segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Militantes do PSDB e funcionários do governo simulam protestos contra ocupações

Página no Facebook chamada “Devolve Minha Escola” é administrada por Roney Glauber, militante que trabalha para o PSDB, além de outros filiados. Ao contrário do que jornais publicaram nesta semana, a mobilização não partiria de alunos e parentes. Procurados pelo Democratize, administradores da página não responderam as perguntas feitas pela agência.

O governador Geraldo Alckmin e o
administrador da página anti-ocupações,
Roney Glauber
Foto: Reprodução/Facebook
Durante esta semana, veículos de comunicação começaram a noticiar uma possível mobilização para desocupar algumas das 200 escolas que foram ocupadas por alunos contra o projeto de reorganização do ensino no estado de São Paulo.

Segundo as matérias, tratava-se de uma ação feita por pais de alunos e pelos próprios estudantes, que teriam entendido que “trata-se de um projeto positivo” e que “as ocupações apenas atrapalhariam as aulas no fim de ano”.

Ao mesmo tempo, o governo tucano já articulava uma série de ações para desmobilizar a o movimento secundarista. Em nota oficial, a Secretaria da Educação afirmou que desde o começo da mobilização mais de 30 escolas já haviam sido desocupadas pelos próprios alunos. O jornal Folha de S. Paulo apurou as escolas citadas pelo governo, e constou que boa parte nem havia sido ocupada. Ou seja, tratava-se de uma maquiagem do governo estadual para esvaziar as demais ocupações ao redor do estado, que já passam de 200.

Na semana passada surgiu uma página no Facebook chamada Devolve Minha Escola. O objetivo da página é “ser contra as ocupações e contra a destruição de documentos da escola”. Em momento algum a página não assume quem a administra nem quem articula as desocupações, afirmando ser uma ação apenas dos alunos, dos professores e dos pais dos estudantes.

Porém, conforme apurado pelo Democratize, um dos administradores da página se chama Roney Glauber. Em seu perfil pessoal no Facebook, várias postagens contra as ocupações em São Paulo, além de fotos com o governador Geraldo Alckmin. Glauber é filiado ao PSDB, e trabalha oficialmente para o partido em São Paulo, mais necessariamente no Diretório Municipal na cidade de Guarulhos. Além disso, também foi eleito Presidente da Juventude do partido na cidade, no ano de 2013.

Outro militante do partido envolvido na administração da página chama-se João Guilherme Ribas, secretário estadual do Movimento Estudantil no núcleo de São Paulo da juventude do partido.

Como já publicado pelo Democratize durante a semana, tudo faz parte de uma ofensiva articulada pelo governo estadual para desmobilizar as ocupações em todo o estado. Porém, ao mesmo tempo, não se sabe ao certo de onde vem o financiamento para a administração dessas páginas e para os envolvidos. Uma aluna de uma escola ocupada na região Oeste de São Paulo, que preferiu não divulgar seu nome nem a escola na qual estuda, acusa os membros da Juventude do PSDB de ameaçar os estudantes da ocupação:“Eles chegaram aqui dizendo entender a mobilização, quiseram entrar e convencer alguns alunos de que tudo não valia a pena, que a reorganização era uma coisa boa. Depois viram que não iriam conseguir nada e ainda disseram antes de ir embora que ‘tudo bem, se não vai ser por bem, vai ser por mal’”, denunciou a aluna de apenas 16 anos.

Neste domingo (29), o coletivo Jornalistas Livres conseguiu de forma exclusiva uma gravação dentro de uma reunião da Secretaria da Educação, onde funcionários do governo decretaram uma verdadeira “guerra contra os estudantes secundaristas”:

PESSOAL! ATENÇÃO, ATENÇÃO! EXCLUSIVO!ESCOLAS EM LUTASecretaria de Educação prepara “guerra” contra as escolas em...
Posted by Jornalistas Livres on Domingo, 29 de novembro de 2015

O Democratize tentou entrar em contato com os administradores da página Devolve Minha Escola, porém, após os primeiros contatos, não houve respostas em relação às perguntas enviadas pela nossa equipe.

Servidores públicos receberão novamente de forma parcelada esse mês

Não adiantou aumentar o limite de saques dos depósitos judiciais. Não adiantou diminuir o teto de pagamentos das ações judiciais. Não adiantou congelar salários. Não adiantou dar um belo desconto para a GM antecipar os valores do seus financiamentos. Não adiantou espalhar discurso de caos.

Tudo que o governador José Ivo Sartori (PMDB) fez esse ano não serviu para pagar o salário dos servidores públicos estaduais em dia. Nessa segunda feira o governo do estado estará pagando parcelas, isso mesmo, parcelas dos salários dos servidores. Ninguém sabe, exatamente, quanto irá receber no final do dia.

Os valores lançados nos extratos dos servidores mostram 3 parcelas; R$ 1.450,00; R$ 650,00 e R$ 400,00. Se esse calendário for cumprido os servidores que ganham até R$ 2.500,00 receberão hoje. Há esse "se" porque o pagamento depende do depósito de R$ 302 milhões da GM que pode atrasar para entrar.

Para piorar a situação não há nenhuma garantia de pagamento do 13º salário em dia, ou o próprio pagamento. O governo Sartori já afirmou que não tem dinheiro para fazer o pagamento e que a solução provavelmente será recorrer a uma pedalada fiscal e pedir que os servidores façam um empréstimo no Banrisul.

A situação, que já é ruim pois obriga todos os servidores a irem até o banco fazerm o empréstimo, pode ficar pior pois o governo estadual não quer arcar com os juros do empréstimo, ou seja, para o governo Sartori além do servidor pegar um empréstimo para pagar seu próprio salário ainda deve arcar com os juros.

Cada dia o Sartori se supera.

Justiça afasta deputado Jardel por suspeita de desvio de verbas

Onze meses de mandato, nenhuma pronunciamento e muita confusão. Esse é o resumo do talvez mais deprimente mandato de deputado estadual do Rio Grande do Sul. Mário Jardel (PSD) foi alçado a categoria de deputado graças aos votos de milhares de gaúchos que tem grande responsabilidade, nem que seja indireta, em toda a lambança que ele fez.

Diretamente responsável está o deputado federal Danrlei (PSD) que dependeu de Jardel para se eleger deputado federal, sem falar no seu partido, o PSD (partido do vice governador), que entupiu o gabinete de Jardel com militantes partidários.

A ação do Ministério Público, que afastou Jardel do cargo e realizou buscas em seus imóveis foi motivada por crimes de concussão (obtenção de dinheiro ou vantagem indevida), peculato (desvio de dinheiro por servidor público), falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Se não bastasse tudo isso ainda há investigação sobre financiamento ao tráfico de drogas, a mulher de um traficante teria sido empregada fantasma em seu gabinete.

Jardel teve, com autorização judicial, o telefone grampeado. Mais oito pessoas de seu gabinete também.

A lista de irregularidades não acaba e se somam a muitas outras que já aconteceram esse ano. Em abril ele afastou todo o gabinete e pediu uma licença à Assembleia. Na época ele dizia que seus assessores foram impostos pelo partido e que queria trabalhar com gente de sua confiança. Ao que parece as pessoas de sua confiança não tem uma vida muito honesta.

No meio do ano a bancada do governo Sartori fez festa com o voto decisivo de Jardel para a aprovação do reajuste do ICMS. Coincidência, ou não, Jardel parte, alguns dias depois, para uma viagem de 15 dias para a Europa, acompanhado de um assessor com todas as despesas pagas.

Na volta ele é autuado na alfândega por contrabando.

Jardel será, com toda a certeza, o segundo deputado cassado nessa legislatura da Assembleia Legislativa. Basségio perdeu o mandato por algumas questões até iguais, porém a lista de Jardel é mais longa. Ao perder o mandato ele perderá o foro privilegiado, e pelas investigações, não restará outro caminho senão o da cadeia.

domingo, 29 de novembro de 2015

Quem é o "japonês bonzinho" da Lava Jato?

Publicado originalmente na Carta Capital


O áudio que levou para a prisão o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e o banqueiro André Esteves pode ajudar a elucidar parte dos vazamentos acerca da Operação Lava Jato. Em um trecho da conversa, Edson Ribeiro, advogado de Nestor Cerveró, e Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras, afirmam que um agente da Polícia Federal vende informações sigilosas.

O diálogo ocorre após Delcídio relatar aos interlocutores ter visto, com André Esteves, uma cópia da minuta da delação premiada negociada por Cerveró com os procuradores. O senador petista discute o teor do material, lamenta o vazamento e diz não saber quem vazou. Ele, então, ouve de Edson Ribeiro: "É o japonês. Se for alguém é o japonês". Diogo Ribeiro, chefe de gabinete de Delcídio, que também estava na conversa, complementa. "É o japonês bonzinho".

Delcídio pergunta quem seria o "japonês bonzinho" e o advogado de Cerveró diz: "É. Ele vende as informações para as revistas". Na sequência, o senador petista diz que a figura em questão é "o cara da carceragem, ele que controla a carceragem", informação confirmada pelo filho de Cerveró.



Mais tarde, o grupo volta a falar dos vazamentos. Edson Ribeiro levanta suspeitas sobre Sergio Riera, advogado de Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema da Lava Jato, Alberto Yousseff, doleiro que assinou acordo de delação premiada e sobre o "japonês", nas palavras de Bernardo Cerveró. A degravação feita pela PF traz o nome "Milton", mas no áudio é possível ouvir que Edson Ribeiro fala em "Nilton".



Em julho, o blog Expresso, da revista Época, destacou a presença do agente da Polícia Federal Newton Ishii em diversas das prisões de detidos da Lava Jato na superintendência da PF em Curitiba. Ishii é chefe do Núcleo de Operações da PF em Curitiba e tem um passado conturbado.

Funcionário da corporação desde 1976, Ishii foi expulso da PF em 2003, acusado de corrupção e de integrar uma quadrilha de contrabandistas. Desde então, o agente já foi reintegrado, com "confiança da direção da PF", segundo a publicação, mas ainda seguiria respondendo processos criminais, civis e uma sindicância.

No pedido de prisão de André Esteves e Delcídio do Amaral, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, manifesta preocupação com o fato de o banqueiro ter tido acesso à delação de Cerveró. "Essa informação revela a existência de perigoso canal de vazamento, cuja amplitude não se conhece", diz o PGR. "Constitui genuíno mistério que um documento que estava guardado em ambiente prisional em Curitiba/PR, com incidência de sigilo, tenha chegado às mãos de um banqueiro privado em São Paulo/SP".

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, a Polícia Federal vai investigar o vazamento da delação de Cerveró. Segundo a publicação, o ex-diretor da Petrobras informou à cúpula da PF que só ele, seus advogados, familiares e procuradores tiveram acesso. Ainda conforme o jornal, Ishii disse a colegas que seu nome estava sendo usado como "cortina de fumaça" para manchar a Operação Lava Jato.

sábado, 28 de novembro de 2015

OAB conclui que "pedaladas" não são motivos para impeachment de Dilma

Uma comissão especial criada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que analisou se caberia o impeachment da presidenta Dilma por causa da reprovação de suas contas no TCU, concluiu contra o pedido de afastamento sob essa argumentação. A informação é do jornal Valor Econômico desse sábado (28).

A posição majoritária entende que como as contas são de 2014 a pratica ocorreu no mandato anterior e, por esse motivo, o processo de impeachment é injustificado. O parecer ainda diz que o momento atual não tem qualquer comparação com os fatos que levaram ao impedimento do ex-presidente Collor. "Em 1992 houve comportamento pessoal e direto do presidente". 

A comissão composta por 5 juristas apresentou uma divergência de dois dos membros.

As chamadas "pedaladas fiscais" seriam "deslizes administrativos não tendo o sentido de comportamento pessoal indigno com a marca da imoralidade". O Conselho Federal da OAB deve analisar o parecer na próxima quarta feira (02) e pode ou não seguir a recomendação da comissão. 

O relatório só mostra que, se analisada tecnicamente, um pedido de impeachment não fica de bem. A presidenta Dilma só cai se rasgarem a Constituição, ou seja, por golpe. 

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

"Independentes" do Movimento Brasil Livre se filiam ao DEM

Se diziam independentes até ficar próximo as eleições. Na
foto com o deputado Onxy Lorenzoni (DEM/RS) no ato
de filiação do MBL de Caxias do Sul
(Foto: perfil do facebook)
Os organizadores "independentes" dos protestos contra a presidenta Dilma esse ano em Caxias do Sul, mostram a sua verdadeira face na noite de hoje (27). Vinte integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) irão se filiar ao Democratas. Dois deles inclusive serão candidatos a vereador nas eleições do ano que vem.

O MBL que adora dar discursos de ética na política e de combate a corrupção vai cerrar fileiras com o Democratas que tem 4 dos 22 deputados federais respondendo a processos criminais no STF e é um dos partidos com maior número de fichas sujas nas eleições de 2014.

Ainda em agosto de 2015 (veja aqui) o Polenta News já havia noticiado a intenção dos grupos pró impeachment se aliarem aos partidos da oposição,como o DEM e o PSDB.

Com o prazo máximo para filiações para concorrer as eleições de 2016 é em abril do ano que vem ainda veremos vários "independentes" se filiando a partidos.

Eles nunca nos enganaram, mas muita gente caiu no discurso fácil deles.

Sartori debocha novamente dos servidores públicos

Além de parcelar salários, não dar nenhum reajuste e querer cancelar os existentes, o governador José Ivo Sartori (PMDB) não perde a oportunidade de debochar os servidores públicos.

Durante um discurso no Palácio Piratini, Sartori afirmou que disse a um grupo de servidores: "Deem graças a Deus que vocês tem estabilidade". A reação foi imediata dos sindicatos de servidores.

A presidenta do CPERS, Helenir Schürer, considerou a frase desrespeitosa. "Ele só reforça aquela caracterização que temos do governo: para fora, ele fala de diálogo e compreensão, mas está sempre produzindo conflitos internos".

Leonel Lucas, presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Brigada Militar considerou a declaração uma barbaridade. "Se não houvesse estabilidade estaríamos na rua? Não prestamos para o serviço público?".

Isaac Ortiz, presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Polícia Civil, foi na mesma linha e classificou como um desastre a fala de Sartori. "É típico de quem não conhece a importância do serviço público. Ele não conhece o trabalhoda polícia. Não sabe que a gente arrisca a vida. Fala como estabilidade fosse um favor".

Para arrematar Ortiz lembra que Sartori é aposentado pela Assembleia e será aposentado como governador, "ele também é um servidor público", conclui.

A frase que na opinião unânime dos representantes dos servidores soa como deboche, mostra o lado que o caxienses conhecem, ou deviam conhecer, do atual governador, o seu desrespeito pelo serviço público e o bem público.

Quando foi prefeito de Caxias do Sul o número de Cargos de Confiança dobrou! Isso demonstra como ele gostaria de governar, só com quem pensa igual a ele. Se pudesse ele demitiria todos os servidores e contrataria só seus partidários.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Relator reconhece vazamentos de informações da Lava Jato


No mesmo dia que o multimilionário Andrés Esteves foi preso o ministro do STF Teori Zavascki, que é relator da Operação Lava Jato afirmou que há "um perigoso canal de vazamento que beneficia poderosos".

"Vem à tona a grave revelação de que André Esteves tem consigo cópia de minuta do anexo do acordo de colaboração premiada por Nestor Cerveró, confirmando e comprovando a existência de canal de vazamento na operação Lava Jato que municia pessoas em posição de poder com informações de complexo interrogatório", disso o ministro.

Há muito tempo se afirma que pedaços dos acordos de delação são repassados para a imprensa, que distorcem o conteúdo e promovem grandes estardalhaços midiáticos, Mas essa é a primeira vez que um integrante da alta corte da justiça admite isso.

O documento em posse de Esteves tinha inclusive anotações manuscritas de Cerveró. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anotou que o fato "revela a existência de perigoso canal de vazamento, cuja amplitude não se conhece".

Com essas afirmações crescem desconfianças de que autoridades com acesso privilegiado à investigação revelem ilegalmente os dados sigilosos a investigados e outros interessados. Elas se somam às acusações de que policiais instalaram grampos ilegais em departamentos da própria Polícia Federal. Tudo isso desmonta a aparência "heroica" da operação Lava Jato.

O que não lhe contaram sobre Delcídio, Esteves e Bumlai


Em dois dias três personagens estamparam as páginas de todos os jornais, imagens nas TVs, assuntos nos rádios e, obviamente, nas redes sociais. Provavelmente você sabe muitas coisas sobre o Senador Delcídio do Amaral (MS), do banqueiro André Steves, do BTG Pactual e do pecuarista José Carlos Bumlai. Mas temos certeza que muita coisa não foi contada sobre eles.

Como seria irrelevante copiar o que já foi dito trazemos, aqui, o que não foi dito.

Delcídio do Amaral


Iniciou a carreira política em 1994 quando foi secretário executivo do Ministério das Minas e Energias no governo Itamar Franco. Entre setembro de 1994 e janeiro de 1995 ele foi o Ministro de Minas e Energia.

Filiou-se ao PSDB em 1998.

Entre 2000 e 2001, durante o governo FHC foi diretor de Gás e Energia da Petrobras junto com Nertor Cerveró e Paulo Roberto Costa (dois delatores da Lava Jato).

Em 2005 fo presidente da CPI dos Correios.

Acrescentou o "do" ao nome como sugestão de uma numeróloga.

André Steves


Em 2014 era o 14º brasileiro mais rico segundo a Revista Forbes.

Esteves gosta do Lula e até votou nele, mas não esconde que não gosta da Dilma e que votou no Aécio Neves nas últimas eleições, inclusive ele compareceu em jantares da campanha tucana.

Em 2011 ele comprou o falido banco PanAamericano, do empresário Silvio Santos, que estava sob intevenção do Banco Central.

Durante a campanha eleitoral o BTG Pactual fez R$ 51,3 milhões em doações eleitorais para candidatos e partidos. 40% desse valor, R$ 20,3 milhões foram destinados a candidatos do PMDB. O PT e o PSDB receberam, cada, R$ 10,9 milhões.

André Esteves foi padrinho de casamento de Aécio Neves em 2013. Como presente o casal recebeu passagens áeras pagas e uma suite no luxuoso hotel Waldorf Astoria no coração de Nova York, tudo isso pago pela BTG Pactual. Também como mimo Aécio palestrou em um evento voltado para investidores estrangeiros, também em Nova York, financiado pelo banco.

José Carlos Bumlai


Quando se aproximou do PT, em 1998, ele já era o maior pecuarista do Brasil. Auxiliou o governador Zeca do PT (MS) a conseguir um financiamento de US$ 250 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento. Naquele época o governo FHC não realizava nenhum financiamento aos estados.

Nos negócios ele é bastante eclético. Bumlai junto com o apresentedor da TV Globo Galvão Bueno, o deputado federal Beto Mansur (PRB) e do piloto de Fórmula Indy Hélio Castro Neves, são sócio da rede de fast food Burger King no Brasil.

Com João Saad, dono da TV Bandeirantes, foi sócio da TV Terraviva, dedicada ao agronégócio.



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Em evento (vazio) da Abril, Moro diz que mídia não é enviesada

Por Pedro Zambarda - Diário do Centro do Mundo

De acordo com o site oficial do hotel Renaissance, em São Paulo, a maior sala para eventos é o auditório com espaço de 496 m² e capacidade máxima de 420 pessoas. Com cadeiras de cor azul confortáveis, o espaço estava vazio no final da tarde de segunda-feira (23) pouco antes da palestra do juiz Sérgio Fernando Moro. A conferência estava prevista para começar às 16hrs e todos – sem exceção – atrasaram.

O IX Fórum da Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) ocorreu durante o dia todo. Não havia 100 pessoas na plateia, formada em sua grande maioria por jornalistas da Abril, Caras e Globo.

A palestra anterior foi justamente sobre cortes de custo e demissões nos grupos editoriais, organizada por Carlos Alberto Priolli, diretor-sênior da consultoria Alvarez & Marsal Brasil. “Nos grupos de vocês não se pode cortar talentos indiscriminadamente. Mas é necessário, sim, fazer demissões com base zero, ignorando o passado da empresa. Vocês precisam se perguntar: a gente precisa estar trabalhando no prédio em que estamos?”, questionou Priolli. Quem trabalha na Abril deve ter achado graça na pergunta.

Nesse clima de baixo astral, Sérgio Moro chegou 12 minutos atrasado. Não só ele. Com 33 minutos de atraso, Thomaz Souto Corrêa, conselheiro e lenda viva da Abril, apresentou Moro. “Não, gente, eu não sou Giancarlo Civita. Ele infelizmente não pôde comparecer aqui hoje”, disse em tom de deboche e arrancando algumas risadas, explicando o cano do MC original.

Segundo Thomaz, Moro trabalha a favor da democracia e da imprensa. “Nós estamos, na verdade, torcendo pelo senhor”, completou.

Sérgio Moro foi entrevistado por Frederic Kachar, presidente da ANER e diretor-geral da Editora Globo e Infoglobo. Havia cerca de dez jornalistas cobrindo o evento, e mais cinco câmeras. Moro iniciou elogiando os protestos contra a corrupção.

“O acesso potencializado [às delações premiadas] na imprensa é muito mais benéfico do que maléfico. A população precisa saber desses processos e discutir os trâmites dos processos. Recebemos críticas sobre os vazamentos, mas em geral as reclamações foram sobre documentos que já estavam devidamente encaminhados para a publicidade”, disse.

Para ele, a imprensa acerta por divulgar as informações e não deve sonegá-las. “O caso do mensalão foi até corretamente criticado pelo excesso de transparência, mas todas as críticas são naturais”, frisou.

Para o cabeça da Lava Jato, as informações de investigações no período eleitoral são justificáveis e benéficas para a decisão na urna. “Claro que as palavras dessas pessoas [em vazamentos] são de indivíduos envolvidos com crimes e devem ser analisadas. Mas muitas das palavras registradas foram comprovadas posteriormente”, afirmou.


Kachar aceitou perguntas da audiência e outras previamente preparadas. Sérgio Moro respondeu que não acredita que a imprensa é enviesada e culpou os agentes públicos nas acusações de corrupção quando ocorre o julgamento de autoridades políticas. “O governo [Dilma] lançou propostas para combater corrupção no começo do ano pelo que lembro e, no meu entender, foram iniciativas muito vagas”, falou.

“E o que o senhor acha do direito de resposta recentemente aprovado?”, questionou Kachar.

“Foi uma iniciativa que, embora tenha boas intenções em sua formatação, ficou com problemas procedimentais de defesa da imprensa e muito vaga na minha opinião. Fala-se no projeto de lei do ‘ofendido’. Qual ofendido? E se as informações divulgadas forem embasadas com razoável cuidado? A minha crítica com essa lei de imprensa, embora saiba que não sou um especialista, não é tanto contra o direito de resposta em si, garantido constitucionalmente, mas sim sobre o procedimento e sua vaguesa”, argumentou Moro, criticando a iniciativa do senador Roberto Requião, que se declara seu amigo.

Todos os jornalistas que puderam fazer perguntas reforçaram que a operação Lava Jato é um avanço. O próprio juiz foi um pouco cético quanto a isso, citando a operação Mãos Limpas na Itália. “Acho que vamos levar 10 anos para entender a importância desses processos jurídicos, incluindo a ação penal 470 [do mensalão]. Foram exceções na Justiça que se tornaram regra ou serão exceções que não vãoo se repetir. Na Itália isso se tornou uma motivação para políticos reagirem”, disse.

“O público que lê essas informações sobre corrupção precisa ter pensamento crítico. Criminosos confessos devem ser vistos com reservas. Mas acredito que estamos avançando. Se eu vejo num processo que um executivo de uma estatal está desviando milhões, eu não devo decretar a prisão preventiva dele? O que o torna menos perigoso do que um traficante de drogas?”, perguntou.

O juiz da Lava Jato lembrou dos crimes empresariais cometidos em estatais. ZZZzzzzzz… Considerando o baixo quórum que o prestigiou, as ausências e o clima triste, Sergio Moro e seus vingadores param este ano e só voltam depois do Carnaval.

Mais uma vez o governo municipal milita em favor da Visate.

Segundo informações veiculadas no Jornal Pioneiro, a Secretaria de Trânsito e Transportes pretende enviar ao Conselho Municipal de Trânsito proposta restritiva às gratuidades atualmente concedidas aos idosos com idade entre 60 e 65 anos e a toda a população no último domingo do mês.

Na notícia, não se encontra nenhum pedido por parte da Visate nem números que embasem tal restrição.

Mais uma vez quem terá de pagar o pato é a população. Se os custos da concessionária de trasporte público aumentaram, por que não reduzir lucros? Sempre e sempre somente os prejuízos são compartilhados.

Infelizmente, do alto de suas caminhonetes, os governantes não sabem da importância que tem uma passagem gratuita de transporte coletivo para, uma vez no mês, a população carente poder desfrutar de opções de lazer longe de seu bairro, ou então ter a alegria de visitar um familiar distante. Não sabem como custa caro os R$ 5,00 da passagem para os idosos que, em sua maioria recebem apenas um salário mínimo de aposentadoria.

Causa espanto que os Secretários do prefeito estejam ventilando a possibilidade de extinguir a gratuidade aos idosos quando a lei que instituiu tal benefício no município foi proposta por Alceu (PDT), então vereador, Geni Petteffi (PMDB) e Leonel Pinto (PT) em 2004.

Aliás, apesar da previsão Constitucional estabelecer que os idosos com mais de 65 anos tem direito ao transporte coletivo gratuito, o Estatuto do Idoso estabelece que cada localidade legislará acerca da gratuidade às pessoas compreendidas na faixa etária entre 60 e 65 anos de idade.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Juiz Moro impede que Bumlai compareça na CPI. Por quê?

José Carlos Bumlai, o famoso amigo de Lula, foi preso na manhã de hoje, em Brasília, quando se preparava para participar de uma convocação da CPI do BNDES. A 21ª fase da Lava Jato, comandada pelo Juiz Moro que não consegue dar um fim as investigações.

Com a prisão de Bumlai ele não pode falar à CPI. A quem serve o silêncio dele? O que ele poderia falar que quiseram prender ele antes?
Está cada vez mais evidente que, por não obter prova nenhuma que incrimine o centro do governo federal a equipe do juiz paranaense busca em incensantes prisões onde as pessoas são libertadas no minuto seguinte em que assinam uma delação premiada.
Mas o Juiz Moro não consegue entregar o "grande prêmio" da oposição e da grande mídia, ou seja, a prisão do ex-presidente Lula.
O que a mídia e a oposição escondem é que o próprio Moro afirma o contrário.
Em seu despacho que determinou a prisão de Bumlai, Moro afirma: "Não há nenhuma prova de que o ex-presidente da República estivesse de fato envolvido nesses ilícitos".
Para o magistrado, a prisão de Bumlai foi feita também para conter eventuais danos à reputação do ex-presidente. "Fatos da espécie teriam o potencial de causar danos não só ao processo, mas também à reputação do ex-Presidente, sendo necessária a preventiva para impedir ambos os riscos", afirmou.
Os próprios investigadores afirmam que o nome do ex-presidente estaria sendo usado indevidamente.
Essa questão poderia ser esclarecida no plenário da comissão, na frente das câmeras de televisão e da população. Mas não acontecerá isso. As informações ficarão obscurecidas e serão liberadas "seletivamente" aos veículos.
Por que quiseram prender Bumlai antes dele falar na CPI?
Fica a pergunta.

Justiça nega reintegração de posse em escolas ocupadas de São Paulo

O Tribunal de Justiça de São Paulo impôs uma derrota ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) nessa segunda feira. Por unanimidade uma liminar de reintegração das escolas ocupadas por estudantes foi indeferida.
 
Ao todo 132 escolas estaduais estão ocupadas por estudantes que são contrários ao fechamento das unidades que o governo tucano nomeou de "reorganização escolar".

"A gente ocupa as escolas e dá uma aula de cidadania para discutir a escola que a gente quer", afirmou a presidenta da União Paulista de Estudantes Secudaristas (Upes), Ângela Meyer.
Em sua decisão o desembargador Eduardo Gouveia disse que "não há o que reintegrar. A manifestação é um direito". Entretanto os desembargadores sugeriram que os portões fossem aberto para que as aulas fossem retomadas, mesmo com as ocupações.
A defensora pública Mara Ferreira, que representa os estudantes na ação judicial, comemorou a decisão. Segundo ela assim é possível que as reuniões de conciliação continuem e impede que a integridade física dos estudantes seja ameaçada.
Durante os dias de ocupação vários confrontos aconteceram entre estudantes e policiais. Um exemplo desses confrontos aconteceu na Escola Estadual Fernão Dias Paes. Policiais militares utilizaram spray de pimenta contra estudantes que protestavam na frente da escola, todos menores de idade. 

As ocupações, que duram quase um mês, são um duro choque contra a gestão tucana e escancara para a população seu jeito de governar. Em todos os governos tucanos tem havido forte contraposições as medidas educacionais que estão sendo implementadas.
No Paraná, no começo do ano, o governador Beto Richa (PSDB), enfrentou um protesto gigantesco de professores que foi duramente reprimido pela policia militar com um saldo de 200 feridos.
Em São Paulo é o fechamento das escolas da rede estadual e em Goias, Marconi Perilo, também do PSDB, prevê a privatização, via OSCIPs (Organização da sociedade civil de interesse público) de 25% das escolas.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Polícia retira barracas de manifestantes em frente ao Congresso Nacional


Com informações de Agência Brasil 

Cerca de 15 barracas de manifestantes a favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff foram arrancadas do gramado imediatamente em frente ao Congresso Nacional, pela Polícia Legislativa. A polícia responsável pela segurança do Congresso tentou negociar com os acampados, mas, como não teve sucesso, retirou barracas e faixas, dispersando os manifestantes.

Em um ponto mais recuado do gramado, manifestantes de outro acampamento, que pediam a destituição do governo via intervenção militar, desarmaram as próprias barracas mas entraram em confronto com um grupo contrário, que chegou gritando as palavras de ordem "Não vai ter golpe". A Polícia Militar do Distrito Federal, que tem jurisdição sobre a área, usou gás de pimenta para dispersar a briga. Após o confronto, os grupos se retiraram do local.

O grupo pró-intervenção militar é o mesmo que, na semana passada, se envolveu em uma confusão com integrantes da Marcha das Mulheres Negras. Um policial civil do Maranhão acampado com os manifestantes disparou quatro tiros para o alto e depois se entregou à polícia. De acordo com outros acampados, os tiros se destinavam a dispersar um grupo de pessoas que agrediam uma jovem a favor da intervenção militar. Já as participantes da Marcha das Mulheres Negras disseram que algumas mulheres tentaram derrubar um boneco inflável que estava no acampamento.

Após o incidente, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, reuniu-se com os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, e deu prazo até 19h de hoje (21) para que os acampados deixassem a Esplanada dos Ministérios. Mais cedo, alguns integrantes do acampamento pró-intervenção ainda resistiam à desocupação e diziam que só iriam embora mediante a apresentação de um documento oficial determinando a retirada.

No fim da tarde, no entanto, o grupo já dizia que deixaria o gramado mas permaneceria mobilizado. Eles cantaram o Hino Nacional e gritaram palavras de ordem como "Pátria, família e Deus". “Decidimos sair, mas não vamos desistir do Brasil”, afirmou o comerciante Ricardo Rocci, 45 anos, um dos manifestantes. O escritor Felipe Porto, 55 anos, prometeu novas ações. “Estamos prontos para fazer novos acampamentos, inclusive em frente a casa do governador”, disse, vestido com roupa de camuflagem e usando um broche em homenagem ao Exército.

Alceu irá cobrar de Sartori atraso no repasse do transporte escolar?

Caxias do Sul é a segunda maior credora do governo estadual em relação aos repasses do transporte escolar. São R$ 1,61 milhões, em valores do final de outubro.

O levantamento feito pela Famurs mostra que o governo Sartori (PMDB) deixou de repassar, esse ano, R$ 80 milhões para garantir o transporte dos estudantes da rede estadual. Com isso 60 cidades já anunciaram que não vão transportar mais os alunos da rede estadual junto com os da rede municipal.

Se o governo do estado não resolver essa situação, seja pagando o que deve ou fazendo novas licitações, esses alunos ficarão literalmente a pé. Por enquanto são 19 mil alunos atingidos, mas esse número pode crescer até o começo do ano letivo.

A maioria dos prefeitos está tomando alguma atitude, individualmente ou pela Famurs (que representa os municípios), o prefeito de Caxias do Sul, Alceu Barbosa Velho (PDT), por outro lado silencia.

O prefeito caxiense fala como leão quando cobra os repasses do governo federal e fala como gatinho quando é sobre os atrasos do governo Sartori. Talvez essa sua atitude se dê pelo fato de dever muito de sua eleição para prefeito ao atual governador.

Em relação ao orçamento municipal o valor até pode ser considerado baixo, mas deixar R$ 1,6 milhão de lado para uma prefeitura que está reduzindo o atendimento na saúde por dizer que não tem dinheiro é uma baita contradição.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Golpista saca arma e atira em frente ao Congresso


Um manifestante acampado em frente ao Congresso Nacional foi detido na tarde desta quarta-feira 18 pela Polícia Militar do Distrito Federal após sacar uma arma e dar três tiros para o alto. A informação foi publicada no site da bancada do PT na Câmara.

Segundo a polícia, trata-se de um policial reformado do Maranhão, que já havia sido detido na última sexta-feira 13 quando falou em "matar a presidente Dilma Rousseff e jogar uma bomba no parlamento". Ele portava uma pistola e diversos tipos de armas brancas.

Hoje, o golpista iniciou um tumulto ao arremessar bombas caseiras contra os participantes da Marcha das Mulheres Negras, que reúne cerca de 10 mil pessoas nesta tarde em Brasília, e passou a ser perseguido por isso. Quando os militantes da Marcha se aproximavam, o homem sacou a arma e atirou três vezes.

Em seguida, ele correu em direção à guarnição da Polícia Militar, que fazia a proteção da entrada do Congresso Nacional, logo à frente do espelho d'água no gramado, e se entregou.

Após a prisão de sexta-feira, a bancada do PT na Câmara enviou ofício aos presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), solicitando a remoção imediata dos manifestantes acampados na área adjacente ao Congresso.

Após o tumulto de hoje, o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL),ordenou que a PM do DF e a Polícia Federal investiguem o acampamento organizado por movimentos pró-impeachment, entre eles o MBL (Movimento Brasil Livre).

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Contra Alckmin, alunos passam a ocupar 38 escolas

As ocupações de escolas da rede estadual paulista de ensino por estudantes, em protesto contra o plano de reorganização imposto pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB), com o fechamento anunciado de ao menos 93 escolas, segue ocorrendo na grande São Paulo e no interior do estado. Desde a noite de ontem (16), outras oito escolas foram ocupadas, subindo para 38 o número de unidades ocupadas, até as 10h30 de hoje (17).

Na noite de ontem (16), estudantes ocuparam a E.E. Roger Jules de Carvalho Mange, no extremo leste da capital, contra o fechamento do período noturno, conforme anunciado pela secretaria de Educação.

Pela manhã, a E.E. Godofredo Furtado, em Pinheiros, seguiu o exemplo de outra escola do bairro, a E.E. Fernão Dias Paes, que já completa uma semana de ocupação, iniciada na terça passada (10). Segundo informações dos Jornalistas Livres, a Polícia Militar acompanha pacificamente a ação. Na zona sul da capital, a E.E. Marilsa Garbosa Francisco também foi tomada pelos alunos, após se reunirem em assembleia.

Também na manhã de hoje, duas escolas foram ocupadas, em Santo André, na região do ABCD paulista: a E.E. José Augusto de Azevedo Antunes e a E.E. Dr. Américo Brasiliense, uma das mais tradicionais da região.

A presidenta da União Paulista dos Estudantes Secundaristas, Ângela Meyer, que está na Américo Brasiliense disse à reportagem da RBA que uma comissão de estudantes se reúne, nesse momento, com a direção da escola e policiais, na busca de um acordo que permita aos estudantes ocuparem ao menos o pátio da escola, que conta com a presença de cerca de 50 estudantes, nesse momento.

A E.E. Dr. Américo Brasiliense é mais um exemplo de escola que não consta na lista de fechamento, mas sofre os efeitos da reorganização, com a chegada de ao menos 12 turmas de ensino médio, acarretando em superlotação. Ângela conta também que a escola não receberá novas matrículas para o 6º ano do ensino médio, num movimento de fechamento gradual.

Em Jundiaí, estudantes tomaram a E.E. Eloy de Miranda, que deve passar a funcionar unicamente com o ensino fundamental. Em Ribeirão Pires, a E.E. Santino Carnevale também foi ocupada por estudantes ao final da manhã de hoje. Na cidade, de acordo com o plano de reorganização, apenas uma unidade receberá turmas de ensino médio no período noturno

Em Santa Cruz das Palmeiras, também no interior, a E.E. Prefeito Mario Avesani foi ocupada. Em Bauru, a E.E. Stela Machado, que deve ter encerrado o ensino médio, também foi ocupada por alunos e professores.

Durante a madrugada, em Mauá, também no ABCD, estudantes ocuparam a E.E. Maria Elena Colonia, com com apoio de pais e professores. A PM foi chamada, mas não houve violência. Pela manhã, cerca de 100 pessoas participaram de uma assembleia que decidiu manter a ocupação pelo menos até amanhã, quando haverá uma audiência pública na Câmara de Mauá sobre o tema.

Reintegração suspensa

Também ocupada há uma semana, a E.E.Diadema, teve a reintegração de posse que deveria ocorrer na tarde de ontem (16) suspensa. Assim como ocorreu com a ocupação da E.E. Fernão Dias, haverá uma audiência de conciliação com os estudantes hoje (17) às 18h.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

"Povo brasileiro de merda" diz manifestante anti-dilma após fracasso de protesto

Desesperados com o fracasso de seu movimento manifestantes pró-impeachment partiram para atitudes desesperadas nesse domingo. Diferente de agosto o que se viu nos atos convocados pelo Movimento Brasil Livre (MBL), Revoltados Online e outros não reuniram quase ninguém. Na maioria do Brasil nem sequer houveram movimentos.

Em Brasília onde há um grupo acampado na frente do Congresso Nacional (na verdade há mais barracas de acampados) o movimento não reuniu mais de 500 pessoas. Havia mais policiais que manifestantes.

Atordoados com a baixa adesão as poucas pessoas presentes resolveram partir para atitudes irresponsáveis. O vídeo abaixo mostra uma delas. Eles queriam invadir o prédio do Congresso Nacional. A Policia Militar e a Policia Legislativa (que cuida da segurança dentro do Congresso) fizeram um cordão de isolamento. Para desespero dos "coxinhas", que perceberam como é uma intervenção militar que eles tanto defendem, os policias não estavam lá para tirar fotos e sim para impedir que um bando de malucos depredassem o patrimônio público.

Em um determinado momento do vídeo, a pessoa que estava filmando, faz um desabafo: "Povo brasileiro de merda". Ele cobrava a baixa adesão da população.

Essa atitude demonstra o que já se via percebendo a algumas semanas. O movimento do impeachment naufragou. Esses grupos, profundamente aliados ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), foram arrastados com ele para a mesma lama. O povo decidiu não embarcar mais nessa canoa furada do impeachment.

Só sobraram meia dúzia de lunáticos.



Prefeito Alceu demonstra arrogância, de novo, e ofende caxienses

Alceu apresenta do Brilha Caxias  mas mostra obscurantismo
em comentário Foto: Ícaro de Campos
Não há outra palavra para definir o prefeito Alceu Barbosa Velho (PDT) senão ARROGÂNCIA. No seu ímpeto de querer implementar suas políticas ele desiste do diálogo e do consenso e aposta na imposição e na arrogância.

A última, de várias, foi no lançamento do Brilha Caxias onde o prefeito se referiu aos críticos da retirada de eventos da Praça Dante Alighieri seriam "viuvinhas da praça"!

Paradoxalmente o Brilha Caxias terá como principal palco, adivinhem?

A Praça Dante Alighieri.

A prefeitura até vai fazer um showzinho na Estação Férrea para demarcar seu intuito, mas objetivamente a árvore de natal, a decoração toda estará na Praça Dante. Sabem por quê? Porque os empresários, que financiam isso tudo, querem que as pessoas passem por suas lojas, é obvio. Se toda a programação ficasse na Placido de Castro ou na Estação Férrea, não resolveria nada no caixa.

É exatamente essa a crítica que fazem, por exemplo. os livreiros da Feira do Livro, que na Estação Férrea o fluxo de pessoas será muito menor e prejudicará as vendas.

Mas o prefeito não aposta no debate. Aposta na imposição como fez com a cancha de rodeios, no asfaltamento da Plácido de Castro, na ciclovia da Perimetral Norte e nos eventos na Estação Férrea. Na maioria dos casos suas medidas resultaram em fracassos de público e crítica.

Qualquer pessoa inteligente percebe que esse comentário foi infeliz, como infeliz é seu jeito de governar. Inclusive esse modo Alceu de impor pode levar a um racha na coalizão que garantiu sua eleição em primeiro turno.


domingo, 15 de novembro de 2015

Todos falam o mesmo: subiu a carga tributária sobre as empresas. Todos, menos os números…


Fonte: Fernando Brito/Tijolaço



Sabe aquela história de que a carga tributária no Brasil vem subindo porque o Governo Federal é gastador e ainda dispersa o Orçamento em transferências sociais como o Bolsa-Família (e outras subvenções sociais, como o pagamento de proventos a deficientes, idosos, etc) e com obras de infraestrutura?

Esqueça.

É, numa palavra bem simples e direta, mentira. Embora seja proclamada diariamente por jornais, seus colunistas e líderes empresariais, sem contestação.

Um amigo pediu que me enviassem um estudo publicado esta semana pelo Ministério do Planejamento, realizado com base nos dados oficiais da Receita Federal, todos eles registrados na contabilidade pública, não com número de consultorias, destas que sabem que as notinhas contra o Governo lhes rendem prestígio nos meios econômicos.

O trabalho, seco e direto, é estruturado – como o jornalismo deveria ser e, infelizmente, não é – em fatos.

Vou procurar resumi-los e seguir a estrutura da demonstração, que faria muita gente corar de vergonha, se a tivesse.

Fato 1 – Quanto se pagou de imposto ao Governo Federal?

Nos seis últimos anos do Governo Fernando Henrique ( o estudo não abrange 1994 e 1995) a carga tributária federal passou de 17,4% para 22,3% do Produto Interno Bruto (que é a soma de toda a riqueza produzida no país). Percentualmente, um aumento de 28,2%. Ou seja, usando como baliza a riqueza produzida no país, se antes se pagava R$ 100 de imposto em 1996, passou-se a pagar R$ 128,20 em 2012, em valores que descontam a inflação do período. Durante todo o Governo Lula, a carga manteve-se relativamente estável e, oito anos, passou de 22,3 para 22,4, 0,45% de aumento, um sobre o outro. O que faz, sempre em valores reais, os R$ 128,20 que se pagavam de imposto ao fim do governo FHC passarem para R$ 128,80, redondos. Já no Governo Dilma, o que se pagava de impostos ao Governo Federal, considerando o fim do primeiro mandato, passou para 22,9% do PIB. De novo, a cada 100 reais de riqueza produzida, na mesma base de valor real, pagou-se ao Governo Federal R$ 131,67. Para fazer a comparação em valor real: se pagava-se R$ 100 em 1996, ao final do Governo FHC pagou-se mais R$ 28,20. Já nos doze anos de Lula e Dilma, os R$ 128,20 de 2002 tiveram um acréscimo de R$ 3,47.

Fatos 2 e 3 – Quanto os empresários pagaram a mais e por que pagaram.

Os recolhimentos a título de FGTS – portanto, sobre a folha de salários de empregados formais das empresas privadas eram 1,36% do PIB em 1996. Passaram a 1,6% do início do Governo Lula e terminaram o mandato inicial de Dilma Roussef a 1,97% do PIB, como resultado da formalização do trabalho, exclusivamente, uma vez que não houve aumento de alíquota. Mais ou menos o mesmo é registrado nas contribuições patronais do Sistema “S”, que vai para o Senai, Sesi, Senac, Sesc e outros, que são valores geridos pelas associações empresariais, não pelo Governo. Passaram de 0,2% do PIB em 1996 para 0,22% quando Lula assumiu e chegaram 0,31% ao fim do governo Dilma. São, ambos, resultado do aumento dos valores da folha de pagamentos, basicamente gerados pelo aumento do número de empregados e pela ascensão da massa salarial. Uma crescimento, além de pequeno em valores brutos, que deveria ser saudado como positivo, pois significa que há mais salários sendo pagos, formalizados, no país.

A soma de ambos ainda tem um dado interessante: Os 0,37% do PIB de aumento do FGTS e os 0,09% do PIB dos períodos Lula e Dilma, que somam 0,46% do PIB correspondem, juntos, a três quartos do aumento da carga tributária federal desde o final do período FHC. Ou seja, dos R$ 3,47 que se pagou a mais em impostos desde o início do Governo Lula, R$ 2,60 vieram do fato de estarem contratando mais, por salários menores. Como são por aumento da folha de salários – e a folha de salários aumenta porque se emprega mais gente para ganhar mais – são retrato da saúde da economia.

Mas, como dizia aquele sujeito da TV, isso não é tudo.

Fato 4 – E o dinheiro da Previdência?

É, porque o dinheiro recolhido pela Previdência Social, embora volte todo – e ainda fica faltando muito – para o pagamento de aposentadorias e pensões conta como carga tributária bruta, embora não seja a líquida, que entra nos cofres do Governo, para seus gastos. Essa cresceu mais ainda, vinda de empregadores e empregados. No caso dos empregados privados (RGPS, no gráfico), ela praticamente não cresceu sob Fernando Henrique – desemprego e arrocho salarial não o permitiam – mas subiu praticamente 1,2% do PIB.

Dinheiro descontado do trabalhador, do patrão à medida em que o paga, e do servidor público, cujos recolhimentos (RPPS, a linha do segundo gráfico) cresceram muito com o fim do arrocho imposto ao funcionalismo pelo governo tucano. Não é, portanto, uma “carga tributária” que signifique a drenagem de recursos do empresariado, até porque – salvo naquela versão do Professor de Desemprego veiculada aqui outro dia – o fato de haver mais gente trabalhando e ganhando um pouco mais seja danoso à economia e aos seus fundamentos (???).

Fato 5 – A carga tributária federal aumentou ou diminuiu?

Em percentagem do PIB, sim , aumentou, mas apenas 0,6% do PIB em 12 anos, de 1996 até 2014. Mas, se considerados os impostos sobre produção, propriedade e, sobretudo, sobre os ganhos financeiros – ou seja, descontando os tributos relativos a salários, que crescem mesmo quando há mais emprego e renda, o que houve, como está claro no gráfico que, lá em cima, ilustra o post, foi uma redução da carga tributária.

Sim, 1% a menos nos impostos federais sobre a propriedade de terras, mais a produção industrial, mais as operações financeiras e mais a renda, seja a do trabalho da classe média, seja a das empresas, as pessoas jurídicas.

Mas isso, caro leitor, você não verá nos relatórios dos bancos, nos documentos da Fiesp, nem nas colunas econômicas, embora sejam números, conferíveis e auditáveis.

Preferimos viver de lendas que, em resumo, querem dizer o seguinte: ganhamos quando as vacas estavam gordas e queremos, quando elas emagrecem, ganhar do mesmo jeito.

Se alguém tem que pagar, que seja o povo, sem emprego, sem renda, sem previdência, sem esperança.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Manifestante de acampamento anti-Dilma é preso com "arsenal" em veículo

Um dos manifestantes acampados em frente ao Congresso Nacional foi preso no final da tarde de ontem em Brasília. Em um veículo que dirigia foi encontrado uma pistola Taurus .380, um caniveve adaptado como soco inglês, sprays de mostarda, um porrete e diversos furadores de coco (que são verdadeiras facas). 
 
A prisão foi feita no momento em que ele registrava um boletim de ocorrência contra uma outra pessoa, que era apoiador do governo, e que ele havia discutido. O homem que estava sendo acusado disse que havia sido ameçado por um revolver e sugeriu que os policiais olhassem no carro do acusador. Foi aí que a polícia descobriu esse armamento. O homem, que segundo as informações disponíveis, é sargento reformado da PM do Distrito Federal. 
 
Segundo os próprios manifestantes que foram tentar liberar o Sargento ele dizia que iriam matar Dilma e jogar uma bomba no Congresso Nacional. E oportunidade ele tinha já que estava acampado à 100 metros do Congresso Nacional e a 20 metros do Itamaraty. Tudo isso com acobertamento dos manifestantes. 
 
O caso foi registrado na 5ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal e o meliante foi levado para o presídio da Papuda onde está preso. 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

“Caminhoneiro” de matéria da RBS TV tem o mesmo nome e cara de vereador do PP em Três Cachoeiras

Fonte: RS Urgente

O Jornal do Almoço, da RBS TV, exibiu nesta terça-feira uma reportagem intitulada “Caminhoneiros fazem paralisação e pedem por melhorias nas condições de trabalho no RS”. A matéria trata da greve dos caminhoneiros autônomos que têm como uma das suas principais reivindicações a renúncia da presidenta Dilma Rousseff. A reportagem, entre outras coisas, mostra a mobilização dos motoristas no município de Três Cachoeiras e traz o depoimento do “caminhoneiro” Flávio Lipert que cobra diálogo do governo a garantia de um trabalho com dignidade para a categoria. Excluída a possibilidade de uma incrível conjunção de homonímia com semelhança física, o caminhoneiro em questão é o vereador de Três Cachoeiras, Flávio Raupp Lipert, eleito vereador para a Legislatura 2013-2016 pelo PP, com 740 votos.

O vereador Flávio Lipert seria caminhoneiro? Sua página no Facebook, que ainda traz muitas publicações da campanha da senadora Ana Amélia Lemos para o governo do Rio Grande do Sul, informa que ele é proprietário da empresa FRL Assessoria e não traz registros de sua atividade como caminhoneiro. Os guias telefônicos na internet indicam o Escritório de Advocacia Flavio Raupp Lipert como uma empresa de confiança sediada no município de Três Cachoeiras. Deve ser tudo uma grande coincidência, é claro.

Bancada Evangélica quer "democratizar" o acesso ao STF pelas igrejas

O deputado federal João Campos (PSDB-GO), autor da proposta da “cura gay” na Câmara, é também o mentor do PEC 99/2011 que amplia a legitimação ativa para propositura de Ação Direita de Inconstitucionalidade (ADI) às entidades de cunho religioso.

A PEC foi aprovada nesta terça-feira (10/10) em Comissão Especial por Deputados da Bancada Evangélica.

Se aprovada pelo Plenário da Câmara e depois pelo Senado, entidades religiosas como a CNBB e a Assembleia de Deus poderão questionar, diretamente ao Supremo Tribunal Federal a Constitucionalidade de Leis Federais.

Segundo João Campos: "A proposta surgiu de uma informação de que havia uma possibilidade de apresentação de um projeto para tributar as igrejas, para cobrar imposto. Bom, aí surgiu a ideia: a forma de enfrentar uma lei inconstitucional é ir ao Supremo Tribunal Federal."

A proposta é uma afronta ao princípio do Estado Laico, previsto na Constituição Federal. Estado e religião não se misturam.

A legitimação de entidades religiosas para propositura de Ação Direita de Inconstitucionalidade (ADI), Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) e Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) é uma das prioridades da bancada evangélica, aliada de Cunha.

A PEC é um retrocesso no estado de direito. Avanços importantes de cunho social, educacional e mesmo de saúde poderão ser barrados, sob a alegação de serem inconstitucionais, a exemplo do ensino sobre gênero nas escolas.

Os deputados defensores da proposta argumentam que a intenção é ampliar a democratização do judiciário e o acesso à justiça. Pura balela. A PEC tem como fundo a implementação do fundamentalismo religioso e o ataque a qualquer tipo de avanço que afronte os dogmas da igreja.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Delator da Lava Jato derruba tese de Gilmar Mendes contra Dilma

O principal delator da Lava Jato, Ricardo Pessoa, dono da UTC, derruba a tese do Ministro do STF, Gilmar Mendes, que tentava cassar a candidatura de Dilma através das doações de campanha. 
 
Pessoa foi taxativo em seu depoimento: "as doações para as campanhas eleitorais não tinham relação com as propinas pagas pela empreiteira em troca de contratos da Petrobras". 
 
Ou seja, uma coisa era uma coisa, outra coisa era outra coisa. 
 
O empreiteiro afirmou que havia uma diferença entre as doações feitas dentro e fora do período eleitoral. A principal tese para a cassação da presidenta era que as doações de campanha eram disfarçadas de propina. 
 
Pessoa já havia dito isso em depoimento sobre as supostas contribuições irregulares ao ministro Aloizio Mercadante (PT/SP) e Aloysio Ferreira (PSDB/SP).
 
Se o depoimento de Pessoa for válido as intenções de Gilmar Mendes naufragarão. Se considerarem irregular o depoimento toda a Lava Jato vai para o ralo. 

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Globo reconhece que mentiu

Com medo de uma pesada condenação judicial o jornal O Globo teve que finalmente admtir que seu veículo mente. 

Mentiu descaradamente na capa de 11 de outubro quando estreou, de "forma triunfal", do ex-Veja, Lauro Jardim. A manchete era: "Baiano diz que pagou contas do filho de Lula". 

O "furo exclusivo" se transformou numa "barrigada" (termo jornalístico para informação publicada errada) criminosa. 

Processada por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o jornal teve que admitir que ele não é citado nenhuma vez na delação premiada de Fernando Baiano. 

Mas, obviamente, O Globo não deu a mesma visibilidade da manchete inicial. A retração foi uma nota, que apesar de ser na capa, não teve o mesmo peso da mentira. 

Pior do que isso são as centenas de publicações derivadas da mentira publicada no O Globo. Além de rádios e jornais que reproduziram o conteúdo e, provavelmente, não irão reproduzir o desmentido, centenas de blogs de direita e reacionários continuam com o conteúdo como se verdadeiro fosse. 

Esse exemplo torna cada vez mais evidente que a grande mídia precisa de uma fiscalização social permanente, para que maus jornalistas não prosperem divulgando mentiras nas páginas de jornais. 

domingo, 8 de novembro de 2015

Aécio cedeu aviões do governo de Minas Gerais para celebridades e políticos

Luciano Huck (ao fundo) amigo de todas a horas de
Aécio e passageiro hatibué dos aviões públicos de Minas
Era uma verdadeira festa. Além de fazer 124 viagens, usando aviões do governo de Minas, para o Rio de Janeiro (veja aqui), as mesmas aeronaves foram utilizadas para deslocamentos de celebridades, empresários e pessoas que não tem nenhuma relação com o governo mineiro.

A informação divulgada pela Folha de São Paulo mostra que o Aécioporto fez 198 viagens levando pessoas alheias a administração pública. Nesses vôos não estavam presentes nem Aécio, nem qualquer secretário de governo.

Mas a lista de celebridades e empresário é enorme. Entre ele estão o amigo e apoiador político Luciano Huck, a dupla Sandy e Junior, os atores José Wilker e Milton Gonçalves e o todo poderoso executivo da Globo José Bonifácio Sobrinho, do Boni.

O dono da Veja também teve um vôo pago pelo contribuínte mineiro. Roberto Civita e sua mulher usaram uma aeronave de Minas Gerais em 2010.

Outro que usava aviões público sem pagar é o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Foram passageiros, também, diversos políticos tucanos, com ou sem mandato, além de políticos de outros partidos. Até jornalistas tinham acesso a esses vôos que saiam dos cofres do governo de Minas Gerais.

Esses agradinhos, feitos do dinheiro público, acabavam rendendo beneses junto a empresários, futuros financiadores de campanha, ou a jornalistas que rendiam matérias e comentários elogiosos, na Veja até capa de revista rendeu. Além disso as celebridades globais emprestavam seu prestígio para o ambicioso político mineiro.

Paralisação dos caminhoneiros é política e não conta com apoio das lideranças da categoria

Com a possibilidade de ser deflagrada amanhã, dia 9, a paralisação dos caminhoneiros não conta com o apoio dos sindicatos e associações de caminhoneiros pelo país. Mais do que isso, a paralisação não conta com nenhuma pauta e a única reivindicação é a renúncia da presidenta Dilma.

O articulador do movimento é Ivar Schmidt, dono de uma frota de caminhões no Rio Grande do Norte. No começo do ano ele foi uma das lideranças da paralisação, embora não tenha havido nenhum bloqueio em seu estado.

O movimento irá declarar apoio ao Movimento Brasil Livre, MBL, que está acampado em frente ao Congresso Nacional há 15 dias.

Esse apoio deixa claro que o objetivo é usar os caminhoneiros como massa de manobra.

A paralisação não conta com apoio das lideranças sindicais e de associações de caminhoneiros. Nem da bancada ruralista na Câmara (que vê o movimento com preocupação em relação ao escoamento da produção).

André Costa, presidente da Federação dos Caminhoneiros autônomos do RS e de SC é taxativo. "Pelo o que percebemos, alguns infiltrados estão usando o caminhoneiro para instigar um golpe de Estado".

A mesma opinião tem o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas de Campo Mourão, no Paraná, José Severino Provasi. "O pessoal está fazendo a paralisação para pedir a saída da Dilma. Não tem nada a ver com o caminhoneiro, pelo contrário, a classe está sendo usada", criticou.

Até mesmo lideranças das primeiras greves dos caminhoneiros, durante o governo FHC, critica o movimento. "Os sindicatos não estão envolvidos com isso, não temos nada a ver com isso", afirma Nélio Botelho, do Movimento União Brasil Caminhoneiro.

sábado, 7 de novembro de 2015

INÉDITO: um tucano foi julgado no Brasil

Antério Mânica durante a campanha eleitoral ao lado de
outros tucanos mineiros
Acabou ontem o julgamento do ex-prefeito, pelo PSDB, de Unaí, Antério Mânica. Ele foi condenado a 99 anos, 11 meses e quatro dias de prisão por ser um dos mandantes dos assassinatos de três fiscais do trabalho e um motorista. O assassinato ocorrido em 2004 na cidade de Unaí quando os fiscais preparavam uma visita a fazenda com suspeitas de manterem trabalhadores em regime de escravidão.

Naquele mesmo ano Mânica concorre, e é eleito, prefeito de Unaí pelo PSDB. Em 2008 ele é reeleito, também pelo PSDB, mesmo já havendo investigação sobre ele na justiça por conta da chacina. Em 2008 o governador Aécio Neves (PSDB) concede uma condecoração a Mânica. Ele só deixa o PSDB em 2012 no final de seu segundo mandato.

Na semana passada a Justiça condenou Norberto Mânica, irmão de Antério, também acusado como mandante do crime. Ele foi condenado a 98 anos, 6 meses e 24 dias de prisão. Outro julgado no mesmo dia, por sua atuação como intermediário no crime, José Alberto de Castro, recebeu uma pena de 96 anos, 5 meses e 22 dias.

Apesar dessas penas longas todos eles poderão recorrer ao crime em liberdade.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Mulheres se unem em ato contra violência policial e machismo em Porto Alegre

Débora Fogliatto/Sul21

A agressão policial denunciada por mulheres que organizavam a Primeira Feira do Livro Feminista e Autônoma, no último domingo (1), foi o estopim para o ato que reuniu centenas de pessoas nesta terça-feira (3) na Praça da Matriz, Centro de Porto Alegre. Embora a feira tivesse caráter autônomo e o grupo agredido seja composto por mulheres que afirmam não confiar na Polícia e no Estado para registrar um Boletim de Ocorrência, o protesto reuniu mulheres de todas as vertentes, muitas das quais defenderam que houvesse uma apuração estatal do ocorrido.

As militantes se reuniram em frente ao Palácio Piratini, denunciando o acontecido ao governo do Estado, que é quem comanda a Brigada Militar. Mesmo assim, havia menor presença de policiais observando e acompanhando o ato do que no protesto ocorrido na segunda-feira (2), que foi liderado pela própria organização da Feira Feminista. Já na noite de terça, a manifestação teve caráter de apoio e solidariedade a elas.


Entoando “a violência contra a mulher não é o estado que a gente quer”, as mulheres presentes no ato se revezaram ao microfone criticando a agressão, mas também mencionando a opressão sofrida pelas mulheres na sociedade, citando questões políticas e ideológicas. O protesto contou com militantes de diversos movimentos sociais, de juventude, LGBTs, partidos, e de variadas correntes feministas. Algumas mulheres também carregavam cruzes vermelhas representando os feminicídios no país e no Estado.

Os cartazes reforçavam que o protesto era sobre violência contra a mulher em geral: “Machismo mata todo dia”, “Nenhuma a menos”, “Nenhum minuto de silêncio! Uma vida inteira de luta” eram alguns deles, além de outros contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), que foi alvo de críticas dentre as que se pronunciaram no microfone. As falas também criticaram a extinção da Secretaria de Políticas para as Mulheres, criada no governo Tarso Genro (PT) e desmontada pela atual gestão.

“O Estado agrediu nossas companheiras que estavam fazendo um ato cultural. E nós somos agredidas todos os dias como mulheres”, afirmou Monique Prada, uma das organizadoras do ato. Algumas pediram ao Piratini que investigasse o caso, responsabilizando os policiais que participaram da ação, e criticaram o governador José Ivo Sartori (PMDB), acusando seu governo de machismo.

Uma manifestante também mencionou os nomes e causas de morte de diversas mulheres vítimas de feminicídio nos últimos meses, emocionando as pessoas presentes. Outras ainda criticaram a Brigada Militar, entoando “não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar”. Uma representante do Movimento de Mulheres Olga Benário apontou que “isso não é um caso isolado”. “Esse é o caráter da polícia. A mesma polícia que as espancou, bateu em servidores e professores, e é a mesma que mata na favela”, afirmou.

Da mesma forma, a militante da Federação Anarquista Gaúcha Lorena Castillo destacou que o ocorrido é semelhante ao cotidiano na periferia. “As mulheres são quem estão na luta. Não estou falando dos governos, porque em 2013 tinha um governo dito de esquerda e jovens foram agredidos pela BM. Queremos uma autodefesa feminista, lutar e construir desde a base”, defendeu.

Denúncia de agressão


Algumas participantes e organizadoras da Primeira Feira do Livro Feminista e Autônoma realizavam um ensaio artístico na noite de domingo (1) na praça entre as ruas Jerônimo de Ornelas e Santa Terezinha, no bairro Farroupilha, quando foram abordadas por dois policiais. Eles afirmam que vizinhos reclamaram que as jovens estariam fazendo “algazarra”. As vítimas afirmam que “eles filmaram e intimidaram as mulheres presentes que estavam falando com eles, o que gerou reações de proteção entre as mulheres, como se organizar para ir embora e filmar a situação”.

A partir daí, os policiais chamaram reforços — no relato da polícia, consta que estiveram presentes três viaturas — e os BMs teriam começado a agredir as mulheres. “[Eles] foram extremamente agressivos e marcadamente racistas desde o início e tentaram deter uma de nós de maneira violenta, o que desencadeou uma série de agressões físicas por parte da polícia das quais nove mulheres ficaram feridas, sendo que quatro gravemente e precisaram de atendimento médico”, relatam.

A Brigada afirma estar apurando as denúncias de violência. As mulheres que afirmam terem sido agredidas já procuraram auxílio jurídico, mas a princípio não devem registrar boletim de ocorrência. Na segunda-feira (2), as militantes organizaram um ato que saiu da Fera Feminista e foi até a Feira do Livro tradicional para denunciar o ocorrido.

Fotos: Guilherme Santos

A chapa vai esquentar para os racistas da internet

Se Taís Araujo fosse uma pessoa "comum" os ataques que ela em uma postagem do Facebook, sofreu não teriam grande repercursão. Mas mesmo assim o fato não é menos grave e, quem sabe, sirva para frear os fascistas e racistas que invadem o Facebook.

A atriz prestou depoimento na sede da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática, no Rio de Janeiro. "Presto depoimento porque sei que meu caso não é isolado e é exatamente o que acontece com milhares de outros negros no país", afirmou Taís.

Pode ser que nesse caso a situação não seja esquecida e fique por isso mesmo. Inclusive a chapa pode esquentar para quem fez comentários racistas e preconceituosos no Facebook dela.

Segundo o Jornal Extra a delegacia já identificou um grupo de 30 pessoas que se reuniram em um grupo do WhatsApp somente para combinar um ataque orquestrado contra a atriz.

Essas pessoas podem responder por injúria racial, que é um crime inafiançável e imprescritível. Além disso há a formação de quadrilha, entre outros crimes. As penas podem ultrapassar os cinco anos de cadeia.

Somente com uma ação dura e enérgica contra os racistas e fascistas eles voltarão os seu lugar de convívio, ou seja, o esgoto da sociedade.

Em tempo: para desgraça dos racistas a fanpage de Tais ganhou 610 mil novas curtidas em apenas 3 dias.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

10 falas absurdas de políticos sobre a internet

A CPI dos Crimes Cibernéticos, que deveria investigar atividades ilegais na internet, tem se tornado um espaço de frases bizarras. Teoricamente o espaço deveria discutir casos de roubo de dados, invasão de privacidade, desvio de dinheiro, entre outros crimes, mas virou um lugar onde o "baixo clero" (deputados que não tem expressão nenhuma).

Veja abaixo um compilado de algumas falas absurdas dos parlamentares sobre o tema. Alguns deputados chegam ao absurdo de propor alterações no Marco Civil da Internet retirando algumas das liberdades garantidas por essa lei.

Veja abaixo:

Deputado João Arruda (PMDB/PR): "Se colocarmos em cada cidadão brasileiro uma tornozeleira, por exemplo, vai ser muito mais fácil e muito mais rápido de desvendar um crime".
(Nem o roterista mais obscuro imaginou um roteiro onde todos os cidadãos usassem tornozeleiras).

Deputado Sandro Alex (PPS/PR): "Este é o primeiro questionamento que eu gostaria que vocês esclarecessem a essa comissão: se o e-mail que é transmitido pelo Google ou pelo Yahoo é lido pelas máquinas ou se também é lido por pessoas?"
(Deputado deve estar imaginando que na sede do Google há milhares de pessoas lendo emails das pessoas)

Deputado Sandro Alex (PPS/PR): "Primeira pergunta: o Facebook não fornece nota fiscal?"
(Poderia ter pesquisado no próprio Facebook. Também o deputado não deixou claro seu objetivo com a pergunta.)

Deputado Alexandre Leite (DEM/SP): "eu gostaria de saber o que os senhores sabem a respeito de um provedor, acredito eu, chamado deep web, em que se utiliza o bitcoin".
(Deputado demonstrando que não usa o Google antes de perguntar)

Deputada Mariana Carvalho (PSDB/RO): "Eu fico até preocupada com a possibilidade de o governo italiano vir ao Brasil apresentar novas regras à nossa sociedade".
(Deputada trocou as bolas. Os italianos vieram ao Brasil aprender conosco sobre o Marco Cívil da Internet)

Deputado Marco Feliciano (PSC/SP): "O Facebook poderia trabalhar numa campanha para incentivar os pais a não fazerem perfis dos filhos, porque os pais acabam fazendo o cadastro deles e entragam nas mãos deles. O Facebook poderia fazer uma campanha em cima disso, para que os pais não fizessem isso, porque eles acabam expondo os próprios filhos ao risco".
(Deputado diz que a culpa dos perfis infantis é dos pais, o que é verdade, mas acha que o Facebook deveria agir. Na verdade já age. Há idade mínima para criar uma conta. Acontece que as pessoas mentem. Como diria o Dr. House: "todo mundo mente").

Deputado Marco Feliciano (PSC/SP): "Por que no cadastro das contas [Facebook, Twitter, Yahoo,...] não pedem ficha corrida com telefone, endereço, CPF, RG? Assim ficaria muito mais fácil detectar as pessoas depois do ataque a outras"
(Mais uma do Feliciano. Apesar de alguns cadastros pedirem alguns desses dados, como os sites de compras, elas não são usadas para detectar ataques. Também nenhum lugar pede a ficha corrida, nem teria como)

Deputado Daniel Coelho (PSDB/PE): "Se um site coloca no seu endereço um ponto com ponto br, obrigatoriamente ele precisa ter um CNPJ brasileiro e um endereço físico no Brasil, ou uma empresa baseada fora pode utilizar esse endereço?"
(Deputado que é subrelator da CPI poderia ter usado o Google para saber que não há essa exigência)

Deputado Éder Mauro (PSD/PA): "Nos crimes de estelionato, pedofilia e outros, que são feitos não pelos meios móveis, mas pelos meios fixos, como é o caso dos cybers, dos notes, dos computadores fixos, que só são identificados também pelos IPs. A meu ver também não é preciso autorização policial para conseguir os dados cadastrais, bastando a autoridade policial requere às operadoras".
(Deputado que é delegado acha que não seria preciso autorização da Justiça para ter acesso aos dados de navegação. Imagina se houvesse essa liberação para as contas bancárias e as ligações telefônicas?)

Deputado Celso Jacob (PMDB/RJ): "Então, meu grande drama é trabalhar com o meu perfil pessoal"
(Deputado aproveitou a presença do representante do Facebook para fazer uma afirmação extremamente relevante #sqn)

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Top 5 Polenta News - Outubro 2015


Veja abaixo as postagens mais lidas no Polenta News no mês de outubro de 2015.

Mauro Pereira, fiel escudeiro de Eduardo Cunha na Câmara de Deputados - Em momentos de Fora Cunha um deputado aparece como defensor diário do presidente da Câmara. O caxiense Mauro Pereira (PMDB) faz esse papel. 

Sartori faz a legítima "gambiarra fiscal" com os empréstimos para pagar servidores e hospitais - Os empréstimos que o governo do estado está fazendo, e fará, em nome dos hospitais e de servidores se constituem em mais do que uma "pedalada fiscal" é uma "gambiarra fiscal".

Você sabe o que são as chamadas "pedaladas fiscais" ? - A imprensa fala há 10 meses sobre as pedaladas fiscais, mas você sabe o que elas realmente são?

Feira do Livro encerra como começou, com protestos -  Feira do Livro é marcada por protestos.

A burrice da oposição brasileira demonstrada na geração de energia eólica - Indisposição da mídia com a presidenta Dilma chega ao absurdo de tirar sarro com avanços tecnológicos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

PT não é responsável pela crise ética, afirma general


Após demitir comandante militar do Sul por incitação ao golpe, o comandante do Exército Brasileiro, Eduardo Villas Bôas, diz em entrevista que há sim uma crise ética no país, mas que ela não é de agora e que a chegada do PT ao poder não tem responsabilidade nisso.

O comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, afirma que há sim uma crise ética no país, mas que a chegada do PT ao poder não tem responsabilidade nisso. Para ele, a corrupção está instalada no Brasil, mas todas as instituições estão em pleno funcionamento, razão pela qual não há chance de intervenção dos militares.

“O Brasil é um país com instituições sólidas e amadurecidas, que estão cumprindo seus papéis. O Brasil é um país sofisticado, com sistema de pesos e contrapesos, ou seja, não há necessidade de a sociedade ser tutelada. Nosso papel é essencialmente institucional, legal e focado na manutenção da estabilidade para permitir que as instituições cumpram suas funções”, disse Villas Bôas ao Estado (aqui).

As declarações do comandante supremo do Exercito sucedem a demissão do comandante militar do Sul, general quatro estrelas Antonio Hamilton Martins Mourão, transferido para a Secretaria de Economia e Finanças em Brasília, por incitação ao golpe contra o governo \Dilma Rousseff. Para Mourão, o Brasil carecia de um “despertar de uma luta patriótica”. Disse ainda que “a vantagem da mudança (da presidente da República) seria o descarte da incompetência, má gestão e corrupção”.

Villas Boas puniu o subordinado não por falar, segundo ele militar tem sim de falar, mas por imiscuir-se em tema institucional restrito do comandante geral. Um ato de insubordinação, portanto.

Villas Boas vai além e defende com propriedade as instituições democráticas: “Trata-­se de um oficial reconhecido na Força, que tem todo o respeito do comandante. Mas esta questão não pode ser abordada de maneira simplista. Em momento conturbado, não é desejável nada que produza instabilidade ou insegurança. A nossa preocupação é de cooperar para a manutenção da estabilidade para que as instituições possam cumprir seus papéis e caminhar em direção à solução da crise em nome da sociedade. Foi isso que nos moveu, para que nenhum movimento venha gerar insegurança ou instabilidade.”

Na opinião do general, a crise ética da sociedade brasileira é um processo que não se instaura de um momento para o outro e que já vem de algum tempo. “Nem mesmo a autoridade da professora na sala de aula está sendo mais reconhecida. A questão ética se agravou, mas paralelamente as instituições têm cumprido com muito mais eficiência e visibilidade os seus papéis”, avalia.

Ele concorda que a corrupção está instalada no Brasil: “Mas eu diria que este é um estado de coisas que nós vivemos. Durante a Operação Pipa, no Nordeste, 60% dos 6.800 caminhoneiros que trabalham na distribuição de água tentaram algum tipo de fraude. Não se trata de estigmatizar o caminhoneiros. Não é isso. Os caminhoneiros fazem parte da sociedade brasileira.”

Mas compreende que esse não é um problema das Forças Armadas, mas do Supremo Tribunal Federal, do Ministério Público, do Tribunal de Contas da União, da Polícia Federal. “Todas as instituições do Executivo, Legislativo e Judiciário estão funcionando. A gente sente que há uma incerteza. São tantos atores, as variáveis que se movimentam que é difícil dizer qual será o desfecho disso. Mas eu acredito que o desfecho vai ser institucional. Esta situação vai se solucionar sem quebra da normalidade institucional do País.”

Villas Bôas se queixa do corte do orçamento para o Exército, que deixa a corporação sem condições de fazer o trabalho de distribuição de água no Nordeste, a vigilância das fronteiras comprometida e a tecnologia dos equipamentos obsoleta. E se disse preocupado com a declaração do presidente da CUT ao convocar a população a pegar em armas e ocupar trincheiras para defender o mandato da presidente: “Este tipo de manifestação nos preocupa porque se trata de incitamento à violência. Ela não contribui para a estabilidade do País e a normalidade do funcionamento das instituições. Mas é algo que diz respeito à segurança publica diretamente. Então nos preocupa mas, de maneira nenhuma, vai provocar nossa atuação.”