terça-feira, 31 de março de 2015

Caso RBS é um dos mais graves da Operação Zelotes

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O grupo RBS, presidido por Eduardo Sirotsky está, ao lado do grupo Gerdau, entre os casos que há indícios mais fortes de eventuais irregularidades na Receita Federal. É o que aponta o Ministério Público no âmbito da operação Zelotes, segundo reportagem de Natuza Nery, da Folha de São Paulo.

Até agora, a Polícia Federal acredita que ao menos 12 empresas negociaram ou pagaram propina para reduzir débitos com a Receita. Os 74 processos abertos na operação somam R$ 19 bilhões. Segundo a PF, "já foram, efetivamente, identificados prejuízos de quase R$ 6 bilhões" (veja aqui).

A quadrilha fazia um “levantamento” dos grandes processos no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), procurava empresas com altos débitos junto ao Fisco e oferecia "facilidades", como anulação de multas. O esquema teria sido iniciado em 2005, mas começou a ser investigado pela PF em 2013.

Demóstenes afirma que Cachoeira financiou Caiado

Eles são conterrâneo e correligionários. Demóstenes Torres (ex-DEM) já foi a voz da oposição no Senado. Caiu em desgraça. Envolvido na Operação Monte Carlo, perdeu o mandato de Senador. Caiado, atual líder do DEM, mantinha relações muito próximas com Demóstenes. Isolado o ex-senador começou a falar. 

Fonte: Goias247
O procurador de Justiça e ex-senador cassado Demóstenes Torres acusa o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado, de ter sido financiado pelo contraventor Carlos Cachoeira nas campanhas que disputou à Camara Federal nos anos de 2002, 2006 e 2010. Segundo Demóstenes, as digitais da contravenção seriam facilmente identificadas com uma investigação nas contas de material gráfico, transporte aéreo e gastos com pessoal. As afirmações estão contidas em artigo publicado na edição desta terça-feira (31) do jornal Diário da Manhã, de Goiânia.

Demóstenes diz que Caiado era amigo de Cachoeira e médico do filho do contraventor, que recorre em liberdade de uma condenação de primeira instância a mais de 39 anos de prisão pela Operação Monte Carlo, deflagrada em 2012 e que resultou na cassação de Demóstenes e na CPI do Cachoeira, que não teve resultados concretos. "Ronaldo, fazia sim, parte da rede de amigos de Carlos Cachoeira, era , inclusive, médico de seu filho. Mas não era só de amizade que se nutria Ronaldo Caiado, peguem as contas de seus gastos gráficos, aéreos e de pessoal, notadamente nas campanhas de 2002, 2006 e 2010, que qualquer um verá as impressões digitais do anjo caído. Siga o dinheiro.

Demóstenes cita ainda um suposto "esquema goiano" que teria financiado a campanha do presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN), e outros integrantes da chapa, que elegeu ao governo potiguar a então senadora Rosalba Ciarlini. "Caiado não ousou me defender, me traiu, mas, em relação a Agripino Maia, figura pouquíssimo republicana, disse que ele merece o benefício da dúvida. Poucos sabem, mas o político potiguar e seus companheiros de chapa em 2010 foram beneficiados pelo "esquema goiano", com intermediação de Ronaldo Caiado.

O senador cassado diz ainda que Caiado intercedeu em favor do delegado aposentado da Polícia Civil de Goiás, suposto operador de jogos ilegais, para que Cachoeira abrisse espaço para a ampliação de suas operações ilegais: "Ronaldo Caiado é chefe de um dos mais nocivos vagabundos de Goiás, o delegado de polícia civil aposentado Eurípedes Barsanulfo, que era o melhor amigo de Deuselino Valadares, o delegado de polícia federal que fez um 'relato', segundo Carta Capital, onde me acusava de ser beneficiário do jogo do bicho. Esse relato jamais apareceu oficialmente, mas serviu para que o PSOL dele se utilizasse para representar-me perante o Conselho de Ética do Senado. No final do ano passado, o jornal Diário da Manhã, de Goiânia , publicou uma matéria assinada em que acusa o dito delegado de ter forjado o documento a mando de um seu chefe político. Quem era ele? Ronaldo Caiado, todos sabem. Aliás, Eurípedes Barsanulfo, este sim, era prócer das máquinas caça-níqueis em Goiás. Ronaldo uma vez, inclusive, me pediu para interferir junto a Carlos Cachoeira para ampliar a atividade de Eurípedes no jogo ilícito."

Demóstenes faz críticas severas ao comportamento do ex-aliado, que qualificou-o como "grande decepção" à Coluna Radar, de Veja, o que terias motivado a reação: Ronaldo é um mitômano e tem um comportamento dúbio, às vezes tíbio, às vezes dissimulado. Na tribuna oscila. É sintomático o caso Garotinho. Ronaldo o acusa de formação de quadrilha, é o que está unicamente nas redes sociais; Garotinho o acusa de ser traíra por ter me abandonado; Caiado volta à tribuna e pede arreglo à Garotinho. Os dois últimos vídeos desapareceram das redes sociais."

E ainda mandou uma advertência: "Me deixe em paz, senador. Continue despontando para o anonimato. É o seu destino. Não me move mais interesses políticos. Considero vermes iguais a você Marconi Perillo e Iris Rezende. Toque sua vida, se fizer troça comigo novamente não o pouparei. Continue fingindo que é inocente e lembre-se que não está na sarjeta porque eu não tenho vocação para delator"

segunda-feira, 30 de março de 2015

FSM: declaração dos movimentos sociais reafirma a importância da pluralidade e o compromisso pela construção de uma agenda comum

*Por Fernanda Ramone, assessora de comunicação da Rebrip

Em documento preparado pelos movimentos sociais após assembléia de convergência, o lema evidencia a importância da pluralidade, a começar pela necessidade em se pensar o mundo contemporâneo de maneira global e unificada.

O encerramento da 14ª edição do Fórum Social Mundial acontece hoje, dia 28, em marcha marcada para as 15 horas. Durante os quatro dias do evento e outros dois dedicados exclusivamente ao Fórum de Mídia Livre, militantes de movimentos sociais, sindicais, organizações não governamentais e sociedade civil mais uma vez se reuniram no processo conjunto de refletir e de como incidir na construção de agendas comuns de enfrentamento.



Marcha. Foto: Alex Cardoso, MNCR

Em documento preparado pelos movimentos sociais após assembleia de convergência, o lema evidencia a importância da pluralidade, a começar pela necessidade em se pensar o mundo contemporâneo de maneira global e unificada. A luta deve ser dos povos unidos no compromisso de construir uma agenda comum de enfrentamentos.

Os efeitos da grande crise do sistema capitalista manifestadas em especial pela atuação das transnacionais, dos bancos, dos conglomerados midiáticos, das instituições financeiras internacionais com poder de interferir e influenciar na política de estados são tidos como os novos colonistas agindo em parcimônia com os governos liberais.

Tais práticas concatenaram em guerras, ocupações militares, tratados neoliberais de livre comércio além de políticas de austeridade que traduzem os planos econômicos de privatização dos bens comuns e dos serviços públicos desencadeando retrocessos na participação, remuneração e nos direitos adquiridos em esfera mundial. Bem como a agravação dos deslocamentos forçados em processos migratórios, da dívida e das desigualdades sociais. Acentuando conservadorismos.



O documento preparado pelos movimentos sociais reafirma o engajamento pela construção de uma estratégia comum de enfrentamentos contra o capitalismo, sinalizando em especial os seguintes tópicos:

-Contra as transnacionais e o sistema financeiro (FMI, BM, e OMC).

-Pela justiça climática e pela soberania alimentar.

-Violência contra a mulher.

-Pela paz e contra a guerra, o colonialismo e as ocupações de militarização nos territórios.

-Pela democracia das mídias de massa e a construção de mídias alternativas.

-Pela resistência e pela solidariedade.

Cada tema contará com ações de mobilização mundial. A data definida para a campanha contra as transnacionais e os tratados de livre comércio será no dia 18 de abril.

Serão promovidas mobilizações globais dos movimentos sociais pela justiça climática. Marchas mundiais das mulheres serão promovidas durante os meses de março e outubro de 2015. E uma campanha global de enfrentamento ao capitalismo será promovida entre os dias 17 e 25 de outubro de 2015.

O documento apresenta ainda mensagem de solidariedade para as manifestações de enfrentamento cotidianas como a exploração, o patriarcado, o racismo, a injustiça, o colonialismo e o imperialismo.

Evento é interrompido após protestos contra Eduardo Cunha na Assembleia gaúcha

Por Débora Fogliatto/Sul 21

O presidente da Câmara de Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi recebido com vaias e protestos na Assembleia Legislativa gaúcha. O deputado federal, que veio participar de Fórum sobre a reforma política, enfrentou gritos de manifestantes ligados ao movimento LGBT e feministas.

Para entrar no teatro Dante Barone, o público foi revistado minuciosamente, e a presença de bandeiras e faixas foi proibida. Mesmo assim, os manifestantes improvisaram cartazes em folhas, que exibiram quando o evento foi iniciado. Os opositores de Cunha eram principalmente de coletivos de juventude ligados ao PSOL e PSTU e movimentos LGBT. Eles gritaram “Fora, Cunha” e “não, não representa não”.

O Fórum de Debates, que discutiria reforma política, tentou iniciar normalmente, com a apresentadora buscando elevar a voz para abafar os protestos. Durante o hino nacional brasileiro, os manifestantes continuaram gritando, entoando “Cunha seu machista, tu é corrupto e ainda moralista” e “a nossa luta é todo dia, contra o machismo, racismo e homofobia”.

A mesa, composta unicamente por homens, parecia constrangida. Estava presente, além de Cunha, o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), que também foi vaiado. O presidente da Assembleia, Edson Brum (PMDB), disse que caso os gritos não parassem, o evento teria que ser interrompido. Diante da continuidade dos protestos, ele suspendeu o Fórum temporariamente.

O Dante Barone foi esvaziado e o evento foi transferido para o Plenário 20 de Setembro, onde começou com uma hora de atraso e sem protestos. Os manifestantes não puderam entrar e a Assembleia ficou com portas fechadas enquanto a transferência de local era feita.

Além de Cunha, Brum e Temer, também compuseram a mesa o governador José Ivo Sartori (PMDB), o presidente da Câmara de Vereadores Mauro Pinheiro (PT), o deputado Ibsen Pinheiro (PMDB), o vice-governador José Paulo Cairoli (PSD).

Na abertura, Cunha defendeu a necessidade da reforma política e classificou os protestos como “intolerantes” por “não respeitarem nem o hino nacional”. O governador Sartori pediu desculpas pela “falta de condições que tivemos de iniciar o debate mais importante para a conjuntura nacional, que é o da reforma política”. Já o vice-presidente afirmou que há “tranquilidade institucional”, apesar da “alarmada crise”.

Cunha foi alvo de protestos por se afirmar contrário à criminalização da homofobia e outras pautas ligadas aos direitos das minorias, como legalização do aborto e regulamentação da mídia. Ele é autor do projeto de lei que instituiria o “dia do orgulho heterossexual” e colocou em regime de urgência o Estatuto da Família, que busca retirar direitos de casais LGBTs.

domingo, 29 de março de 2015

“Tornei-me um apátrida por denunciar a ditadura do meu país”

Jornalista e blogueiro Makaila N’Guebla, nascido no Chade e exilado na França, por perseguições no país islâmico-cristão do centro-norte da África, concede entrevista à equipe colaborativa do FMML.


Quem vê a tranquilidade no olhar e no tom de voz do elegante homem negro não imagina a contundência com que trava uma batalha diária pela democracia e a liberdade de expressão. O jornalista e blogueiro Makaila N’Guebla, pena combatente e independente, como diz a descrição do seu blog (http://makaila.over-blog.com) paga com a própria vida, em sua condição de exilado político, pelas bandeiras democráticas que defende.

Makaila nasceu no Chade, país islâmico-cristão do centro-norte da África, que lidera rankings que não são motivo de nenhum orgulho: um dos mais pobres e com maior índice de corrupção do mundo. O poder está centralizado nas mãos do presidente Idriss Déby, o mesmo desde 1990. Por denunciar as violações de direitos humanos em seu país, Makaila N’Guebla vive exilado na França.

Desde o Fórum Social Mundial de 2011, em Dakar, onde morava, ele participa das articulações internacionais em defesa da liberdade de expressão. Hoje (25), ele comoveu e mobilizou participantes do Fórum Mundial de Mídia Livre (FMML), em Túnis, com sua história. O jornalista conversou com a equipe da cobertura colaborativa do FMML sobre as perseguições sofridas pela ditadura de Déby e a situação política do Chade.

P: Você poderia falar um pouco sobre o contexto político do seu país?

R: A situação no meu país é muito grave, porque já faz 25 anos que o presidente, Idriss Déby, está no poder e não temos eleições livres e transparentes. A democracia não existe, e os jornalistas são frequentemente detidos, torturados e expulsos do país. As Forças Armadas estão nas ruas, efetuam prisões de civis, e a oposição não existe. Então os estrangeiros, a população africana e a população internacional não sabem o que acontece no nosso país, porque não há democracia. Cada vez que se fazem eleições, o presidente se reelege com uma porcentagem entre 84% e 89% dos votos, e entendemos que essa situação acontece porque não temos direito à democracia. Eu fui à Comissão de Desenvolvimento Regional do Parlamento Europeu, em Bruxelas, em 2013, para chamar atenção sobre o que se passa no Chade.

P: E por que você decidiu criar um blog?

R: Eu criei o blog em 2007, no Senegal. Eu já trabalhava como jornalista numa rádio e não podia voltar ao meu país. Eu criei o blog porque os jornalistas da impressa não podem se expressar, há coisas que eles não podem dizer, então passei a divulgar informações a partir do Senegal. Então, por exemplo, publiquei no blog um vídeo, enviado por amigos do Chade, da família do presidente Déby jogando dinheiro para a população. Esse vídeo foi exibido no Canal 24, uma TV pública francesa. A pessoa que enviou o vídeo não foi detida, porque fui eu que o coloquei no ar, do exterior. Por conta disso, o governo de Chade pediu minha extradição, o que o Senegal se negou a fazer, mas me enviou, detido, para a Guiné, onde passei dois meses antes de ir para a França. Os blogueiros, os ativistas, os jornalistas, a sociedade civil internacional fizeram uma mobilização muito grande, no Senegal, na França e na Espanha, para me defender. Eu não tinha passaporte, tornei-me um apátrida até a França me oferecer exílio. Agora lá eu trabalho como jornalista e também continuo com o blog. Hoje sou sustentado financeiramente pelo governo francês, como refugiado político.

P: Qual o impacto social que uma Carta Mundial de Mídia Livre [documento com princípios e ações para uma mídia democrática] e toda essa articulação internacional têm para a defesa da liberdade de expressão?

R: É fundamental porque, do mesmo jeito que temos a Carta Mundial dos Imigrantes, a Carta de Mídia Livre [debatida nos últimos dois anos, será apresentada no Fórum Mundial de Mídia Livre no próximo sábado] pode ser um marco político para jornalistas, blogueiros e ativistas da liberdade de expressão. A Carta nos permite trabalhar juntos, países africanos, árabes, europeus e países como o Brasil, que tem uma forte mobilização. Eu compreendo que esse documento pode ser um instrumento para responsabilizar instâncias internacionais pela defesa da liberdade de expressão, como a Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura], para onde levei a proposta de carta no Dia Internacional da Liberdade de Imprensa [03 de maio].

Por Mônica Mourão, jornalista e integrante do Coletivo Intervozes, e Pedro Vilela, jornalista e secretário-executivo do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). Colaborou Bia Barbosa, jornalista, integrante do Coletivo Intervozes e da comissão organizadora do FMML. Texto publicado originalmente no site da Ciranda.

Mensalão Tucano: um ano parado e sem juiz

Fontes: Brasil 247 e Folha de São Paulo

O processo do chamado ‘mensalão tucano’ está parado há um ano na Justiça de Minas, desde que foi devolvido pelo Supremo Tribunal Federal à primeira instância. Ação também não tem mais juiz, já que o titular designado se aposentou.

O caso se refere às suspeitas de caixa 2 pelo então governador do Estado, Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998. De acordo com denúncia do Ministério Público Federal, o mensalão tucano envolveu desvios de R$ 3,5 milhões de empresas públicas de Minas, usados na campanha eleitoral.

O esquema começou a ser investigado em 2005, em meio ao escândalo do ‘mensalão’ do PT, que já foi julgado e está em fase de progressão de pena dos acusados. A Procuradoria apresentou denúncia à Justiça em 2007.

Azeredo, numa clara manobra, renunciou ao mandato de deputado federal e perdeu o foro privilegiado. Apesar de a renúncia ter ocorrido em março, somente no dia 4 de dezembro de 2014 a ação penal chegou à 9ª Vara Criminal, em BH.

O processo de Azeredo chegou a Minas já totalmente instruído pelo Supremo e pronto para ser julgado. Nenhuma audiência mais é necessária, gasta o julgamento. 

Parte da demora também pode ser explicada pela lentidão do Judiciário. O STF decidiu devolver o caso para Minas no dia 27 de março do ano passado. Foram necessários 5 meses para que a ação chegasse em Belo Horizonte. 

Quanto maior a demora, maior é o risco de que os crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República prescrevam e fiquem impunes. 

Prescrições


Não se sabe quando o Tribunal de Justiça de Minas nomeará um juiz substituto para a 9ª Vara. Isso deveria ter acontecido nesta quarta (25), quando o tribunal prometia indicar juízes para 12 varas na capital mineira e no interior.

A sessão foi adiada porque uma juíza candidata recorreu ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) questionando a lista. Como o processo terá de ser refeito, o tribunal diz que não há previsão de quando a nomeação dos juízes ocorrerá.

Tramitam ainda na 9ª Vara mais dois processos ligados ao mensalão mineiro. Um deles tem como réu o ex-senador Clésio Andrade (PMDB). Azeredo renunciou ao mandato de deputado e Clésio ao de senador, e assim perderam o direito de serem julgados pelo Supremo. Por isso, o STF devolveu o caso para a primeira instância.

O outro processo tem oito réus e ainda está na fase de instrução. Falta ouvir testemunhas, além de todos os réus. Dois deles --Cláudio Mourão, tesoureiro da campanha de Azeredo, e o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia-- já completaram 70 anos, beneficiando-se da prescrição.

A demora no julgamento pode beneficiar outros réus, inclusive Azeredo, que completará 70 anos em setembro de 2018. Se ele for julgado antes disso, ainda assim poderá se beneficiar da prescrição, caso seja condenado.

Isso ocorreria no caso de ser aplicada a pena mínima, três anos pelo crime de lavagem de dinheiro. A prescrição ocorreria porque já teriam passado nove anos entre o fato (1998) e a denúncia (2007). A lei nesse caso fixa a prescrição em oito anos.

sábado, 28 de março de 2015

Grupo RBS e mais 17 grandes empresas são investigadas por fraude à Receita Federal

Fonte: Jornalismo B

O site do jornal Estadão noticiou, na manhã deste sábado, uma lista com 28 empresas – várias delas gigantes do mercado brasileiro e internacional – que estão sob investigação por suspeita de que tenham negociado ou pago propina para “apagar débitos” com a Receita Federal. Entre elas, está o Grupo RBS, maior conglomerado regional de comunicação do país, que controla a maior parte da mídia no Rio Grande do Sul. A investigação faz parte da Operação Zelotes, da Polícia Federal.

Também aparecem citadas empresas como a Gerdau, a fabricante de carrocerias de ônibus Marcopolo, as montadoras Ford e Mitsubishi, os bancos Bradesco, Safra, Santander, Bank Boston e Pactual, a alimentícia BR Foods (dona de marcas como Sadia, Perdigão e Batavo), a construtora Camargo Corrêa, a Petrobrás e a Embraer.

De acordo com a reportagem do Estadão, “o grupo de comunicação RBS é suspeito de pagar R$ 15 milhões para obter redução de débito fiscal de cerca de R$ 150 milhões. No total, as investigações se concentram sobre os débitos da RBS que somam R$ 672 milhões, segundo investigadores”. Ainda segundo a reportagem, os maiores “débitos em discussão” são dos bancos Santander (R$ 3,3 bilhões) e Bradesco (R$ 2,7 bilhões), da montadora Ford (R$ 1,7 bilhões) e do Grupo Gerdau (R$ 1,2 bilhões).

O valor, da fraude, apurado preliminarmente pela Polícia Federal  chega a R$ 19 bilhões, contudo há indícios que ele possa ser maior que o escândalo da Petrobras e do Mensalão juntos. 

Veja abaixo as empresas investigadas e o valor que elas deviam de multas à Receita Federal, e que teriam sido abonadas pela quadrilha. 




Humor: Honestidade


Projeto do PSDB no Senado vai acabar com atendimento de saúde aos mais pobres

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, classificou de um verdadeiro atentado ao Programa Mais Médicos e que pode deixar cerca de 63 milhões de brasileiros sem assistência médica em todo o país, a proposta de autoria do PSDB, em tramitação no Senado Federal, de invalidar o termo de cooperação firmado pelo governo brasileiro com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

“O projeto de decreto legislativo da liderança do PSDB é um verdadeiro atentado contra o programa, ele significa a derrocada do Mais Médico, porque imediatamente nós perderíamos 11.487 médicos, que são os profissionais cubanos engajados no programa. Não consigo entender como alguém comprometido com a saúde pública proponha algo assim”, explicou o ministro.

As declarações do ministro da Saúde foram referentes ao Projeto de Decreto Legislativo 33/2015 apresentado no Senado Federal, na última segunda-feira (23). A proposta dos senadores Cassio Cunha Lima (PB) e Aloysio Nunes (SP), líder e vice-líder do PSDB, respectivamente, se refere  ao termo de cooperação firmado pelo Ministério da Saúde com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), referente a participação de médicos cubanos no Programa Mais Médicos. O projeto está, atualmente, em tramitação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado.

“É lamentável questionar a relação do Brasil com uma instituição centenária como é a Opas. Na prática o decreto rompe, torna nulo o convênio com a organização, que permite que mais de 11.400 médicos cubanos possam trabalhar no Programa Mais Médicos. E eles trabalham em região de floresta, nas aldeias indígenas, nos quilombolas, no semiárido, nas regiões mais críticas do país. É um atentado contra a população brasileira e contra as próprias prefeituras do PSDB,” disse.

Chioro acrescentou que levou a sua preocupação a presidente Dilma Rousseff, ao presidente do Senado, Renan Calheiros e aos secretários municipais e secretários estaduais de saúde.

“O programa foi criado para beneficiar exclusivamente a população brasileira que depende do SUS. O projeto apresentado no Senado demonstra profundo desconhecimento sobre a construção do programa e sua absoluta legalidade. Os autores demonstram-se insensíveis aos benefícios e resultados desta iniciativa”, afirmou o ministro. 

Segundo Chioro, o Mais Médicos conta atualmente com 11,4 mil médicos atuando em mais de 3.500 municípios. Atualmente, 2,7 mil cidades que aderiram à iniciativa são atendidas exclusivamente pelos profissionais cubanos.

“A prioridade do governo federal sempre foi a participação dos médicos brasileiros no programa. Somente de 2013 a 2014, fizemos cinco chamadas para inscrição desses profissionais. Tivemos que buscar profissionais estrangeiros para preencher todas as vagas demandadas pelos municípios”, disse.

Hoje o programa conta com médicos de mais de 50 nacionalidades e em sua consolidação vai chegar a mais de 72% dos municípios brasileiros, atendendo prefeituras de todos os partidos, inclusive 65% (447) das cidades administradas pelo PSDB.

Informações do Ministério da Saúde, indicam que o programa, criado em 2013, prevê investimento na melhoria da infraestrutura da saúde e expansão da formação médica no país. Até 2018, serão criadas 11,5 mil novas vagas de graduação em medicina e 12,4 mil vagas de residência médica para formação de especialistas com o foco na valorização da Atenção Básica e outras áreas prioritárias para o SUS.

De acordo com o ministério já foram autorizadas 4.684 novas vagas de graduação, sendo 1.347 em instituições públicas e 3. 337 em instituições privadas, além da seleção de 39 municípios para criação de novos cursos

sexta-feira, 27 de março de 2015

Greve de fome por direitos na Tunísia


Fonte: EBC

No coração da cidade de Túnis, capital da Tunísia, um sobrado pequeno chama atenção em uma rua pouco movimentada, porém próxima ao mercado central e à região de hotéis onde estão boa parte dos estrangeiros na cidade para o Fórum Social Mundial 2015, que acontece até o dia 28. Da estreita porta rodeada de papéis escritos em árabe, entram e saem pessoas todo o tempo. Ali está uma ocupação iniciada há nove dias, onde estão concentrados 23 homens e mulheres tunisinos e tunisinas em uma greve de fome. São pessoas com diplomas de graduação e alguns até de mestrado e doutorado, mas sem empregos. Para além da alta taxa de desemprego entre jovens na região, eles são fruto dos desafios da transição democrática iniciada em 2011 no país e enfrentam a violação do direito a exercer suas profissões no sistema público de educação da Tunísia.

Os homens e mulheres que iniciaram a greve de fome são ex-militantes da União Geral dos Estudantes da Tunísia (UGET – o que seria o equivalente à União Nacional dos Estudantes – UNE ) e fizeram parte das revoltas que levaram à “Revolução de Jasmim”, que depôs o ex-ditador Ben Ali no final de 2010.

Segundo eles, por questões políticas, há impedimento para que qualquer um assuma cargos para lecionar nas universidades tunisinas. Todos e todas os/as grevistas prestaram, concursos públicos recentemente e foram aprovados/as, mas, mesmo após o fim da ditadura de Ben Ali, são mantidos em uma lista negra do país que impede a entrada no quadro de professores das universidades.

“A ditadura acabou e constitucionalmente os tunisinos têm mais direitos garantidos (a nova constituição entrou em vigor em 2014), mas queremos nossos direitos de fato, não apenas no discurso”, diz Samir Fouroh, um dos grevistas, professor de Sociologia.

Antes do atentado que deixou 21 pessoas mortas (entre elas um brasileiro), no Museu do Bardo, no Centro da Tunísia, o movimento conseguiu visibilidade em alguns organismos de mídia no país, mas, após o atentado, as páginas dos jornais estão centradas no ato, reivindicado pelo grupo Estado Islâmico. “A desculpa é que o atentado é o assunto mais importante, mas, na realidade, é o que atrai mais atenção. É uma escolha que os meios de comunicação fazem e não há espaço para os movimentos da sociedade civil”, disse Zied Kussem, também em greve de fome.

Representantes da delegação brasileira no Fórum Social Mundial fizeram uma visita de solidariedade ao local. No chão, os colchões dos grevistas ocupam quase toda a área, rodeados de garrafas de água. Acima de cada colchão, papéis com letras coloridas indicam o nome de cada pessoa. Junto a eles, rosas, fotos de mártires da luta estudantil do país, e frases, como “por uma vida digna, uma vida justa”). Durante a visita, uma mulher, Nojwa Ben Amor, uma das grevistas, se sentiu muito mal em consequência da falta de ingestão de alimentos. Uma ambulância veio socorrê-la. Há cinco dias ela estava apenas a base de água.

E por quê a opção pela greve de fome? Samir Fouroh, um dos líderes do movimento, responde: “Não temos escolha. A falta de emprego é outra forma de nos fazer morrer de fome, só que mais silenciosa. Se fazemos concursos, somos aprovados e o governo não nos deixa assumir, ficamos sem ter para onde ir. É muito grave, não podemos esquecer que foi aqui o início da Primavera Árabe, que contou com a participação de mais de quatro mil movimentos sociais da região. Não somos contra o novo regime, nós o conquistamos, conquistamos a democracia, mas queremos a garantia de nossos direitos como cidadãos”, resassaltou Fouroh.

O movimento conta com apoio de estudantes universitários, mestrandos e doutorandos de universidades públicas do país, como Amel Hammi, doutoranda da Universidade de Direito e de Ciência Econômica e Política de Sousse, cidade da Tunísia, que esteve na ocupação para dar apoio à greve: “Estou aqui

Um comunicado assinado pelo comitê nacional de ex-militantes da UGET foi divulgado nesta quinta-feira no Fórum Social Mundial 2015, que acontece no Campus da Universidade El Manar, em Túnis. O documento diz que “depois das conquistas populares, não há uma mudança visível para o fim do sofrimento de ativistas tunisinos iniciado com as violações de direitos humanos do regime do ex-ditador Ben Ali. Desemprego, pobreza e a falta de liberdades civis torna suas vidas impossíveis.” O documento lembra ainda que, em 2010, a organização Humans Rights Watch divulgou um relatório apontando que as violações de direitos na Tunísia haviam atingido níveis intoleráveis. O comunicado denuncia ainda que não há organizações da sociedade civil e movimentos sociais fora do controle de governo e que os mais atingidos são sindicalistas e estudantes.

Durante o regime de Ben Ali, os militantes foram oficialmente banidos de atividades dentro de órgãos públicos. Em janeiro de 2011, com o primeiro governo de transição, liderado por Mohamed Ghannouchi, houve anistia de perseguidos políticos. Mas ela não foi posta em prática e, em seguida, durante o governo do Partido Ennahda, uma lei permitiu a nomeação de parentes dos dirigentes do governo para assumirem cargos públicos. Agora, com o governo que assumiu em janeiro de 2015, de Habib Essid, a situação dos ativistas continua em suspenso. “ A transição não ocorre de um dia para o outro, é um processo, mas há gente morrendo pela falta de direitos básicos na Tunísia”.

A expectativa do grupo é atrair atenção dos visitantes de várias partes do mundo que estão na Tunísia para o Fórum Social Mundial, para conseguir aumentar a pressão sobre o governo do país. Nesta quinta-feira, 26, eles receberam apoio de organizações das juventudes de diferentes partes do mundo, além de outros movimentos que estão em Túnis participando do Fórum Social Mundial. O encontro está na sua 14a edição. Ele foi realizado pela primeira vez em 2001, na cidade de Porto Alegre, no Brasil. Em sua origem, foi proposto como um contraponto ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, que se realiza anualmente, em janeiro. Mas, atualmente, as datas de ambos os eventos não são coincidentes.

Fraude bilionária, desbaratada pela PF, que beneficiava empresários pode ser maior que a Lava Jato


O número inicial apurado pela Polícia Federal é gigantesco. São R$ 19 bilhões em multas aplicadas pela Receita Federal que foram anuladas pela quadrilha. Esses números são apenas inciais. É bom lembrar que no início da Lava Jato a estimativa era de R$ 10 bilhões.

A quadrilha oferecia às empresas que eram multadas pela Receita Federal, vantagens para que as multas fossem diminuídas, ou simplesmente sumissem. Eles atuavam junto ao Carf  que julga processos na esfera administrativa, em que contribuintes questionam a cobrança de tributos. É um colegiado formado por funcionários do Ministério da Fazenda e por representantes da sociedade. Ele é composto por três seções de julgamento, cada uma especializada em um grupo de tributos.

Conforme as investigações, 70 empresas dos setores industrial, automobilístico, siderúrgico e agrícola, além de grandes bancos, subornaram conselheiros. Os investigadores já conseguiram identificar corrupção envolvendo nove processos no valor de R$ 6 bilhões. Com a análise das demais 61 causas, o valor subiria para R$ 19 bilhões.

Entre as empresas investigadas estão o Banco Safra, de Joseph Safra, uma empresa de Jorge Gerdau.

PROPINA DE 1% A 10% DA MULTA DEVIDA


São dez conselheiros do Carf investigados, entre eles, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, pai do deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), líder do PP na Câmara. O ex-secretário da Receita Federal e ex-presidente do conselho Otacílio Cartaxo e seu genro Leonardo Manzan são suspeitos das fraudes. Foram apreendidos documentos na sede do Carf, na casa de conselheiros, advogados e lobistas suspeitos de envolvimento nas fraudes.

Até o fim da tarde de ontem, a polícia apreendeu R$ 2 milhões em espécie. Pelas investigações da PF e do Ministério Público, representantes de empresas e bancos pagavam propina para conselheiros do Carf atrapalhar o andamento de processos fiscais e, com isso, reduzir ou mesmo eliminar multas e somas expressivas de impostos devidos e não pagos. O valor da propina, conforme a polícia, poderia variar de 1% a até 10% das multas a serem pagas.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Governo Sartori. Nepotismo 2ª versão

Depois de criar o Gabinete de Políticas Sociais (que tem status de Secretaria) especialmente para a esposa Maria Helena Sartori, o Governador ainda terá que explicar ao povo gaúcho e, em especial, a seus eleitores outros casos de nepotismo.

Segundo apurado pela Zero Hora, ao menos quatro irmãos de parlamentares que integram a base de apoio do governo José Ivo Sartori (PMDB) foram nomeados para cargos em órgãos e autarquias do governo estadual.

Estão na lista os irmãos dos deputados estaduais Adilson Troca (PSDB), Edson Brum (PMDB), Alexandre Postal (PMDB) e Gilberto Capoani (PMDB). Também foi nomeado por Sartori o filho do deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM)

Os deputados alegam que não se trata de nepotismo, pois seus irmãos possuem capacidade técnica e, além disso, assumiram cargos em um Poder distinto.

Porém, quando for necessário julgar ou intermediar influências nos órgãos e autarquias onde trabalham seus irmãos, tudo ficará muito mais fácil para esses deputados da base do governador.

Aliás, os cargos ocupados pela parentada não são pouca coisa: Adinelson Troca é diretor administrativo-financeiro da Superintendência do Porto de Rio Grande. Edivilson Brum é presidente da Companhia Riograndense de Mineração (CRM). Fernando Postal assumiu a direção da Banrisul SA Administradora de Consórcios. Luiz Alcides Capoani comanda a Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH).

Rodrigo Marques Lorenzoni foi indicado para a diretoria de Incentivo ao Desenvolvimento da Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan).
A extensão do poder e do dinheiro dentro das famílias é um problema crônico no Brasil, que dá sustento a oligarquias, a casos de corrupção e alimenta a ineficiência da Administração Pública.



Perguntinha: não deveria ser na Plácido de Castro?

Foto: Icaro de Campos
A rua Sinimbu, em plena terça feira, dia útil, teve seu trânsito interrompido das 15 às 22 horas.

Motivo?

A instalação de telões, cadeiras e outras estruturas para a ordenação do padre Leomar Brustolin, em Bispo.

Segunda a prefeitura municipal as interrupções na Sinimbu serão impossíveis quando o Sistema Integrado de Mobilidade, SIM, estiver pronto. Para isso todas as atividades artísticas e culturais seriam transferidas para a Plácido de Castro (recentemente asfaltada às pressas) e para o Largo da Estação Férrea.

Ontem a Sinimbu foi interditada. Para uma celebração particular. Ela não deveria acontecer em outro lugar? Não deveria acontecer na Plácido de Castro?

A resposta dessa pergunta gera muita polêmica, com certeza. Em Caxias o poder da igreja católica é tão grande que chega a cunhar o lema da administração " e trabalho". Parece que foi mais longe, conseguiu fechar a Sinimbu, 1 mês depois do prefeito Alceu Barbosa Velho dizer que ela não seria mais fechada.

quarta-feira, 25 de março de 2015

"Podemos tirar, se achar melhor"

Fonte: Carta Capital

Uma observação perdida em meio a uma entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso indica que a disputa a respeito da corrupção na Petrobras extrapolou o mundo político e pode ter adentrado também a redação da Reuters.

Na segunda-feira 23, a agência de notícias britânica publicou uma entrevista com o ex-presidente sobre a atual conjuntura política no País. No quinto parágrafo, há uma frase de FHC atribuindo ao ex-presidente Lula “mais responsabilidade política” pela corrupção na estatal do que a Dilma Rousseff, a atual chefe do Executivo.

No parágrafo seguinte, o texto lembra que um dos delatores do esquema, o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco, disse ter começado a receber propinas em 1997, ainda sob o governo FHC. Entre o sexto e o sétimo parágrafos, logo após a citação de Barusco, aparecia entre parênteses a observação “Podemos tirar, se achar melhor”.

O comentário, que indica a possibilidade de o trecho sobre a corrupção na era FHC ser suprimido, é uma mensagem esquecida pelos jornalistas envolvidos na versão final do texto. Segundo informou a Reuters a CartaCapital, a frase, "publicada acidentalmente", é uma "pergunta" de um dos editores do serviço brasileiro da agência "ao jornalista que escreveu a versão original da matéria em inglês". O autor da entrevista, Brian Winter, escreveu em parceria com Fernando Henrique Cardoso um livro de memórias do ex-presidente, chamado O Improvável Presidente do Brasil.

O “Podemos tirar, se achar melhor” foi apagado e não está mais no ar, como também confirmou a Reuters em nota (leia a íntegra no fim do texto). Um busca no Google pela expressão mostra que a observação foi mesmo ao ar. O cache do site de buscas armazena versões anteriores das páginas da internet e traz a frase “Podemos tirar, se achar melhor” imediatamente antes das palavras “Apesar das turbulências”, que abrem o sétimo parágrafo.
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Uma versão da entrevista com FHC republicada pelo jornal A Cidade, de Ribeirão Preto (SP), também trazia a expressão, até olink ser apagado pelo jornal, na tarde desta terça-feira 24.
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As palavras de Pedro Barusco geraram uma disputa entre PT e PSDB a respeito de qual dos dois partidos é o pai da corrupção na Petrobras. Ex-auxiliar de Renato Duque, o ex-gerente de Serviços da estatal indicado pelo PT, Barusco ajudava seu chefe a lidar com a propina recebida pela diretoria em que trabalhavam, como mostram as investigações da Operação Lava Jato.

No ano passado, Barusco assinou um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal e fez diversas revelações. Entre elas, que começou a receber propinas na Petrobras em 1997 e que o pagamento de valores indevidos se tornou “sistemático” no ano 2000. Em depoimento na CPI da Petrobras, Barusco reafirmou o recebimento de propina a partir de 1997 e disse que, a partir de 2003 (ano da posse de Lula), o recebimento de propina estava “institucionalizado” na estatal. Segundo Barusco, sua estimativa é de que o PT teria recebido até 200 milhões de dólares em dinheiro público desviado.

Abaixo, a íntegra da resposta da Reuters sobre o caso:

“Em 23 de março, a Reuters publicou inadvertidamente uma reportagem em Português que continha uma pergunta de um dos editores do Serviço Brasileiro de notícias ao jornalista que escreveu a versão original da matéria em Inglês. A pergunta, que deveria ter sido removida do texto, foi publicada acidentalmente. A Reuters em seguida publicou uma segunda versão do texto sem a pergunta. O conteúdo de ambos os textos em Português é exatamente o mesmo, e lamentamos qualquer confusão causada pelo engano.”

Fórum Social Mundial: marcha de abertura em Bardo, na primeira democracia do mundo árabe

Foto: Midia Ninja
*Por Fernanda Ramone, assessora de comunicação da Rebrip

Túnis recebe mais uma edição do Fórum Social Mundial (FSM). Sua tradicional marcha de abertura realizada hoje (24 de março) nas imediações do museu de Bardo propagou a mensagem de solidariedade e luta contra todos os tipos de terrorismos.

Cinco dias após o ataque terrorista que matou 22 pessoas, a marcha teve início sob forte chuva levando como lema central: “Os povos unidos pela liberdade, igualdade, justiça social e pela paz. Em solidariedade aos tunisianos e todas as vítimas de terrorismo, contra todas as formas de opressão”. O percurso da marcha foi alterado este ano pelos organizadores, que decidiram pelo trajeto nas imediações do museu de Bardo.

Marcada por superlativos e pluralidades, a marcha pacífica teve início sob forte chuva, reuniu cerca de três mil pessoas e inúmeras causas que compreendiam desde a liberdade da Palestina até a consolidação da democracia na Tunísia.

A Tunísia é considerada o berço da Primavera Árabe. A série de levantes populares que derrubou governos autoritários na região. A transição do país para um regime democrático é tida como o único caso de sucesso da onda de contestações, já que países como a Síria e o Egito estão assolados por conflitos. O país promoveu eleições parlamentares e elegeu seu presidente, no ano passado, o líder do partido laico Nidaa Tounès, Beji Caid Essebsi. Foi a primeira vez, desde a independência tunisiana do domínio francês, em 1956, que a população escolheu livremente o presidente do país.

O atentado ao Museu do Bardo foi o primeiro no centro da capital e atingiu o símbolo político do Estado, o Parlamento que fica ao lado do museu.

Os organizadores do comitê local do Fórum Social Mundial descartam a possibilidade de outro ataque durante o evento. O fórum espera reunir cerca de 60 mil pessoas e tem quase 1,1 mil atividades previstas entre 24 e 28 de março. Mais de 4 mil organizações de 118 países estão inscritos para participar do evento.

terça-feira, 24 de março de 2015

"Manifestante", Agripino agora é réu por corrupção


Fonte: Brasil 247

Menos de dez dias depois de participar dos protestos contra a corrupção e de defender, em entrevistas recentes, o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o senador Agripino Maia (DEM/RN) se tornou réu no Supremo Tribunal Federal por... corrupção.

A ministra do Cármen Lúcia decidiu abrir uma investigação contra o senador Agripino Maia (RN), presidente do DEM, com base em denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Maia foi delatado pelo empresário do Rio Grande do Norte George Olímpio, que disse negociar propina com políticos. A denúncia foi feita por meio de delação premiada.

Ele contou que o senador lhe pediu R$ 1,1 milhão para campanhas políticas e o chantageou, afirmando que, caso não lhe desse o dinheiro, perderia o contrato que tinha por meio de um instituto para prestar serviços ao Detran/RN.

Ele disse que chegou a entregar R$ 300 mil a Agripino Maia e a fazer empréstimos a pessoas indicadas por ele para que completasse a quantia solicitada. O pagamento ajudaria a liberar serviços de inspeção veicular no Rio Grande do Norte.

Como presidente do DEM, Agripino recebeu a solidariedade de correligionários como o senador Ronaldo Caiado (DEM/GO). No 15 de março, Caiado participou dos protestos e chegou a usar uma camisa de inspiração fascista contra o ex-presidente Lula. Em relação a Agripino, ele afirmou que o senador potiguar deveria ter o benefício da dúvida e o direito de se defender.

Lista do Suiçalão tem artistas, músicos e celebridades brasileiras

Alguns já se vestiram de preto dizendo que estavam de luto pelo Brasil por causa da corrupção. Outros disseram que tinham medo. Outros emprestaram sua imagem para campanhas eleitorais. Todos esses artistas e celebridades tem uma coisa em comum: tem uma, ou mais contas, na Suiça e não estão pagando imposto de renda por isso, ou seja, estão sonegando.

A lista divulgada pelo jornalista Fernando Rodrigues, do UOL e pelo Globo, trazem alguns nomes famosos do cinema e da televisão. A lista não é completa, ela é liberada a conta gotas a critério do UOL e do Globo. A lista integral tem mais de 8 mil contas de 6 mil correntistas.

Nessa listagem o nome que mais chama atenção é de Maitê Proença. Ela tem uma conta aberta, na Suiça, desde 17 de abril de 1990. Quando os dados foram extraídos com HSBC, em 2007, o saldo era de US$ 585 mil. Maitê é figurinha carimbada quando o assunto é dar declarações políticas e a se pronunciar contra programas sociais. Porém ela recebe uma pensão vitalícia, do estado de São Paulo, de R$ 17 mil mês, isso porque nunca se casou formalmente. O instituto de previdência do estado tentou na justiça retirar esse direito alegando que ela já teve uma união estável. A atriz recorreu e ganhou, na justiça o direto de continuar recebendo a pensão.

Além de Maitê, Marília Pera é outra atriz que aparece na lista. Na época ela tinha US$ 834.133 numa conta secreta na Suiça. Em 1989 ela declarou publicamente apoio ao então candidato Fernando Collor de Melo. Outra apoiadora de Collor, Claudia Raia, também mantem conta na Suiça. Na época do vazamento ela tinha US$ 135.723.

Todos os nomes dessa lista também são pessoas que receberam incentivos fiscais via Lei Rouanet.

O cineasta Andrew Waddington, mais conhecido como Andrucha, também é listado como dono de uma conta numerada no banco suíço. Sócio da produtora Conspiração Filmes, ele aparece nos registros dividindo uma conta com seu irmãoRicardo Waddington, que hoje é diretor da TV Globo. Em 2006/2007, a conta dos dois não tinha saldo.

Andrucha e Ricardo Waddington foram titulares da conta 14870 HW, aberta em 7 de março de 1997 e encerrada em 31 de janeiro de 2000.

A Conspiração Filmes, de Andrucha, captou R$ 13,4 milhões, conforme dados do Ministério da Cultura. O dinheiro foi liberado para projetos como “Taça do Mundo é Nossa Casseta & Planeta O Filme”, “Matador” e “Eu Tu Eles”.

O cineasta Hector Babenco aparece relacionado à conta 1683 JM, aberta em 25 de abril de 1988 e encerrada em 6 de janeiro de 1992. Sua produtora, a HB Filmes, já captou R$ 16,2 milhões para trabalhos como o filme “Carandiru” e a peça de teatro “Hell”.

A atriz Claudia Raia, segundo os registros do HSBC, teve uma conta na agência de Genebra, número 34738 ZES, de 3 de maio de 2004 a 5 de novembro de 2006. Era um depósito em conjunto com seu então marido, o também ator Edson Celulari. Eles se separaram em 2010. Na época em que os dados foram extraídos do banco, em 2006/2007, a conta tinha um saldo de US$ 135 mil.

Cláudia Raia, por meio de suas duas empresas denominadas “Raia Produções”, captou, de 2009 a fevereiro de 2015, um total de R$ 7,4 milhões via Lei Rouanet para os musicais “Pernas pro Ar”, “Charlie Chaplin” e “Raia 30 Anos”. A responsável pela produtora é a irmã de Cláudia, Maria Olenka de Fátima Motta Raia.

Já Edson Celulari, por meio da Cinelari Produções Artísticas, captou de 1997 a 2012 R$ 2,6 milhões para as peças “D. Quixote de lugar nenhum”, “Fim do jogo”, “Nem um dia se passa sem notícias suas” e “Dom Juan”.


Não é ilegal ter conta na Suiça ou em qualquer outro país desde que seja declarada à Receita Federal. Os titulares também devem informar ao Banco Central quando o saldo for superior a US$ 100 mil.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Policiais cívis e militares fazem protesto para cobrar de Sartori nomeação de concursados

Manifestantes preparam um "polentaço" na frente do Piratini
Policiais cívis e militares realizaram no final da manhã de hoje um protesto, em frente o Palácio Piratini, para cobrar do governador José Ivo Sartori (PMDB) as nomeações dos aprovados em concurso público em 2014. Entre policiais cívis, militares e bombeiros são mais de 2.500 pessoas que foram aprovadas no concurso e esperam serem efetivados.

As contratações de novos servidores foi uma das medidas tomadas no início do governo Sartori. Como os policiais precisam passar por um treinamento que dura quase um semestre, se as nomeações atrasarem muito eles não irão para às ruas esse ano.

Mais cedo os policiais participaram de uma audiência pública para discutir, além do atraso nas nomeações, os cortes nas horas extras, nas promoções e a possibilidade de parcelamento dos salários.

Na quinta feira, 19, o governador Sartori determinou o corte de 20% do orçamento de todas as secretárias. Essa medida apenas intensifica os problemas que a segurança pública enfrenta desde o começo do ano. São menos policias no patrulhamento e menos inspetores na investigação de crimes.

Quem fala a verdade: Sartori ou Feltes

Quase três meses de governo estadual e os novos moradores do Palácio Piratini ainda ficam batendo cabeça; uns com os outros e até nas paredes (pelo que se comenta por aí).

Na última quinta feira (19) mais uma demonstração de completa dissintonia entre o governador e os secretários foi escancarada ao público gaúcho.

Durante a apresentação do "Raio X" sobre as finanças gaúchas - onde apareceram número completamente novos como se surgidos do nada - o secretário da Fazenda, Gionavi Feltes (PMDB), admitiu que o governo do estado fez uso de R$ 300 milhões dos depósitos judiciais em 2015.

Fato que seria normal se não fosse uma das principais críticas ao ex-governador Tarso Genro (PT) tanto durante a campanha, quando nesses quase 3 meses.

Acontece que o governador Sartori disse que não foi utilizado recursos dos depósitos judiciais! Em uma entrevista para a Rádio Gaúcha, Sartori tenta responder, pois ele continua sem dar uma resposta com começo, meio e fim, sobre o assunto.

Vejam abaixo a transcrição do diálogo do governador com a jornalista Rosane de Oliveira.

Rosane de Oliveira: O senhor sempre foi um crítico do uso dos depósitos judiciais, dos empréstimos, do seu antecessor, mas seu governo, para pagar salários e a dívida nos primeiros meses, teve que usar parte dos depósitos.

José Ivo Sartori: Eu não teria tanta certeza assim de que os depósitos judiciais foram usados nesse período.

Rosane: O seu secretário confirmou, governador.

Sartori: Ainda assim, eu não seria tão enfático nessa realidade.

Rosane: Nós recebemos a confirmação dele de que foi usado para pagar a dívida.

Sartori: Essa questão que fica a tua palavra contra a nossa.

Rosane: Mas é a palavra do seu secretário, governador.

Sartori: São detalhes que não ajudam o conjunto. O que é certo é que ou nós fazemos um pacto de unidade no RS e trabalhamos todos juntos para construir uma nova realidade. Porque, com humildade e com serenidade, nós precisamos de todos.

Em quatro perguntas Sartori não consegue dar uma resposta calcada na realidade. Em bom português: Ele enrolou!

Em nota, após o programa a assessoria de imprensa do Piratini esclarece que Sartori achava que o recurso era destinado para o pagamento dos servidores.

Além de não apresentar nenhuma alternativa para o caos que o governador Sartori diz que o estado se encontra ele ainda "bate cabeça" com seus secretários. Nesse momento é que se percebe a falta que faz Marcos Martinelli, o marqueteiro da campanha de Sartori, que durante os debates levantava placas com dicas para o Gringo.

domingo, 22 de março de 2015

30 mil professores nas ruas de São Paulo contra o governo Alckmin. Isso vai dar no Fantástico?

Na manhã desse sábado, 21, cerca de 30 mil professores do estado de São Paulo, realizaram uma assembleia que decidiu pela manutenção da grave que já dura uma semana. Após eles sairam em passeata até a sede da secretaria estadual de educação. 

Segundo o sindicato da categoria a mobilização atinge 100 mil professores de todo o estado que protestam contra as medidas apresentadas pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Entre as iniciativas contestadas pela categoria estão o fechamento de mais de 3 mil salas de aulas, demissão de mais de 20 mil professores, congelamento dos salários. 

A mobilização foi muito grande na Avenida Paulista, mas isso não saiu na mídia. 

A Polícia Militar não deu um número de participantes 5 vezes maior (fez justamente o contrário), a televisão não deu flashs ao vivo e nem celebridades de novela estavam presentes. 

Como esse era um protesto de professores isso não ganhou "ibope". Nem deve aparecer no Fantástico. 

Como seu colega tucano Beto Richa, governador do Paraná, que enfrentou um mês de greve dos servidores, Alckmin desfruta de uma confortável blindagem da mídia. Ela já salvou sua reeleição escondendo a falta de água em São Paulo, agora quer esconder os protestos contra o seu governo por parte do professores. 

E você acredita que os meios de comunicação ainda são isentos.

Alceu desiste de usar carro comprado para o Samae

Pegou mal o prefeito Alceu Barbosa Velho (PDT) ficar dando banda por aí, de carro novo, ainda mais depois que o povo soube que o veículo tinha sido comprado para outra finalidade. 

Mesmo que se diga que a Mitsubishi Pajero Dakar que custou a bagatela de R$ 160 mil ao Samae vai durar 10 a 15 anos em serviço isso não justifica que o veículo, adquirido para realizar inspeções nas áreas das barragens fosse desviado de função e colocado a disposição do prefeito. 

A primeira dama, e coordenadora de comunicação (que tem uma relação funcional esquisita também), até tentou avisar, segundo Alceu: "Não pega que é fria", ponderou Alexandra Baldiserotto. Nessa sexta feira o prefeito resolveu devolver o veículo para o Samae. 

O que é "frio" nessa história toda é essa relação de compadres. A justificativa do diretor presidente do Samae, Eloi Frizzo (PSB) é que o carro tinha pouco uso na autarquia. Mas então por que foi comprado? Aí simplesmente é feito troca de patrimônio, de um lugar para outro, como se estivéssemos falando de crianças trocando bolinha de gude!

No mesmo pacote o Samae adquiriu mais duas caminhonetes L-200 no valor de R$ 108 mil cada. E, pasmem, leitores, ainda gastará, esse ano, quase R$ 600 mil em aluguel de veículos dos próprios servidores!!!!! Só nisso o Samae gasta mais de R$ 1 milhão de dinheiro público e tudo isso é feito sem quase nenhuma explicação.

Enquanto isso o Samae não devolve os valores, já considerados ilegais, do Fundo Municipal de Recursos Hídricos (quase R$ 18 milhões em valores atualizados). 

sexta-feira, 20 de março de 2015

Receita Federal desmonta fraude milionária contra o imposto de renda em Caxias

Um esquema milionário, operado por pai e filha, fraudaram 500 declarações de 100 pessoas. O esquema foi desmontado pela Receita e Polícia Federal ontem (19).

A fraude consistia em declarar despesas médicas fictícias com a finalidade de obter redução do imposto a pagar ou aumentar a restituição. O esquema foi descoberto por que a Receita Federal suspeitou na frequência dos gastos e de que eles sempre tinham o mesmo valor.

As 100 pessoas que fraudaram as declarações eram todas funcionárias da mesma empresa. A Receita Federal vai agora auditar cerca de 3 mil declarações e estima que a fraude possa alcançar R$ 4 milhões.

Com esse valor é possível, por exemplo, construir uma UPA, Unidade de Pronto Atendimento, do mesmo tamanho da que está sendo construída na Zona Norte.

Infelizmente esse golpe vai custar barato. Os fraudadores poderão acertar sua situação com a Receita pagando uma multa de 150% do valor deduzido ilegalmente, uma pechincha. Quanto ao pai e a filha se forem julgados e condenados por sonegação fiscal, falsidade e associação criminosa as penas variam de 4 a 13 anos e, muito provavelmente, cumprirão a pena em liberdade.

A equipe do Polenta News ficou aqui pensando. Quantos desses envolvidos levantaram cartaz "contra a corrupção" no último final de semana?


quinta-feira, 19 de março de 2015

Youssef afirma que Aécio Neves que Aécio Neves recebia propina de Furnas

O doleiro Alberto Youssef, operador dos desvios na Petrobrás e no Banestado (no Paraná na década de 1990), afirmou em um dos depoimentos de sua delação premiada que ouviu do ex-deputado José Janene (PP), falecido em 2010, e do presidente da empresa Bauruense, Airton Daré, que o senador Aécio Neves (PSDB) dividiria uma diretoria de Furnas com o PP e que uma irmã dele faria uma suposta arrecadação de recursos junto à empresa citada.

O depoimento sobre Aécio Neves está na parte dos vídeos da delação premiada que foi divulgada nesta terça-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Veja aqui.

Youssef contou que auxiliava Janene e algumas vezes transportou recursos para ele originários de propinas pagas pela empresa Bauruense por contratos em Furnas. Isso teria ocorrido entre 1996 e 2000, no governo Fernando Henrique Cardoso. Janene arrecadava entre US$ 100 mil e US$ 120 mil mensais, com pagamentos em espécie em dólares ou reais. Afirmou que ouviu o ex-deputado afirmar a correligionários do PP que a diretoria de Furnas seria dividida com o PSDB, mais especificamente com Aécio Neves.

— Ele conversando com outro colega de partido, então naturalmente saia essa questão que na verdade o PP não tinha a diretoria só, e sim dividia com o PSDB, no caso a cargo do então deputado Aécio Neves — disse Youssef.

— Ele (Daré) estava discutindo valores com o seu José (Janene) e dizia: não posso pagar mais porque tem a parte do PSDB. Aí você acaba escutando — afirmou o doleiro.

O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, retirou o nome de Aécio Neves da lista dos investigados da Lava Jato. Entretanto a fala do doleiro revela que há um caso, já sabido há muitos anos, que envolve a empresa Furnas.

Conhecido como a Lista de Furnas, esse esquema teria abastecido as campanhas eleitorais do PSDB e do PFL (hoje DEM) no começo dos anos 2000. Estariam na lista, além de Aécio, José Serra, Geraldo Alckmin, Roberto Jeferson e mais 150 pessoas. Em 2012 o MP do Rio de Janeiro ofereceu denúncia contra 11 pessoas, o caso corre em segredo de justiça. 

#Prefeitoostentação

Roni Rigon/Agência RBS
O Samae, primo rico da Prefeitura, tem o costume de renovar sua frota constantemente. Além de ter dezenas de carros locados.

Desta vez, comprou um veículo um tanto quanto luxuoso: Uma Mitsubishi Pajero Dakar e pagou a bagatela de R$ 160 mil.

Porém, o utilitário, que era para ser usado nas fiscalizações da Autarquia, em terrenos tortuosos e difíceis está sendo usado como carro oficial do Prefeito Alceu Barbosa Velho (PDT).

Não é a primeira vez que a mudança de veículo oficial do Prefeito de Caxias causa polêmica. O Fiat Línea, adquirido por Sartori em 2009 causou furor por ter vindo, coincidentemente, com a numeração da placa 1500.

De qualquer forma, mesmo que o automóvel seja utilizado pelo Samae, certamente poderia ter sido adquirido um veículo mais simples, mais barato em com a mesma funcionalidade. R$ 160 mil? É o custo de uns bons metros de tubulações para tratamento de esgoto. É o custo da ostentação...

Nessa Administração, até os carros estão em desvio de função!

quarta-feira, 18 de março de 2015

22 empresários de mídia e 7 jornalistas estão na lista do HSBC

Fonte: Blog do Fernando Rodrigues (UOL)

Pelo menos 22 empresários do ramo jornalístico e seus parentes e 7 jornalistas estão na relação dos que mantinham contas na agência do HSBC em Genebra, na Suíça, em 2006/2007.

Os registros indicam que 14 contas já estavam encerradas em 2007, quando os dados vazaram no escândalo que ficou conhecido como SwissLeaks.

Entre os correntistas do HSBC na Suíça estão ou estiveram pessoas ligadas a algumas das maiores empresas de comunicação do país.

Lily de Carvalho, viúva de dois jornalistas e donos de jornais, Horácio de Carvalho (1908-1983) e Roberto Marinho (1904-2003), também, aparece na lista. Horácio de Carvalho foi proprietário do extinto “Diário Carioca”. Roberto Marinho foi dono das Organizações Globo, hoje Grupo Globo, ao qual pertence “O Globo”. O nome de Lily surge nos documentos com o sobrenome de Horácio, seu primeiro marido, e o representante legal da conta junto ao HSBC é a Fundação Horácio de Carvalho Jr. O saldo registrado em 2006/2007 era de US$ 750,2 mil. Lily morreu em 2011.

Tiveram conta conjunta naquela instituição financeira os empresários Octavio Frias de Oliveira (1912-2007) e Carlos Caldeira Filho (1913-1993). Luiz Frias (atual presidente da Folha e presidente/CEO do UOL) aparece como beneficiário da mesma conta. Criada em 1990, a conta foi encerrada oficialmente em 1998. Em 2006/07, os arquivos do banco ainda mantinham os registros, mas a conta estava inativa e zerada.

Quatro integrantes da família Saad, dona da Rede Bandeirantes, também tinham contas no HSBC na época em que os arquivos foram obtidos. Constam entre os correntistas os nomes do fundador da Bandeirantes, João Jorge Saad (1919-1999), da empresária Maria Helena Saad Barros (1928-1996) e de Ricardo Saad e Silvia Saad Jafet.

Do Grupo Edson Queiroz, dono da TV Verdes Mares e do “Diário do Nordeste”, estão nos registros do HSBC Lenise Queiroz Rocha, Yolanda Vidal Queiroz e Paula Frota Queiroz (membros do conselho de administração). Elas tinham US$ 83,9 milhões de saldo em 2006/07. Também aparece Edson Queiroz Filho como beneficiário da conta –ele morreu em 2008.

Fernando Luiz Vieira de Mello (1929-2001), que durante muitos anos trabalhou na rádio Jovem Pan, teve uma conta que foi encerrada em 1999.

Luiz Fernando Ferreira Levy, que foi proprietário do jornal “Gazeta Mercantil”, que não existe mais, teve uma conta no HSBC de 1992 a 1995.

Dorival Masci de Abreu (morto em 2004), que era proprietário da Rede CBS de rádios (Scalla, Tupi, Kiss e outras), manteve uma conta de 1990 a 1998.

João Lydio Seiler Bettega, dono das rádios Curitiba e Ouro Verde FM, no Paraná, tinha uma conta ativa em 2006/07, com um saldo de US$ 167,1 mil.

Fernando João Pereira dos Santos, do Grupo João Santos, que tem a TV e a rádio Tribuna (no Espírito Santo e em Pernambuco), e o jornal “A Tribuna” mantinha duas contas, com saldo de US$ 4,4 milhões e US$ 5,6 milhões.

Anna Bentes, que foi casada com Adolpho Bloch (1908-1995), fundador do antigo Grupo Manchete, fechou sua conta no ano 2000.

O apresentador de TV Carlos Roberto Massa (Ratinho), dono da “Rede Massa” (afiliada ao SBT no Paraná), e sua mulher, Solange Martinez Massa, estavam com uma conta ativa em 2006/07, com saldo de US$ 12,5 milhões.

Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa (Rede Transamérica), registrava um saldo de US$ 120,6 milhões.

JORNALISTAS

Os 7 jornalistas que aparecem com registros de contas no HSBC nos anos de 2006/07 são Arnaldo Bloch (“O Globo”), José Roberto Guzzo (Editora Abril), Mona Dorf (apresentadora da rádio Jovem Pan), Arnaldo Dines, Alexandre Dines, Debora Dines e Liana Dines .

Os registros de Arnaldo Bloch e de José Roberto Guzzo indicam contas zeradas e encerradas.

No período a que os dados do SwissLeaks se referem (2006/07), Mona Dorf registrava um saldo de US$ 310,6 mil. Os quatro jornalistas com sobrenome Dines compartilhavam uma conta nessa época com depósito total de US$ 1,395 milhão.

terça-feira, 17 de março de 2015

A Revolta do 1%

A diferença nunca foi tão evidente
Os meios de comunicação venderam a ideia de que foi o povo que esteve nas ruas no último domingo. Mas certamente a história irá batizar esse evento como a Revolta do 1%.

Não por que houve o aumento de 1% em algum produto ou imposto. Esse 1% simboliza os mais ricos do país. Esse perfil saltava aos olhos de qualquer pessoa que tivesse o bom senso e capacidade de análise.

E as evidências são muitas. Em Porto Alegre eles chegaram de carro até o Parcão, o trânsito foi intenso nas proximidades antes do protesto.

Em Caxias do Sul idem. As paradas de ônibus para a Zona Sul e Norte (e para as regiões mais populares) estavam vazias. Você poderia procurar e seria difícil de achar um negro, mulato, ou até "moreninho" (a não ser quem estava vendendo cerveja ou bandeirinha).

Mas não é só achismo. É científico também. Os institutos de pesquisa foram às ruas e, entrevistaram os protestantes. As conclusões são claras, como os manifestantes. Eles são brancos (87,2%), com emprego (73,6%) e ganham mais de 6 salário mínimos, ou seja mais de R$ 4,728,00 (71,5%). Além disso 76% votaram em Aécio, apesar não terem preferência por nenhum partido (71%).

Esses dados mostram que o perfil está longe de ser popular. Não foi o povo que foi a rua. Foi uma parcela da população, a que ganha melhores salários. A partir dessa informação muitos debates sociológicos podem começar. A parcela mais rica se sente incomodada com a ascensão de milhões de brasileiros aos seus "espaços de convívio" antes considerados exclusivos como universidade, shopping, aeroportos e até Miami!

Diferente de junho de 2013 era quase impossível achar um cartaz que pedia melhorias na saúde, educação e segurança (o grande trio de problemas na época). É lógico, com saúde, educação e seguranças privadas esse problemas não atingem a parcela da população que estava na rua. Também não são atingidos pela alta dos preços (talvez a do dolar), pois isso também não os atinge. Sobra o que então?

O maior problema por 60,1% dos participantes é a corrupção. Algo pouco tangível e que "é uma senhora muito idosa nesse país" como disse a presidenta Dilma. No final das contas o que menos importa é a corrupção. É uma disputa de poder e espaço. Há 12 anos essa parcela da população perdeu o acesso a privilégios e viu outros milhões chegarem ao seu lado.

PSB também está na lista da Lava Jato

O senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) é o novo nome, de políticos, que estão sendo investigados pelo suposto envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras. Ele ficou fora da primeira lista do Ministério Público Federal. A PGR encaminhou, na quinta feira passada (12) a inclusão de seu nome no rol de investigados

O pedido de investigação do senador Fernando Bezerra Coelho baseia-se na delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Em depoimento dado em agosto do ano passado, Costa relatou que, em 2010, Bezerra Coelho pediu R$ 20 milhões para a campanha à reeleição do então governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), morto em 2014 . Na época, Bezerra Coelho era secretário de Desenvolvimento da administração de Campos.

Segundo Paulo Roberto Costa, o pedido foi feito por Bezerra Coelho ao doleiro Alberto Youssef, que, de acordo com as investigações, era responsável por lavar dinheiro desviado de contratos da Petrobras.

Além de Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef também relatou pagamento de propina a Bezerra Coelho a partir de obras da refinaria Abreu e Lima. Segundo o doleiro, parte de uma “comissão” em um contrato teria sido destinada ao governo de Pernambuco para que fossem resolvidos problemas que poderiam prejudicar a obra. Ele disse acreditar que quem recebeu os recursos foi Bezerra Coelho, que, como secretário, iria “resolver o assunto”.

Em nota o senador afirma que nunca teve contato com Youssef e que está tranquilo para responder a todos os questionamentos. Ele admite contatos com Paulo Roberto Costa, mas diz que foram “estritamente institucionais, próprios do cargo que ocupava no estado de Pernambuco”.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Fidelix terá que pagar R$ 1 milhão por homofobia


Levy Fidelix, que só se ouve falar a cada dois anos quando tem uma eleição, foi condenado a pagar uma multa de R$ 1milhão por ter feito declarações homofóbicas durante um debate eleitoral na televisão. 

O ex-candidato à Presidência da República Levy Fidelix (PRTB) foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a pagar uma multa de R$ 1 milhão por ter feito declarações homofóbicas durante um debate eleitoral na televisão. A ação civil pública por danos morais foi movida pelo movimento Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) e a sentença judicial foi anunciada na última sexta-feira (13). Ele poderá recorrer da decisão.

No dia 28 de setembro do ano passado, enquanto participava de um debate, Fidelix foi questionado sobre o porquê de muitos dos que se dizem defensores da família não reconheceram o direito de casais homossexuais ao casamento civil. Na ocasião, Fidelix afirmou que
"dois iguais não fazem filho" e que "aparelho excretor não reproduz". O então candidato disse ainda que população LGBT deve ter atendimento psicológico e afetivo, mas "bem longe da gente".

"Aparelho excretor não reproduz (...) Como é que pode um pai de família, um avô ficar aqui escorado porque tem medo de perder voto? Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto. Vamos acabar com essa historinha. Eu vi agora o santo padre, o papa, expurgar, fez muito bem, do Vaticano, um pedófilo. Está certo! Nós tratamos a vida toda com a religiosidade para que nossos filhos possam encontrar realmente um bom caminho familiar", disse Fidelix.

Para o Tribunal de Justiça de São Paulo, as declarações do ex-candidato "ultrapassaram os limites da liberdade de expressão, incidindo em discurso de ódio". Conforme a sentença, a multa será revertida em ações de promoção de igualdade da população LGBT.

Tucano gaúcho diz que nunca será preso pois não é do PT


Fonte: Kiko Nogueira - Diário do Centro do Mundo

Jorge Pozzobom é um deputado estadual do PSDB do Rio Grande do Sul. Foi o mais votado de Santa Maria nas últimas eleições. É advogado criminalista formado pela UFSM. Líder da bancada tucana na Assembleia Legislativa, ele tem batido duramente no governo Dilma.

“A cada dia fica mais claro aos brasileiros que a corrupção da Petrobras se institucionalizou no governo Lula e foi ampliada ao longo do primeiro mandato de Dilma, com o objetivo de financiar a manutenção de um projeto de poder hegemônico no país”, diz. Essa é a toada que faz sucesso entre sua turma.

Mas Jorge Pozzobom é também o símbolo escarrado de uma doença nacional: a sensação de que se pode falar qualquer coisa, desde que contra os alvos de sempre.

Em sua conta no Twitter, o doutor Pozzobom deixou escapar o que é comentado nos corredores de seu partido, mas nunca foi dito publicamente.

Durante um bate boca relativamente civilizado com militantes petistas, afirmou esperar que “alguém que não seja ameaçado de morte ou morto como o Celso Daniel possa trazer por delação a mega lista do PT”. Foi advertido de que calúnia ainda é crime no Brasil.

Sua resposta: “Me processa. Eu entro no Poder judiciário e por não ser petista não corro o risco de ser preso”.

Repetindo: “Eu entro no Poder judiciário e por não ser petista não corro o risco de ser preso”.

Não é que Pozzobom saiba de algo que você não sabe sobre a Justiça. Não é apenas pelo fato de ele ser advogado que ele diz esse tipo de barbaridade.

É que ele pode. É senso comum. Apenas não havia sido vocalizado dessa maneira.

Num país em que se toleram manifestações de ódio explícitas e acusações sem provas, em que um juiz sugere que a presidente iria sancionar a Lei do Feminicídio por que estava advogando em causa própria, em que se prega a volta da ditadura numa boa — o que isso tem de mais?

Pozzobom, um sujeito inteligente, tem ciência de que, sendo do PSDB, não corre risco algum. Essa é a contribuição de homens como ele para a democracia. Está longe de ser exceção num partido que adotou uma retórica golpista histérica. Apenas foi o primeiro a sair do armário.

Não há hipótese de que isso desemboque em algo de bom para a sociedade, mas a quem apelar?

Na guerra dos números uma conclusão: Não cabem 60 mil na Sinimbu


Soou como uma clara demonstração de torcida a divulgação, pela Brigada Militar, do número de participantes do protesto de ontem (15) em Caxias do Sul. Segundo a Brigada foram 60 mil. Na página do CRPO Serra, ou seja, uma página institucional ainda podia se ler "Milhares de pessoas vestindo verde e amarelo tomaram conta das ruas clamando por mudanças no nosso país.". Bom não cabe a Brigada Militar fazer juizo de valor sobre uma manifestação. Cabe a ela sim garantir que as pessoas tenham o direito de se manifestar. Ela fez muito bem ontem, mas não é sempre assim. Mas essa é outra história.

O que queremos falar aqui é de como a conta não fecha. O trecho todo da Sinimbu que vai da Feijo Júnior até a Praça Dante tem 952 metros. Fazendo o cálculo pela largura da rua e usando a média de 4 pessoas por metro quadrado (o que dá todo mundo muito juntinho) resulta em 30.400 pessoas. Seria preciso toda a Sinimbu e quase todo o trecho igual na Júlio para alcançar 60 mil pessoas!

Pelas imagens, e relatos de pessoas do local o público poderia ser estimado entre 15 mil a 17 mil pessoas. É um grande número isso é verdade. Mas um número real que é fruto de análise lógica e não de torcida.

Pelo país todo a situação se repetiu. Em São Paulo a polícia chegou a estimar em 1,2 milhão de pessoas. O jornal Folha de São Paulo (que não pode ser acusado de petista) calculou em 210 mil! Como fizeram isso? Levando em conta outros milhares de eventos que acontecem na Av. Paulista.

Em Porto Alegre a Brigada Militar estimou em 100 mil pessoas. O trajeto da caminhada, entre o Parcão e a Redenção tem 2,5 quilômetros. Para colocar as 100 mil pessoas na rua seria preciso que quando os primeiros manifestantes chegassem na Redenção ainda houvesse muita gente para sair do Parcão. Isso também não aconteceu. Pelas imagens feitas pelo helicóptero da RBS é possível calcular uma público perto dos 35 mil a 40 mil, que pode ter ampliado quando chegaram na Redenção que, em qualquer domingo de sol, reúne milhares de pessoas.

Em uma manifestação, mostrar seu tamanho é parte da disputa pelo próprio discurso. Geralmente os organizadores dão números muito maiores do que "os técnicos" que geralmente é a polícia. No domingo, boa parte do dia os técnicos era quem colocava número bem maiores.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Grupos pró-impeachment fracassam novamente em realizar atos antes do dia 15

Novamente o aquece dos grupos pró-impeachment acabou em fracasso de público. Como já havia acontecido em no dia 1º de março (10 pessoas em Caxias do Sul, 20 no Rio de Janeiro e 70 em São Paulo) e no dia 11 (10 pessoas em São Paulo) os dois protestos convocados ficaram praticamente vazios.

Em Brasília houve a convocação de uma carreata. Ela sairia da sede da Petrobras e iria até o Congresso. Ao todo apareceram 6 carros!

Mais emblemática, pelo seu potencial explosivo, o grupo Revoltados Online marcou para o mesmo lugar e na mesma hora que a manifestação chamada pelas centrais sindicais. Um acordo com a polícia militar paulista fez com que o grupo iniciasse a sua quando os outros manifestantes partissem. O lider do grupo, Marcello Reis, que vive da venda de kits pró impeachment, disse que torcia que acontecesse um confronto entre os dois grupos.

“Tomara que haja”, disse em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo Marcello Reis, um dos líderes da página, quando perguntado sobre a possibilidade de confronto. 

Porém Marcello ficou quase sozinho. Em um vídeo, postado na página do grupo, não aparecia mais de 40 pessoas, isso que a câmera fez uma panorâmica em todo o local. Em outro vídeo, mais tarde aparecem apenas 5 pessoas. Na foto, que ilustra essa matéria, pode-se ver meia dúzia de pessoas se escondendo da chuva. Enquanto isso mais de 50 mil pessoas participavam do ato contra o impeachment. 

O esvaziamento desses protestos está deixando a oposição com um pé atrás. Aécio Neves (PSDB) gravou um vídeo chamando as pessoas para participar no domingo, mas já adiantou que não irá no ato. Outro tucano, o governador do Paraná, Beto Richa, que chegou a convocar para o ato em Curitiba também não vai e emendou: "Fui coordenador da campanha de Aécio Neves [à Presidência] e fomos derrotados. Qualquer participação domingo pode parecer revanchismo". 

O receio das lideranças de oposição é que os atos tenham sido inflados no Facebook. Robôs virtuais, scripts e outros meios poderiam ter feito eventos terem milhares de confirmações. Mesmo com toda a discussão, que está acontecendo há 15 dias, há o receio de que nada disso seja muito real. 

Milhares se manifestam, pelo país, contra o Golpe e em defesa da Democracia

São Paulo reuniu o maior número de participantes
A jornada de manifestações em defesa da democracia e contra o golpe, que começou em Porto Alegre ontem, 12, e que reuniu 10 mil pessoas (veja aqui), aconteceu em todo o país nessa sexta feira 13.

Foram 33 cidades em praticamente todos os estados (ficaram de fora Rondônia e Roraima). Ao todo, um público estimado entre 100 mil e 150 mil pessoas manifestaram sua contrariedade as tentativas de impeachment da presidenta Dilma e em defesa do processo democrático. Na maioria das cidades o movimento também foi em defesa de Petrobras.

São Paulo concentrou o maior número de pessoas. Na Avenida Paulista mais de 50 mil pessoas participaram do movimento. Em todo o Brasil o movimento foi pacífico e ordeiro. Somente em Brasília um provocador tentou passar pelo meio do protesto que reunia mais de 3 mil pessoas. Ele foi retirado pela polícia militar.

Nos diversos atos pautas locais também foram contempladas principalmente, a exemplo de Porto Alegre, por parte dos professores. Alguns sindicatos manifestavam contrariedade a algumas medidas do governo porem eles era unanimes em afirmar que o caminho para a resolução de divergências era a negociação.

Ato em Caxias


Caxias do Sul também entrou no circuito de manifestações. O ato, na cidade, reuniu cerca de 300 pessoas e se concentrou na Praça Dante. Entre os cartazes haviam dizeres pela reforma política, contra o impeachment e até uma ironia para quem acredita em tudo que lê no Whattsapp.




Manifesto de Senadores pede "Respeito às Urnas"

Um grupo de Senadores, para lá de eclético (PSB, PP, PDT, PSOL e PPS), lançou nessa quinta feira (12), um manifesto intitulado "Pelo Brasil, pela Justiça e pela Democracia. Nele o grupo defende a apuração dos casos de corrupção na Petrobras, o apoio as ações do Ministério Público Federal, Justiça Federal e STF, e o respeito a Constituição e às urnas. 

Os nove senadores, Lídice da Mata (PSB), Ana Amélia Lemos (PP), Telmário Mota (PDT), Reguffe (PDT), Randolfe Rodrigues (PSOL), Lasier Martins (PDT), Cristovam Buarque (PDT), João Capiberibe (PSB) e José Medeiros (PPS), afirmam que "É dever moral e ético do Congresso e dos Partidos que o integram impedir que as posições de mando no Senado Federal e na Câmara dos Deputados — incluindo Mesa Diretora, Comissões Permanentes ou Temporárias, Relatorias e o colegiado do Conselho de Ética —, sirvam a qualquer pretexto para embaraçar, constranger ou interferir nas investigações agora determinadas pelo STF".

Ao final do manifesto concluem: "Respeito integral às determinações da Constituição da República Federativa do Brasil, que emanam de uma Constituinte soberana, democrática e cidadã que estabeleceu, a partir de 1988, os fundamentos do Estado Democrático de Direito, ancorado na vontade suprema do povo brasileiro, consultado regularmente pelo voto livre e secreto de mais de 100 milhões de eleitores".

Veja abaixo o texto na integra.


Pelo Brasil, pela Justiça e pela Democracia


O Brasil vive grave momento de crise na política e na economia. A abertura formal de processos de investigação no STF contra 49 políticos dos principais partidos do País contamina o ambiente político e compromete a produção legislativa do Congresso Nacional. O Parlamento deve permanente subordinação à vontade popular. Dos políticos investigados, contam-se 12 Senadores e 23 Deputados Federais em pleno exercício de seus mandatos, elevando o grau de constrangimento vivido no Congresso Nacional, atingido em cheio na credibilidade intrínseca à representação popular. O povo brasileiro, com certeza, não merece ser fraudado na sua expectativa de ser bem representado no Parlamento.

É dever moral e ético do Congresso e dos Partidos que o integram impedir que as posições de mando no Senado Federal e na Câmara dos Deputados — incluindo Mesa Diretora, Comissões Permanentes ou Temporárias, Relatorias e o colegiado do Conselho de Ética —, sirvam a qualquer pretexto para embaraçar, constranger ou interferir nas investigações agora determinadas pelo STF.

O agravamento dos problemas na economia, com sinais de claro descontrole da inflação e de depressão nos agentes econômicos, sinaliza momentos de maior tensão sobre a sociedade, já fragilizada pelo impacto negativo do escândalo na esfera parlamentar.

A economia e a política se juntam, dramaticamente, nos contornos assustadores da 'Operação Lava Jato'. A maior empresa do Brasil, a Petrobrás, foi vítima de uma ação criminosa engendrada por dirigentes e executivos de uma dezena das maiores empreiteiras nacionais, organizados em cartel para pagar propinas em contratos superfaturados, com intermediação de operadores representantes de importantes partidos políticos.

Agindo há quase duas décadas, num fluxo financeiro que caracterizava pagamentos mensais, segundo delações premiadas feitas à Justiça, a quadrilha lesou a Petrobrás em valores estimados, até agora, em R$ 10 bilhões.

A investigação da Polícia Federal (DPF) forneceu ao juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal em Curitiba, os elementos necessários para o cumprimento de uma centena de mandados de busca e apreensão, prisões temporárias e conduções coercitivas de agentes e operadores criminosos espalhados por 232 empresas investigadas.
A ação decidida do Supremo Tribunal Federal e da Justiça em defesa do dinheiro público e no combate aos criminosos de colarinho branco sinaliza ao País a certeza de que ainda temos na esfera do Estado brasileiro quem zela pela Justiça, pela Ética e pela proteção aos direitos do cidadão.

Os Senadores abaixo-firmados, diante do impacto devastador que vive o Brasil, após investigações formalizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da 'Operação Lava Jato' — que o Ministério Público Federal (MPF) classifica como 'a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o País já teve' —, adotam as seguintes decisões, que passam a sustentar de forma pública e suprapartidária:

1. Apoio às ações do Ministério Público Federal, que deve ser independente e autônomo, capaz de realizar seu trabalho de forma diligente, sem qualquer interferência dos chefes dos três Poderes da República, dos quais devem receber apenas estímulo, respeito e apoio.

2. Confiança no Supremo Tribunal Federal, instância maior da Justiça e do Direito, de quem esperam o rigor, a celeridade e a eficiência de suas decisões, que o Brasil espera ver exemplarmente cumpridas, condenando os culpados e absolvendo os inocentes, resgatando nos brasileiros a certeza de que a lei será aplicada de forma justa e implacável, sem privilégios, sem distorções.

3. Respeito integral às determinações da Constituição da República Federativa do Brasil, que emanam de uma Constituinte soberana, democrática e cidadã que estabeleceu, a partir de 1988, os fundamentos do Estado Democrático de Direito, ancorado na vontade suprema do povo brasileiro, consultado regularmente pelo voto livre e secreto de mais de 100 milhões de eleitores.

Esta é a posição dos Senadores que subscrevem este manifesto.

Brasília, 12 de março de 2015

Assinam os senadores:

Lídice da Mata (PSB), Ana Amélia Lemos (PP), Telmário Mota (PDT), Reguffe (PDT), Randolfe Rodrigues (PSOL), Lasier Martins (PDT), Cristovam Buarque (PDT), João Capiberibe (PSB) e José Medeiros (PPS)."