mais de 03 meses e um referendo revocatório de seu mandato, em 2004. Vence o referendo com 59% e ruma para a reeleição em 2006. Antes, em 2005, a oposição boicota as eleições legislativas e deixa o parlamento livre para os chavistas até o ano de 2010. Nas eleições de 2006, Chávez vence com acachapantes 63% dos votos e consolida o movimento bolivariano depois de oito anos de duras e renhidas batalhas com a oposição.

Encerro por aqui a apreciação dos processos eleitorais venezuelanos. Concentrei a avaliação entre 1998 e 2006 porque é neste tempo histórico bem determinado onde se percebem as principais lutas entre situação e oposição. A partir de 2006, Chávez se consolida, assume o comando pleno do processo político venezuelano, estabiliza as forças armadas e não é mais ameaçado por golpes de estado. Cumpre destacar que o PSUV foi criado apenas em março de 2007, após a consolidação do movimento bolivariano. Feita a breve digressão histórica, é hora de sair da descrição e passar para a avaliação.

Hugo Rafael Chávez Frias mudou o eixo da política venezuelana e latino-americana. Assumiu sozinho a luta anti-imperialista e anti-neoliberal, tal qual um Dom Quixote, numa conjuntura de terrível isolamento numa região dominada por governos de orientação submissa aos dogmas do liberalismo galopante. Seus maiores legados são, indiscutivelmente, a luta pela superação do modelo neoliberal (que só restaria completa com a ruína deste modelo em 15 de setembro de 2008) e a luta incessante pela integração econômica, política, social, cultural e de infra-estruturas da América Latina, sonho de Simon Bolívar que ele assumiu enquanto causa maior de sua existência.

É bom salientar que o sucesso da integração latino-americana jamais teria êxito sem as eleições de Lula em 2002 e de Néstor Kirchner em 2003. Aos poucos, com recuos e avanços diversos, vários governos progressistas foram eleitos em toda a região e a integração passou do plano dos sonhos idílicos para a possibilidade real.

Frutos dessa luta pioneira de Chávez, temos hoje a UNASUL, a CELAC, a ALBA, o Conselho de Defesa Sulamericano e o fortalecimento do Mercosul, consolidado com a entrada da Venezuela enquanto membro pleno do bloco em 2012. Gostaria, por fim, de lembrar um pouco sobre o Movimento dos Países Não-Alinhados, surgido nos anos 50, para se contrapor a dicotomia da Guerra Fria.

Eu diria, em rápidas palavras, que Hugo Chávez poderia muito bem estar na lista de grandes personalidades que lutaram antigamente contra o colonialismo, pela independência econômica dos povos, por soberania e desenvolvimento social. Eis algumas das personalidades históricas do Movimento: Sukarno, Jawaharlal Nehru, Mohammed Mossadegh, Gamal Abdel Nasser, Josip Broz Tito, Fidel Castro, Patrice Lumumba, etc. Não é a toa que todas essas pessoas são odiadas pelo imperialismo até os dias de hoje...

Hugo Chávez foi o campeão da integração regional, aspiração que estava adormecida na América Latina. E foi o campeão da luta anti-imperialista. Por isso e por várias outras razões, ele já é uma figura histórica de grande relevo e cuja memória será lembrada por muitas e muitas décadas. Hugo Chávez honrou antigas tradições de luta por uma política externa independente, no melhor estilo dos bons tempos do Movimento dos Países Não-Alinhados.

Fica de Hugo Chávez um legado de soberania e consolidação dos avanços sociais para o povo venezuelano e um exemplo de que é possível construir um rumo diferente para os países da América Latina. E tudo isso feito com ampla democracia e participação popular. Se Hugo Chávez não deixou uma Carta Testamento, nos moldes da escrita por Getúlio Vargas, em 1954, podemos dizer que o seu testamento político é de esperança e de uma profunda visão estratégica, de uma paixão pela construção da unidade latino-americana e de um fervor sempre renovado em busca da emancipação de fato e de direito dos povos oprimidos pelas amarras imperialistas.

Uma grande personalidade, um grande líder político, pioneiro, arrojado, com grande visão de futuro, e, acima disso tudo, um grande ser humano, que está marcado para sempre na memória coletiva das populações de nossa querida América. Este é o saldo, positivo, da bela existência e da profícua e coerente luta de Hugo Chávez, luta que tirou a região da letargia, da pasmaceira e que abriu novos caminhos que precisam cada vez mais ser consolidados.

Muito obrigado, Hugo Rafael Chávez Frias! A tua luta não foi em vão, pois é a luta histórica de milhões de cidadãos e cidadãs de toda a América Latina. Luta esta, aliás, que o Comandante Bolivariano soube despertar com toda a energia, como nenhuma outra liderança já houvera feito antes em nossa região.

O Movimento Bolivariano, ao que parece, não se esgota com a morte de Chávez, tudo indica que é um fenômeno de alcance mais profundo, que extrapolou as fronteiras do país caribenho e que ainda está em interessante expansão.

sexta-feira, 15 de março de 2013

A UCES e o Usurpador

 Embora um tanto tardio, o processo vem a calhar, já que desde o ano de 2012 o presidente da entidade, Gilson Fernandes, está se utilizando da entidade e ludibriando alguns jovens estudantes para seus propósitos individualistas.
Gilson Fernandes é fundador e presidente da chamada União de Estudantes da Serra, fundada em 2012, cuja criação teve como objetivo “representar” os estudantes (todos) de Caxias e região. Assim, várias carteirinhas estudantis foram vendidas a diversos estudantes para que os mesmos pudessem garantir a famosa “meia-entrada” em atividades culturais e de lazer.
Estudantes protocolam ação contra falso presidente

Não satisfeito com a entidade paralela que havia criado, Gilson juntou o útil ao agradável e reativou a UCES (União Caxiense de Estudantes Secundaristas). A UCES foi fundada em 1952 e desde o ano de 2008 estava sem direção por falta de organização dos estudantes. Porém isso não dava direito que uma pessoa com escolaridade de nível de graduação se apropriasse da entidade. Foi o que Gilson fez.

Realizou primeiramente uma Assembleia com alguns estudantes em que se elegeu, por unanimidade, presidente de uma direção provisória da entidade, com mandato até 31 de dezembro de 2013.

Em um ano, vendendo carteirinhas estudantis a centenas de alunos pelo valor de R$ 15, muito lucro poderá ser gerado!

Se não bastasse um marmanjo de 35 anos de idade se eleger Presidente da entidade de representação dos estudantes do ensino médio e fundamental, ainda conseguiu alterar o estatuto da UCES em uma assembleia sem representatividade e acrescentando como sua representação os estudantes da graduação.

O DCE da UCS emitiu nota não reconhecendo a nova direção da UCES assim como o avanço da entidade sobre os estudantes universitários.

Até mesmo os vereadores Guila Sebben (PP) e Rafael Bueno (PCdoB) apresentaram denúncia ao Ministério Público questionando a legitimidade da nova direção da UCES.

Os devaneios são tantos, que Gilson anda também circulando pelas casas noturnas da cidade com colete de Fiscalização, notificando aquelas que não estão dando desconto da meia-entrada para estudantes.

Em suma, o objetivo principal deste senhor, representante hoje de todos os estudantes de Caxias e região, é garantir que a meia-entrada seja concedida a quem apresentar sua carteirinha estudantil. E a UCES emitirá todas essas carteirinhas ao valor singelo de R$ 15.

E os direitos dos estudantes para além da meia-entrada, onde estão? Isso pelo jeito não importa...

Estudantes ingressam na justiça contra usurpador

Nesta quinta feira um grupo de estudantes entrou com uma ação contra o falso presidente da UCES e contra as alterações estatutárias que descaracterizaram a entidade. A ação teve apoio de Grêmios Estudantis, da União Gaúcha de Estudantes Secundaristas (UGES), DCE/UCS e Secretaria de Juventude da UAB.

A UCES como fábrica de carteirinha

Na tentativa de consolidar a sua entidade fantasma, Gilson, está passando nas escolas para divulgar a sua carteirinha de estudante. Ele também deixa um formulário nas casas onde as pessoas, inclusive, são ludibriadas com a divulgação de um curso gratuito (veja no rodapé da imagem ao lado).

E a situação pode ser pior. Em nota divulgada por Gilson às críticas do DCE/UCS ele fala, entre outras bobagens, no "cartão estudantil" que está no contrato entre a Visate e a Prefeitura de Caxias do Sul.

Hoje esse "cartão estudantil" é a carteirinha de ônibus, que os estudantes usam para utilizar o transporte público. Será que ele tem interesse em querer vincular  a sua carteirinha pessoal na da passagem de ônibus?

Se isso for verdade está aí uma fonte de receita de mais de R$ 300 mil. Um bom dinheiro para quem passa o dia todo na "sede da UCES".

quinta-feira, 14 de março de 2013

Consumidores caxienses começam a sentir os efeitos da redução de impostos de Dilma


A extinção dos impostos federais sobre a cesta básica, anunciada pela presidenta Dilma, no último dia 8 de março, começa a ser sentida em Caxias do Sul. Ainda de maneira tímida, é bem verdade. O levantamento realizado pelo Jornal Pioneiro, publicado hoje, mostra um levamentamento de preços de quinze produtos entre os dias 11 e 13 de março em 5 supermercados da cidade.

Pelo levantamento o Vantajão foi o que mais reduziu os valores dos produtos. A cesta de produtos que custava R$ 61,61 - na segunda feira - passou para R$ 58,95 - na quarta - uma redução de 4,21%. A redução ainda é inferior ao imposto subtraído pelo governo. A maioria dos produtos tiveram redução de 9,5% nos impostos. Pasta de dente e sabonete deixaram de pagar 12,5% de impostos federais. Dos supermercados pesquisados pelo Pioneiro apenas o Big teve alta de preços de 0,12%.

Segundo o próprio jornal o levantamento não tem o objetivo de mostrar qual o supermercado tem a cesta básica mais barata porém ele nos mostra alguns indicativos importantes:

O preço dos produtos pode cair ainda mais. As população tem que ficar vigilante para que a redução de impostos não acabe virando lucro para o empresário. Depois de todas as desonerações de impostos federais fica a pergunta: E o Impostômetro da FIESP? Por que a entidade está no mais absoluto silêncio? Será que está envergonhada com o fato de ter manipulado a opinião público durante tantos anos?

Outra lição que se tira é o quanto é significativo o Bolsa Família. Para quem gasta os R$ 70,00 numa noitada o valor é insignificante, pode ser até considerado uma esmola. Entretanto para uma família com poucas condições financeiras esse valor possibilita comprar:

  • 1 Kg de carne bonina de 1ª
  • 1/2 Kg de café
  • 1 litro de óleo de soja
  • 1 Kg de açúcar
  • 1 pacote de 200 gramas de manteiga
  • 1 Kg de pão
  • 4 rolos de papel higienico
  • 1 tubo de pasta de dente
  • 1 sabonete
  • 1 litro de leite
  • 1 Kg de arroz
  • 1 Kg de feição
  • 1 Kg de farinha de trigo
  • 1 Kg de batata
  • 1/2 kg de massa
 e ainda sobra R$ 11,05 que dá para pagar a conta de água que teve 19% de reajuste.

Você não acha bastante?

quarta-feira, 13 de março de 2013

Um novo Papa só nas aparências, na ideologia tudo igual

Jorge Mario Bergoglio, que passa a se chamar Papa Francisco I, chegou cheio de novidades. É o primeiro em 500 anos a substituir um Papa que renunciou. É o primeiro Papa do hemisfério sul e o primeiro Papa da América e o primeiro Jesuita a ser Papa. Também fazia 1200 anos que um Papa não era europeu (Gregório III nasceu na Siria e foi Papa entre 731 e 741).

Tirando essas novidades, o resto é tudo igual. O novo Papa é a fina flor do conservadorismo. É contra o aborto, a eutanásia e contra o casamento gay. Ele se opos firmemente, em 2010, ao projeto de lei que permitia a união homossexual na Argentina. Na época escreveu: " Não vamos ser ingênuos, não estamos falando de uma simples batalha política, é uma pretensão destrutiva contra o plano de Deus". Ele também afirmou que a adoção de crianças por famílias homosexuais é "uma forma de discriminação contra a criança".

Pesa sobre ele também a acusação de responsabilidade pelo sequestro de dois jesuitas pela Marinha Argentina durante a ditadura militar no nosso vizinho. Para Francisco I o mundo ideal seria aquele que é mais próximo do fundamentalismo religioso (xiitas, talibãs, e congêneres) do que o que chamamos de mundo ocidental.

Outro fator, que não é novo é os micos que a mídia paga na cobertura de eventos desse porte. Nenhum "vaticanista" contratado pelas emissoras de TV como entendidos no assunto citou o Cardeal Bergoglio entre os favoritos. Informações que começam a circular agora falam que na eleição de Bento XVI ele teria feito 40 votos, o que é muito, ele ficou em segundo! Nota zero para os palpiteiros.

Para nós brasileiros, a sorte foi o Papa não ser brasileiro. Qualquer eleito seria extremamente conservador e, no ano que vem, a disputa eleitoral viraria novamente uma guerra santa com a provocada por Serra no segundo turno da eleição presidencial. Azar da Christina que ganha um pedra no sapato.

Secretária de Políticas para as Mulheres, Marcia Santana, morre em Porto Alegre

Márcia Santana era assistente social e foi chefe de gabinete da então deputada Maria do Rosário (PT). Foi diretora da Fundação de Proteção Especial do Estado, presidente da Associação de mulheres Viamonenses Mariá, sócia-fundadora do movimento pelo fim da exploração sexual de crianças e adolescentes do RS, secretária executiva da rede nacional de frentes parlamentares em defesa da infância no Brasil e assessora técnica da comissão parlamentar do Congresso Nacional - que investigou redes de exploração sexual de mulheres, crianças e adolescentes.

No cargo de Secretária Estadual de Políticas para as Mulheres, que ocupava desde o início do governo Tarso,  Márcia tinha uma atuação reconhecida pelo movimento feminista gaúcho e brasileiro. Uma de suas últimas atividades foi a participação da Secretaria na blitz Balada Segura que fazia abordagens para conscientização contra a violência contra as mulheres.

A notícia de sua morte deixou perplexos membros do governo e dirigentes do movimento. Márcia tinha 35 anos e foi encontrada, inconsciente, por seu companheiro que estranhava a sua demora, no banheiro da sua residência. O Samu foi chamado e não conseguiu reanimá-la. A provável causa da morte foi um infarte fulminante.

Márcia Santana, será velada a partir das 10h desta quarta-feira (13), no Salão Negrinho do Pastoreio, do Palácio Piratini. O enterro está marcado para as 17h30, no Jardim da Paz, em Porto Alegre.

terça-feira, 12 de março de 2013

Malditas minorias

Em alusão ao deputado Marcos Feliciano (PSC-SP), homofóbico e rascista eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos, que disse que a Comissão era refém das minorias. Publicada originalmente no Blog do Kayser


segunda-feira, 11 de março de 2013

Solidariedade a Luís Nassif

Luís Nassif é jornalista e editor de um dos blogs – que leva seu nome – mais acessados o país. Mesmo quem discorda de suas posições – com um pouco de honestidade intelectual – reconhece sua capacidade. Em seu site na internet é possível ler análises econômicas, políticas, sobre a mídia e até clipes e apresentações musicais. Nassif também faz denúncias e, vira e mexe, furos. Porém, ele está com seu site fora do ar.

Após denunciar o esquema de pirâmide do grupo chamado Telexfree, seu blog foi atacado virtualmente. Alguns antivírus, ao se digitar o link para sua postagem sobre o caso, acusam esse espaço de estar contaminado. O líder desse grupo se chama Carlos Wanzeler. Nassif já informou à Polícia Federal (PF) sobre o caso. Segundo o próprio Nassif os ataques virtuais são de autoria do grupo da Telexfree.

O golpe da pirâmide funciona da seguinte forma: primeiro se monta uma lista com 10 pessoas. Há uma probabilidade de os nove primeiros serem de mentira. Depois mais 10 pessoas entram no esquema. Elas recebem a lista inicial e pagam um bônus ao primeiro da lista (trapaceiro) e substituem o nome do fantasma pelo seu.

Uma nova lista é criada e vendida mais 10 pessoas. O esquema se repete pelo menos por dez rodadas, fazendo com que a primeiras pessoas que comprou a lista espere nove rodadas para começar a receber algum dinheiro.

Cada pessoa pode criar sua lista com 10 nomes, o que gera a fantasia de que todos mundo vai ficar rico. Há um problema de povoamento terrestre o que faz que a pirâmide fatalmente quebre gerando um prejuízo sem tamanho. Na décima rodada seria preciso a participação de 10 bilhões de pessoas.






Luís Nassif prestou um serviço público em seu blog denunciando esse golpe. E foi atacado virtualmente por isso. Se é tão simples assim tirar um site do ar, imaginem se a neutralidade de rede não for aprovada no debate sobre o marco civil da internet no Congresso Nacional. A solidariedade ao Nassif é solidariedade à liberdade na rede mundial de computadores.

sábado, 9 de março de 2013

Censura tucana em Goiás. Cadê os discursos da liberdade de imprensa?

Publicado originalmente no Blog do Miro

Saiu ontem na coluna de Ilimar Franco, no jornal O Globo:
"O governador Marconi Perillo (PSDB-GO) conseguiu liminar na Justiça proibindo uma jornalista de seu estado de escrever seu nome, sob pena de pagar multa diária. A decisão é da juíza Luciana Silva. Marconi se sentiu ofendido por textos de Lênia Soares, críticos à sua gestão e às relações obscuras com o contraventor Carlos Cachoeira."
Esta não é a primeira vez que o tucano persegue jornalistas e golpeia a liberdade de expressão. Conforme lembra Altair Tavares, do blog Diário de Goiás, a prática já é comum no estado, que virou o território da censura. Mas neste caso, porém, a ação beira o ridículo. “Ele conseguiu uma liminar que proíbe a jornalista de citar o nome do governador nas redes sociais e em outros locais, em qualquer situação: positiva, negativa ou neutra. A decisão é inédita em Goiás, por causa de conteúdo divulgado nas redes sociais”.

Marconi Perillo já era conhecido por silenciar a mídia local com milionários anúncios publicitários e a nomeação de jornalistas para cargos no governo. Ele também já perseguia repórteres. Mas, com a eclosão do escândalo que revelou suas “relações obscuras” com o mafioso Carlinhos Cachoeira, ele recrudesceu na sua postura autoritária. O grão-tucano, que posava de paladino da ética e até nutria o sonho da candidatura presidencial, passou a ser apontado como “laranja” da quadrilha. Daí o seu ódio aos jornalistas críticos.

Conforme lista Altair Tavares, desde a revelação do caso, o tucano já processou vários jornalistas e ativistas das redes sociais. Em meados do ano passado, em plena CPI do Cachoeira, ele tentou calar três repórteres no estado. “A jornalista de O Popular, Fabiana Pulcinelli, foi acionada por uma interpelação judicial no dia 22 de maio. Henrique Morgantini, do jornal O Anápolis, foi processado com pedido de indenização, no dia 29 de maio”. Ele também abriu processos contra blogueiros e twitteiros e censurou programas de rádio.

Diante desta escalada autoritária, qual a atitude das entidades dos barões da mídia, como Abert e ANJ, que adoram bravatear sobre a liberdade de expressão? E a Sociedade Interamericana de Prensa (SIP)? De 8 a 11 de março, ela estará novamente reunida no México. Já estão confirmadas as presenças do ex-presidente FHC e da dissidente cubana Yoani Sánchez. Seria uma excelente oportunidade para a SIP emitir uma dura nota contra a censura do governador tucano de Goiás e em defesa da liberdade de expressão. A conferir!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Para a Secretaria de Turismo o 8 de Março se limita a flores e bombons

É muito fácil, ao fazer homenagem ao Dia Internacional da Mulher, que se opte pelo caminho da futilidade. Isso é grave quando ela vem de indivíduos ou de empresas que tentam faturar com a data. Mas é mais grave ainda quando ela vem do poder público, pois aí demonstra uma falta completa de sintonia e conhecimento das políticas públicas para as mulheres que já estão presentes em todas as esferas governamentais (leia aqui).

A programação da "Semana da Mulher" pela prefeitura municipal até que não desbancou para esse lado. Diferente dos outros anos com atividades de gosto duvidoso, ou do que aconteceu na prefeitura de Porto Alegre que utilizou como slogan "Só uma mulher sabe o que é perder uma chave na bolsa". Essa "campanha", inclusive, teve tanta repercursão negativa que foi tirada do ar menos de 1 hora depois de iniciada.

Mesmo assim, em Caxias do Sul, ainda houve escorregão, o que demonstra a completa falta de noção de alguém que é agente público. A Secretaria do Turismo, dirigida pro Drica de Lucena (PP), resolveu achar que o 8 de março é sim um dia de futilidades. As servidoras mulheres receberam "uma caixinha, contendo mimos, para cada uma delas e também ofereceram um café da manhã com bolo, salgadinhos e outras delícias da culinária caxiense.", como foi descrito no release enviado pela Assessoria de Imprensa do SEMTUR.

Em seu discurso a Secretária ainda ressaltou a "delicadeza da homenagem" e tascou: "Isso é mais uma demonstração da unidade de nossa equipe. Há ocasiões em que os atos dizem mais do que palavras”.

Concordamos com a Secretária são com atos como esses que entendemos qual a orientação política que acha que a mulher deve ser considerada fraca, subalterna e interessada em banalidades e quais defendem uma igualdade entre os gêneros.

Quem entende de feminismo?

Hoje, 8 de março, comemora-se o dia Internacional da Mulher. Flores, Perfumes, homenagens.... Tudo muito rosa e delicado. Mas será que é disso que as mulheres precisam? É isso que representa o 8 de março?

No início desta semana Caxias se deparou com um caso de estupro que estarreceu a cidade, quando uma mulher foi abandonada na Estação Férrea nua, ferida e com sinais de abuso. Aliás, diariamente, centenas de mulheres são violentadas, física, moral e economicamente em nossa cidade. Atrás de cada caso sem denúncia, não há um ser humano que gosta de apanhar, mas uma pessoa humilhada, dependente, muitas vezes, econômica e psicologicamente de seu agressor.

Não é a posição de vítimas que as mulheres buscam, mas a igualdade de direitos e oportunidades com os homens. Pois não; não há igualdade! Afinal, as mulheres...

... recebem salários, em média, 30% menores que o dos homens;

... sofrem violência doméstica;

... destinam 26,6 horas semanais ao trabalho doméstico, enquanto os homens apenas 10,5;

... têm sua capacidade intelectual menosprezada;

... sofrem a mercantilização de seus corpos e de suas vidas;

... são responsabilizadas pelas tarefas de cuidado da família;

E, por tudo isso, as mulheres ocupam muito menos espaços de direção, cargos públicos e políticos. As mulheres têm menos poder que os homens.

Muitos dirão que hoje já está tudo igual. Até mulher Presidenta o Brasil já tem. Pois a Dilma é a exceção da exceção, já que os homens são mais de 90% dos políticos eleitos no país.

O que querem as feministas?

IGUALDADE!

LIBERDADE!

RESPEITO SEM PRECONCEITO!