quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Maioria dos deputados aprova projeto de lei que garante aposentadoria especial aos parlamentares

Foto: Wilson Cardoso
Por 29 votos a 14, os deputados estaduais aprovaram, na tarde desta terça-feira, o projeto de lei complementar que cria um plano de aposentadoria especial para os parlamentares. O projeto de autoria da mesa diretora, presidida pelo deputado Gilmar Sossela (PDT) prevê que um deputado com 35 anos de exercício de mandato e 60 anos de idade terá direito a aposentadoria integral, paga pela Assembleia. Para isso, contribuirá todos os meses com 13,25% do seu subsídio (atualmente de R$ 20.042,34).

Os deputados ainda poderão contabilizar o tempo de outros mandatos no Legislativo estadual, federal ou municipal, desde que façam a contribuição equivalente. Os parlamentares também terão direito a se aposentar por invalidez e, em caso de morte, poderão deixar pensão para os dependentes.

O projeto vai agora para sanção do governador Tarso Genro, que já se manifestou contra a proposta. 

Os votos favoráveis ao projeto vieram, majoritariamente, da futura bancada governista de sustentação do governador José Ivo Sartori (PMDB) que durante a campanha tinha como um dos únicos discursos a economia de recursos públicos. Questionado sobre o que achava do projeto, hoje na Rádio Guaiba, Sartori desconversou dizendo que não emitia opinião sobre um outro poder. Questionado novamente disse que não poderia falar.

Os votos contrários vieram da bancada do PT e dos deputados Vinícius Ribeiro (PDT) e Jorge Pozzobom (PSDB).

Ninguém defendeu o projeto em plenário. Apenas o deputado Raul Pont (PT) utilizou a tribuna para debater e criticar o projeto. Pont qualificou o projeto como inoportuno, equivocado e privilegiador de uma parcela pequena, que vai na contramão daquilo que foi votado na reforma da previdência, nos anos de 1997 e 98, quando se fortaleceu a ideia de um único regime geral de previdência para os servidores públicos.

O projeto, argumentou ainda o deputado petista, “fere diretamente a Lei de Responsabilidade Fiscal que, em seu artigo 21, diz ser ato nulo qualquer mudança que venha a ocorrer até seis meses antes do fim de mandato da atual legislatura, incluindo despesa de pessoal”. “Não há previsão de gastos, nem cálculo atuarial e nem prazo de carência”, afirmou, lembrando que os deputados que formam a atual oposição ao governo do Estado sempre cobraram cálculo atuarial nas previsões de gastos mas, agora, para benefício próprio, esquecem disso quando os custos para seu benefício pessoal sairão do erário público. E acrescentou:

“Este projeto não passou por nenhuma comissão, veio na surdina, atropelou a todos em uma semana e marcará este parlamento, mais uma vez, como uma instituição que só pensa em benefício próprio. É constrangedor, um desserviço ao processo democrático”.

Veja como cada deputado votou.

Trabalho 10: Fecha um dos mais importantes programas sociais de Caxias do Sul

Em dezembro de 2014, após formar mais de 11 mil pessoas, o Trabalho 10 fecha suas portas. Os
Formatura Trabalho 10
motivos são um tanto quanto obscuros e parece que não há entidades na cidade que topem levar o programa adiante.

Lançado em 2002, ainda no Governo Pepe Vargas (PT), o Trabalho 10 possuía, no início, ligação com o Programa Fome Zero do Governo Federal.

O Programa tem por objetivo dar formação profissional a pessoas carentes, e é exemplo de assistência social não paternalista. Ao longo de 12 anos de existência, foram oferecidos diversos cursos, como cabeleireiro, manicure, LID e metrologia, panificação, confeitaria, informática e garçom, dando a milhares de pessoas mais uma chance de se reerguer de um sistema que achata os pobres e não oferece a tão propagada igualdade de oportunidades.


A Prefeitura, que sempre faturou em cima da entidade, apresentando-a como uma façanha dos Governos Sartori (o programa apareceu na propaganda eleitoral do PMDB ao Governo estadual) e Alceu, agora não move uma palha para que sejam mantidos os trabalhos. É muito mais fácil colher os louros de um programa de sucesso, do que achar uma saída.

Prefeitura se adonou do programa e nada fez para mantê-lo
A partir de 2015, Caxias perde, a sociedade perde. Milhares de pessoas que seriam empoderadas e emancipadas, agora terão que buscar a iniciativa privada para ter uma formação profissional seriada e economicista. Um dano irreparável.

Importante registrar também que, devido a dívidas, está fechando as portas o Programa Fonte de Apoio, que atendia presidiários e no último ano estava direcionado ao atendimento de idosos.

E assim a assistência social do município, que em sua maioria é promovida por ONG's e trabalhos voluntários, vai despencando ladeira abaixo. Por quanto tempo ainda a FAS vai se escorar no voluntariado?

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A Cultura do Estupro no Brasil: o país em que 1 mulher é estuprada a cada 4 minutos

Hoje, dia 25 de novembro, é o Dia de Combate à Violência contra a Mulher. O texto abaixo retrata uma das formas brutais de violência sofrida por milhares de brasileiras todos os anos:


por Sirlanda Mª Selau da Silva*

Nesta terça-feira, 11/11/2014, foi divulgado o Anuário Nacional de Segurança Pública em que registra que no ano de 2013, pelo menos 143 mil mulheres foram vitimas de estupro, o que por sua
vez, corresponde à ocorrência de 1 estupro a cada 4 minutos no Brasil.

Este número, já alarmante, não necessariamente representa a totalidade dos casos, haja vista que se trata de um fenômeno sub-notificado, ou seja, nem todas as mulheres que suportam essa violência levam a conhecimento da autoridade policial, por medo ou vergonha.

A cultura do estupro se insere no seio das diversas violências suportadas pelas mulheres, fundadas nas persistentes desigualdades de gênero, em que elas acabam pagando com o corpo, e muitas vezes com a vida, pelas relações sociais que se estabelecem a partir de uma lógica patriarcal e machista.

A violência contra a mulher, por seu turno, se consolida pela naturalização dessas diversas formas de violência, em que se constroem a falsa ideia de que a violência faz parte do destino das mulheres, o que geralmente enseja que a vítima passe a condição de culpada, quando se buscam motivos, no seu próprio comportamento, para justificar a ocorrência do estupro. Tal afirmação se verifica nos dados produzidos pelo IPEA, em março desse ano, na pesquisa sobre tolerância social à violência contra a mulher, em que 65,1% dos entrevistados manifestaram que a culpa pelo estupro é da mulher, na medida em que elas: "não sabem se vestir"; "não se comportam adequadamente"; que existe "mulher para casar e outras para ir para a cama", entre outras.

Por outro lado, a impunidade dos violadores, reforça este ambiente de violência, na medida em que a ausência de efetiva punição, ao mesmo tempo em que desestimula as vitimas de registrarem as ocorrências policiais, acaba por estimular e naturalizar a prática do estupro. Obviamente, a punição por si não basta, o enfrentamento desta forma gravíssima de violência, passa pela transformação das relações havidas entre homens e mulheres, especialmente pela promoção da igualdade, permitindo o exercício de uma nova cultura.

Todavia, a notificação deste tipo de violência é de fundamental importância, para que se tenha a dimensão mais adequada do fenômeno, viabilizando ações pelo Estado e pela sociedade, no sentido de seu efetivo enfrentamento, haja vista que a construção de um ambiente de igualdade para as mulheres, passa pelo respeito e promoção da autonomia e inviolabilidade de seu corpo. E ainda, nesta perspectiva, para que a vítima acesse os serviços de atendimento, especialmente no campo da saúde, em vista de prevenir os desdobramentos do estupro, tais como a gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis, cuidados psicológicos, entre outras.


*Advogada, Mestranda em Ciências Sociais pela UNISINOS, militante feminista da Marcha Mundial das Mulheres-RS

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Crônica do Santa Catarina, ou o dia que o pijama foi parar na delegacia

Faz cinco dias que estamos lendo a repercussão do caso da revista das mochilas dos alunos na Escola Estadual Santa Catarina. A diretora da escola, Ione Brandalise Biazus, foi alçada, inclusive, ao status de "Dom Quixote da boa educação", já que ela estava lutando, sozinha, contra um modelo onde os pais, o governo, a sociedade, não se interessa pela educação.

Pouca gente se perguntou, e os meios de comunicação não se deram o trabalho, de falar com os outros envolvidos no caso, os alunos. Nem ao menos se preocuparam e desvendar o que realmente tinha acontecido.

Se você acredita que a diretora da escola estava preocupada com a entrada de drogas, ou até armas, na escola. Lamento. Essa não é toda a verdade.

O imbróglio todo começou com uma "tradição" que os terceiros anos do ensino médio fazem há bastante tempo. A brincadeira, infantil diga-se de passagem, e copiada de seriados de humor norte-americanos, é de usar pijama em um dia de aula.

Imaginem o horror numa escola que a diretora acha que é a última bolachinha recheada do pacote um dia onde todos os alunos estão de pijama. Mais horrorizada ela fica quando meninos usam pijama de menina e vice-versa.

Obviamente nenhum aluno vai vestido de pijama para a escola. Eles levam na mochila e trocam antes de entrar na sala de aula. Para evitar essa cena é que foi implementada a revista das mochilas no dia programado desse trote. E deu no que deu. Se a preocupação fosse, realmente, pela segurança dos estudantes não haveria uma gritaria generalizada de pais e de alunos. O barulho só foi grande porque algo, realmente estava muito errado.

O erro é a absoluta falta de controle da direção da escola em relação à comunidade escolar. Em sua entrevista ao jornal Pioneiro, sábado (22) e reprisada pela Zero Hora de hoje (24), ela fala de uma série de ações que a escola proporciona através de atividades extracurriculares, fala de palestras de conscientização, de valorização, etc. Parece que nada disso fez muito efeito, já que a imensa maioria optou pela brincadeira.

Há muito tempo a Escola Santa Catarina acha que deve trabalhar fora das diretrizes estabelecidas pelo governo (qualquer que seja). Há cobranças ilegais de taxas, imposições de regras e até um pouco tempo atrás pagamento, por fora, para professores.

Nada disso parece ter o efeito apregoado. Muitos antes pelo contrário. Tem demonstrado que a direção da escola não se relaciona com a comunidade escolar e isso acaba gerando momentos de tensão que são resolvidos, como o caso, parando todo mundo na delegacia.

Em sua entrevista a diretora tenta desesperadamente dizer que a sua preocupação é a entrada de drogas dentro da escola, como se a Escola Santa Catarina fosse uma cracolândia, a insistência é tanta por que ela precisa justificar que a caça ao contrabando de pijama foi parar na delegacia.

Infelizmente a reação de uma parte da sociedade, principalmente aquela que não tem nada a ver com a escola, é de apoiar atitudes destrambelhadas como essa. O principal discurso é "quem não deve não teme". O discurso tem que ser justamente o contrário. Estudantes não são criminosos por antecedência. Não podem ser considerados todos culpados, para que alguns, os verdadeiros culpados sejam punidos. A política implementada é a de jogar a água, a bacia e criança fora. A mensagem que a direção está passando é: Se você tem alguma relação de poder, você deve exercê-lo para impor sua verdade aos outros.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Nunca se roubou tão pouco

Fonte: Ricardo Semler, empresário

Não sendo petista, e sim tucano, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país

Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito.

Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula.

Os porcentuais caíram, foi só isso que mudou. Até em Paris sabia-se dos "cochons des dix pour cent", os porquinhos que cobravam 10% por fora sobre a totalidade de importação de barris de petróleo em décadas passadas.

Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia. Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão --cem vezes mais do que o caso Petrobras-- pelos empresários?

Virou moda fugir disso tudo para Miami, mas é justamente a turma de Miami que compra lá com dinheiro sonegado daqui. Que fingimento é esse?

Vejo as pessoas vociferarem contra os nordestinos que garantiram a vitória da presidente Dilma Rousseff. Garantir renda para quem sempre foi preterido no desenvolvimento deveria ser motivo de princípio e de orgulho para um bom brasileiro. Tanto faz o partido.

Não sendo petista, e sim tucano, com ficha orgulhosamente assinada por Franco Montoro, Mário Covas, José Serra e FHC, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país.

É ingênuo quem acha que poderia ter acontecido com qualquer presidente. Com bandalheiras vastamente maiores, nunca a Polícia Federal teria tido autonomia para prender corruptos cujos tentáculos levam ao próprio governo.

Votei pelo fim de um longo ciclo do PT, porque Dilma e o partido dela enfiaram os pés pelas mãos em termos de postura, aceite do sistema corrupto e políticas econômicas.

Mas Dilma agora lidera a todos nós, e preside o país num momento de muito orgulho e esperança. Deixemos de ser hipócritas e reconheçamos que estamos a andar à frente, e velozmente, neste quesito.

A coisa não para na Petrobras. Há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário. É raro ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas.

O que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras.

É lógico que a defesa desses executivos presos vão entrar novamente com habeas corpus, vários deles serão soltos, mas o susto e o passo à frente está dado. Daqui não se volta atrás como país.

A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa de 5% há poucas décadas. O roubo está caindo, mas como a represa da Cantareira, em São Paulo, está a desnudar o volume barrento.

Boa parte sempre foi gasta com os partidos que se alugam por dinheiro vivo, e votos que são comprados no Congresso há décadas. E são os grandes partidos que os brasileiros reconduzem desde sempre.

Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento sem recibo para médico, deu uma cervejinha para um guarda ou passou escritura de casa por um valor menor?

Deixemos de cinismo. O antídoto contra esse veneno sistêmico é homeopático. Deixemos instalar o processo de cura, que é do país, e não de um partido.

O lodo desse veneno pode ser diluído, sim, com muita determinação e serenidade, e sem arroubos de vergonha ou repugnância cínicas. Não sejamos o volume morto, não permitamos que o barro triunfe novamente. Ninguém precisa ser alertado, cada de nós sabe o que precisa fazer em vez de resmungar.

Derrubado parecer de inconstitucionalidade ao projeto de devolução simbólica dos mandatos de vereadores cassados em 1964

Projeto prevê devolução, simbólica,
dos mandatos cassados em 1964
Por 21 votos a 1 foi derrubado o parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Legislação (CCJL), da Câmara de Vereadores, que estabelecia como inconstitucional o projeto de lei do vereador Henrique Silva (PCdoB), que devolve, de maneira simbólica, os mandatos dos vereadores cassados pelo golpe de 1964.

O projeto do comunista anula a sessão da Câmara de Vereadores de 20 de abril de 1964, 19 dias depois do Golpe, que cassou os direitos políticos de Percy Vargas de Abreu e Lima, titular, e os suplentes Alaor Irani Rocha, Andradina M. O. Gonçalves, Antônio Lisboa da Silva, Armin Damian, Clóvis Antônio Sperandio, Darcy Gonçalves, Enio Fávero, Ernesto Bernardi, Henrique Ordovás Filho, João da Silva Ramos, José Antônio Finimundi, Leovegildo Nery de Campos, Luiz Pizzetti, Nilo José Corte, Pedro Myrtes de Lima Vargas ,Renato Darci Ribeiro Viero e Ruy da Silva Britto.

Todos eram membros da Aliança Republicana Socialista (ARS) e foram cassados por serem comunistas. Muitos anos depois tanto Percy Vargas, quanto Henrique Ordovás, foram homenageados com a identificação de dois centros culturais em Caxias com seus nomes.

O projeto teve parecer contrário na CCJL do vereador Flávio Cassina (PTB). A argumentação é que o projeto quebraria com a harmonia entre os poderes já que um mandato de segurança foi impetrado, ainda em 1964, contra a decisão da Câmara. Apesar de vitoriso, Percy não voltou mais a ser vereador.

Henrique contrapôs o relator ao afirmar que "o projeto de resolução que apresentou busca rever o ato legislativo de 1964, e não a referida decisão judicial". O projeto aguarda agora para ser votado em plenário.

A proposta do vereador Henrique Silva não prevê geração de despesas a partir do ato de devolução dos mandatos.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Após prometer oposição incansável, Aécio se mantém distante do Congresso

Após promover um show, ao ser recebido por correligionários em sua volta ao Senado e dizer na tribuna que seria uma "oposição incansável" ao governo federal, o ex-candidato a presidente Aécio Neves (PSDB) cansou.

Das 11 sessões em plenário, do Senado, Aécio só compareceu a 5. Faltou mais da metade. Isso sem contar o trabalho nas comissão representativas, que ele também está ausente. O levantamento foi feito analisando o Diário do Senado e o registro de presença da casa. Segundo a assessoria de imprensa do tucano, ele tirou esta semana para descansar.

E a semana não foi tranquila no parlamento. Esteve em discussão no Senado o projeto que modifica o teto do superavit primário, as novas denuncias da Lava Jato, a prisão de empreiteiros, convocação de depoentes para CPI, além de outros temas que foram pauta de votação. 

Ao ser questionado pelo Broadcast Político se cogitava fazer parte da nova CPI da Petrobrás que a oposição pretende instalar no ano que vem, Aécio indicou que vai manter uma atuação mais nos bastidores do que no dia a dia do Congresso. "Eu acho que o meu papel não é ficar lá sentado na CPI o dia inteiro, mas cobrar que ela apresente resultados", reconheceu.

Ao que parece, longe dos holofotes, a vida de ausência do trabalho irá continuar com a mesma rotina dos primeiros quatro anos de mandato, ou seja, com pouca assiduidade.

Com informações do Jornal Estado de São Paulo

Maioria dos vereadores é contra a participação popular

Uma moção de repúdio ao Decreto Federal 8.243/2014, que cria a Política Nacional de Participação Social (PNPS), obteve o apoio da maioria do plenário caxiense (13 favoráveis,  4 contrários, 4 ausentes e 1 abstenção). De autoria dos vereadores Guila Sebben (PP) e Flávio Cassina (PTB), o texto da moção foi aprovado durante a sessão ordinária desta terça-feira (18).

Na opinião dos autores "os deputados e senadores são os legítimos representantes do povo".

O PNPS, busca instituir uma política de participação "com o objetivo de fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil".

Portanto, como o próprio decreto diz é uma coisa muito diferente do que os autores da moção sugerem, de que o Decreto é uma limitação dos papeis do poder legislativo. Esse discurso, na verdade é antigo. Quando se implantou o Orçamento Participativo (OP) o discurso dos setores conservadores é que o OP restringia o papel dos vereadores, que era de fazer o orçamento. O que eles queriam, na verdade era poder negociar, direto com o Executivo, obras para seus currais eleitorais. Isso é tão verdade que hoje o OP, que virou OC, praticamente só serve para acomodar CCs.

Maior participação da sociedade nas decisões do país foi um dos grandes temas das manifestações de junho de 2013. Alheios a esses pedidos a maioria dos vereadores de Caxias do Sul tem diminuído o acesso da população aos poderes de decisão. Um exemplo é a mudança do horário das sessões que impediu, quase que por completo, a participação de cidadãos (que já era pequena).

Guila Sebben, inclusive, parece que não viu nenhuma contradição ao questionar a possibilidade da população participar dos rumos do governo. Em junho de 2013 ele estava em uma das manifestações distribuindo bandeiras do Brasil aos manifestantes (veja aqui). Talvez ele não tenha entendido o recados das ruas, ou queria que a mensagem fosse outra.

Veja abaixo quem votou contra a participação popular. Voto SIM é favorável a moção de repúdio ao PNPS.

ARLINDO BANDEIRA PP Sim

CLAIR DE LIMA GIRARDI PT Não

DANIEL ANTONIO GUERRA PRB Sim

DENISE DA SILVA PESSÔA PT Ausente

EDI CARLOS PEREIRA DE SOUZA PSB Sim

EDSON DA ROSA PMDB Sim

FELIPE GREMELMAIER PMDB Sim

FLÁVIO GUIDO CASSINA PTB Sim

FLÁVIO SOARES DIAS PTB Ausente

GUILHERME GUILA SEBBEN PP Sim

GUSTAVO LUIS TOIGO PDT Presidente

HENRIQUE SILVA PCdoB Ausente

JAISON BARBOSA PDT Ausente

JOÃO CARLOS VIRGILI COSTA PDT Não Votou

MAURO PEREIRA PMDB Sim

NERI ANDRADE PEREIRA JUNIOR SD Sim

PEDRO JUSTINO INCERTI PDT Sim

RAFAEL BUENO PCdoB Não

RAIMUNDO BAMPI PSB Sim

RENATO DE OLIVEIRA NUNES PRB Não

RODRIGO MOREIRA BELTRÃO PT Não

WASHINGTON STECANELA CERQUEIRA PDT Sim

ZORAIDO DA SILVA PTB Sim

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Briga no PTdoB gaúcho passa a ser estadual. Todos contra Sarapio

O presidente estadual do Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB) é velho conhecido nosso. Natalino Sarapio foi Cargo de Confiança (CC) da prefeitura de Caxias do Sul, durante o governo Sartori (PMDB) e se notabilizou pelo uso de dinheiro público para a confecção de material partidário.

Nas suas idas e vindas ele alçou o posto de presidente estadual do partido. Na direção estadual Sarapio também se notabilizou em gerar confusão. Aliado de primeira hora de Sartori (quando o candidato do PMDB tinha 4% das intenções de votos), o PTdoB espera receber um belo quinhão na divisão de cargos do governo.

Fontes, muito bem informadas, falam em cerca de 190 CCs, em vários escalões do governo. Com pouco mais de 3800 filiados no estado ficaria até difícil completar a lista toda. Mas mesmo com tantas benesses vindouras os problemas não acabam.

Em Caxias do Sul há uma guerra declarada. Marcelo Bufon, eleito presidente municipal da legenda na mesma época que Sarapio foi eleito presidente estadual, foi destituído do cargo, por telefone, por Sarapio. Em seu lugar seria empossado Leo Brito.

O real motivo da destituição, segundo Bufon, seriam as eleições de 2014. Sarapio concorreu a deputado federal e fez 3539 votos. Bufon concorreu a estadual e obteve 621 votos.

Durante a campanha o Polenta News recebeu uma denúncia, de um designer de Pelotas, que teria trabalhado na produção de peças publicitárias para Sarapio, e outros candidatos do PTdoB, e não teria recebido. Ele conta que cobrou pelo trabalho três parcelas de R$ 2.500,00, que seriam pagas em julho, agosto e setembro. "Ele marcou por várias vezes para efetuar o pagamento mas não realizou. Primeiro era dia 1º, depois dia 10, depois dia 15 e até hoje [30 de setembro] nada. Cobrei ele e ele mandou eu procurar meus direitos", falou indignado em uma mensagem que recebemos pelo Facebook.

Na prestação de contas, apresentada por Sarapio e divulgada pelo TSE, o candidato afirmou ter gasto R$ 7.640,38. Não aparece nenhuma despesa de produção de material gráfico, nem mesmo impressão de panfletos, adesivos, faixas, cavaletes, ou assemelhados. Para a justiça eleitoral Sarapio fez campanha no boca a boca.

Na denúncia do designer que foi, aparentemente logrado, ele nos manda um print screen (foto da tela) de uma fan page do candidato (foto abaixo).



Dentro do PTdoB, estaria neste momento ocorrendo uma movimentação visando tirar Sarapio da jogada, da presidência, e quem sabe, conforme os mais exaltados, do próprio partido. Ainda nesta semana, pode ser que tenhamos alguma novidade.

Com informações do Blog Direto de Viamão

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Esquema na Petrobras existe "há pelo menos 15 anos", diz MPF


Se você não leu esta informação antes, não se sinta culpado. Ela foi mesmo escondida pela imprensa brasileira de forma deliberada.

No parecer em que pede à Justiça Federal do Paraná o bloqueio dos bens das empreiteiras alvo da fase "Juízo Final" da Operação Lava Jato, o Ministério Público Federal afirma que o esquema criminoso investigado atua na estatal ao menos desde 1999, quando o Brasil era presidido por Fernando Henrique Cardoso e a Petrobras comandada por Henri Philippe Reichstul. Subscrito pelo procurador regional Carlos Fernando dos Santos Lima e pelos procuradores Roberson Henrique Pozzobon e Diogo Castor de Mattos, o pedido é um dos tópicos da peça de 98 páginas em que o MPF resume as provas e indícios contra as empreiteiras produzidos pela Polícia Federal.

Na página 97, afirmam os procuradores: “Muito embora não seja possível dimensionar o valor total do dano é possível afirmar que o esquema criminoso atuava há pelo menos 15 anos na Petrobras, pelo que a medida proposta (sequestro patrimonial das empresas) ora intentada não se mostra excessiva”. De acordo com o MPF, as empreiteiras a terem no mínimo 10% de seus ativos bloqueados firmaram juntas ao menos 59,5 bilhões de reais em contratos com a Petrobras.

O juiz Sergio Moro negou o pedido de bloqueio dos ativos das empresas, temendo a quebra das companhias.. Argumenta o juiz: “Considerando a magnitude dos crimes e o tempo pelo qual se estenderam, não há condições de bloquear de imediato 5% ou 10% do montante dos contratos celebrados com a Petrobras ou mesmo sobre estimado ganho ilícito da empresa, sob pena de imediatos problemas de liquidez e de possível quebra das empresas, sendo de se lembrar que tratam-se das maiores empreiteiras do país e ainda envolvidas em diversas obras públicas espalhadas no território nacional, com o que a medida teria impactos significativos também para terceiros.”

Embora tenha negado o pleito do MPF, Moro concordou em bloquear valores em nome de 17 investigados, sendo o limite máximo para bloqueio de 20 milhões de reais para cada alvo. No documento em que pede o bloqueio das contas de Camargo Corrêa, OAS, Mendes Junior, Engevix, Queiroz Galvão, Iesa Óleo e Gás e Galvão Engenharia, os procuradores também detalham como atuavam cada uma das empresas em conluio com o doleiro Alberto Youssef.

Quinze anos atrás, Reichstul se notabilizou pela tentativa de mudar o nome da Petrobras para Petrobrax. Seria uma forma de começar a prepará-la para uma eventual privatização. Diante da resistência, a mudança na marca foi arquivada. Outra polêmica da era Reichstul foi a troca de ativos com a espanhola Repsol no apagar das luzes do governo FHC – em análise pela Justiça, o caso já chegou aos tribunais superiores com estimativas de prejuízos bilionários para a Petrobras.

Essa investigação que junta Ministério Público Federal, Justiça Federal e Polícia Federal, é uma das primeiras que está incluindo os corruptores (empresas que pagam propina). E mais, será a primeira vez que elas poderão ser punidas, isso porque uma nova lei anticorrupção que foi sancionada pela presidenta Dilma e passou a valer esse ano punirá com mais rigidez quem promove a corrupção. Até essa lei quem pagava propina era quase considerado vítima, quando, muitas vezes, era o principal responsável pelo crime.

Com informações da Carta Capital e Brasil 247

Boechat critica memória falha e oportunismo de FHC

O jornalista Ricardo Boechat comentou nesta segunda-feira, dia 17, no seu programa na Band News FM a Operação Lava Jato realizada pela Polícia Federal. O jornalista afirma que sempre houve gente roubando na Petrobras, independentemente da gestão – foi assim em todos os últimos governos que passaram pelo Palácio do Planalto.

O comentário de Boechat ganhou repercussão imediata no meio político em todo País. As afirmações passaram a ser pauta de conversas ao longo do dia no meio político especialmente em São Paulo e Brasília.

“O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso veio a público para dizer que sentia vergonha do que estava acontecendo na Petrobras. Eu queria fazer a seguinte observação: Acho que ele [Fernando Henrique Cardoso] está sendo oportunista quando começa a sentir vergonha com a roubalheira ocorrida na gestão alheia. É o tipo de vergonha que tem memória controlada pelo tempo. A partir de um certo tempo para trás ou para frente você começa a sentir vergonha, porque o presidente Fernando Henrique Cardoso é um homem suficientemente experiente e bem informado para saber que na Petrobras se roubou também durante o seu governo. 'Ah, mas não pegaram ninguém!” Ora presidente! Dá um desconto porque só falta o senhor achar que na gestão do Sarney não teve gente roubando na Petrobras. Na gestão do Fernando Collor não teve gente roubando na Petrobras. Na gestão do Itamar Franco não teve gente roubando na Petrobras. A Petrobras sempre teve em maior ou menor escala denúncias que apontavam desvios. Eu ganhei um Prêmio Esso em 89 denunciando roubalheira na Petrobras. […] A Petrobras sempre foi vítima de quadrilhas que operavam lá dentro formada por gente dos seus quadros ou que foram indicados por políticos e por empresários, fornecedores, empreiteiras. Então essa vergonha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é sim uma tentativa de manipulação política partidária da questão policial”, disse Boechat.

Boechat não tinha como ser mais claro. Em pelo menos 30 anos essa foi a única investigação que realmente foi feita sobre casos que se repetiam, se repetiam e se repetiam. Mais importante. Essa foi a única vez que os corruptores (aquele que paga a propina) estão sendo acusados e presos. Sua fala é derradeira. Querer imputar, ao atual governo, a exclusividade pela corrupção dentro da Petrobrás é uma clara tentativa de manipulação da informação.

Ainda no seu comentário Boechat falou sobre as manifestações desse final de semana.  "Quem está pedindo o impeachment, mesmo que não peça a volta da ditadura militar está trabalhando com o mesmo DNA golpista, o mesmo tipo de idiotice, de imbecilidade, porque a Dilma, queiram ou não, foi eleita legitimamente não pelos nordestinos como parte deles prefere de forma neurótica e preconceituosa propagar, mas pelos mineiros que Aécio Neves governou, cariocas e fluminenses que jamais foram dados a votar em governantes da situação. Então ela foi eleita pela maioria dos votos do Brasil. Pronto, acabou, vira essa página e vamos em frente”, comentou Boechat.

Veja abaixo o áudio completo do comentário de Ricardo Boechat na Bandenews FM.


Má vontade do Governo Municipal deixa moradores do interior sem sinal de celular

A partir de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da CPI da Telefonia feito entre as empresas
de telefonia e o Ministério Público Estadual, ficou definido que a empresa Vivo deveria colocar antenas de celular em diversas localidades do interior.

A Vivo pediu autorização da Prefeitura Municipal de Caxias do Sul, ainda em 2013, para instalar uma antena em Criúva, distrito mais distante do centro de Caxias. Na época, o prefeito Alceu Barbosa Velho (PDT) disse que a administração municipal estava à disposição da operadora para agilizar a instalação da nova torre.

Como todos podem imaginar, é comum que na área rural da cidade e em locais muito distantes, os moradores fiquem sem acesso ao celular, devido a falta de sinal.

Uma das cláusulas do TAC permite que a substituição da antena de determinada localidade por qualquer outra se a empresa tiver dificuldades no licenciamento.

A Prefeitura de Caxias do Sul indeferiu o pedido de instalação da antena e após o pedido de reconsideração da operadora, o processo ficou parado. Assim, a Vivo optará por instalar uma antena em outra localidade, possivelmente fora de Caxias. 

Assim, por inércia e má-vontade da Prefeitura, os moradores de Criúva ficarão ainda muito tempo sem sinal de celular.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Prefeito chancela uso de dinheiro público para melhorias em área privada?

A pergunta do título é bastante pertinente. Na semana passada divulgamos a denúncia de uso de servidores públicos, caminhões e equipamentos da Secretaria de Obras e da Codeca para melhorias de uma área particular (leia aqui).

Apesar de reclamações da comunidade de Vila Oliva e da indignação que gerou em moradores que não tem seus pedidos de manutenção atendidos, as obras continuaram e o prefeito, Alceu Barbosa Velho (PDT), participou faceiro do evento.

A área onde é realizado o rodeio é privada. De propriedade do sub-prefeito. Então tudo bem usar dinheiro público para fazer a infraestrutura de uma festa privada, em uma propriedade privada?

O silêncio da prefeitura diz tudo.

sábado, 15 de novembro de 2014

Ato convocado pelo PSDB reune menos de 100 pessoas em Caxias

Convocado pelo PSDB, que tenta desesperadamente um terceiro turno nas eleições nacionais, um ato contra o governo Dilma reuniu menos de 100 pessoas na praça Dante Alighieri, na tarde desse sábado (15).

Como tem sido praxe nessas manifestações cartazes com palavras de ordem  e discursos sem nexo são comuns. Faixas com os dizeres "Fraudes nas Urnas - Novas Eleições", por exemplo, não questionam o fato de que José Ivo Sartori foi eleito nas mesmas urnas e na mesma eleição que estaria fraudada. Será que os manifestantes também questionam a eleição do peemedebista?

Discursos como "somos contra o bolivarianismo (?!?!?) implantado pelo governo Dilma" também estavam presentes. Imputação a tenra juventude a oradora e a péssima fonte de informações que ela deve utilizar como responsáveis por tamanha barbaridade (quem quiser saber a realmente quem foi Simon Bolivar clique aqui).

Uma das organizadoras do ato, a professora Eliude Meyrer tentou dar um ar mais "popular" ao ato. Ela disse à reportagem do Jornal Pioneiro que "quem começou a organizar foi o PSDB, mas a gente não quer vincular só ao partido, são pessoas que não estão contentes com a situação do país". Na verdade pouco se viu de "populares". Em Caxias, como em outras cidades que realizaram atos semelhantes, o que se viu foi a participação massiva da classe média alta. Em Caxias nem massivo foi.  

Eliude é uma tucana de longa data, foi coordenadora no comitê de Aécio Neves em Caxias do Sul. Tucana de longa data, foi coordenadora adjunta da 4ª Coordenadoria Regional de Educação, durante do Governo Yeda (PSDB) e também um dos filiados que assinou o pedido de expulsão do vereador Daniel Guerra do PSDB. 

Pelo Brasil todo estavam marcados protestos em 23 cidades. São Paulo realizou o maior, com cerca de 6 mil participantes. Nesse ato houve um racha entre os participantes. A principal "estrela", junto com o deputado homofóbico e racista Bolsonaro (PP), o cantor Lobão, xingou os manifestantes por estarem chamando "intervenção militar". Em seu twitter ele disparou:

No Rio de Janeiro reuniram-se 150 pessoas e em Porto Alegre pouco mais de 500.


Passeata “Contra a direita e por direitos” reúne 10 mil

Fonte: Carta Capital

Capitaneado pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) de Guilherme Boulos, um ato com a participação de outros movimentos sociais reuniu nesta quinta-feira 13 feira milhares de pessoas, embaixo de chuva, para marchar pelas ruas da cidade. A manifestação passou pelos Jardins, um dos bairros mais ricos da cidade e reuniu, embaixo de chuva, pelo menos dez mil pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar. Além de discursos políticos, o ato teve momentos bem-humorados, como o baile de forró "contra o preconceito aos nordestinos" na frente do Hotel Renaissance, que tem uma das diárias mais caras da capital paulista.

Sob chuva forte, o ato começou por volta das 17h no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na avenida Paulista, com os militantes do MTST e também da Central Única de Trabalhadores (CUT), do movimento Juntos e de outras organizações. “Tem uma ‘playboyzada’ aí dos Jardins que, porque o ‘titio’ Aécio [Neves] perdeu a eleição, ficaram ‘bravinhos’ e foram para a rua contra o povo. Se lá na marcha deles tem elite, que não gosto do povo, aqui tem povo trabalhador, aqui tem negro, aqui tem nordestino, aqui está o povo brasileiro”, gritou Boulos de cima do caminhão de som, antes de a passeata começar. Era uma referência ao ato do último dia primeiro de novembro, que reuniu 1,5 mil pessoas no mesmo local para pedir a queda da presidenta Dilma Roussef por impeachment ou por meio de um golpe militar.

De acordo com o líder do MTST, um dos objetivos era justamente “fazer o enfrentamento contra a direita atrasada”: “Eles têm ido às ruas nos últimos meses defender posições inaceitáveis para maioria do povo brasileiro. Defender não só intervenção militar e impeachment, como também semear ódio aos pobres, o racismo e a homofobia. Isso não pode ser admitido. Essa marcha vem para fazer contraponto e mostrar que se os golpistas do Jardins estão colocando mil pessoas nas ruas, nós vamos pôr 15 mil só para começar”.

“Esse ato é para sociedade brasileira perceber e entender que a Dilma tem o apoio popular para fazer as reformas para qual ela foi eleita. É para dar um recado para a sociedade brasileira: não são só os reacionários que estão indo para as ruas”, afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas. “O povo não votou para ter alta de taxa de juros, não votou para ter banqueiro no Banco Central ou como ministro da Fazenda, o povo não votou para ficar sendo pressionado pelo PMDB reacionário. Quem venceu a eleição foi a agenda progressista. E pela quarta vez, o povo derrotou a agenda retrograda reacionária”, complementou.

Pelas reformas já


Guilherme Boulos, do MTST, explicou ainda que a marcha foi pensada também para pressionar o governo federal pelas reformas prometidas na campanha eleitoral. “O ato também tem o objetivo de pautar reformas populares no Brasil. O programa que foi eleito nas urnas tem que ser realizado”, enfatizou. “[O projeto eleito] era de mudança popular. As propostas que perderam não podem imperar. É necessário que o povo deixe claro a importância das reformas estruturais: a reforma política, a reforma urbana, a reforma agrária progressiva. Enfim, todos esses temas estão travados na agenda brasileira há décadas por conta do impeditivo que as elites colocam no Congresso Nacional”, disse.

Presente na passeata, a ex-deputada federal do PSOL Luciana Genro, que disputou a Presidência em outubro, minimizou a representatividade do discurso de extrema direita: “Eu acho que a manifestação que ocorreu aqui dias atrás não tem força, não tem representatividade social. Mas é evidente que a direita existe no Brasil e ela se expressa, por exemplo, no massacre que a polícia e as milícias promovem semanalmente na periferia das grandes cidades”.

Dos Jardins, a passeata seguiu pela rua Consolação até o centro da cidade, na Praça Roosevelt. Após quase três horas de caminhada embaixo da chuva, o MTST encerrou o ato. No discurso final, Boulos deixou um recado para Dilma. “Nós não vamos permitir que a presidenta não faça as reformas que prometeu e não governe para os trabalhadores”.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Como alguém pode ser contra o reajuste do salário mínimo

Proposta foi discutida com Centrais Sindicais
O Rio Grande do Sul vive uma situação inusitada. Setores da mídia juntaram-se aos setores empresariais, com o apoio enrustido de alguns deputados, com o silêncio conivente do futuro governador e ainda com respaldo de trabalhadores (?!) contra o reajuste do salário mínimo regional.

Empresário ser contra reajuste de salário tudo bem, isso já é local comum. A elite financeira brasileira ainda não ultrapassou a Idade Média e acha que ainda é aristocrata e os empregados seus servos, que deveriam ficar agradecidos por terem emprego.

O que, nunca antes na história desse país, aconteceu foi o chororô da mídia fazendo coro a esse movimento. Em seu editorial de hoje o Grupo RBS assume a nítida defesa dos interesses dos empresários e chega a emparedar o legislativo gaúcho afirmando: "Resta esperar que os deputados tenham coragem e sabedoria para descascar esse abacaxi sem se deixar influenciar por interesses setoriais, tratando do assunto com responsabilidade, firmeza e justiça."

Responsabilidade, firmeza e justiça não são termos universais. Para o Governo Tarso, que concedeu um reajuste de 16% no salário mínimo regional isso é responsável, firme e justo. E o é. As categorias atingidas pelo mínimo regional são as que não tem representação para negociar salários por conta própria. São as categorias mais frágeis na relação entre o capital e o trabalho.

Representantes sindicais da indústria, comércio e serviços do RS acham que isso é interferência do governo na relação entre empregadores e empregados. E é! E se não fosse assim a balança penderia sempre para o lado com mais dinheiro. A instituição de um salário mínimo é exemplo do braço regular do governo nessa relação.

Mas a razão de tanto barulho nem é o índice de reajuste e nem o desemprego que os patrões e a RBS dizem que acontecerá. É justamente o contrário. Estamos com um dos menores índices de desemprego da história. Isso faz com que não exista filas de desempregados topando trabalhar por qualquer salário. Manter um profissional qualificado está cada vez mais difícil. Cada vez é mais comum o padrão de renda do empregador e do empregado (se bem qualificado) ficarem muitos próximos. Isso causa medo a elite financeira, que ainda está na Idade Média no Brasil.

Outra razão é que querem salvar a pele do futuro governador, e de quebra, ditar as regras do futuro governo. O futuro vice governador, José Paulo Cairolli (PSD) é contra o mínimo regional. Não é só contra o aumento. Para ele o mínimo nem deveria existir. Isso foi abordado durante a campanha eleitoral e o, então candidato, Sartori (PMDB) se esquivava do assunto dizendo que quem decidia era ele. Bom chegou a decisão e Sartori, para variar, está em silêncio.

Como na política não existe vácuo, alguém está ocupando o espaço. Na ausência de atitude do futuro governador outros atores entram na discussão. Essa é uma prévia do que será o governo Sartori.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Projeto pela instalação de reservatórios de água chuva irá para análise do Sinduscon

Adaptações simples podem significar até em economia na
conta de água
"Caberá ao Sindicato da Indústria da Construção Civil de Caxias do Sul (Sinduscon) analisar o projeto de lei complementar, que prevê a instalação de cisternas (reservatórios), em residências e indústrias, para recolher água da chuva."

 Esse é o resumo da decisão, apresentando no site da Câmara de Vereadores, sobre o projeto de lei, de autoria da vereadora Denise Pessôa (PT) que prevê a instalação de cisternas. O projeto que tramita desde 2011 e que já foi discutido por Conselhos, Comissões e recebeu emendas, não será discutido, pelo menos por enquanto pela Câmara de Vereadores e sim pelo Sinduscon.

O pedido para que o texto fosse encaminhado pelo Sinduscon partiu do vereador Mauro Pereira (PMDB). Mauro justificou que ao enviar o texto ao sindicato busca não incorrer em erros de ordem técnica!?

Não há nenhum problema de ouvir as posições da representação patronal sobre uma matéria. O que causa estranheza é que, novamente, o vereador Mauro Pereira tenta barrar alterações na legislação de urbanismo da cidade com a desculpa de que o sindicato patronal tem mais conhecimento técnico.

Em 2012 Mauro fez a mesma coisa com o projeto de lei que alterava as regras para proteção do patrimônio histórico. Os dois projetos impactam diretamente as empresas construtoras e os empreendimentos imobiliários. Mauro Pereira parece estar fazendo lobby para esse setor só não tem coragem de assumir. 

O projeto em questão tem duplo objetivo: a utilização racional dos recursos hídricos e o posterior aproveitamento da água da chuva coletada. A medida evitaria, por exemplo, o emprego de água potável e tratada, em vasos sanitários, na irrigação de plantas, na lavagem de calçadas e veículos automotores. "Também se tenta impedir alagamentos, já que, quando chove muito, há tubulações de drenagem que transbordam", observou Denise.

Os custos, iniciais, até podem aumentar mas a cidade ganha muito com isso. É só lembrar que gastamos mais de R$ 300 milhões para a construção de uma barragem e um outro valor na casa de R$ 40 milhões será gasto para levar água potável até a casa das pessoas.

Tudo isso para que se use água limpa, tratada e potável para lavar o carro ou a calçada. Iniciativas como essas deveriam ser comemoradas e não barradas por interesses de lobistas, como está acontecendo.


Com informações da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Secretário de Obras não vê problema em fazer obras em terreno particular

O secretário de Obras e Serviços Públicos, Adiló Didomenico (PTB) simplesmente desdenhou as reclamações vindas da comunidade de Vila Oliva sobre o uso de mão de obra e equipamentos da prefeitura de Caxias do Sul e da Codeca para  melhorias no Parque de Rodeios de Vila Oliva, espaço particular e pertencente à família do subprefeito da localidade, Ricardo Daneluz Neto.

Trabalhavam no local, segundo o próprio secretário, desde segunda feira até amanhã, 15 funcionários da Codeca que roçavam a área do parque e três funcionários da prefeitura que reparavam a energia dos postes de luz utilizando caminhões do poder público. Ainda será colocado cascalho no acesso e na parte interna do parque.

Segundo Adiló é comum deslocar funcionários públicos para dar suporte na limpeza e preparação de eventos que contam com apoio da prefeitura. Adiló celebra essa "parceria" pois ela garante a instalação de uma barraca da Secretária de Cultura e da Secretaria de Obras.

Além de um claro favorecimento ao Subprefeito, que se nega a dar explicações sobre o caso. Fica nítida a intenção de Adiló fazer publicidade pessoal com dinheiro público já que a "parceria" garante a instalação de uma barraca da secretaria que ele comanda.

Enquanto isso centenas de pontos em Caxias do Sul tem lâmpadas queimadas, ruas que precisam de cascalhamento e roçadas que precisam ser feitas. Mas como em nenhum lugar desses será instalada uma barraca da Secretaria de Obras para fazer promoção do secretário, elas não são tratadas como prioridade.

Em maio do ano passado um fato semelhante aconteceu em Fazenda Souza (veja aqui). O Subprefeito Ivan Machado patrocinou, também em terreno particular, melhorias, com dinheiro público, para a realização de uma festa de som automotivo. O evento que durou toda a noite, até o amanhecer, e atazanou a vida dos moradores, recebeu um disfarce de evento beneficente.

Naquele caso tudo foi acobertado pelo passar do tempo. E nesse caso?

terça-feira, 11 de novembro de 2014

CCJ aprova doação da Maesa para Caxias

Relator, Edgar Pretto (PT) apresenta parecer favorável
Aprovado agora a pouco na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) o projeto de lei, do Governo do Estado, que doa a área a Maesa para o município de Caxias do Sul. A matéria, que teve relatoria do deputado Edgar Pretto (PT), recebeu aprovação unânime dos 12 deputados presentes. Daqui a pouco, em reunião dos líderes, pode ser decidido que o projeto vá a plenário ainda hoje.

O projeto apresentado pelo governador Tarso Genro (PT) era melhor do que o pleiteado pela prefeitura de Caxias do Sul. O poder público municipal estava disposto a pagar até R$ 30 milhões (veja aqui) pela aquisição do complexo. No começo de julho desse ano o governo do estado anunciou que repassaria, sem ônus, toda a área para o município.

Apesar de ser extremamente vantajoso para Caxias do Sul, o projeto apresentou entraves na sua tramitação na Assembleia Legislativa. Integrantes dos partidos de oposição ao governo Tarso não davam quórum a reunião da CCJ para que o projeto fosse votado.

Finalmente o impasse foi rompido e o projeto aprovado. Agora o desafio é decidir o que funcionará no local. Há muitos pedidos, alguns completamente descabidos, que só querem resolver a situação de espaço da sua entidade. O espaço é amplo, é verdade, mas é carregado de história e significado. Qualquer uso deve privilegiar o contexto histórico e comportar quem tenha compromisso com ele.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Quem foi Simon Bolivar, o pai do tão falado bolivarianismo

Quatro palavras estão presentes em todas as falas da oposição, no Facebook ou não, quando o assunto é o governo Dilma. Os coxinhas, mais desinformados, não conseguem formular uma frase sem quem os termos PT, Lula, Dilma e bolivariano, estejam presentes. Mas quem foi a pessoa que gerou o termo bolivariano ou bolivarianismo? Do mesmo modo que explicamos, em junho do ano passado quem era Guy Fawkes e por que era contraditório usar a máscara que paga royalties para a Warner, apresentamos aqui a história de Simon Bolivar. O texto, publicado originalmente na Carta Capital, é de Gilberto Maringoni, professor de Relações Internacionais da UFABC autor de A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez (Editora Fundação Perseu Abramo).

Maldito bolivariano!

Pronto, inventaram um novo xingamento.

Depois de comunista e terrorista de um lado e de coxinha de outro, epítetos que já entediavam a todos, a tendência do verão é chamar os desafetos de “bolivariano”.

- O que quer dizer?

- Não sei muito bem, mas tá bombando.

- Estão querendo transformar o Brasil num País bolivariano.

- Bolivariano? Transformar o Brasil na Bolívia?

- Não. Bolivariano, aquele troço do Chávez.

Aquele troço do Chávez precisa ser mais bem definido, antes que se encha a boca para berrar “bolivariano!” a plenos pulmões.

O que é ser “bolivariano”, termo que tanta repulsa causa a Gilmar Mendes, ao infatigável deputado Eduardo Cunha e aos soberbos editoriais do Estadão, que dia sim, dia não, botam o qualificativo para ralar?

O presidente venezuelano Hugo Chávez não se cansava de repetir: o ideário que movia seu governo era o legado político e histórico de Simón Bolívar (1783-1830). O próprio nome do país foi alterado, a partir da Constituição de 1999, para República Bolivariana da Venezuela.

Chávez não foi o único a reivindicar o personagem. O nome de Bolívar foi apropriado por um sem número de lideranças e movimentos políticos na América Latina nos quase 200 anos que nos separam de sua morte. Seus seguidores estão espalhados pelas mais diversas vertentes do espectro ideológico.

Até que ponto as apropriações de tal legado são fiéis ao pensamento original do chamado Libertador?

É difícil dizer. A “ideologia bolivariana” tem contornos vagos e imprecisos. Bolívar é possivelmente o personagem histórico mais complexo e de maior influência no imaginário político continental. Sua obra é colossal. Além de liderar guerras de independência e de exercer influência direta em pelo menos cinco dos atuais países da região – Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia -, ele deixou vastíssima obra escrita, constituída por artigos, cartas e discursos.

Culto, refinado e viajado, Bolívar era sobretudo um intelectual de ação. Estava longe de ser um líder oriundo das classes populares. Era destacado membro da elite criolla, brancos e mestiços de posses que, entre os séculos XVI e XIX, se opunham ao domínio espanhol em diversos países do continente.

Bolívar teve sua vida política marcada pela luta contra o colonialismo, pela república, pelo fim da escravidão e pela defesa de um sistema de educação pública, entre diversas outras iniciativas. Tendo visitado a França por três vezes na primeira década do século XIX, foi fortemente influenciado por correntes iluministas e antiabsolutistas.

O culto a Bolívar

O historiador venezuelano Germán Carrera Damas escreveu um livro fundamental para se entender não apenas o personagem histórico, mas o Bolívar simbólico, que segue existindo. O título é preciso: El culto a Bolívar, nunca lançado no Brasil. Carrera Damas destaca que a admiração despertada por Bolívar em seu tempo e após sua morte não é fruto apenas de laboriosa pregação. Os feitos que liderou repercutiram concretamente na vida de milhões de pessoas. Não sem razão, Bolívar tornou-se objeto de culto, realizado, ao longo dos anos, com os mais diversos propósitos políticos.

Segundo outro historiador, Domingo Felipe Maza Zavala, já no governo de Eleazar López Contreras (1936-1941), na Venezuela, “o culto a Bolívar foi elevado à significação de um fundamento político”.

Através de variadas interpretações, a figura do Libertador foi reivindicada por todas as classes sociais do país como uma espécie de fator de unidade nacional ou até como símbolo da manutenção de determinada ordem. Assim, existe um bolivarianismo conservador, traduzido na profusão das estátuas equestres disseminadas nas praças de praticamente todos os municípios venezuelanos, bem como na sacralização estática de lugares e feitos do pai da Pátria. Essa vertente tenta esvaziar a figura de Bolívar de seu conteúdo transformador e anticolonialista, destinando-a à veneração estéril.

E há um bolivarianismo de esquerda, que busca nas lutas contra o domínio espanhol a inspiração para ações tidas como antiimperialistas. As duas visões envolvem um sem-número de nuances. O ideário bolivariano sempre foi elástico e flexível o bastante para permitir leituras de um lado e de outro.

O culto a Bolívar não é uma criação ficcional, fruto de um patriotismo exacerbado em alguns países. É mais do que isso. Ele se constitui em uma necessidade histórica e em um recurso destinado a compensar o desalento causado pela frustração de uma emancipação nacional que não se completaria. Bolívar seria o elo histórico com um ideal de soberania, liberdade e justiça. Daí sua força, tanto política, quanto como veneração quase religiosa.

A ignorância alheia

A acusação de bolivariano feita por Gilmar Mendes e outras figuras do mesmo nível parte de quem conta com a ignorância alheia. E é bradado especialmente por aqueles que omitem um pequeno detalhe dessa história: na Venezuela, o contrário de bolivariano é uma oposição que não vacilou em patrocinar um destrambelhado golpe de Estado, em 2002, que retirou Chávez do poder por três dias e, de quebra, todas as referências a Simón Bolívar dos símbolos nacionais. A intentona foi um fracasso e, como se sabe, desmoralizou a oposição por vários anos.

A omissão é mais do que interessada.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O que você não lerá sobre o reajuste dos combustíveis, porque a mídia não quer que você saiba

O Governo Federal autorizou a Petrobrás a reajustar, para as distribuidoras o preço da gasolina e do diesel. Muito foi escrito sobre esse assunto. São colunas, comentários, matérias. Um parte recheada de discurso raivoso e outros recheados de "informação seletiva". O Polenta News fez uma relação das informações que você não vai ler sobre o reajuste dos combustíveis, pois a mídia brasileira não quer que você saiba disso.

1 - O reajuste será de R$ 0,08 por litro. Isso mesmo só 8 centavos. Quase 3 vezes menor que reajustes das passagens de ônibus que, se não fossem as manifestações não teria tido grande divulgação.

2 - O valor só é regulado nas refinarias. O preço dos combustíveis nos postos é liberado. Cada um cobra o que quer (inclusive as vezes eles combinam preços). O valor é regulado nas refinarias onde a Petrobrás mantém o controle.

3 - Os reajustes são inferiores à inflação. Os reajustes de 2013 e 2014 foram de 4% e 3%, respectivamente. Índice que ficou abaixo da inflação do ano. Há 10 dias atrás o "mercado" apostava em um índice de reajuste entre 15% e 20%.

4 - 35 países tem a gasolina mais cara que a brasileira.Turquia, Noruega, Países Baixo (Holanda e Belgica) e Itália lideram o ranking, nessa ordem.

5 - Se dependesse do mercado o litro da gasolina seria de R$ 6,00. Se utilizasse a lógica dos economistas liberais os combustíveis seriam muito mais caros no Brasil. Pela lógica do "mercado" quando subisse o valor internacional do petróleo o valor dos combustíveis deveria acompanhar para gerar lucro à Petrobras, e seus acionistas principalmente. De 2002 até hoje o valor do barril do petróleo subiu 300%. Em 2011 chegou em seu maior valor (US$ 124,00/barril). Se a gasolina acompanhasse essa variação o valor seria o dobro do atual.

6 - Reajuste da gasolina perdeu para a inflação. O litro da gasolina custava R$ 2,25 em 2002. Hoje ele é de R$ 3,00 (na maioria dos lugares). Com um salário mínimo em 2002 era possível comprar 89 litros de gasolina, hoje é possível comprar 241 litros.



quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Senado aprova renegociação das dívidas dos Estados

Governador Tarso Genro com o Senador Luiz Henrique,
relator da matéria no Senado.
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
O mais comentado assunto durante a campanha eleitoral no Rio Grande do Sul, teve um desfecho favorável ontem. O Senado aprovou um projeto de lei que renegocia as dividas dos estados e municípios com a União. Quando entrar em vigor o Rio Grande do Sul terá uma folga, no caixa, de cerca de R$ 2,6 bilhões para novos financiamentos.

A dívida do Estado com a União era tema de praticamente metade do tempo nos debates. A tese defendida pelo governador Tarso Genro (PT) era que o acordo, que começou a ser gerido em 2011, seria votado logo após o segundo turno. Seus dois oponentes diretos a senadora Ana Amélia Lemos (PP) e o agora eleito José Ivo Sartori (PMDB) duvidavam que o projeto fosse votado.

Na tarde de ontem, por unanimidade dos Senadores, o projeto foi aprovado. A principal mudança se refere no índice de correção da dívida que mudou do IGP-DI para o IPCA, que teve variação bem menor nos últimos anos. Os juros também diminuíram de 6% para 4%. Isso fará com que o débito final, em 2028 passe de R$ 42,6 bilhões para R$ 14,8 bilhões. Uma grande diferença.

O acordo assinado em 1998 foi profundamente lesivo aos estados. Apresentado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e chancelado pelo então governador Antonio Britto (PMDB) a dívida que era de R$ 9,5 bilhões, mesmo com os valores já pagos estão em R$ 45,2 bilhões, ou seja, o negócio é tão ruim que mesmo pagando a dívida do Rio Grande do Sul aumentou 5 vezes.

Infelizmente parece que o futuro governador não ache isso importante já que ele preferiu não acompanhar a votação do projeto.

Humor: Democracia...


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Por unanimidade TSE nega pedido, do PSDB, de auditoria das eleições

Na terça-feira (4), os sete ministros do Superior Tribunal Eleitoral (TSE) negaram, por unanimidade, o pedido do PSDB para a realização de uma auditoria na apuração das eleições. Os ministros explicaram que os sistemas puderam ser auditados pelos partidos previamente. Cerca de seis meses antes da votação, todos os programas usados pela Justiça Eleitoral ficaram disponíveis para verificação, inclusive aqueles inseridos na urna eletrônica.

A Corte, porém, autorizou o fornecimento dos documentos solicitados, como registros de urnas – muitos, inclusive, já estão publicados na internet e podem ser acessadas por qualquer legenda. Com as informações, representantes do PSDB poderão fazer a sua própria auditoria para fiscalizar o processo eleitoral, se assim desejarem. A votação do último dia 26 reelegeu a presidenta Dilma Rousseff com 51,64% dos votos contra 48,36% do tucano Aécio Neves. O PSDB levantou suspeitas de fraude baseadas em boatos propagados nas redes sociais, sem ter apresentado qualquer prova dessas acusações. O ministro Dias Toffoli defendeu a segurança da urna eletrônica, usada há 18 anos. “A informatização sempre se pautou pela segurança, e o sigilo do voto é grande conquista da democracia”. Em tom irritado, Toffoli ressaltou certo exagero das denúncias do partido derrotado nas urnas. “A pretensão do partido político, tratada com certo estardalhaço, não constitui em solicitação que não tenha sido previamente garantida por esse tribunal com grande antecedência em relação a data das eleições. Muito embora o partido não tenha se manifestado em momento exato, esta Corte não se omite em fornecer os dados”, afirmou.

O presidente ressaltou que o desenvolvimento dos programas usados na apuração das urnas esteve a disposição, desde abril, de todos os partidos políticos, do Ministério Público Eleitoral (MPE) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), desde o momento em que começaram a ser elaborados. Sobre a criação de uma comissão para auditar os resultados, o presidente rejeitou o pedido, formulado por um delegado do partido, pessoa sem legitimidade perante o TSE.

O procurador-geral Eleitoral, Rodrigo Janot, enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) parecer contrário ao pedido do PSDB para auditar o resultado das eleições presidenciais. Segundo o procurador, o  partido “visa promover gravíssimo procedimento de auditoria sem que exista qualquer elemento concreto que o justifique”.

No entendimento de Janot, o pedido do PSDB é baseado em especulações de usuários das redes sociais, sem nenhum indício de fraude. "Não se pode justificar postura de um partido político do tamanho e da representatividade do requerente de, em baseando-se unicamente em comentários formulados em redes sociais, em boatos muitas vezes camuflados pelo anonimato, pretender a instauração de um procedimento que, a par de não previsto em lei, pode comprometer a credibilidade do sistema eleitoral deste país. Tal medida é de uma imprudência a toda prova, dada a real possibilidade de criar uma situação de instabilidade social e institucional", diz.

Top 5 Polenta News - Outubro 2014



Primeiro gostaríamos de agradecer a todos os leitores e a todas as leitoras que fizeram que outubro de 2014 fosse o mês que alcançamos o maior número de visitantes. Neste mês superamos em 25% o nosso recorde anterior (outubro 2012).

Abaixo apresentamos os 5 assuntos mais lidos no mês de outubro.

Sartori: piso bom é na Tumelero! - Candidato a governador pelo PMDB faz piadinha de mal gosto com piso nacional do magistério e gera indignação nas redes.

Feldmann aposta na baixaria e publica foto falsa no Twitter - Vice prefeito posta foto falsa, no Twitter, para criticar governo estadual.

Tucano Aécio Neves gasta R$ 14 milhões de recursos públicos para construir aeroporto dentro da fazenda de seu tio - Presidenciável tucano e senador por Minas Gerais, construiu um aeroporto nas terras de seu tio, que também ficava com a chave do portão.

Base aliada rejeita, novamente, moção por devolução da "Taxa Sartori" - A não devolução dos dinheiro cobrado irregularmente dos contribuintes de Caxias do Sul gerou grande procura dos leitores no segundo turno.

O mito do povo trabalhador e machismo nas eleições do RS - Artigo de opinião faz reflexão sobre eleições no estado.

Vereadores aprovam projeto que transforma prédio do Eberle em Shopping

Com 15 votos favoráveis, 4 contra e 3 abstenções, a Câmara de Vereadores aprovou, ontem (04), um projeto de lei que permite a construção de um empreendimento de 22 mil m² na área do prédio do Eberle, no centro de Caxias do Sul. O assunto já havia rendido polêmica, na semana passada, quando ele entrou na pauta (veja aqui).

Somente agora se sabe, exatamente, o que será construído no local. Na parte interna será um edifício garagem e na esquina da Borges de Medeiros com a Sinimbu será construído um prédio comercial. Esses dois novos prédios não poderão ter uma altura maior que a base do relógio. Além disso o restante do prédios já existente será transformado em um shopping.

Esse foi um excelente negócio para a Tubocenter Incorporadora Ltda que comprou a área, por R$ 21,8 milhões, em 2012. Depois de muito debate no Compach (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural) ficou decidido que a fachada do prédio e outros elementos arquitetônicos serão preservados.

O projeto, porém, não é isento de críticas. A principal é o fato de que antes da aprovação do mesmo as obras já haviam começado. Durante a sessão de ontem a vereadora Denise Pessôa (PT), afirmou que o projeto estava sendo votado sem toda a documentação que deveria ter. "O que está se votando é o limite que se pode ter entre a preservação do patrimônio histórico e o desenvolvimento econômico. Enquanto arquiteta e vereadora, não me sinto confortável de votar a favor",afirmou.

O prédio em questão é tombado pelo patrimônio histórico. Por conta disso qualquer intervenção arquitetônica no local deve passar por análises técnicas. O que causa surpresa, bom, não causa tanta surpresa assim é que um prédio da mesma empresa teve um tratamento diferenciado, inclusive por parte do legislativo e do executivo caxiense. A Maesa, bem pertinho dali, contou com uma grande mobilização para a sua preservação e, inclusive, o Governo do Estado, que era dono da área por conta de dívidas fiscais, doou toda a área para o município. No prédio da Maesa a proposta é transformá-lo em área de cultura, convivência e de serviços públicos. No prédio da Eberle, no centro, ele será um mega empreendimento privado.

Talvez por estar em área nobre o interesse seja garantir o lucro e não o bem estar da população. Esse é o recado passado pelo governo municipal e chancelado por sua bancada.

Veja como cada vereador votou

Vereador - Partido - Voto


ARLINDO BANDEIRA PP Não Votou

CLAIR DE LIMA GIRARDI PT Sim

DANIEL ANTONIO GUERRA PRB Não

DENISE DA SILVA PESSÔA PT Não

EDI CARLOS PEREIRA DE SOUZA PSB Sim

EDSON DA ROSA PMDB Sim

FELIPE GREMELMAIER PMDB Sim

FLÁVIO GUIDO CASSINA PTB Sim

FLÁVIO SOARES DIAS PTB Sim

GUILHERME GUILA SEBBEN PP Sim

GUSTAVO LUIS TOIGO PDT Presente

HENRIQUE SILVA PCdoB Sim

JAISON BARBOSA PDT Ausente

JOÃO CARLOS VIRGILI COSTA PDT Sim

MAURO PEREIRA PMDB Sim

NERI ANDRADE PEREIRA JUNIOR SD Sim

PEDRO JUSTINO INCERTI PDT Sim

RAFAEL BUENO PCdoB Sim

RAIMUNDO BAMPI PSB Sim

RENATO DE OLIVEIRA NUNES PRB Não

RODRIGO MOREIRA BELTRÃO PT Não

WASHINGTON STECANELA CERQUEIRA PDT Ausente

ZORAIDO DA SILVA PTB Sim

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Ato contra a Dilma, em Caxias, não lotaria um ônibus

Vinte e cinco pessoas (26 com o fotografo). Esse foi o número de participantes que o ato pedindo o impeachment da presidenta Dilma em Caxias do Sul, no último sábado (01). O público seria suficiente para fazer um partida de futebol, mas não lotaria um ônibus.

Mobilizado pelo Facebook, o evento contava com  1.600 confirmados e muitos comentários carregados de ódio. Porém a mobilização, na rua, beirou ao ridículo.

Em todo o país o quadro foi o mesmo. Porto Alegre reuniu uma turba raivosa de 200 pessoas. Em São Paulo foram 1000. Em todos os lugares o discurso é o mesmo: o de não aceitar o resultado das eleições do segundo turno. Alguns, mais raivosos chegam ao disparate de chamar a intervenção militar para livrar o Brasil de uma ditadura que só eles enxergam.

O grau de bizarrice é tão grande que o Brasil é o único país no mundo que tem protesto contra a democracia. Mas como bizarrice não tem limite que uma das táticas usadas pelos oposicionista é peticionar, ao governo dos Estados Unidos, que intervenha no Brasil!

Além do desprezo a democracia e às instituições brasileiras há outro elemento que une esse povo. São todos brancos e de classe média.

Onde as manifestações tiveram um grupo maior de pessoas carros com adesivos do PT, ou da Dilma, foram atacados. Adesivos eram arrancados, ou outros do Aécio eram colados em cima. Em Porto Alegre viu-se bandeiras do Sartori e do Aécio na manifestação. Será que o Gringo apoia esse tipo de manifestação?

Não contentes com a baixa participação os oposicionistas vão tentar um novo protesto no dia 15 de novembro. Um novo fracasso se avizinha nas ruas, mas eles só ganharão se o discurso de ódio deles se transformar em medo para os verdadeiramente democratas.


domingo, 2 de novembro de 2014

"LÍDER" DO IMPEACHMENT, LOBÃO VIVE SEU TRISTE FIM

Fonte: Brasil 247

Primeiro, ele prometeu ir embora do Brasil caso a presidente Dilma Rousseff fosse reeleita. Depois do resultado das urnas no último domingo, que garantiu mais quatro anos à petista, ele mudou de ideia. Disse que ficaria no país em nome de uma "verdadeira oposição" que estaria nascendo. E utilizando essa balela como argumento, o cantor Lobão convocou uma manifestação em São Paulo para este sábado (1º) pedindo o impeachment da presidente reeleita. Cerca de 2 mil pessoas participaram do ato, que ele classificou como "histórico". Pelo Twitter, Lobão disse que "nada poderá deter" o tal movimento que ele lidera contra a democracia brasileira. Sem qualquer tipo de senso, o cantor parece não saber lidar com sua decadência. Até onde ele poderá chegar?

Com uma bandeira do Brasil sobre os ombros, Lobão defendeu a recontagem dos votos das eleições presidenciais e negou que o movimento tenha como propósito dar um novo golpe militar no país. "Não tem ninguém aqui golpista", disse ao microfone. Mas não foi bem isso que se ouviu dos presentes, que além de pedirem o impeachment de Dilma, defenderam um novo golpe militar no país. A notícia sobre o pedido de golpe, que estampou as páginas da Folha e do UOL na internet, irritaram Lobão e um de seus aliados na Veja, Reinaldo Azevedo, que acusou a imprensa de ridicularizar o manifesto. Eles também reclamaram da falta de cobertura das TVs.

Nas redes sociais, o coro dos que ironizaram o ato liderado por Lobão foi reforçado pela jornalista Bárbara Gancia ("Drogas podem causar lesões irreversíveis no cérebro. E, pelo visto, no caso de Lobão , deixam sequelas perversas na alma") e pelo professor Wilson Gomes ("Lobão liderando um movimento, quem diria? O decrépito Lobo enfim assume a vanguarda... da retaguarda"). Outras pessoas cobraram que o cantor cumpra a promessa de deixar o país.

A sanha de Lobão contra o PT é a forma que ele encontrou de fugir do ostracismo e assim arregimentar alguma mídia sobre si, justificar suas declarações confusas e sua falta de relevância no mercado cultural brasileiro. Assim como alguns dos blogueiros de extrema direita, o cantor não é capaz de outra coisa que não seja disseminar o seu antipetismo

sábado, 1 de novembro de 2014

Imagem de Boletim de Urna, que circula pela internet, com suposta fraude é falso

[ATUALIZAÇÃO] Caro leitor e leitora. Por uma inconsistência em um dígito no código de carga da urna acabamos passando uma informação equivocada. O erro foi apontado nos comentários dessa postagem o que nos fez pesquisar e, por consequência corrigir o problema. O código identificar da urna não corresponde a nenhuma urna  habilitada para as eleições presidenciais, tanto no segundo, quanto no primeiro turno. Para evitar a propagação de mais conteúdo duvidoso estamos fazendo essa errata. Estamos, inclusive, deixando o texto original grafado. 

Site E-farsas especialista em desmascarar mitos na internet desvenda o caso de um Boletim de Urna que teria 400 votos para Dilma antes da eleição começar. Conclusão: A imagem é falsa.


No dia 26 de outubro de 2014, quando ocorreu o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, uma denúncia grave foi publicada no Facebook pelo mesário Ricardo Santiago de Campina Grande (PB).

A foto publicada pelo mesário (ao lado) mostra o que parece ser a impressão do relatório de zerésima da urna eletrônica de sua seção, que já exibia a quantidade inicial de 400 votos totalizados para Dilma e “zero” para o candidato Aécio Neves.

A imagem com a denúncia foi compartilhada milhares de vezes nas redes sociais juntamente com inúmeros comentários repudiando o sistema eleitoral, que teria sido facilmente burlado.

O boletim da urna fotografado por Ricardo Santiago apresenta o número 16589 e o código de identificação 725.847.686.947.768.967.103.448.

Em primeiro lugar, não existe o usuário Ricardo Santiago no Facebook. Claro que existem homônimos na rede social, mas nenhum de Campina Grande.

Se ele realmente fosse mesário, ao detectar alguma irregularidade na urna, deveria avisar imediatamente o presidente da seção que aciona o diretor do local de votação e a urna é substituída ou impugnada, conforme o caso. Além disso, os fiscais de partido também faria uma movimentação e, como não, iria aparecer toda a imprensa nacional e internacional. Nada disso aconteceu.


Mas o denunciante, ao tirar a foto, fez questão de não mostrar a seção, nem a zona eleitoral. Outra coisa que chama atenção é que todos as numerações possuem 4 dígitos, menos a do Aécio que tem um só!

O que pouca gente talvez saiba é que existe uma relação dos códigos de carga de todas as urnas.  O Código de Identificação de Carga é criado no momento de configuração da Urna Eletrônica para uma determinada seção e não se repete. Caso a uma mesma urna fosse configurada novamente para ser usada em outra seção, o código já não seria mais o mesmo.

O TSE disponibiliza todos esses números. Em 2014, o link é esse:

Ao procurar pelo código   725.847.686.947.768.967.103.448

Com essa informação começamos a procurar esse código em todos os estados, inclusive no exterior, no segundo e no primeiro turno. Sem sucesso. Esse número não existe (o código que foi localizado e que está no resto dessa postagem tem um número trocado).

Se esse boletim existe pode não ser dessa eleição. Se fosse e os dados tentassem ser computados o sistema acusaria incompatibilidade e a urna não seria apurada. Isso é mais uma prova de que o boletim de urna não é verdadeiro.

O que o falsário não sabia é que existe uma relação dos códigos identificadores das urnas, no caso

725.847.686.947.766.967.103.448 

mostrado no papel impresso evidencia ainda mais a farsa, pois através desse número é possível rastrear a origem da tal urna.  O Código de Identificação de Carga é criado no momento de configuração da Urna Eletrônica para uma determinada seção e não se repete. Caso a uma mesma urna fosse configurada novamente para ser usada em outra seção, o código já não seria mais o mesmo.

Aí que veio o legitimo papel de investigador. A equipe do E-farsas consultou o banco de dados do TSE que, disponibiliza todos os códigos identificadores das urnas, chamados Códigos de Carga.

Em 2014, o link é esse:

Para facilitar a vida dos mais incrédulos esse é o arquivo (zipado) com o código.

http://agencia.tse.jus.br/estatistica/sead/eleicoes/eleicoes2014/correspesp/cesp_2t_RJ_25102014153251.zip

Se você descompactar o arquivo irá encontrar na linha 27.013 de qualquer um dos dois arquivos de texto, encontramos o seguinte:
“25/10/2014″;”15:32:31″;”158″;”RJ”;”60011″;”RIO DE JANEIRO”; “252“;”93“;”1413860″;”725847686947766967103448“;”A875FD07″;”25/09/2014 08:47:00″

Ou seja, o Código de Carga dessa urna, corresponde a Zona Eleitoral 252, Seção 93, no Rio de Janeiro! Há mais de 2.300 quilômetros de Campina Grande, onde o nosso incauto falsário disse que era a urna.

Resultado verdadeiro da Urna

Com essas informações é possível verificar o verdadeiro boletim de urna. Neste link estão todos os Boletim de Urna armazenados. Basta filtrar os dados assim:
  • Turno = 2
  • UF = RJ
  • Município = Rio de Janeiro
  • Zona = 252
  • Seção = 93
Pronto! Podemos ver que os votos reais para Presidente da urna em questão foram :
  • 144 votos para Dilma
  • 172 votos para Aécio
Olhe só! Na urna que a Dilma teria feito 400 votos a 0, ela perdeu a eleição, na verdade e foram apurados 353 votos, muito abaixo dos valor que está na imagem.

Conclusão:

 A imagem que provaria a adulteração das urnas eletrônicas é totalmente falsa.